Live Evil

CJ RAMONE

Hangar 110 - São Paulo/SP, 19 de setembro de 2012

CJ Ramone é um sobrevivente. Mais que isso, é um cara que você queria ser. Afinal, como poucos mortais, foi um fã inveterado que realizou o sonho de estar ao lado de seus ídolos e fazer parte da banda que admirava. Hoje, depois de mais de uma década do fim, vendo três dos principais integrantes partirem (Joey, Johnny e Dee Dee, quem ele substituiu), ele é uma espécie de guardião oficial do material produzido e adorado por milhões de pessoas. Por retribuição a todos esses anos de cumplicidade com os fãs sul-americanos, o Brasil foi contemplado com várias datas da nova turnê de CJ Ramone, que promove seu mais recente disco, “Reconquista”.

Fora do script, quem abriu os trabalhos no Hangar 110 ainda bastante vazio foi a banda Aurélio e Seus Cometas. Em produção de seu próximo trabalho, segundo eles gravado em Londres, tocaram a maior parte de sons próprios, com letras em português, como “Clube dos descontentes”. Performance esforçada que tentou, mas não agradou. O trio, e mais o vocalista Emir Ruivo, fazem algo que encheria os olhos de modernos excêntricos, o que não era o caso do público da atração principal. Na sequência, veio a banda Slot. Também com sons próprios, mas numa pegada mais Rock e dentro do contexto, a banda agitou a galera que ia lotando a pista.

Enquanto a maioria estava lá fora com a expectativa do chamado “Grande clássico das Américas”, o amistoso das seleções Brasil e Argentina de futebol, dentro da casa era o maior desfile de camisetas do Ramones por metro quadrado. E muitos estavam na expectativa de conferir a boa repercussão do disco novo e curtir clássicos, tocado por um membro da banda, mesmo que ele próprio nunca tenha se considerado um de verdade, apenas um coadjuvante para os seus grandes mestres.

O elogiado e já citado novo disco do CJ é bem diferente dos trabalhos anteriores com as bandas Bad Chopper e Los Gusanos. Não só na sonoridade. Esse é o seu primeiro trabalho solo e, sem nada de entrelinhas, um tributo rasgado aos Ramones, tanto nas letras carregadas de sentimento e gratidão mas também no Punk simples, curto e chiclete da banda. Nessa tour ele vem acompanhado dos não menos lendários guitarristas Steve Solo, do Adolescents, Dan Root e do baterista Michael Stamberg.

Foi indo direto ao ponto que o popular “1,2,3,4” rolou e deu início ao tributo com “Judy Is A Punk”, seguida de “Blitzkrieg Bop”. Gritaria e pogo geral. O set mesclou os já esperados clássicos da discografia ‘Ramoníaca’ desde o primeiro disco, com sons como “Cretin Hop”, “Beat On The Brat” e “Ghost Ring”, a sons novos como “What We Gonna Do Now?” e a ‘love song’ “You’re The Only One”. Em homenagem ao aniversário do ex-baixista Dee Dee, CJ tocou “Endless Vacation” seguida de mais clássicos: “She’s The One”, “Listen To My Heart”, “Sheena Is A Punk Rocker”, “Psycho Therapy” e “Strenght To Endure”.

O ‘circle pit’ ficou cada vez mais pegado e alguns conseguiam driblar e subir no palco. Só que em vez de pular, firulava e ganhava ainda a chance de cantar com os caras da banda. Foi assim em “Commando”, quando um fã conseguiu ficar e dominar o microfone durante o som todo.

Num dos poucos momentos em que falou com o público, CJ disse que estava difícil tocar porque a galera subia e levava o set. Um solidário do gargarejo ficou segurando o papel na frente dele pra saber o que viria em seguida. Hilário. Falou também que os Ramones também souberam fazer músicas de amor e tocaram “I Wanna Be Your Boyfriend”, emendada em “Glad To See You Go. Depois foi a vez do único cover de “Reconquista”, “Waitin’ For My Man”, do Velvet Underground.

Não parecia, mas àquela altura a banda já havia executado umas dezoito músicas! E até o fim não faltaram hits, como “Rockaway Beach”, “I Wanna Be Sedated”, “Pinhead” e “Do You Wanna Dance”. “Three Angels”, a mais emocionada das faixas do disco novo, foi feita e dedicada por CJ aos seus três mentores: Joey, Johnny e Dee Dee. No bis, o baixista agradeceu a banda de amigos que está acompanhando-o na tour e tocou “California Sun”, encerrando o set com “R.A.M.O.N.E.S.”.

 

Foram vinte e quatro sons. Show curto e reto sem muita conversa, mas com uma história de mais de trinta anos desfilada em hits em quase 1 hora de set. Seja em cima do palco, em música ou nas entrevistas sempre sinceras, passando ou não por aqui em outra ocasião, além de fazer parte de um dos grupos mais importantes da história do Rock, CJ mostra o carinho que se deve ter com um legado construído numa mistura de despretensão com profissionalismo. Ele foi o primeiro a passar por aqui já que esse ano ainda tem Richie e Mark Ramone em apresentações nos palcos paulistanos. Nas cordas ou nas baquetas, Ramones Forever!

SET LIST:
Judy Is A Punk
Blitzkrieg Bop
What We Gonna Do Now?
Cretin Hop
Beat On The Brat
Ghost Ring
Endless Vacation
Listen To My Heart
She’s The One
You’re The Only One
Sheena Is A Punk Rocker
Psycho Therapy
Strength To Endure
Commando
I Wanna Be Your Boyfriend
Glad To See You Go
Waiting For My Man
Rockaway Beach
I Wanna Be Sedated
Pinhead
Three Angels
Do You Wanna Dance
California Sun
R.A.M.O.N.E.S.

 

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