Live Evil

RICHIE SAMBORA & ORIANTHI

Tom Brasil - São Paulo/SP, 08 de julho de 2016

O festival “Best Of Blues” chegou à quarta edição (terceira consecutiva sob patrocínio da Samsung – com apoio do Ministério da Cultura e do Instituto Dançar), trazendo para três apresentações no Brasil (duas em São Paulo e outra em Porto Alegre), o RSO. O projeto nada mais é que a parceria entre o lendário ex-guitarrista do Bon Jovi, Richie Sambora, e a sua talentosa e renomada namorada, a australiana (de origem grega) Orianthi Panagaris – ou, simplesmente, Orianthi. A vocalista e guitarrista ganhou fama internacional pelo fato de ter tocado ao lado de Alice Cooper e, principalmente, por ter aparecido no documentário “This Is It”, de Michael Jackson, fazendo parte da banda que o acompanharia na turnê que acabou não acontecendo, devido ao fato do ídolo Pop ter falecido em 25 de junho de 2009, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.

Momentos antes do show, a dupla (ou o casal, se preferir) recebeu a imprensa para uma entrevista coletiva, onde respondeu sobre diversos assuntos relacionados a essa parceria profissional e pessoal, rumores, projetos futuros e, claro, Bon Jovi e Michael Jackson. Perguntado por esse que vos escreve sobre a possibilidade de retomar em sua carreira solo aquele Hard Rock com ‘punch’, que há muito tempo o Bon Jovi perdeu, o simpático Richie Sambora respondeu: “Nunca diga nunca!”. Ele ainda nos revelou a respeito de sua saída e uma possível volta para o seu ex-grupo: “Eu estive nele por 31 anos. É um longo casamento… E com outros quatro caras! O Rolling Stones tirava dois ou três anos até gravar um álbum e sair em turnê, o U2 e Bruce Springsteen também. Mas nós não. Trabalhávamos direto”, contou. “Eu gravei três álbuns solo e fiz turnês para todos eles, nunca parei. Pessoalmente, precisava dar um tempo. O Jon (N.R.: Bon Jovi) acabou indo para uma direção e eu para outra. Mas acho que não é uma sentença de morte (risos). Precisávamos dar um tempo um do outro. Mas quem sabe a gente não volte a fazer alguma coisa juntos?”, acrescentou.

O show de Richie Sambora & Orianthi estava marcado para 22h, mas devido à demora com o ‘soundcheck’ e também pela própria coletiva que veio na sequência, houve um atraso de quarenta e cinco minutos. Orianthi foi bem recebida e, junto com a banda, entrou no palco primeiro para tocar a versão feita para “When Love Comes To Town”, música que nasceu de outra parceria: B.B. King e U2. Só que, segundos depois, quando Sambora surgiu em cena, a histeria foi total. Primeiramente, o ex-Bon Jovi caminhou até a beira do palco, ajoelhou-se e agradeceu a plateia. Em seguida, pegou sua guitarra Fender dourada das mãos do roadie e, antes de Orianthi começar a cantar, improvisou um breve solo. Nessa música a coisa funcionava da seguinte maneira: a moça cantava as estrofes e ele as pontes; já os refrãos, assim como os solos que eram executados nos intervalos entre cada passagem, eram divididos. Na música seguinte, os fãs foram à loucura quando o início ao teclado revelou “Lay Your Hands On Me”, um dos maiores clássicos do Bon Jovi.

No repertório, a dupla trouxe várias releituras para hinos dos mais variados gêneros. Então, os fãs tiveram o ritmo latino do guitarrista mexicano Carlos Santana sendo representado em “Soul Sacrifice”, o Reggae do lendário Bob Marley em “I Shot Sheriff”, também revisitada por Eric Clapton, e o Rock Psicodélico de Jimi Hendrix em “Voodoo Child”. Um trecho de “Hungry Heart” de Bruce Springsteen – artista que nitidamente é a maior influência de Richie na maneira de cantar -, também foi tocada.

Além destas, músicas dos discos solo de Sambora e também de Orianthi, obviamente não podiam ficar de fora. Sendo assim, da carreira dele vieram, “Every Road Leads Home To You”, do ótimo “Aftermath Of The Lowdown” (2012), e a faixa título do ‘debut’ “Stranger In This Town”, que foi lançado no distante ano de 1991. De Orianthi, foram tocadas “What’s It Gonna Be”, do segundo álbum, “Believe” (2009), e do mais recente, “Heaven In This Hell” (2013), mandaram a faixa título, “You Don’t Wanna Know” e “How Do You Sleep?” – pena o hit “According To You” ter ficado de fora. Seja como for, ainda que a grande maioria das pessoas estava ali por Sambora, as músicas de Orianthi também agradaram. As composições dela forjam um Pop Rock moderno, com riffs sujos e solos interessantes. Contudo, eram as músicas do Bon Jovi que faziam a plateia cantar em alto e bom som.

Dos garotos de Nova Jersey foram tocados hits inesquecíveis e de tremendo sucesso, como “Livin’ On A Prayer”, por exemplo – só que na pegada original da música, e não naquela versão ‘água com açúcar’ que o Bon Jovi gravou para a coletânea “Crossroads”, de 1994, e que passou a tocar constantemente nas turnês. Outra que foi bastante comemorada foi a balada “I’ll Be There For You” – que veio emendada pelo citado trecho de “Hungry Heart”, de Springsteen. Só que a plateia começou a cantar o famoso coro antes do tempo – logo após o solo e não nos momentos finais da música. Com isso, a banda se atrapalhou e não conseguiu voltar para a ponte. Richie foi o único que percebeu e até tentou cantar, mesmo com o instrumental desalinhado. Apesar dos sinais que fez para que seus companheiros passassem a acompanhá-lo, a coisa não deu certo. Então, ele gesticulou para que eles cadenciassem o volume e o ritmo. Porém, a plateia insistiu cantando o coro e ele se rendeu a ir por esse caminho, sem ponte mesmo, improvisando um solo para finalizar “I’ll Be There For You”.

É impossível falar de Bon Jovi e Richie Sambora sem pensar em “Wanted Dead Or Alive”. Nessa, o guitarrista sempre se destacou ao vivo não só pelos arranjos de violão, mas também pelo solo de guitarra e os vocais em duo com Jon Bon Jovi. Como era de se esperar, foi a mais emocionante e ovacionada do show. Outro momento de arrepiar foi quando Richie, Orianthi e a banda homenagearam o saudoso rei do Pop, Michael Jackson, tocando “Black Or White”. Para muita gente foi, no mínimo, inusitado ouvir Sambora cantando partes dela – e olha que ficou bem legal! Quanto às performances individuais, enquanto ele, com toda sua experiência, dominava o palco, fazendo caras e bocas, sorrindo, interagindo com o público e até mesmo dançando durante a execução de uma das músicas, a guitarrista tinha uma postura bastante tímida. Isso pode ter deixado-a um pouco à sombra do namorado durante todo o set, mas ela compensava isso com seu talento na voz e, principalmente, na guitarra. Apesar de seus 31 anos de idade, era engraçado ouvi-la falando com o público, pois sua voz ainda soa como a de uma adolescente.

Algo muito legal era o fato de que os músicos de apoio também tinham seus momentos de destaque, e isso pôde ser observado ainda melhor quando Sambora os apresentou, já que puderam fazer breves solos. Todos eles eram muito bons tecnicamente, inclusive o percussionista brasileiro Laércio da Costa, que foi apresentado à Sambora durante a passagem de som – segundo revelou o norte-americano, durante a coletiva, quando o chamou para mostrá-lo aos repórteres. Em dado momento, Laércio foi à frente do palco tocando seu pandeiro e ganhou aplausos quando mostrou a bandeira do Brasil na pele do instrumento.

O show não poderia acabar sem um bis, sendo assim, Richie e Orianthi retornaram com “These Days” do Bon Jovi e se despediram com o cover de Stevie Wonder para “Higher Ground”. O público, que simplesmente lotou o Tom Brasil, saiu feliz do local após conferir quase duas horas de um show cheio de surpresas, com bastante diversidade musical e boa qualidade de som e iluminação. Muitos, que antes se davam por satisfeitos por ver a dupla apenas naquela noite, saíram dizendo que compareceriam ao Ibirapuera no domingo (10) para a segunda e última apresentação de Richie Sambora & Orianthi em São Paulo, já que estavam empolgados com o que viram. E lógico que a ROADIE CREW também marcou presença!

RICHIE SAMBORA & ORIANTHI NO AUDITÓRIO DO IBIRAPUERA-OSCAR NIEMEYER (PLATEIA EXTERNA)

Com o palco montado ao ar livre na área externa do auditório do Ibirapuera-Oscar Miemeyer, muita gente que não pôde estar presente na primeira noite, principalmente devido aos preços exorbitantes dos ingressos, não teve problemas em relação à isso dessa vez, já que o evento, realizado no aprazível domingo (10) foi gratuito.

Ao contrário do show de estreia que não teve ‘opening act’, a segunda apresentação de Richie Sambora e Orianthi em São Paulo contou com a abertura feita por três atrações brasileiras. O guitarrista paulista Igor Prado com a Igor Prado Blues Band, que em 2010 ficou em segundo lugar no ranking TOP#10 do Living Blues Chart, na parada dos álbuns mais tocados nos Estados Unidos da América. O músico também é conhecido pelo feito de ser o primeiro artista estrangeiro a alcançar o primeiro lugar do ranking de audiência nas principais rádios de Blues dos Estados Unidos e também por ser indicado ao prêmio do “37th Memphis Blues Awards 2016”, que é considerado o ‘Oscar do Blues’. Outra abertura foi do Mustache E Os Apaches, que começou a carreira há cinco anos tocando Folk com Blues pelas ruas e já realizou turnê na Europa. E, por fim, Os Lontras, que é um grupo formado pela união de músicos das bandas Mombojó e Del Rey, que decidiram tocar nesse projeto sucessos nacionais e internacionais, só que em formato específico para bailes.

O cronograma dos shows ia sendo cumprido à risca. Sendo assim, a tão aguardada dupla Richie Sambora & Orianthi inflamou todos pontualmente no horário informado, às 18h55, abrindo com “When Love Comes To Town”. Mas o local veio abaixo mesmo com “Lay Your Hands On Me” (Bon Jovi). A diferença principal notada na plateia em relação ao show no Tom Brasil era que, mesmo que a maior parte dos presentes conhecia a obra do ex-Bon Jovi, dessa vez havia mais fãs de Orianthi no local. Da australiana, foram apresentadas as músicas “Whats It Gonna Be”, “Heaven In This Hell” e “How Do You Sleep?”.

Apesar da timidez para falar com o público, mas mostrando muita competência e atitude com a guitarra, foi bacana quando Orianthi lembrou a todos que no dia seguinte seria aniversário de Richie Sambora. Inclusive, na plateia havia muitos fãs do guitarrista segurando mensagens com os cumprimentos pelos seus 57 anos de idade. Um dos pontos altos foi quando a dupla tocou e dividiu os vocais em “Black Or White”, de Michael Jackson. Mesmo assim, o maior momento do show se deu com a clássica Western do Bon Jovi, “Wanted Dead Or Alive”, que veio emendada por “Midnight Rider”, do The Allman Brothers Band. “Wanted…” é tão Sambora, que se você perguntar à qualquer fã de Bon Jovi, certamente ele lhe dirá que atualmente faz mais sentido ouvi-la nos shows do guitarrista, do que nos da própria banda.

Nesse segundo show da dupla o tempo de palco foi mais curto, cerca de meia hora menos do que no primeiro, ficando algumas faixas tocadas no Tom Brasil de fora do set – “You Don’t Wanna Know” de Orianthi e os covers de Carlos Santana, Bob Marley, Bruce Springsteen, Jimi Hendrix e Stevie Wonder. Porém, nenhuma música do Bon Jovi foi cortada e, então, Richie e Orianthi se despediram com a trinca impecável: “I’ll Be There For You”, “Livin’ On A Prayer” e “These Days” – esta última começou completamente estranha, já que Richie teve a ideia infeliz e sem sentido de colocar o percussionista brasileiro Laércio da Costa para improvisar batuques com seu pandeiro em cima dos acordes iniciais da música, que todos sabem tratar-se de uma balada. Como alguns gostam de dizer: “não ornou”.

De modo geral o show agradou, mas não foi melhor do que o primeiro, já que, além de ter sido mais curto, não contou com muita comunicação por parte de Richie e Orianthi, talvez pelo fato do tempo de palco das bandas ter sido respeitado desde o início do evento. Sobre o futuro da dupla, embora ainda não tenham um álbum em conjunto, Sambora e sua namorada Orianthi estão preparando o ‘debut’ que será lançado em breve. Este contará com participações ilustres de Darryl Jones (baixista dos Rolling Stones) e do exímio baterista do Living Colour, Will Calhoun.  A respeito dessa parceria, em entrevista concedida em fevereiro, antes de uma cerimônia de premiação da Billboard, Sambora a definiu como uma espécie de “Sonny & Cher com esteróides” – vale lembrar que ele também namorou com a própria cantora Cher que mencionou.

Setlist – Auditório do Ibirapuera-Oscar Niemeyer:
When Love Comes To Town (B.B. King & U2)
Lay Your Hands On Me (Bon Jovi)
Whats It Gonna Be (Orianthi)
Every Road Leads Home To You (Richie Sambora)
Black Or White (Michael Jackson)
Stranger In This Town (Richie Sambora)
Heaven In This Hell (Orianthi)
Midnight Rider (The Allman Brothers Band) / Wanted Dead Or Alive (Bon Jovi)
How Do You Sleep? (Orianthi)
I’ll Be There For You (Bon Jovi)
Livin’ On A Prayer (Bon Jovi)
These Days (Bon Jovi)Setlist – Tom Brasil:
When Love Comes To Town (B.B. King & U2)
Lay Your Hands On Me (Bon Jovi)
What’s It Gonna Be (Orianthi)
Every Road Leads Home To You (Richie Sambora)
Heaven In This Hell (Orianthi)
Stranger In This Town (Richie Sambora)
You Don’t Wanna Know (Orianthi)
Black Or White (Michael Jackson)
Bad Company (Bad Company) / Wanted Dead Or Alive (Bon Jovi)
Soul Sacrifice (Santana) / I Shot The Sheriff (Bob Marley)
How Do You Sleep? (Orianthi)
Hungry Heart (Bruce Springsteen) / I’ll Be There For You (Bon Jovi)
Voodoo Child (Jimi Hendrix)
Livin’ On A Prayer (Bon Jovi)
– Bis –
These Days (Bon Jovi)
Higher Ground (Stevie Wonder)

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