Live Evil

DEEP PURPLE

Devassa On Stage - Florianópolis/SC, 14 de novembro de 2014

Na sexta-feira, 14 de novembro, o Deep Purple desembarcou mais uma vez em Florianópolis para dar continuidade a turnê de divulgação de seu mais recente álbum, “Now What?!“, lançado em abril de 2013. O show aconteceu no distante Devassa OnStage, em Jurerê Internacional. A banda Sonido Clube ficou encarregada de fazer a abertura. Formada por Anderson Tombini e Jerônimo Jr., a dupla tem como proposta, como eles mesmos disseram na apresentação, tocar clássicos do rock em versões acústicas, quando possibilitarem arranjos um pouco mais simplificados, visto a pequena quantidade de instrumentos, apenas violão tocado por Jerônimo e um instrumento híbrido de bateria e percussão comandado por Anderson. A propósito, muitas pessoas devem ter estranhado ao adentrar o espaço e ver violões no palco.

O grupo iniciou sua apresentação pouco antes das 21h com “Free Fallin’”, originalmente do Tom Petty, emendando com “Come Together”, dos Beatles, seguindo com uma versão bem “própria”, por assim dizer, de “Dust in the Wind”, do Kansas, grupo que Steve Morse chegou a fazer parte em um período da década de 80. Durante esse começo, era perceptível que parte da plateia não estava dando muito atenção a eles. Porém, a situação muda com a boa versão de “Mercedes Benz”, seguida por “Sweet Home Alabama”, clássico do Lynyrd Skynyrd, onde a platéia os acompanha com palmas. Merecem destaque a execução de “You Shook Me All Night Long” do AC/DC, com uma roupagem completamente distinta do que normalmente é executada por aí, e a saideira “Wish You Were Here” do Pink Floyd, onde novamente o público acompanha, cantando trechos da letra. Os músicos se despedem, agradecem a plateia por terem os ouvido e pela paciência, e falam algo de como era um momento surreal para eles estarem ali.

Enquanto se retiravam do palco, por volta das 21h30m, era possível ouvir um pequeno coro de toca Raul, como não poderia deixar de ser com bandas que tocam covers no violão. Aliás, curiosamente a banda deixou um violão vermelho escorado no palco, e não o usou em momento algum. No geral, uma apresentação divertida, que não deixa de ser uma escolha um tanto quanto inusitada para abertura.

Era 21h58 quando as luzes se apagam e começa a soar “Mars, the Bringer of War”, composição que está servindo de entrada para o Deep Purple nesta turnê. Ian Paice e Roger Glover dão início a “Highway Star”, levando de cara a multidão a gritos. Sem nenhuma pausa continuam com “Into the Fire”. Nestas duas já davam para constatar alguns aspectos que seguiram durante todo o show: o som, como esperado, estava alto, principalmente guitarra e teclados, fazendo jus a fama da banda; neste início, pareceu que faltavam ainda alguns ajustes no som, pois a voz de Ian Gillan soou mais baixa que nas próximas músicas, e a guitarra de Steve Morse estava um tanto saturada, o que não se repetiu quando ele trocou de instrumento, o que foi feito já na próxima música; e claro, Ian Gillan, como é de conhecimento, não alcança mais aqueles tons altos que o consagraram há décadas atrás, porém, de certa forma ele compensa isso com seu carisma.

Na sequência tocam “Hard Lovin’ Man”, com destaque total para os teclados de Don Airey. Ian Gillan ainda pega um pequeno gongo e finge tocá-lo na parte em que a gravação original tem um, que é reproduzido no palco de forma pré-gravada. “Strange Kind of Woman” é a próxima, deixando o público em êxtase com a grande performance apresentada.

Seguindo, Ian Gillan cumprimenta a plateia, fala algo em torno de que estava contente em estar ali e anuncia a próxima música, “Vincent Price” do trabalho mais recente. Esta música é um espetáculo a parte, e funcionou muito bem ao vivo, com todo o clima de “terror” conduzido pelo teclado de Don Airey. Quem não conhece esse som pode procurar que não tem errada, vale a pena.

Merece destaque a boa estrutura do local, com um palco alto, o que possibilita uma boa visão de praticamente qualquer local da casa, boa iluminação, deixando o show com um toque a mais, além da excelente estrutura de telas e projeção atrás dos músicos, que passavam imagens interessantes, como desenhos de caveiras e velas em “Vincent Price”, ou chamas mais para frente em “Smoke on the Water”. As câmeras colocadas no palco ajudaram a complementar a visão do palco, visto que algumas estavam posicionadas mostrando locais que não dava para ver da plateia, como, por exemplo, as mãos do Don Airey em seu grande teclado com três andares de teclas.

Gillan apresenta Steve Morse e deixa o palco, e a banda inicia “Contact Lost”, seguido por belos solos de Steve Morse. A próxima é “Uncommon Man”, do mais recente álbum, e mais uma composição forte em que os teclados fazem a diferença. Grudada nessa vem outra instrumental “The Well-Dressed Guitar”. A dinâmica da apresentação acaba sendo essa: clássicos intercalados com boas instrumentais, até mesmo para Ian Gillan poder dar conta de um show inteiro, já que ele aproveitou boa parte das passagens instrumentais para sair do palco, conseguindo retomar o fôlego.
O show continuou com “The Mule”, e como de praxe, contando com o solo de bateria de Ian Paice, este extremamente semelhante ao registrado no clássico álbum ao vivo “Made in Japan”, no distante 1972. Em determinado momento do solo, todas as luzes do palco são apagadas e Ian Paice pega duas baquetas piscantes, uma vermelha e outra verde, parecendo dois mini sabres de luz.
Quanto ao público, não chegou a lotar o Devassa On Stage, mas até compareceu em bom número. Legal ver como esse tipo de banda atrai pessoas de todas as idades, desde os mais velhos, até mesmo algumas crianças acompanhadas pelos pais, que provavelmente nem tem noção da importância da atração que elas tiveram oportunidade de assistir.

“Lazy” foi a próxima, com grandes improvisações e até mesmo solo de gaita do Ian Gillan. Pessoalmente, um dos grandes momentos da noite. Seguida dela, a última música mais recente do repertório, “Hell to Pay”, que ganhou uma coreografia especial, onde Steve Morse e Roger Glover se juntaram a Ian Gillan para dividir o microfone no refrão, enquanto nas telas era projetada a letra grudenta dela.

O que seguiu de agora até o final foram uma sequência de grandes hits, causando grande euforia na plateia, que respondeu com muitos aplausos, gritos e cantando junto. Começando com um solo de teclado de Don Airey, que ganhou um clima muito legal com as projeções exibindo vitrais de igreja, bem condizente com o som extraído de seu Hammond, que serviu de prelúdio para “Perfect Strangers”, onde bastou os primeiros segundos da introdução para conquistar o público.

Na sequência “Space Truckin’”, com o vocal de Gillan ganhando algum destaque, e o hino “Smoke on the Water”, que acreditem, não soa repetitiva quando executada por eles, pelo contrário. Após esta, a banda acena para o público e deixa o palco, isto por volta das 23h 30m, para voltarem em menos de um minuto com um pequeno trecho do conhecido instrumental “Green Onions”, originalmente de Booker T. & The M.G.s.

Seguem com “Hush”, esta praticamente do Deep Purple depois de tantas décadas a tocando, deixando tudo com cara ainda maior de uma grande festa, onde Steve Morse novamente divide os vocais com Gillan, nos “Na nana”. A música ainda ganhou interessantes improvisações na guitarra e teclados.

Encerrando a noite, era vez de Roger Glover fazer um solo, curto, mas que funcionou muito bem, dada a boa recepção que obteve. Bacana comentar o estilo de tocar baixo dele, com palheta, algo não tão habitual. A última acabou sendo “Black Night”, numa versão turbinada, que deve ter beirado os dez minutos. Essas versões que fazem valer o ingresso, visto que a banda criou excelentes coisas, encaixando até mesmo um trecho de “La Grange” dos texanos do ZZ Top no meio.

Assim o Deep Purple se despede, ovacionado pelo público que presenciou um espetáculo de 1h e 50m, com a tradicional chuva de palhetas jogadas ao público comandada por Steve Morse e Roger Glover, além de algumas baquetas de Ian Paice. Claro que a idade pesou, principalmente para Ian Gillan, afinal, ele tem 69 anos! Independente da voz dele não ter a mesma potência de antes, a banda conseguiu se adaptar muito bem a isso. No fim das contas creio que a grande maioria lembrará deste show com ótimas lembranças. Infelizmente fica aquela sensação de que restam poucos anos de estrada pela frente. Sorte de quem pode vê-los em ação.

Set list:
Highway Star
Into the Fire
Hard Lovin’ Man
Strange Kind of Woman
Vincent Price
Contact Lost
Uncommon Man
The Well-Dressed Guitar
The Mule
Lazy
Hell to Pay
Solo de teclado
Perfect Strangers
Space Truckin’
Smoke on the Water
Hush
Solo de baixo
Black Night

 

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