Live Evil

COAL CHAMBER

Cine Jóia - São Paulo/SP, 08 de setembro de 2012

Em um atípico sábado, em que São Paulo foi contemplada com quatro shows de diferentes vertentes do Rock pesado, sou obrigado a dizer que, em tempos de Olimpíadas, quem ganhou medalha de ouro foram os presentes no Cine Jóia. É engraçado como até hoje as reações que cercam o termo “Nü Metal” atiçam, provocam e dividem os apreciadores de música pesada, seja o cidadão fã de Heavy Metal Tradicional, Thrash, Black e até Hardcore. Entretanto, parece que dessa vez isso foi deixado um pouco de lado, uma vez que desfilavam pelo Cine Jóia camisetas do Slayer, Pantera, Hatebreed, misturadas a outras de bandas como Korn e Deftones sem o menor problema. Seria o fim dos xiitas malas do Rock pesado ou uma façanha que apenas o Coal Chamber seria capaz de ter?

A resposta surgiu às 22h em ponto, quando o batera Mike “Bug” Cox, a baixista Chela Harper,  o guitarrista Meggs e o frontman Dez Fafara – que recentemente esteve no Brasil com sua outra banda, Devildriver – subiram no palco sob uma reação do público que beirou o fanatismo extremo. Geralmente nesses shows de ‘reunion tour’, as bandas costumam deixar seu principal sucesso para o fim do show, mas o Coal Chamber fez o contrário e começou o set com “Loco” sem dó nem piedade, iniciando as atividades no campo de batalha em que a pista do Cine Jóia se tornou. O próprio “jumper pit”, eu diria. A partir daí, o Coal Chamber fez o show que qualquer fã que espera mais de 10 anos para ver seus ídolos gostaria. Intenso e visitando todos os hits de sua carreira com muita interação com o público.

“Big Truck”, do primeiro disco, veio logo depois, seguida por “Fiend”, “Something Told Me” e “Rowboat”, do álbum “Dark Days”.  Pausa para a primeira intervenção efetiva com muito carisma de Dez Fafara e o set voltou ao primeiro disco com “Clock”, seguida de “Drove” e “Nothing Living”, de “Chamber Music”, um álbum não muito bem recebido pela crítica na época mas bem regular, uma vez que é de se respeitar uma banda que teve coragem de evoluir musicalmente num segundo álbum e se propôs a sair da zona de conforto de ‘debut’ bem sucedido.

Depois veio “I” e mais uma da fase “Chamber Music”, com um dos únicos sucessos do álbum, a pedrada “No Home”, que fez a casa pular e se esmurrar ao mesmo tempo em sincronia impressionante! Antes de executar “Watershed”, de “Dark Days” – trabalho mais representado na noite, por sinal –, Dez soltou um “Man, we need a new fucking Record” (‘Cara, nós precisamos de um disco novo’), levando a casa abaixo e, claro, criando expectativa coletiva nos presentes.

A banda então deixou o palco para fazer o bom e velho charminho com público antes de voltar para o bis. Foi a vez de os fãs assumirem a posição des artistas da noite, entoando os dizeres “The roof, the roof, the roof is on fire! We don’t need the water, let tha muthafucker burn, burn muthafucker, burn” ininterruptamente durante quase 10 minutos. O fato foi registrado por um integrante da equipe do Coal Chamber.

Valeu a boa e velha máxima do “A voz do povo….” pois, sob a ‘intro’ de “Maricon Puton”, a banda voltou ao palco para acabar com tudo com “Sway” – aquela dos dizeres acima, que só quem é realmente fã da banda sabe que o nome é “Sway” – e encerrar o show. Encenação ou não, os integrantes se abraçaram intensamente após o set, aparentando sinais de arrependimento da ruptura no passado e, quem sabe, dando início a um novo renascimento. Do mais fervoroso fã de Metal aos teenagers frequentadores das famosas ‘Nü Metal Parties’ da Tribe House, quem viu o Coal Chamber no Cine Jóia certamente comemorou e terá história para contar.

SET LIST:
Loco
Big Truck
Fiend
Rowboat
Something Told Me
Clock
Drove
Not Living
Dark Days
I
No Home
Watershed
Oddity
Encore:
Maricon Puto
Sway

 

Recomendamos Para Você

Veja Também

Close
Close