Live Evil

CHROME DIVISION

Arena Two Wheels Brazil - São Bernardo do Campo/SP, 21 de outubro de 2012

O “Two Wheels Brazil” carrega consigo o status de ser um dos mais importantes eventos de motos vintage da América Latina. Apesar de uma localização terrível em meio a uma rodovia, o TWB 2012 tinha enorme área de camping e espaço recheado de lindas motos, carros hot rods e belas promoters de marcas diversas de bebidas, revistas, acessórios e tudo que envolve o mundo motorizado das duas rodas. Mas nem todo mundo vai a evento destes em busca de roncos, pois sempre há a boa música como grande atrativo e entre os nomes desta edição, estavam os noruegueses do Chrome Division.

Primeiro quero falar da desorganização. O festival não teve seu relógio ajustado ao horário de verão (que entrou em vigor justamente na virada do sábado para o domingo) e assim, todos os shows sofreram exatamente uma hora de atraso. Quando o Chrome Division subiu ao palco, já por volta das 17h45, a banda ainda passou o som em palco. O show se iniciou com a guitarra de Damage Karlsen falhando muito nos PAs e durante a apresentação o problema foi resolvido, voltou, foi resolvido, voltou e ficou assim por todo o show, de modo irritante.

No público, não mais que cem pessoas estavam presentes para assistir à banda, ou seja, um verdadeiro fiasco para caras que estavam claramente empolgados em tocar no Brasil, mas mesmo com isso, forte calor e falhas no som, a banda deu muito gás.

Os caras começaram com um trecho de “Breath Easy” emendada em “Hate This Town” e seguida de “Lets Hear It”. Chrome Division empolgou o público que cantou o refrão junto com o vocalista Shady Blue que ao fim desta, apresentou a banda que conta com, além dele Shady, Shagrath (guitarra base), conhecido como vocalista do Dimmu Borgir, Tony White (bateria), e os novatos Ogee (baixo) e o já citado Damage Karlsen (guitarra solo).

Até então, Shady estava apenas interpretando as músicas da fase do vocalista Eddie Guz e apesar dele ser preciso, faz muita diferença já que Guz trazia o som mais para a pegada Rock e Shady o coloca numa linha mais Metal. Mas chegou a hora de “Bulldogs Unleashed”, do álbum, “3rd Rock Knockout”, aí o cara pode realmente soltar os cachorros com sua voz potente e o peso maravilhoso desta música ao vivo. “Zombies & Monsters” veio em seguida e, até então, todos estavam em palco trajando jaquetas de couro, mas como em um passe de mágica, a já clássica “Booze, Broads & Beelzebub” começou com todos sem este fardo insuportável para uma tarde quente de São Paulo. Aliás, era nítido como todos eles sofriam com o calor, mas Shady Blue parecia um camarão e derretia como picolé.

Um longo e desnecessário solo de guitarra foi executado por Damage e a banda voltou ao palco para seguir com “Boys From the East”, com lindas garotas dançando em palco e servindo bebida aos músicos. Depois vieram “Fight” (mais um empolgante refrão ao vivo) e “Raise Your Flag”, com direito a bandeira brasileira levantada por Shady e um belo grito agudo mantido por bons segundos pelo vocalista, também conhecido por integrar o Susperia. Apesar de impressionar, sofrendo com o calor como estava, teria sido melhor poupar a exibição, já que por vezes parecia faltar ar ao cantor.

“Unholy Roller”, uma das melhores músicas da banda, deu o ar da graça e foi seguida de “Life of a Fighter”. Uma brincadeira com o riff de “Breaking the Law” (Judas Priest) introduziu “Trouble with the Law”, que foi seguida pelo cover de “Whole Lotta Rosie” (AC/DC), que não fedeu nem cheirou no show e só serviu mesmo para anteceder ao grande clássico da banda: “Serial Killer”.

Em palco, além de obviamente de destacar a performance canastrona de Shady, também vale citar o batera Tony White, que toca mesmo com muita pegada. Já Shagrath, o “rockstar” norueguês, é ótimo guitarrista, mas bem discreto e na dele. Os caras fizeram um show heróico, com calor insuportável e público pífio e sem dúvida merecem uma oportunidade melhor de se apresentar aos brasileiros. Vamos torcer.

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