Live Evil

ALMAH

Teatro Odisseia - Rio de Janeiro/RJ, 03 de agosto de 2014

Morar no Rio de Janeiro não tem sido mais um lamento para quem curte Heavy Metal. O período de escassez de shows já é um passado distante, e não somente grandes nomes internacionais têm aportado na cidade. Uma das provas do bom momento foi o retorno do Almah em sua turnê para divulgar o mais recente álbum, o ótimo “Unfold” (2013), para um público que, numa noite de domingo, compareceu em número bastante razoável e com uma empolgação que tem virado rotina em qualquer apresentação, seja de qual estilo for. E a missão de aquecer os fãs coube ao Dreadnox, banda carioca formada no início da década de 90 que retomou as atividades em 2010, depois de cinco anos longe da cena.

A apresentação foi melhor do que a que este que vos escreve viu em 2012, na abertura para o Epica, mas ainda assim longe de ser empolgante. Com um novo disco na bagagem, “The Hero Inside” (2014), o quarteto – Fábio Schneider (vocal), Kiko Dittert (guitarra), Dead Montana (baixo) e Felipe Curi (bateria) – mostrou que a evolução do seu repertório é gritante. Há um abismo de qualidade de músicas como “Miracle” e “Fight With The Light”, novas, para “Loser”, dos primórdios. No entanto, há muito trabalho pela frente, incluindo melhorar a presença de palco e escolher mais sabiamente dos covers: o óbvio (“Sad But True”, do Metallica) e o diferente (“Refuse/Resist”, do Sepultura) não funcionaram.

O início do show do Almah mostrou o que seria a noite com o quinteto formado por Edu Falaschi (vocal), Marcelo Barbosa e Diogo Mafra (guitarras), Raphael Dafras (baixo) e Marcelo Moreira (bateria): um ensaio aberto com a presença de amigos, que ajudaram pagando ingresso. Acreditem, isso é um elogio. Tema de Darth Vader, a “Marcha Imperial” deveria ter sido o sinal verde para o início com “Hypnotized”, mas problemas com o amplificador de Dafras quebraram o clima, digo, o gelo. O grupo levou na esportiva, e a espontaneidade acabou sendo o tom de todo o show. Do palco para a plateia, da plateia para o palco.

Com tudo em ordem, “Hypnotized” enfim saiu, trazendo a tiracolo “Living And Drifting”, exatamente a dobradinha que abre o também ótimo “Motion” (2011), disco que apontou um novo e bem-vindo rumo mais pesado, sem abrir mão do virtuosismo. Mas ao longo da noite, independentemente de posturas musicais, os fãs mostraram estar ao lado da banda, simplesmente assim. “Beyond Tomorrow”, de “Fragile Equality” (2008), álbum que passeia mais por Progressive Metal e Metal Melódico do que pelo Heavy Metal em estado bruto, foi calorosamente recebida.Assim como “Children of Lies” e a balada “Breathe”, primeiras amostras de “Almah” (2006), o projeto solo de Falaschi que se transformou em banda.

Mas a turnê é para promover “Unfold”, e não à toa o setlist de 18 músicas foi recheado comseis dele – e mais cinco de “Motion”.Sintomático. “The Hostage” foi a primeira; “Believer” e, principalmente, “Wings of Revolution” tiveram um acompanhamento empolgado do público;a balada “Warm Wind” não deixou o pique cair; “Raise The Sun” e “Beware The Stroke” mostraram a força de seus refrãos absolutamente funcionais.A boa resposta – não apenas às canções apresentadas, mas também à execução, com os shows individual e coletivo do grupo – colocava a todo instante um sorriso no rosto dos músicos, e aqui cabe uma ressalva importante ao anfitrião da festa. Falaschi pode ter falado além da conta – e errado na mão – ao defender o Metal nacional num passado não muito distante, mas ficou claro que os fãs passaram uma borracha no assunto.

Houve quem pedisse “Pegasus Fantasy”, mas o vocalista optou por não cantar nenhum trecho da música da série “Cavaleiros do Zodíaco”. “Continuando assim, vou ter de começar a me vestir como um dos personagens”, brincou. Sim, o carisma de Falaschi falou mais alto em vários momentos. Ao lembrar-se da infância no Rio de Janeiro, jogou bem para a galera; ao falar dos 25 anos de estrada, usou de bom humor (“Pô, outro dia eu estava num shopping e encontrei um fã que estava com o filho. Ele virou e falou que acompanha minha carreira desde criancinha!”); edepois de ter estragado o microfone ao girá-lo,se saiu bem ao contar dois “causos” – à la “Os Trapalhões” – da sua época no Angra.

Foram momentos dignos de um bom papo de bar, mas aí vale dizer que saideira poderia ter sido acompanhada de uma cortesia. “Heroes Of Sand”, única do Angra no repertório – e por que não? Afinal, a música foi escrita pelo vocalista –, fez a apresentação entrar na reta final. E apesar de o encerramento com a ótima “King”, com adição do refrão de “Believer” no fim, ter sido ideal, “Torn” e “Birds Of Pray”, ambas de “Fragile Equality”, bem poderiam ter trocado de lugar com “Late Night In ‘85” e “Trace OfTrait”, duas de “Motion” que haviam sido tocadas antes, com melhores resultados. Mas o saldo, após duas horas de show, foi extremamente positivo. Para o Almah e para o público.

Setlist
1. Hypnotized
2. Living And Drifting
3. The Hostage
4.Beyond Tomorrow
5.Children Of Lies
6. Breathe
7. Believer
8.Beware The Stroke
9. Late Night In ‘85
10.RaiseThe Sun
11. Days OfThe New
12. Warm Wind
13.Wings Of Revolution
14. Trace Of Trait
15. HeroesOfSand
16. Torn
17. Birds Of Prey
18. King

 

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