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CONCRETO E VINNY APPICE: Os desafios de revisitar um clássico do metal

“O que mais conta nessa hora é realmente a química que rolou entre o Vinny e a banda Concreto quando estivemos juntos em 2015”

Foi num workshop promovido por Vinny Appice (Appice, Black Sabbath, Heaven and Hell, Dio e tantos outros) em Belo Horizonte, em 2015, que o baterista começou a forjar uma aliança com o Concreto. Naquela oportunidade, o batera se empolgou tanto com a execução das músicas Mob Rules, Heaven and Hell e Holy Diver ao lado dos mineiros que, passando por cima do protocolo, pediu para tocarem mais uma, no caso, Paranoid. Ídolo do quarteto de rock/metal, Appice, numa inversão de papéis, acabou se tornando fã confesso do grupo. Disposto a repetir a dose, gravaram juntos as quatro faixas do EP Lama, lançado pelo Concreto neste ano. E não parou por aí. Na turnê que acontecerá neste mês no Brasil, o mestre das baquetas deixou claro que o Concreto será sua banda de apoio na apresentação na capital mineira, no dia 18, no Stonehenge Rock Bar – em todas as outras datas, será acompanhado pelo vocalista Nando Fernandes, o guitarrista Edu Ardanuy e o baixista Fernando Giovannetti. Por motivos de logística, Appice e a banda mineira não conseguirão ensaiar para o show que visa reproduzir o clássico álbum Mob Rules (1981) e outras músicas da prolífica carreira do batera. Mas a química de outrora e a confiança depositada do grupo formado por Marcelo Loss (baixo e voz), Túlio de Paula (guitarra e voz), Adriano Fidélis (guitarra) e Teddy Almeida (bateria) – este último voltará a ceder seu posto para o ícone – são suficientes para se imaginar mais uma passagem histórica de Appice em BH. Em entrevista à ROADIE CREW, Marcelo Loss e Túlio de Paula ressaltam o desafio de tocar o Mob Rules na íntegra, o reencontro com o ídolo e alguns planos do Concreto para o futuro.

Marcelo, o Vinny vem ao Brasil com uma banda para vários concertos, mas em Belo Horizonte ele não abriu mão de contar com vocês. Qual a expectativa para o show?

Marcelo Loss – É a melhor possível. Até porque o Vinny abriu mão de tocar com a banda que vai acompanhá-lo nos outros shows da turnê, formado por grandes músicos brasileiros, para tocar em Belo Horizonte com a gente. Prova que realmente ele curtiu tocar conosco em 2015, e rolou essa empatia que resultou no nosso EP Lama, em que ele tocou a bateria nas quatro músicas.

Vocês conseguirão ensaiar com ele?

Túlio de Paula – Infelizmente não conseguiremos. Não haverá tempo hábil para isso. O Vinny vai chegar em Belo Horizonte na hora do almoço, e tocaremos à noite. Mas como ele é um cara muito generoso, mantém contato com a gente por e-mail falando sobre o repertório, os finais das músicas e que confia na gente e que vamos fazer um bom trabalho. E pediu para, na hora do show, olharmos sempre para ele, que vai nos guiar. Então, estamos muito tranquilos com relação a isso. E ele se propôs a fazer uma passagem de som mais longa, para acertamos alguns detalhes.

Concreto e Vinny Appice

O entrosamento adquirido em ocasiões anteriores também conta nessa hora, certo?

Marcelo Loss – O que mais conta nessa hora é realmente a química que rolou entre o Vinny e a banda Concreto quando estivemos juntos em 2015. Com a falta de ensaio, existe mesmo é aquela sintonia dos músicos em cima do palco, olho no olho, prestando atenção em como serão os finais das músicas e coisas do tipo. Estamos com uma expectativa muito boa para isso.

O que representa o álbum Mob Rules para vocês?

Túlio de Paula – O Mob Rules, para mim, significa um disco muito foda do Black Sabbath. Curiosamente, não era dos discos que escutei muito. A gente está redescobrindo esse disco, que é espetacular. Os caras estavam num nível muito alto, voando mesmo. O Dio cantando como nunca, o Vinny destruindo a bateria… O Geezer (Butler) e o Tony Iommi então, não precisa nem falar. Era um nível altíssimo, músicas maravilhosas. Está sendo muito desafiador reproduzir esse disco com um cara que o gravou. Um desafio muito saboroso para nós.

Mas vocês conhecem o álbum de cabo a rabo, certo? Até porque ele será tocado na íntegra.

Marcelo Loss – Sim, o plano é tocar o álbum Mob Rules na íntegra, além de outros sucessos que ele gravou com o Black Sabbath e com o Dio. O curioso é que esse disco nem é um dos favoritos para nós. Sempre ouvimos muito o Live Evil (1982) e não tínhamos tanta intimidade com o Mob Rules. Tanto que, quando ele nos disse que faria turnê desse disco, ficamos um pouco apreensivos, pensando que íamos ter muito trabalho com as músicas. Mas tem sido muito bacana redescobrir esse álbum.

Quando vocês gravaram o EP Na Lama, o Vinny queria até saber das letras das músicas. Como foi isso para vocês?

Túlio de Paula – Um sonho realizado. A ficha custa a cair. Um cara do nível do Vinny Appice tocando quatro músicas nossas, cantadas em português, é de uma generosidade enorme da parte dele. Foi superprofissional. Foi ele quem falou que queria gravar músicas nossas. Ao encontrar-se com um amigo nosso em Los Angeles, o Vinny tocou no assunto. Falou para esse amigo nosso entrar em contato com a gente. Para nós foi de uma satisfação enorme. Quatro músicas gravadas por um cara do nível dele, um monstro da bateria, da história do heavy metal mundial. Foi uma felicidade muito grande para nós.

Vinny Appice

Vocês já tocaram com ele em outras ocasiões. Têm boas recordações? Como é o Vinny, um cara brincalhão ou mais sério, na dele?

Marcelo Loss – Temos as melhores recordações possíveis do nosso encontro com o Vinny em 2015. Naquela oportunidade, rolou uma química muito legal no palco e também no pessoal. O Vinny é um cara muito legal, simples e acessível. Foi muito legal conhecer um artista que a gente é fã desde criança, estar com ele no palco, e o cara conversar com a gente de igual para igual. Foi algo impagável. Esperamos repetir agora com um show completo. Na outra ocasião foram apenas quatro músicas. E agora serão 15. Teremos mais oportunidades para curtir esse momento.

O disco ficou com aquele gostinho de “quero mais”. Vocês pensam em fazer mais músicas para um disco completo em breve?

Túlio de Paula – A gente pensa em gravar músicas novas para completar um disco e lançá-lo no ano que vem. Nos últimos anos lançamos só EPs e DVDs. Teremos novas músicas a serem gravadas para um lançamento em 2019.

A parceria com Vinny pode resultar em outro álbum no futuro?

Marcelo Loss – Quem sabe. Essa relação que estamos construindo com o Vinny é realmente um sonho, ter essa oportunidade de trabalhar com um artista que a gente é fã. Temos muito orgulho de ter esse cara nosso novo EP. Se tiver outra oportunidade de repetir a dose, vai ser um prazer.

Quando vocês olham para trás e veem tudo o que o Concreto conquistou, há algo que mudariam?

Túlio de Paula – Quando a gente olha para trás, temos uma satisfação muito grande e uma saudade das coisas que passaram. Eu, Marcelo e Adriano, meu irmão, tocamos juntos há 32 anos. Na maioria desse tempo, fizemos músicas autorais. A gente era criança quando tudo começou. Iniciamos por causa do Rock in Rio de 1985, quando todo mundo queria ter uma banda. E acho que não mudaríamos nada. A gente aprende muito com erros. Foram muitos erros, muitos acertos, muitas coisas deliciosas, saborosas, gratificantes, momentos que a gente guarda na memória, shows antológicos. Muita coisa boa passa pela cabeça, e fica a certeza de que tudo valeu a pena.

Vinny e Concreto

O que podemos esperar do Concreto para 2019? O que está em pauta?

Marcelo Loss – Para 2019, precisamos finalizar nosso quinto álbum. Neste ano e nos anos passados soltamos apenas EPs. E os fãs mais tradicionais ainda cobram o quinto álbum físico. Também teremos o show de comemoração dos 20 anos dos nosso primeiro CD, A Calma da Alma, lançado em 1998. Era um plano para 2018, mas foi um ano que passou muito rápido. E esse show com o Vinny passou por cima de tudo. Tivemos que adiar esses planos por hora. E então, para 2019, queremos lançar um novo disco e fazer essa comemoração do nosso primeiro álbum.

SERVIÇO

VINNY APPICE E CONCRETO

Dia 18 de novembro. Abertura da casa às 16h; show principal previsto para 20h

No Stonehenge Rock Bar – rua Tupis, 1448, bairro Barro Preto, em BH

Ingressos: R$ 40 (meia), R$ 40 (inteira promocional) e R$ 80 (inteira)

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