Entrevistas

RATT

BOBBY BLOTZER: QUEIJO E VINHO

Após lançar e obter sucesso com o álbum de retorno, “Infestation” (2010) – 30º posto na Billboard 200 –, o Ratt caiu na estrada e permaneceu um bom tempo em turnê. Tudo parecia caminhar bem e o trabalhou fluía para que Stephen Pearcy (vocal), Warren DeMartini e Carlos Cavazo (guitarras), Robbie Crane (baixo) e Bobby Blotzer (bateria) naturalmente começassem a pensar no passo seguinte. Só que então a coisa desandou. Blotzer lançou o livro “Tales Of A Ratt”, irritando Warren e Pearcy e criando um mal estar interno. Assim, cada um foi cuidar de seus projetos pessoais, deixando no ar se a banda tinha ou não encerrado novamente as atividades. O tempo passou e agora o grupo está de volta, compondo e preparando material para o sucessor de “Infestation”. Durante a pausa forçada, Blotzer enfim conseguiu realizar mais um sonho e criou sua própria série de vinhos, que já está há algum tempo no mercado. Conversamos com ele para falar sobre vinhos, música e, claro, as polêmicas que sempre nortearam a carreira do Ratt.

Como você teve a ideia de criar sua própria série de vinhos e lançar o Ratt ‘N Roll Slip Of The Lip Cabernet Sauvignon e o Ratt ‘N Roll Body Talk Chardonnay?
Bobby Blotzer: 
Faz trinta anos que eu amo vinhos e eu queria fazer outras coisas enquanto tirávamos uma folga. Queria fazer algo novo.Também vou lançar alguns molhos de pimenta e queijos.

São edições limitadas ou você está se expandindo para a indústria de alimentos?
Bobby:
 Estou me expandindo. O nome do Ratt pertence a mim e a Warren DeMartini e queria fazer algo meu, mas ainda usar minha ligação com o Ratt. O slogan Ratt ‘N Roll é usado pelos fãs desde o início da banda e eu queria que ele fosse a marca fora da banda: vinhos Ratt ‘N Roll, roupas Ratt ‘N Roll (que é a minha próxima empreitada).

Você vai ficar nos vinhos, molhos de pimenta e queijos ou vai tentar outros produtos na área de alimentação?
Bobby: 
Ainda não sei. Vamos ver o que vai acontecer com tudo isso. Quero entrar no mercado de acessórios para o quarto e tudo mais que eu puder. Depois que as pessoas vierem a minha casa, quero que me peçam para decorar a delas.

Isso é além de fazer música ou um substituto para fazer música?
Bobby: 
Acho que nada vai substituir a música. Isso é algo que posso fazer quando Warren (De Martini, guitarrista) ou Stephen (Pearcy, vocalista) não quiserem fazer turnês.

Você já vem pensando em fazer isso pelos últimos cinco anos e precisava da oportunidade para pôr em prática ou simplesmente decidiu fazer tudo de uma hora para outra?
Bobby: 
Eu abri um estúdio em Houston há alguns anos atrás para fazer produção e deu muito certo. Eu ganhei um bom dinheiro mas não aguentei viver em Houston por causa do calor. Aí, quando voltei para a Califórnia, era como ser um peixinho num oceano. Em Houston, produzi 13 álbuns em 14 meses – amo produzir, sou músico e compositor –, mas em L.A. todo mundo tem seu próprio estúdio e então sabia que seria uma jornada morro acima. Estou tentando variar.

Enquanto o Ratt esteve em hiato, você pensou em fazer como Mick Brown do Dokken e entrar em outras bandas como um baterista contratado?
Bobby: 
Sim, claro que pensei. Mas desde nosso último show, realizado no dia 16 de outubro de 2010 em Tóquio, o Ratt nunca disse que daria um tempo ou não faríamos turnês. Lá por fevereiro/março de 2011 eu comecei a ficar nervoso porque é quando as turnês começam a ser marcadas. Então decidi fazer umas coisas minhas e não fui atrás de uma banda porque achei que lá por abril/maio os caras iam aparecer com alguns shows marcados. Bem, isso nunca aconteceu.

O Ratt planeja algo para este ano? De repente um novo álbum de estúdio? O último, “Infestation” foi fantástico.
Bobby: 
Claro! Todo mundo ganha dinheiro com turnês. Nós fizemos a última divulgando um álbum que foi aclamado pela crítica no mundo inteiro. Top 5 no Japão e Canadá, top 30 nos EUA. Foi um grande disco!

Foi mesmo. É um dos três melhores álbuns do Ratt em todos os tempos…
Bobby: 
Saiu muito bom e foi muito divertido. Me diverti muito gravando. Gravei treze músicas em catorze dias. Fizemos a pré-produção, ensaiamos e gravamos rápido. Nós focamos muito o resultado final.

Dá para obter a mesma mágica em 2012?
Bobby: 
Lógico. Planejamos ficar no estúdio em e fazer a mixagem em março para lançar algo novo ainda no primeiro semestre.

Robbie Crane (baixo) e Carlos Cavazo (guitarra) ainda são parte da banda?
Bobby: 
Sim.

Há planos para uma turnê este ano?
Bobby:
 Espero que haja planos para antes disso. Nós concordamos em tirar um verão de folga e me irrita que ainda estejamos aqui e é ambíguo em relação ao que estamos fazendo, porque estamos compondo. Eu sei que estamos compondo porque a Roadrunner renovou o nosso contrato. Eu tenho músicas e estou pronto. Eu não brinco em serviço. As pessoas acham que sou impaciente, mas não gosto de enrolação. Se vamos fazer, vamos fazer. Vamos compor e colocar as coisas em movimento. É simples de programar!

E tem que aproveitar o momento também. Ratt teve sua época de baixa com Jizzy Pearl e toda a lavação de roupa suja em público com membros da banda do presente e do passado. Mas vocês se recuperaram, gravaram um álbum clássico e em vez de capitalizar em cima disso, tiraram uma folga. Do ponto de vista de um fã, ou pelo menos do meu, é algo como: por que fazer isso ? Vocês ganharam os fãs de volta, era legal do novo ser fã do Ratt.
Bobby: 
Você falou uma coisa aí. Lavar a roupa suja em público. Para mim é difícil não falar a verdade, seja sobre mim, minha namorada ou minha banda… Eu não gosto de inventar e mentir.

Vamos falar sobre seu livro, “Tales Of A Ratt”. Stephen Pearcy e Warren De Martini demonstraram, pela mídia, preocupação com algumas histórias. Havia muitos detalhes e você fez a caveira deles…
Bobby: 
Eu não quis envergonhar ninguém, principalmente meus filhos e minha ex-mulher ou os filhos e a mulher de alguém com nenhuma história. Eu usei como base o que já era de conhecimento público (o que havia saído no ‘Behind The Music’ da VH1). Eu sei e tenho a sensibilidade sobre os limites e me certifiquei de que as vidas pessoais permanecessem assim. Porém, quando você vai contar a historia da sua vida, você vai mentir? Eu não vou mentir. Posso omitir algumas coisas, mas não vou mentir. Se alguém quiser questionar, que escreva seu próprio livro, sua própria história. Leia o livro e me mostre o que está errado. Eu sempre tive ótima memória e quis escrever o livro baseado em histórias divertidas. Não dava para excluir os problemas com os negócios que tivemos e todas as brigas e desentendimentos. As pessoas adoram esse livro e se identificam com ele. Eu falo logo no início que há só um lado da história, mas é porque é o meu livro. É só um lado, mas não significa que estou inventando. Eu não estou inventando, esta é a história da minha vida, minha realidade.

Você pretende escrever outro livro no futuro?
Bobby: 
Eu já escrevi outro livro, que está quase pronto. É parte de uma série, um livro interativo. Eu quero que as pessoas me mandem suas fotos, nome, cidade e cinco perguntas. Eu vou tirar um tempo para respondê-las e vale quase tudo. Se alguém me perguntar sobre a vida pessoal do Stephen Pearcy, eu não respondo.

Corrija-me se eu estiver errado, mas as coisas no Ratt parecem ser como numa família extremamente disfuncional, com muitas brigas entre os membros, mas mesmo assim, quando vocês sobem no palco é mágico.
Bobby: 
Na verdade não é assim, mas não posso dar entrevistas e mentir. Não é do meu feitio. Eu tento não mentir nunca. Eu minto para minha namorada, quando ela pergunta sobre se uma roupa está boa na hora de sair. Eu falo para ela não fazer isso, porque daí você se ferra independente do que falar. Eu nunca faria a banda parar – a equipe, os empresários, todos prosperam com o Ratt em turnê (são milhões de dólares) – de ganhar a vida.

O quanto de dinheiro você acha que perdeu por todos esses anos de oportunidades perdidas?
Bobby:
 Obviamente são milhões.

Isso me deixaria bravo.
Bobby:
 Ninguém da banda está no nível de poder parar de trabalhar. É isso que me enlouquece. Outras pessoas custam dinheiro à empresa. Eu bem que gostaria que não fosse assim.

De volta aos vinhos. Como se pode adquiri-los?
Bobby: 
Pelo site www.atistwine.com ou pelo meu www.bobbyblotzer.com e estamos tentando colocá-los em todas as lojas. São ambos vinhos deliciosos  do Napa Valley na Califórnia.

Alguma última observação?
Bobby: 
Eu quero tocar, trabalhar e manter o nome do Ratt em evidência.

 

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