Entrevistas

HELLOWEEN

MICHAEL WEIKATH E AS GUITARRAS DO HELLOWEEN

Na ativa desde o final dos anos 70, o guitarrista e um dos fundadores do Helloween já teve Kai Hansen e Roland Grapow como parceiros e há dez anos trabalha ao lado de Sascha Gerstner. Michael Weikath, fã declarado de bandas como Deep Purple e Led Zeppelin, atualmente é o único integrante que está desde o início da formação do grupo alemão, considerado um dos pioneiros do Power Metal e Heavy Metal Melódico. Na entrevista a seguir, ele dá detalhes da criação da parte de guitarras e fala sobre o mais recente lançamento da banda, “Straight Out Of Hell”.

O que você estava buscando em termos de riffs e timbres de guitarra para esse novo álbum?
Michael Weikath: 
Sascha é um guitarrista atualizado, tem uma técnica muito boa que eu jamais tive e ele sempre traz muitas ideias boas em termos de riffs e acordes. E ele nos apresentou muitas ideias para esse novo trabalho. Eu já me mantenho mais na linha do que sempre fiz que é me concentrar em escrever músicas, na vibração da banda. Não sou nenhum Nerd da guitarra, tenho meu estilo mais voltado para o Rock n’ Roll. E essa combinação é boa porque dessa maneira o que eu não posso fazer ele faz e vice-versa. Por isso que é legar ter dois guitarristas em uma banda! Ele tão mais técnico que eu poderia me sentir frustrado ou depressivo, mas não estou nem aí para isso porque formamos um time para criar coisas legais e isso que importa.

Igual a Judas Priest ou Iron Maiden…
Michael:
 Exato, ou igual a Wishbone Ash e Thin Lizzy (risos).

E quando você escuta um guitarrista novo tocando, uma banda nova, você considera ser influenciado?
Michael:
 Isso é difícil de dizer! Posso dizer que gosto muito de Soilwork e como eles trabalham as guitarras. É uma música muito louca e eu consigo gostar muito daquilo mesmo sendo mais extremo. Arch Enemy também faz um ótimo trabalho! Na verdade não consigo escutar tantas bandas como gostaria porque esse trabalho com o Helloween demanda muito tempo. Às vezes não tenho a energia que precisaria para sair e ver mais bandas. Aí você pensa, quer saber vou sentar no sol e curtir um pouco ou comer algo e ficar quieto. E para falar a verdade hoje eu ainda procuro por bandas mais antigas. Existe tanta coisa mais antiga por aí que nunca ouvi e que pode me trazer algo ainda. Por exemplo, eu estava ouvindo o baterista de uma banda chamada The Moody Blues e que se chama Graeme Edge Band. Eles tem um guitarrista chamado Adrian Gurvitz. Ele é muito interessante e toca demais e eu nunca tinha ouvido falar dele! E isso é um estilo bem diferente do que eu toco.

Você considera esse o álbum mais pesado do Helloween desde o “The Time Of The Oath”?
Michael: 
Pode ser. Mas para falar a verdade eu não vejo uma diferença tão grande entre ‘7 Sinners’ ou ‘Gambling With The Devil’ ou qualquer outro álbum nosso. Todos tem a mesma pegada e os mais recentes inclusive a mesma formação. Apenas acho que esse trabalho está acessível e as resenhas que temos visto até o momento indicam para isso. São ótimas resenhas falando bem do novo álbum. Ou seja, tem algo de especial nesse CD seja lá o que for.

Você considera esse um álbum mais moderno e que busca se atualizar comparado com os anteriores?
Michael:
 Quando lançamos álbuns como ‘The Time Of The Oath’ que você citou muitos chegavam até nós diziam, olha esse álbum não soa moderno, aquele álbum ‘Master Of The Rings’ não tão Heavy Metal, aquele outro álbum é fraco demais. E de repente eles se tornam clássicos! Isso mostra como o tempo muda as opiniões. OK, o som não tão moderno e é isso que nós queremos agora! Ou seja, opiniões diversas. O novo álbum não o vejo com um som avançado, que busque trazer coisas novas. Ele apenas tem boas frequências e arranjos mais atuais, mas no geral tem a mesma pegada de nossos outros álbuns.

Você se chateia com comentários chatos sobre seu trabalho?
Michael: 
Sempre terá alguém para falar mau que isso não é muito Hard, que isso não é muito pesado, isso não é Heavy Metal. OK, não é Heavy Metal, mas é música, tem duas guitarras e alguém teve algumas ideias. Eu apenas tento escrever o melhor que posso e não sou infalível. Acho que é legal saber que o que você está tentando fazer é o que você ache que vale a pena e tem um bom motivo. E não apenas eu, mas meus companheiros de banda que apresentam coisas boas e que sei que ele tem um bom motivo para criar algo e trazer para a banda.

Vocês gravaram uma versão de ‘Buring Sun’ em homenagem a Jon Lord. Já escutou o álbum do Grave Digger novo? Eles também tem uma homenagem a Jon Lord.
Michael: 
Interessante. Vou procurar escutar esse trabalho deles. Não escuto muito Grave Digger, gosto de alguns álbuns deles com um guitarrista anterior que tocava na banda Risk (N.R – Thilo Hermann) e eu procurava acompanhar o que ele estava criando com o Grave Digger. Então vou trás desse álbum porque parece que ele vai me surpreender.

Muito difícil escolher o set list para a nova turnê? A cada álbum isso complica mais, correto?
Michael: 
Sempre estamos trabalhando em set list de turnês. Depende do lugar onde estamos indo tocar, mas existem as músicas que não tem como ficar de fora. Procuramos mudar bastante de uma turnê para a outra e sempre tentar expor as músicas novas.

Você comentou recentemente que quer entrar em contato com Michael Kiske…(interrompendo)
Michael:
 Não, isso foi coisa de Blabbermouth ou qualquer outro desses sites dizendo que em 2013 ou 2014 existiria uma turnê de reunião. Eu apenas respondi aquilo dizendo que se isso for acontecer teria que existir muita conversa. Não estou sonhando com isso porque eu não preciso disso e nem Kiske precisa disso. E se isso vier a acontecer será por causa dos fãs porque eles sonham com isso, não eu. Pode ser legal da mesma maneira que pode ser chato ou cínico. Não sabemos. Tenho muito trabalho com o Helloween como disse.

Até quando você pretende continuar com o Helloween? Até se sentir bem e saudável?
Michael: 
O máximo de tempo que eu puder. Veja o Led Zeppelin que pararam há tempos e fizeram algo muito interessante em Celebration Day. Não tem nada de errado em querer subir no palco e tocar. Mas depende de quanto extremo você queira ser.  Impossível pensar em Dani tocando bateria como hoje com 78 anos de idade! (risos).

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