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1º METAL BRASIL – Dia do Metal

Carioca Club - São Paulo/SP, 06 de novembro de 2011

A primeira edição do festival “Metal Brasil – Dia do Metal”, dedicada ao Power Metal, que ocorreu a 6 de novembro (domingo), no Carioca Club (SP), tinha tudo para ser um evento histórico – assim como ocorreu com o festival “Brasil Metal Union” –, mas o público presente não fez jus à fama das bandas e dos músicos que se apresentaram. Foram apenas cerca de 300 pagantes. Pouca divulgação e o excessivo número de shows internacionais no Brasil foram alguns dos fatores para o evento ter tido um público baixo.

A ideia do projeto, que teve com um de seus principais idealizadores o vocalista Thiago Bianchi (Shaman), surgiu como uma proposta em prol da união e da valorização da cena nacional. No dia 13 de novembro de 1982, os paraenses do Stress, de Belém, lançavam o primeiro disco de Metal do Brasil, o LP intitulado simplesmente Stress.

A primeira banda a tocar foi o Hangar, que estreou em território paulista seu novo vocalista, André Leite, além da formação habitual com Aquiles Priester (bateria), Nando Melo (baixo), Fabio Laguna (teclados) e Eduardo Martinez (guitarra). Divulgando seu último trabalho, Acoustic, But Plugged In!, os músicos focaram o repertório em álbuns mais recentes, apresentando The Infallible Emperor (1956), Some Light To Find My Way, Haunted By Your Ghosts (com direito a uma interpretação fenomenal de André), Hastiness e Call Me In The Name Of Death. “Antes de qualquer coisa, além de ser importante para o estilo, este festival também é muito bom para os jovens que estão ali na plateia nos ouvindo e se divertindo. Um evento como esse dá oportunidade para músicos que estudaram e trabalham com o Metal mostrarem sua música”, disse o vocalista. “É bom o fã saber que quando decidimos trocar de vocalista é porque a situação já estava decidida anteriormente por quem queria sair, mas a ‘vibe’ com o André está maravilhosa e espero que ele continue por mais discos”, completou Aquiles quando questionado sobre a troca constante de vocalistas.

Forgive The Pain, The Reason Of Your Conviction e uma excelente versão de Painkiller (Judas Priest) fecharam a apresentação. “É bom lembrar para as pessoas que pensam que num festival com bandas do mesmo estilo nós iríamos nos matar, o que acontece é justamente o contrário. Todo mundo é amigo e sempre nos encontramos em vários lugares aqui do Brasil. Queremos mostrar que existe uma cena forte e unida no país”, completou o baterista.

A banda seguinte, Ilustria, mostrou faixas modernas e novas roupagens para clássicos do Metal. Músicos como Tito Falaschi (vocal e baixo) e a vocalista Clarissa Moraes fazem parte do line-up. “É muito importante esse tipo de festival para o Metal nacional que está fraco e só precisa de uma valorização maior das próprias bandas”, disse Clarissa.

As músicas apresentadas foram Screwed Up, Mesmerized, Eyes In Flames (Symbols), Perfect Crime, The Discord, Aces High (Iron Maiden) e Into The Storm. “Antigamente, precisávamos ir para fora do país mostrar nosso som, mas agora até as bandas estrangeiras estão vindo para cá direto porque sabem que público nós temos. Os fãs de música pesada no Brasil precisam nos apoiar”, completou Tito Falaschi.

Os veteranos do Wizards, que voltaram à ativa no disco The Black Knight (2010) – lançado apenas no Japão – são lembrados com carinho por quem gosta do Metal Melódico e não fizeram feio no Dia do Metal. Pelo contrário, apresentaram faixas como Thunderbolt, Why (Helloween), Freedom, Fallen Angels e Yeshua Netsaret. “Estamos muito felizes pela iniciativa do festival e agradecemos de coração ao Thiago Bianchi por fazer com que voltássemos a tocar ao vivo exatamente no Dia do Metal nacional”, disse o vocalista Christian Passos. “Nossa ideia é voltar a gravar e tocar regularmente como banda, algo que não fazíamos há seis anos”, completou.

Divulgado como atração especial, Nando Fernandes, considerado uma das vozes mais espetaculares do país, mostrou em primeira mão aos paulistanos sua nova banda, Forward, que tem influência de Hard e de Metal tradicional.

“Quando saí do Hangar não tive pressa de montar outra banda, mas precisava me juntar a grandes amigos para que isso acontecesse e, a partir de então, criar músicas novas e do meu gosto pessoal”, disse o vocalista. “A ideia é que seja uma banda de verdade, com discos e turnês, e não um projeto”, completou. O grupo apresentou versões para Perry Mason (Ozzy Osbourne), One More Chance (Hangar), Whole Lotta Love (Led Zeppelin) e Holy Diver (Dio), além de duas faixas inéditas, Fallen Angel e When The Sun Goes Down. “O festival mostrou que as bandas nacionais não devem em nada para as estrangeiras. Admiro muito a iniciativa do Thiago de criar algo assim no Brasil”, analisou Nando.

Os gaúchos do Hibria já são reconhecidos mundialmente pela potência e força no estilo que propõe a tocar, ou seja, Power Metal bem tocado, rápido e vigoroso. Com várias cartas na manga e excelentes músicos, o grupo tocou faixas de seu último álbum, Blind Ride, com propriedade. “Fiquei muito feliz por ter sido chamado pelo Thiago para tocar nesse festival. Aliás, aqui estão algumas das melhores bandas do estilo”, disse o vocalista Iuri Sanson.

A banda apresentou músicas como Blind Ride, Nonconforming Minds, Shoot Me Down, Welcome To The Horror Show, Tiger Punch, Blinded By Faith e Rotten Souls. “Comecei escutar Metal em 91, mais ou menos, mas como não sou pesquisador do estilo fico espantado quando escuto bandas brasileiras com a qualidade das que tocaram hoje”, afirmou Iuri.

O show mais comentado do festival, sem dúvida, foi do Almah, capitaneado por Edu Falaschi (Angra). O vocalista entrou no palco claramente descontente com a pouca presença do público e música após música soltava frases do tipo: “Estamos vendo a morte do Metal nacional ‘in loco’.” Ou: “Pau no cu de quem não apoia as bandas brasileiras.”

O repertório do show do Almah teve foco no último disco, Motion, mas isso pouco importou devido à clara sensação de desconforto causada pelo músico junto ao público presente. “Foi triste ver um festival com tantas bandas importantes como Hibria, Shaman, Hangar, Wizards, Nando Fernandes, Illustria e Almah somente com 300 pessoas”, disse o vocalista em entrevista à ROADIE CREW. “Eu lhe pergunto se vamos ter o Angra como a única banda de Metal nacional e que ainda coloca um bom número de pessoas num show. Vai ser assim pra sempre? É decepcionante ver que o sucesso das bandas e os aplausos do público são virtuais. Um fã recentemente me escreveu: ‘Edu, mas o show foi num domingo, num lugar perigoso.’ Domingo? Lugar perigoso? O show foi cedo e em Pinheiros (bairro de São Paulo), ao lado de um dos maiores shoppings da cidade”, desabafou. “O povo brasileiro tem síndrome de vira-lata. É só aparecer alguém de fora falando inglês que todo mundo dá a patinha e balança o rabinho de felicidade. Se o cara diz com sotaque ‘Brazil éu estar muitcho féliz de éstar aqui’, pronto, todo mundo morre de amores. Se liguem, os gringos estão cagando e andando pro Brasil. Eles sempre me perguntam se aqui tem macacos nas ruas”, completou Edu.

Para finalizar, tivemos o Shaman, banda liderada por Ricardo Confessori (bateria) e Thiago Bianchi (vocal). O grupo estava divulgando seu último álbum de estúdio, Origins, e tocou músicas como Turn Away, Lethal Awakening, For Tomorrow, Inferno Veil, Finally Home e Fairy Tale. “A ideia do festival é ter mais edições além desta, que tem bandas de Power Metal, pois queremos promover os artistas nacionais. Provavelmente teremos uma edição de Thrash ou Death no ano que vem, mas a ideia principal é seguir mostrando que temos qualidade de sobra”, disse o baixista Fernando Quesada.

Poderíamos ter diversas outras bandas nessa noite, como Andre Matos, Angra, Dark Avenger, Soulspell Metal Opera, Pastore, Shadowside, Glory Opera e Tierramystica, entre muitas outras. Não é de hoje que se fala sobre a pouca presença de público em eventos nacionais. Não importam estilo, crença ou religião, o fato é que nunca tivemos tantos shows internacionais em um espaço de tempo tão curto. Os fãs têm que optar entre bandas que pouco passam por aqui ou assistir “as mesmas de sempre” – frase muito comum entre os ouvintes do gênero. O festival foi uma excelente iniciativa, mas se ficar só no boca-a-boca e na internet, certamente uma próxima edição terá as mesmas 300 pessoas. Ou até menos.

 

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