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SP METAL REVIVAL SALÁRIO MÍNIMO / VÍRUS / ABUTRE

Manifesto Bar - São Paulo (SP), 06 de agosto de 2016

Parecia que todo mundo havia resolvido tocar em São Paulo no último sábado, dia 06 de agosto. Na Casa de Cultura Chico Science ocorreu a segunda edição do “Rock Na Casa”, com a presença das bandas Project 46, Disciples, Unblacker e Sanatori#1, enquanto o SESC Belenzinho foi palco de Robertinho de Recife e Metalmania. Como a ROADIE CREW havia feito a cobertura do show do guitarrista pernambucano e sua banda no Polo Cine & Video, no Rio de Janeiro, em 30 de julho, optamos por cobrir esse ‘revival’ no Manifesto Bar, que reuniu três das oito bandas que participaram das duas edições da compilação histórica da Baratos Afins, “SP Metal” (1984-85). Tendo em vista a quantidade de shows e eventos que aconteciam no mesmo dia, Abutre, Vírus e Salário Mínimo foram recebidos por um público razoável no Manifesto Bar.

Quando o Abutre se apresentou no SESC Belenzinho (SP) para celebrar os 30 anos de “SP Metal”, em julho do ano passado, estava ausente dos palcos desde 1986. Agora, deu para sentir um entrosamento maior entre Ramon Risso (vocal), Ricardo e Adriano Giudice (guitarras), Tomas Catafay (baixo) e Adalberto Rosado Junior (bateria), que abriram o show com “Generais Da Moral”, seguida de “Duas Rodas”, eterno clássico do Centúrias. Nos intervalos, era o guitarrista Ricardo Giudice quem fazia as considerações, contava curiosidades e apresentava as músicas. Se a postura de palco não é mais aquela tipicamente Metal e Hard Rock de outros tempos, os músicos compensaram no bom entrosamento, na musicalidade e na destreza nos instrumentos, como em “Uma Mulher, Um Whisky, Uma Noite” e na clássica “Quando O Fogo Começa A Arder”, de “SP Metal II” (1985). Depois veio o cover de “Whipping Post” (The Allman Brothers Band), que Tomas, Ricardo e Ramon costumam apresentar nos shows da banda Five Dollar Shot, em que tocam clássicos do Rock, Blues, Southern e Soul.

De fato, a pegada da banda está caminhando mais para este lado, mas sem esquecer o Metal e o Hard Rock. Então, para relembrar os tempos de Adriano no Centúrias, mandaram “Não Pense, Não Fale”, do EP “Última Noite” (1986). Didi, como era conhecido, continua mandando muito bem e cria duetos interessantes com seu irmão Ricardo, fazendo com que as guitarras do Abutre se destaquem, assim como o baixo bem trabalhado de Catafay, como em “Rock, Rock, Rock”, outra conhecida de “SP Metal II”. Bacana notar a presença de Rubens Gioia Jr. (guitarrista, ex-A Chave do Sol) e do ex-vocalista da banda, Wagner Giudice, curtindo o show, que se encerrou com o cover de “Fairies Wear Boots” (Black Sabbath) e a nova autoral “Fui”.

Assim como no caso do Abutre, o Vírus, que também estava longe dos palcos há bastante tempo quando se apresentou em uma das duas noites da citada celebração de 30 anos de “SP Metal”, estava mais confiante em palco. Ainda contando com a mesma formação que tocou no SESC Belenzinho, ou seja, os originais Flávio de Barros (vocalista) e os guitarristas Fernando “Piu” e Renato de Barros, mais Déio (baixo) e Lúcio Del Cielo (bateria), a banda entrou em cena tocando “Ignis”, uma das muitas que ainda não foram gravadas em estúdio. No passado, o Vírus sempre primou por ter uma preocupação com cenário de palco e efeitos. Agora, não foi diferente e o grupo não só se apresentou com imagens relativas às músicas no grande telão do Manifesto Bar, como fez uso do ‘Fago’, um projetor de raios laser confeccionado da forma como seu velho símbolo do vírus “estilizado” para o Metal.

Dando sequência, foi a vez da veloz “Matthew Hopkins”, que junto à “Batalha No Setor Antares”, são as mais conhecidas da banda, já que integram o primeiro volume de “SP Metal”. Na primeira pausa, logo após “Povo Do Céu”, Flávio, que foi o autor das capas das duas edições da coletânea, agradeceu as “bandas irmãs” que estavam dividindo palco com o Vírus, e anunciou aquela que faz parte do tão aguardado e recém lançado documentário “Brasil Heavy Metal”: “Sacrifício”. Um dos pontos altos do show foi quando a banda tocou a misteriosa “O Eremita”, principalmente devido à performance de Fernando “Piu”, que fez uma bela introdução na guitarra e finalizou a música com um solo muito interessante, mostrando totais referências de Richie Blackmore – não à toa, antigamente Fernando era conhecido como “Piu Blackmore”, inclusive pelos trejeitos em sua forma de tocar. Na trinca final, o Vírus mandou a pesada “Sinos Negros”, o cover do Rainbow, do lendário e polêmico Blackmore, para “Man On The Silver Mountain” e, por fim, a mencionada “Batalha No Setor Antares”. De nossa parte, seguimos com o puxão de orelhas que demos no pessoal do Vírus quando de nossa cobertura sobre a festa de celebração de “SP Metal”: estamos no aguardo para que os senhores gravem e lancem o aguardado ‘debut’ do Vírus!

Ao contrário do Abutre e do Vírus, o pessoal do Salário Mínimo está para lá de familiarizado com o palco, já que os formadores China Lee (vocal) e Junior Muzilli (guitarra), e também Daniel Beretta (guitarra), Diego Lessa (baixo) e Marcelo Campos (bateria) têm feito muitos shows nos últimos anos.  Sendo assim, pouco antes das 21h o quinteto chegou mandando ver com a dobradinha formada por “Delírio Estelar” e “Doce Vingança”. Antes da próxima, o sempre bem humorado China Lee brincou ao dizer que, “o Salário não vai gravar nada novo, pois as pessoas querem ouvir a banda tocando sempre as músicas do (primeiro álbum), “Beijo Fatal” (1987)”. E adiantou que só tocariam músicas que a banda gravou durante os anos 1980, tanto no ‘debut’, quanto na primeira edição de “SP Metal”. Após “Anjos Da Escuridão”, China mencionou algumas personalidades ilustres que estavam na plateia e fizeram e ainda fazem parte do cenário nacional do Rock e do Metal, como o próprio Rubens Gioia Jr., Carneiro, vocalista do Minotauro, e Evandro Júnior, baterista do Anthares.

Após as considerações foi a vez de “Dama Da Noite”. Ao final, China revelou que o citado “Brasil Heavy Metal” será exibido no cinema e adiantou que em novembro poderá acontecer um show referente ao documentário. A banda seguiu tocando seus clássicos, como “Noite De Rock” – a mais comemorada, foi de arrepiar quando os fãs cantaram sozinhos o refrão da música após o solo -, “Beijo Fatal” e “Jogos De Guerra”, por exemplo. Muzzili e Beretta, como sempre, afiadíssimos na parceria que fazem nas cordas. Da mesma forma, a cozinha segue segura com as atuações do despojado Lessa e a pegada firme de Marcelo Campos. “Cabeça Metal”, foi o ato final de mais uma grande noite de Rock e de Metal em comemoração ao histórico projeto “SP Metal”. Depois de assistir ao documentário/filme “Brasil Heavy Metal”, nada melhor do que ver três pioneiros em ação. Que venham outras celebrações!

SALÁRIO MÍNIMO – Setlist:
Delírio Estelar
Doce Vingança
Anjos Da Escuridão
Dama Da Noite
Noite De Rock
Beijo Fatal
Jogos De Guerra
Cabeça Metal

VÍRUS – Setlist:
Ignis
Matthew Hopkins
Povo Do Céu
Sacrifício
O Eremita
Sinos Negros
Man On The Silver Mountain (cover do Rainbow)
Batalha No Setor Antares

ABUTRE – Setlist:
Generais Da Moral
Duas Rodas (cover do Centúrias)
Uma Mulher, Um Whisky, Uma Noite
Quando O Fogo Começa A Arder
Whipping Post (The Allman Brothers Band)
Não Pense, Não Fale (cover do Centúrias)
Rock, Rock, Rock
Fairies Wear Boots (cover do Black Sabbath)
Fui

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