Live Evil

CORONER

Clash Club - São Paulo/SP, 21 de abril de 2015

Dizem que o que era feito antigamente deveria durar. De fato, o período entre os anos 80 e 90 viu o ascender de nomes, estilos e música que hoje compõem uma vasta lista de clássicos, justificados pelo pioneirismo, poder de criação e finalmente certificados pelo teste do tempo. Diversas são as bandas que fizeram seu nome, atingiram o auge e acabaram. Umas de vez, outras, caíram na hibernação. Deste segundo grupo, muitas reativações têm acontecido nos últimos tempos, com resultados felizes em maioria. A alegria dos fãs mais velhos frente ao retorno de seus ídolos áureos, e a forma como boa parte da “molecada” tem recebido isso, algumas vezes como novidade, atestam a frase de abertura desta matéria. A “magia” daquela época é atemporal, e uma prova disso foi dada na Clash Club, em pleno feriado de Tiradentes, pelos veteranos do Thrash Metal, Coroner.

Em iniciativa da Fame Enterprises, a banda de Zurique reunida em 2010 veio pela primeira vez ao Brasil com a “Almighty Latin American Tour”, e para a data de São Paulo, o evento contou com as convidadas nacionais Circle Of Infinity, Warsickness, Uganga e Sangrena. Devido a fatores externos não foi possível à reportagem da ROADIE CREW estar presente desde o início do evento, aberto pelas bandas Circle Of Infinity e Warsickness. Pedimos desculpas aos grupos.

Os mineiros do Uganga energizaram o palco por trinta minutos com seu Thrashcore. O set foi aberto com “Aos Pés Da Grande Árvore” e “Moleque de Pedra”. Letras em português, bem estruturadas até onde se pôde perceber, de conteúdo contestador. A música do sexteto é uma pedrada, com o trio de guitarras formado por Christian Franco, Thiago Soraggi e Maurício “Murcego” Pergentino, uma cozinha que leva o peso a outro nível, com Raphael “Ras” Franco no baixo e Marco Henriques na bateria. No front, o já conhecido nome de Manu “Joker” Henriques, com seu potente vocal e contagiante presença de palco com direito a cambalhotas e muito agito. Somado isso a uma regulagem de som excelente (total oposto do que foi o Marduk, no sábado anterior). O set seguiu com faixas do novo álbum “Opressor” como “Guerra, Nas Entranhas Do Sol” e “Fronteiras Da Tolerância”, além do cover de “Who Are The True?” do Vulcano. Sempre com alguma mensagem relacionada às músicas, Manu anuncia “O Campo”. Apesar do público ainda pequeno, o Uganga se portou como estivesse a frente de um estádio cheio.

Vinte minutos depois, o Sangrena iniciava seu show com “Infernal Domination”. A banda é formada por Luciano Fedel (vocal e baixo), Fabio Ferreira e Gustavo Bonfá (guitarras) e Alan Marques (bateria) e originária de Amparo, interior de São Paulo. Em divulgação do novo álbum “Blessed Black Spirit”, o grupo executa um Death Metal robusto e direto. O time das cordas tem uma pegada consistente, aliada ao vocal rasgado de Luciano e um merecido destaque ao monstruoso Alan que surrou sem dó sua bateria. “Land of Scorn” e “The Ninth Prophecy” deixaram claro a que veio a banda. Sem muita movimentação no palco e falas tímidas do vocalista, porém sempre em agradecimento, o grupo parecia acanhado. Apesar da postura exibida no palco, a música executada compensava em poder de destruição sonora e energia. Como fosse possível, o quarteto adicionou um pouco mais de peso à apresentação com as brutais faixas “In Sacrifice” e “Cursed by Revenge”. “The March” despediu o Sangrena que certamente deixou expectativa de novos encontros.

Após mais de uma hora e intermináveis ajustes no palco, a principal atração da noite estreou em nossas terras sob explosão geral da Clash e um forte “Coroner” gritado em uníssono ao fim de “Golden Cashmere Sleeper”. Ron “Royce” Broder (vocal e baixo) cumprimenta todos,satisfeito em estar ali finalmente após quase trinta anos, acompanhado por Tommy T. Baron (guitarra), o novato Diego Rapacchietti (bateria) e o músico convidado Daniel Stoessel (teclados).

“Divine Step”, “Serpent Moves” e “Internal Conflict” ditaram o que se veria na plateia durante o resto do show: Momentos de rodas insanas e agitação frenética em faixas como “D.O.A”, “The Lethargic Age”, com destaque para o baixo de Royce, e “Semtex Revolution”,  mesclados com instantes de contemplação como em “Tunnel Of Pain”. Sorridente, o vocalista elogiava o público brasileiro como o mais louco de todos e agradecia seu apoio. “Still Thinking” e “Metamorphosis” aqueceram a dobradinha seguinte. No ponto mais alto do set, o hino “Masked Jackal” levou os fãs a um nível mais alto de loucura, e no segundo plano do palco, a uma caixa estourada na bateria de Diego. “Grin” manteve a insanidade em alta e conduziu a banda para o intervalo, saindo ovacionada do palco.

O retorno levou poucos instantes e rapidamente os músicos estavam de volta com a “Intro (Nosferatu)” seguida de “Reborn Through Hate” cantada em coro pelos fãs, sob a bizarra máscara de “Grin” no telão em sua expressão contorcida. “Die By My Hand “encerrou um dos sets mais clássicos, calamitosos e insanos desse ano, com uma calorosa despedida dos fãs de punhos no alto.

Com clássicos de todos os álbuns, a banda suíça ofertou uma apresentação intensa e impecável, com o bônus de um sintetizador que ao vivo conferiu dinâmica ao som, sem comprometer o peso e a técnica do grupo. Sem nenhuma ressalva além do tempo de espera, o evento encerrou com um tranquilo ‘Meet & Greet’ e a sensação de que algo único aconteceu naquela noite. Quem viu, viu.

 

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