Live Evil

DUSTY OLD FINGERS

Teatro de Arte e Ofício - Campinas/SP, 25 de maio de 2013

Uma poltrona, uma taça de vinho, um rádio antigo e, à meia luz, discos de uma época que não volta mais… Será? Foi nesse clima que começou no último sábado o show de lançamento do primeiro álbum da banda Dusty Old Fingers, “The Man Who Died Everyday”, ópera-rock que relata a vida e a morte de Brian Jones, líder e um dos fundadores dos Rollings Stones.

Depois da introdução intitulada “My Best Enemy” executada em ‘playback’, a banda finalmente se revelou no palco, e no centro Fabiano Negri, ex-vocalista do Rei Lagarto, deu início à ótima “The World At My Feet”, com uma introdução misturando solos de guitarra e uma bela combinação na bateria com Rick Machado. O refrão é o ponto alto da música, fundindo riffs com os ótimos backing vocals de Nara Leão, Sheila Le Du, e também do compositor e guitarrista Tony Monteiro.

A próxima e a melhor do álbum, em minha opinião, foi a balada “Blond Hair, Baby Face”, que retrata bem em sua harmonia o que diz a letra com relação à vida de Brian Jones em sua fase conquistador e sedutor. E o show seguiu com a mesma intensidade que foi a vida do guitarrista durante os anos com “Librae Solidi Denarii”, “Everything That I Want” e “Lost Eyes”, que carregam riffs marcantes em uma linda pegada de Blues, que praticamente obrigou o público que lotou o teatro a se levantar e dançar junto com a banda.

Na sequência, foi a vez de “Dirty Hands”, com letra forte e solos e acordes cativantes. O grupo seguiu inovando e parecia que passava um filme diante dos olhos dos expectadores, mas em forma de música. Na faixa seguinte, eis que se revelou o vocal lindo e único de uma das backing vocals, Sheila Le Du. “Going To Hell” fala sobre o rompimento de Brian com a sua namorada por ela ter se envolvido com Keith Richards. Yeah, we are going to hell…

O show estava chegando ao final e a penúltima música do álbum começou com um excelente e hipnotizante solo de gaita sob o comando do baixista Joni Leite. E não é à toa que Fabiano Negri é lembrado até hoje pelo grande trabalho que fez no Rei Lagarto, já que seu timbre inconfundível chega a lembrar e muito uma de suas maiores influências, Ian Gillan (Deep Purple). Graves, agudos, mão importa: ele tira de letra.

A faixa final “The Man Who Died Everyday” teve uma performance emocionada de Fabiano embalada pelo pianos do maestro Paulo Gazzaneo (convidado que gravou essa faixa no disco) e pelos teclados sempre precisos de Marcelo Diniz.

E ainda teve tempo para que a banda pudesse interpretar grandes clássicos de suas maiores influências: o bis começou com “Empty Garden”, de Elton John. Mesmo gripado, Fabiano Negri levou o show com uma técnica impecável nos vocais e também na guitarra, principalmente nos covers que se seguiram, como “Strange Brew” (Cream), “Gimme Shelter” (Rolling Stones) e “Comfortably Numb” (Pink Floyd).

“Under Pressure” foi anunciada com sua introdução inconfundível. Nara Leão assumiu os vocais com maestria e mais uma dos Stones, “Sympathy For The Devil”, encerrou a excelente noite de Rock em teatro de Campinas. E lembra-se no começo deste texto, em que disse que os velhos tempos não voltam mais? Pois bem, pelo menos nessa noite os eles voltaram graças aos velhos dedos empoeirados que trouxeram de volta toda a força do Rock dos anos 60 e 70.

 

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