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A NOVA CARA DO ROCK NACIONAL

SIOUX 66 / FURIA INC. / BLAME / MATTILHA / RARDYSS Inferno Club - São Paulo/SP, 27 de junho de 2015

Literalmente as portas do Inferno Club foram abertas no último sábado do mês de junho para receber o evento “A Nova Cara Do Rock Nacional”, organizado a partir da iniciativa entre a Base Rock e a Gang da 13 que abriram espaço para algumas bandas emergentes no cenário – não só de São Paulo -, mostrarem seu potencial. As atrações foram as paulistanas Sioux 66, Mattilha, Furia Inc. e Rardyss, além da catarinense Blame, que pela primeira vez tocaria na cidade.

Pouco antes das 18h00 a novata Rardyss surgiu no palco mostrando seu Glam Rock cantado em português. Formada pelos jovens Gil Harrison (vocal e guitarra), Gildecy Rachel (vocal e baixo), Gui Santiago (guitarra) e Victor Rodrigues (bateria), a banda aproveitou para lançar seu EP de estreia, “Crânio De Cera”, dando início justamente com a música que o nomeia e que empolgou a todos com seu pique bem ‘rocker’ à la Backyard Babies e sua letra bastante divertida.

Algo interessante na banda é o fato de Harrison e Rachel dividirem os vocais nas músicas e, mesmo sendo muito jovens, mostraram segurança e boa presença de palco. A sequência veio com as não menos empolgantes “Olho Dourado” e “Veneno”, que se destacaram por seus refrãos grudentos. Um momento legal do show foi quando a banda convidou o vocalista Igor Godoi do Sioux 66 e também o baterista Ivan Copelli da banda Burlesca – que estava se despedindo do Brasil – a subirem no palco para mandarem um cover do Guns N’Roses para “Used To Love Her”. A balada “Donzela Da Noite” relembrou as músicas de mesmo clima da lendária banda gaúcha Rosa Tattooada. Como o tempo era curto devido ao atraso da casa em dar início ao festival, Harrison apresentou a banda que se despediu com “Consciência”.

Correndo para recolocar o cronograma nos horários corretos, a equipe de palco trabalhou firme, fazendo com que o intervalo entre as bandas não durasse muito tempo, o que acabaria “esfriando” o público. Sendo assim, o Mattilha rapidamente tomou seu posto e, com uma plateia composta por vários fãs de carteirinha, iniciou com “Sem Hora Marcada” o seu Rock’n’Roll canastrão que mantém vivo o legado de grupos veteranos vindos da mesma região, a Vila Pompéia, como Mutantes, Tutti Frutti e Made In Brazil. Em divulgação de seu primeiro álbum, “Ninguém É Santo”, lançado em 2014, o grupo agradou com um Rock’n’Roll simples, porém pegajoso, cercado de influências não só das bandas citadas, mas também de Rolling Stones e Guns N’Roses.

O vocalista Gabriel Martins canta rasgado, é bem comunicativo e tem a malandragem natural que cai como uma luva para qualquer vocalista do gênero. Na que tem uma pegada The Cult, “Feita Pra Mim”, o grupo contou com a presença de Gil Harrison e Gildecy Rachel do Rardyss, mostrando a união existente entre as bandas que integraram o cast do evento. “Blues Para Acalmar”, que no álbum teve a participação de Paulo Coruja da banda Cracker Blues na gaita, foi dedicada a um rapaz da plateia que subiu para apresentá-la após o seu relato pessoal sobre uma desastrosa experiência amorosa. A festiva “Noites No Bar”, que contou com Paulão de Carvalho (Velhas Virgens) em estúdio e no videoclipe, encerrou o show empolgante do Mattilha.

Única representante do Metal mais pesado, e também única a cantar em inglês, o Furia Inc. deu as caras às 19h45 com “Pitchblack Downfall”, música de abertura de seu ‘debut’ “Murder Nature” (2014), enfrentando o som embolado, principalmente para a guitarra de Gustavo Romão, irmão do exímio baterista Neto Romão que fazia uso do metrônomo, principalmente porque a banda em certos momentos utilizava ‘spoken words’ sampleados. “The Cage” e “Crash” deram continuidade ao set até o vocalista Victor Cutrale falar pela primeira vez com o público, elogiando a união que encontraram por parte das bandas de Rock’n’Roll no evento, ao contrário do que sente em relação às bandas de Metal que costuma tocar junto, que se mostram individualistas. Tal discurso arrancou aplausos. Verdade seja dita, Cutrale possui bastante atitude e qualidade como ‘frontman’.

Após a introdução que antecedeu a faixa título do álbum de estreia, o som foi regulado e a banda pôde então mostrar todo o peso do seu Thrash Groove com maior clareza. Com a qualidade de som estando favorável, ficou nítido ao público que Gustavo é dono de ótimos riffs e solos. Então foi a vez de “Sons Of Anarchy”, única representante do EP “Creatin’ A World”, de 2010, e ao seu final Cutrale pediu que todas as revoluções mundiais fossem celebradas. Com vocais mais melodiosos e passagens cheias de climas, “Hopeless” foi o ponto alto do set matador do Furia Inc.

A penúltima banda da noite, vinda diretamente de Santa Catarina, foi a Blame, que através de seu power trio formado por Vinicius Rosa (vocal e guitarra), Geraldo Borges (baixo) e Amauri Martendal (bateria), trouxe de lá o seu Rock And Roll com toques de Pop Rock e uma acentuação Pós-Grunge. A abertura com “Modus Operandi”, que faz parte de seu segundo álbum “Efeito Halo”, lançado em 2014, agradou e mostrou uma letra de protesto contra os políticos corruptos que infestam o país. “Opinião” trouxe um encontro entre a modernidade e a sonoridade dos anos 90.

A banda carrega bastante variedade entre as composições, sendo que os maiores destaques ficaram por conta da faixa título do novo álbum e também por “Offline”, ambas com videoclipes bem legais no You Tube. Mas além dessas, outras que empolgaram foram “Anelo” e a balada Pop “Estações”. Bastante coesa em palco, a banda fez uma apresentação correta e conquistou o público presente. Vinícius mostrou carisma, além de ser bastante comunicativo. O músico expressou a satisfação da banda em estar tocando em São Paulo. Na derradeira “Declassé”, Martendal inseriu um solo de bateria, até que a banda toda voltasse e finalizasse a música.

Coube ao Sioux 66 entrar em ação às 21h45 e assim como ocorreu com o Mattilha, o jogo já estava ganho, já que tinha o público nas mãos. E o empolgou com a explosiva “Jack N’ Me”. A banda segue na divulgação do ‘debut’ “Diante Do Inferno” (2013) e na música homônima registrou algumas cenas que serão usadas em seu novo videoclipe – quarto e último a ser produzido para o álbum. Igor Godoi com seu vocal rasgado e sua postura como ‘frontman’ escancarava a influência de Axl Rose do Guns N’ Roses. Outro que se destacou pela performance e referência da mesma banda foi Mika Jaxx que, assim como Igor, se movimentava bastante e formava dupla com Bruno Marx (Baby Doll e Tales From The Porn), que substituía temporariamente o guitarrista Bento Mello. A banda apresentou duas novas músicas, “Apocalipse” e a pesada “Minerva”, que tem riff e pegada bastante parecidos com os de “Cowboys From Hell” do Pantera. Não por menos, a banda texana foi lembrada através do cover de “Mouth For War” que fez com que alguns abrissem roda na pista.

O baixista Andrews “Andy” Einech do Mattilha foi chamado ao palco para assumir o baixo de Fabio Bonnies em “Mentiras”, que só começou após um solo de guitarra de Jaxx. “Porcos”, uma das que também possui videoclipe, foi comemorada pela plateia. Interessante sua letra também de crítica aos políticos brasileiros. Nessa, Mika disparou um dispositivo que alternava cores em sua Gibson Les Paul, causando um belo impacto para o final do show energético da banda que se juntou a plateia na beira do palco para a tradicional foto.

Faz-se merecer elogios a iniciativa da parceria entre os coletivos de bandas Base Rock e Gang da 13 que criaram o “A Nova Cara Do Rock Nacional”, um ótimo evento que mostrou algumas das promessas do cenário nacional, todas com material em seus currículos e muito sangue nos olhos, além de mostrarem que estão unidas em prol de um mesmo objetivo: o fortalecimento e o estabelecimento de eventos como esse, que proporcionam não só um espaço maior, mas também profissionalismo e qualidade às bandas autorais. A nota negativa fica por conta do público que apareceu em um número apenas razoável.

RARDYSS – Set list:
Intro
Crânio De Cera
Olho Dourado
Veneno
Used To Love Her (Cover do Guns N’ Roses)
Donzela Da Noite
Consciência

MATTILHA – Set list:
Sem Hora Marcada
Filho Da Pompeia
Feita Pra Mim
Pronto Pra Rodar
Blues Para Acalmar
Qual É O Seu Veneno?
Ninguém É Santo
Noites No Bar

FURIA INC. – Set list:
Pitchblack Downfall
The Cage
Crash
Murder Nature
Sons Of Anarchy
Hopeless
At The Mountains Of Madness
Into The Mirror

BLAME – Set list:
Modus Operandi
Opinião
Seja Feliz
Efeito Halo
Offline
Estações
Anelo
Declassé

SIOUX 66 – Set list:
Jack N’ Me
Você Não Pode Me Salvar
Outro Lado
Minerva
Diante Do Inferno
Mouth For War (Cover do Pantera)
Mentiras
Apocalipse
Uma Só Vez
Porcos

 

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