ArtigosRoadie News

13 cânticos soturnos para ouvir na SEXTA-FEIRA 13

A mítica sexta-feira treze sempre foi envolta num compêndio de lendas, ocultismo, superstição, mas excepcionalmente uma aura obscura e mórbida. Isto se consagrou em literatura, cinema e até mesmo na música. Por isso, foi preparada aqui uma lista de alguns petardos que podem se encaixar bem com a atmosfera desse dia e ainda adereça diferentes vertentes do Metal, mas com algum destaque algumas mais que outras naturalmente. Apreciem sua sexta-feira treze imersos na atmosfera de boa música.

Lycanthropy – Six Feet Under: ao ter deixado o Cannibal Corpse após o álbum The Bleeding (1994), o vocalista Chirs Barnes decidiu levar adiante seu projeto paralelo que vinha envolvido desde 1993, o Six Feet Under. O primeiro álbum Haunted (1995) foi um trabalho seminal no death metal, moldando músicas com elementos básicos do rock and roll numa pegada extrema e cheia de groove. Embora, seja um álbum bem homogêneo em sua qualidade, há dentre os principais destaques Lycanthropy, com ambos riffs de guitarra e baixo marcantes. O tema como podem perceber trata da transformação sofrida por um homem se tornando um lobo (lobisomem), ao que se é referido como Licantropia. Chegam a ser hipnóticos os riffs graves, o baixo pulsante e a batera repicando aliados ao vocal grotesco e único de Barnes. Uma trilha sonora que se ajusta bem ao tema que ela trata. Dificilmente alguém, mesmo que não fã de Death metal propriamente dito, consegue se conter e não bater cabeça com esse petardo.

Scent of Death – Solitude Aeternus: os Estados Unidos foi um país rico e seminal para bandas raízes do Doom metal como Trouble, Saint Vitus e Pentagram só pra citar os mais famosos. Não ficando nem um pouco atrás, os texanos do Solitude Aeternus começaram a jornada com Into the Depths of Sorrow (1991). Mas foi com Alone (2006) que o nome da banda foi ainda mais longe. Os vocais impressionantes e potentes de Robert Lowe não só cunharam uma marca da banda, mas também o permitiram fazer parte do sueco Candlemass. Em Scent of death você sentirá um dos exemplos mais genuínos de Doom, daqueles que a melancolia e vazio é capaz de penetrar cada célula do corpo. Tudo soa numa sintonia impressionante, desde os vocais magistrais de Lowe aos riffs demasiadamente mórbidos da dupla John Perez e Steve Moseley. Alguns elementos indianos no inicio da música dão à sua morbidez ainda um toque exotérico. Desesperadora, gélida e envolvente.

Sleep Tight Little Baby – King Diamond: a importância de Kim Bendix para o metal é dispensável de comentário, especialmente após sua sequência magistral de obras clássicas como Abigail (1987), Them (1988), Conspiracy (1989) e The Eye (1989). Mas em seu sétimo álbum de estúdio, The Graveyard (1996) temos um trabalho de ótima qualidade, pois nele há uma das atmosferas mais insanas dos contos de terror da banda. Sleep Tight Little Baby é uma das mais fantásticas, agonizantes e insanas canções do King. Uma aura emblemática, obscura e totalmente mórbida abraça essa música mesclando variações vocais, diálogos em primeira pessoa de uma pessoa atormentada, teclados como base em algumas bases e os riffs do mestre Andy LaRocque dando seu show a parte.

Spellbound (By The Devil) – Dimmu Borgir: antes desses noruegueses ganharem o mundo como a principal banda de symphonic black metal, eles vinham numa espiral crescente de evolução e criatividade. Após a atmosfera crua e mais primitiva de For All Tid (1995) e Stormblåst (1996), eles começaram a trabalhar mais aspectos melódicos no álbum seguinte, Enthrone Darkness Triumphant (1997), o melhor da banda em minha humilde opinião. Ali foi plantada a semente do que seriam os trabalhos orquestrais e operísticos da banda no futuro. Spellbound (By the Devil) foi a faixa que mais se destacou do dito álbum e levou a banda ao grande público. Com seu começo assombroso, seguido pelas dinâmicas viradas de bateria de Tjodalv e os riffs certeiros de Silenoz aliados ao vocal característico de Shagrath, essa faixa foi destaque imediato nos principais festivais europeus à época do lançamento do disco. O desfecho contrastando bases do teclado com solos de guitarra e bateria rápida dá um tom ainda mais obscuro e legal para essa música.

Dracula – Iced Earth: é fato que Horror show (2001) foi um dos principais saltos de sucesso para o Iced Earth, por duas razões principalmente: as temáticas abordadas tratando apenas dos mais famosos contos de terror e pela sonoridade impressionante que construíram para este disco. Dentre inúmeras versões de Metal que falam sobre a lenda do Drácula esta é a melhor delas, pois ela engloba elementos sutis no início, descambando para uma sonoridade mais rápida e agressiva cheia de melancolia. Os vocais agonizantes de Matt Barlow, os riffs sensacionais de John Schaffer e o refrão com coros fantasmagóricos. Suas reviravoltas dinâmicas envoltas sempre numa atmosfera de desespero a elevam como um dos ótimos petardos do álbum que faz parte.

Solitude – Candlemass: oriunda do primeiro lançamento desses suecos, Epicus doomicus metallicus (1986), a roupagem pomposa e ao mesmo tempo sufocante de Solitude se tornou de cara uma das marcas que os tornariam pais do Epic Doom metal. O som denso do Candlemass sob a liderança do genial Leif Edling (baixo) se destoava bastante daquele praticado à época por outras bandas de Heavy metal europeias. A mescla com vocais operísticas, no referido disco comandadas por Johan Längqvist e em seguida consagradas por Messiah Marcolin, juntos aos riffs de guitarra arrastados e cadenciados de Mats “Mappe” Björkman  cunhou a marca da banda e novos parâmetros do estilo que hoje são referência.

Paradise Lost – The Enchantment: após a sucessão grandiose de álbuns (Lost Paradise, Ghotic, Shades of God e Icon) que ajudaram a pavimentar e consolidar estilos como ghotic doom metal (mistura de vocal gutural com vocal lírico e operístico feminino), os britânicos do Paradise Lost deram um passo monumental com Draconian Times (1995), considerado até hoje um dos álbuns mais revolucionários do metal. The Enchantment é uma das melhores aberturas de álbum de todos os tempos, tendo a frente seu início introspectivo e viajante executado aos teclados, abrindo espaço para um som pesado, denso e magistral sob a tutela de Nick Holmes (vocais), Gregor Mackintosh (guitarra), Aaron Aedy (guitarra), Stepehen Edmondson (baixo) e Lee Moris (bateria). Muito do que veio a se consolidar como típico ghotic metal partiu daqui.

Black Sabbath – Born Again: após ter pulado fora do Deep Purple Ian Gillan vinha seguindo sob tentativas de erros e acertos com a sua carreira solo. Da mesma forma seguia o Tony Iommi com um Black Sabbath desmantelado e cheio de problemas, desencontros de formação e problemas das mais diversas categorias. Numa dessas de “unir o útil ao agradável” lançaram o álbum Born Again (1983), no qual Gillan fez um brilhante trabalho, embora por vários não muito bem reconhecido, e a faixa título é o exemplo mais claro do primor que Gillan realizou junto de Iommy, Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria). Uma faixa densa, agonizante, sufocante, envolvente, pulsante e até meio ritualística. Nela Gillan botou os bofes pra fora com alguns bons quilos de emoção e potencial vocal e isso se soldou perfeitamente aos solos magistrais do mestre Iommi.

Black No. 1 (Little Miss Scare-All) – Type O Negative: formada no Brooklyn (Nova Iorque) em 1989, o Type O Negative alcançou um grande sucesso e se tornou a principal banda gótica norte-americana. O estrondo foi causado com o terceiro disco, Bloody Kisses (1993). O vocalista Peter Steele se tornou uma figura emblemática no mundo do rock/metal. Sua altura avantajada e aspecto musculoso, juntamente de um vocal de timbre grave, ora usado de forma cadenciada e mórbida e ora agressiva, ajudou nesse sucesso da banda. O primeiro mega sucesso foi Black Nº 1, que ajudou a render disco de platina para o álbum e teve seu clipe foi exaustivamente veiculado na MTV. Essa música oscila como um pêndulo entre a morbidez nas partes mais cadenciadas e a insanidade nas mais agressivas. Como o restante do álbum, a sonoridade da música embasa temática que gira em torno de desilusão e solidão.

Bathory – Enter The Eternal Fire: o ano era 1987 e Tomas Forsberg, o Quorthon, após ter ajudado na pavimentação da primeira fase do Black metal com Bathory (1984) e The return… (1985) chega mostrando evolução com Under The Sign Of The Black Mark. Vários dos parâmetros básicos do Black metal começaram a ser mais bem definidos nesse disco. Mas esse disco vai além, em Enter The Eternal Fire podemos notar em sua pompa épica e agressiva um embrião do que mais tarde seria outro estilo que ele ajudaria a criar e que mais de uma década depois seria um dos mais frutíferos da Europa, o Viking metal. As passagens com riffs cortantes combinadas com partes cadenciadas, fundo sintetizando sonoridade épica e passagens melódicas, tudo aliado ao vocal único e torturante de Quorthon. Uma das músicas mais sorumbáticas do Bathory e do Metal.

Born Too Late – Saint Vitus: em 1986, quando os norte-americanos do Saint Vitus lançou Born too late, eles já eram considerados um dos pilares do Doom metal devido aos lançamentos dos dois álbuns anteriores, Saint Vitus (1984) e Hollow’s victim (1985), mas uma grande virada veio com Born too late, inaugurando os vocais com Scott “Wino” Weinrich. Sua similaridade com o timbre vocal de Ozzy chamou bastante atenção e isso aliado às guitarras de Dave Chandler embebidas na escola de Tony Iommi ajudou a consagrar a banda no estilo. A faixa título que abre o disco já se inicia com uma distorção descomunal, descambando para riffs extremamente cadenciados que conseguem grudar na cabeça e ficarem ecoando por horas. Além disso, o refrão também é marcante. Não deixe a capa tosca e zoada do disco lhe enganar e prepare seus tímpanos para os decibéis de distorção e sujeira desse clássico.

Sacerdote Jaguar – Miasthenia: dentre os precursores do pagan black metal brasileiro, os brasilienses do Miasthenia sempre discorreram com primor sobre o ocultismo de culturas pagãs latino-americanas. Mas o ápice Legados do Inframundo (2014) certamente foi o mais assertivo e com muito para se tornar clássico. Nesse disco, Hécate (vocal e teclados) fez uma pesquisa profunda para discorrer sobre o Xibalba que representava o submundo para o povo Maia no período pré-hispânico. Sacerdote Jaguar é apoteótica, agressiva, melódica e a atmosfera obtida nessa faixa é em si um destaque a parte. Os riffs muitíssimo bem estruturados e alocados de Thormianak também fazem desta faixa um dos grandes destaques do álbum. Sem dúvida uma das músicas mais belamente obscuras do Metal extremo brasileiro.

De Ödeslösa – Thyrfing: formado em 1995 na Suécia, o Thyrfing é um dos principais nomes que carrega a bandeira da cultura nórdica, sendo um dos principais grupos de Viking metal. Com uma sonoridade rica e bem construída pra representar com fidelidade a atmosfera de batalhas e cultura viking, eles lançaram álbuns de grande importância como Thyrfing (1998) e Urkraft (2000). Mas De Ödeslösa (2013) é um álbum com uma atmosfera singular, no qual você consegue se transportar para a antiga e gélida Escandinávia. A faixa-título que fecha o disco empunha atmosfera única, transmitindo a sensação mórbida de uma batalha derradeira na qual os guerreiros sabem que caminham para a morte. A parte orquestral é excepcional e agressividade fica ainda maior com as músicas sendo cantadas em sueco com um vocal na linha black metal.

Recomendamos Para Você

Close