Live Evil

DIABLO SWING ORCHESTRA

Inferno Club - São Paulo/SP, 29 de maio de 2011

Grupo com mais de cinco integrantes e não é de ska. Uma banda que tem virtuosismo, mas não é necessariamente de Metal. Não se parece, nem em humor nem na sonoridade, com os conterrâneos do medieval Eluveitie ou do explosivo In Flames. Mesmo com quase uma década de estrada e nem tão popular como poderia ser, o Diablo Swing Orchestra faz o que definem como ‘Avantgarde Metal’. Resumindo, isso significa que mistura de tudo desde flamenco, reggae, ópera com metais, violoncelo, guitarradas, um baterista louco e uma vocal lírica. Tudo isso parece esquisito não? E é! Além de surpreendentemente divertido. Coisas que, talvez, só a Suécia pode fazer por você.

Mais jovens ao vivo do que as fotos demonstram, o DSO, como também é conhecido, surpreendeu também na resposta que tiveram do público nesse primeiro e único show na capital paulista. Muita gente fazia fila horas antes do início da apresentação que, para uma banda que tem Diablo no nome, nada mais apropriado que fosse no Inferno Club.

Enquanto clássicos populares como “Creep” do Radiohead eram discotecados em versão Metal, sem banda de abertura e com uma demora inquietante, a banda finalmente entrou no palco, cumprimentando primeiramente em sueco. Muito aplaudidos, a casa a essa altura com a pista cheia, tinha fãs aplaudindo e gritando o nome da banda. Além de presença, alguns fãs tinham arco com chifrinhos vermelhos (não daqueles que brilham) na cabeça. Hora ou outra eles iam parar na cabeça de algum integrante.

Mesmo cantando em inglês, o forte sotaque torna ainda mais caricatura a performance. A percussão de “Guerrilla Laments” abriu o show com muita gritaria e um carnavalzinho de leve. E por que todo gringo acha que está implícito em todo brasileiro gostar de samba? Mas, enfim… Propondo uma viagem musical através dos ritmos regionais na sequência veio “A Rancid Romance” com referências fortes do tango argentino. Os 54 segundos de “How to Organize a Lynch Mob” antecederam a viagem ao Japão proposta em “Black Box Messiah” que começa lentinha e cai para uma maluquice cheia de vocais alternados, muita guitarra e até uma referência às trilhas sonoras dos filmes do Batman. Por falar em trilha, por ser lúdico e atemporal, podiam tranquilamente ser trilha sonora de qualquer desenho animado.

Divulgando o mais recente disco, “Pandora´s Piñata” uma das mais aplaudidas e cantadas foi a novinha “VooDoo Mon Amour”, uma das músicas carro-chefe desse álbum. Cumprindo a promessa que fizeram de fazer um set diferente e colocar todo mundo para dançar e cantar, adicionaram no bis duas músicas não previstas no set fixo dos shows que tem usado nessa tour. Divertindo-se junto com o público, tocaram ainda sons como “Heroines”, “Infralove”, “A tap dancer’s dilemma” e “Kevlar Sweethearts”, outra das novas.

Apesar de preferir priorizar os sons, em alguns momentos algum deles falava ora em inglês ora em sueco com a plateia. Um dos mais falantes é o Daniel Håkansson que num dos momentos perguntou se o certo era dizer ‘Obrigado ou obrigada’. E o público respondeu ‘Obrigado’ em coro. Ainda houve tempo para “Poetic Pitbull Revolutions”, muito aplaudida e “Ricerca Dell’Anima” reforçando a força vocal Annlouice Loegdlund que, incansável como todo o cantor lírico, não perdia o foco e dava mais pimenta a esse molho diferente do DSO.

“Vodka Inferno” e “Balrog Boogie” foram as duas extras que fecharam o show. Aclamados por aqui, felizes com a resposta do público, ainda ficaram no palco por um tempo com um som meio Surf Music distribuindo palhetas, baquetas, toalhas, água e beijos e abraços. Muitos já acham que esse é um dos melhores, senão o melhor show do ano. Só sei que foi bom alguém, lenda ou não, desenterrar aquele baú de séculos atrás e trazer de volta a vida a DSO para os tempos modernos e presentear o público com tanto diferencial.

 

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