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EXTERMINATE – …seja você mesmo! Seja seu próprio Deus.

"Esse disco traz uma visão do que é o fanatismo e as crenças em divindades, santos e entidades..."

Esta tempestade Death Metal vem do sul de nosso país e está prestes a lançar seu mais novo trabalho, o Exterminate estará também nos dias 10 e 11 de novembro em São Paulo para um grande feito. Serão duas apresentações no festival Satanic War e que celebrará um encontro histórico com grandes bandas da cena brasileira. Convidamos o Marcelo Feijó e o Adriano Martini para falarmos sobre o inicio do Exteminate até os dias atuais e claro! Falarmos sobre o que está por vir no seu mais novo álbum “Pray For A Lie” com riqueza de detalhes.

Marcelo Feijó, Foto por: Day Montenegro

Nasce em Porto Alegre, berço de grandes bandas do estilo, o brutal Exterminate. Como foi o inicio das atividades? De quem partiu a grande vontade de montar a banda?

Marcelo Feijó – Então, o Exterminate surgiu do nome do álbum do Angel Corpse (Exterminate) banda no qual somos muito fãs. Eu e o Rafael (Guitarrista) já vínhamos de uma outra banda. Então decidimos montar o Exterminate. Logo que montamos a banda tentamos alguns músicos, mas não deu muito certo. Então, entraram na banda, Iuri Ravel (Bateria) e Adriano Martini (Vocal e Guitarra). Em conjunto começamos a compor.

Antes de formar o Exterminate, vocês já tinham participado de alguma outra banda?

Marcelo Feijó – Sim! Rafael e eu (Marcelo) tínhamos uma banda que se chamava SACRILEGY, na época chegamos a gravar uma fita demo, mas logo não deu certo. Adriano já tocava no Mental Horror. Chegou na banda com toda a sua experiência somou muito a banda. Já o Iuri tocava com bandas por hobby. E depois se dedicou totalmente ao Exterminate.

Apesar da banda ser formada 2007 o primeiro registro de vocês veio 2 anos depois com a demo “Insane Fate”. Como foi visto pela cena esse primeiro registro? Houve uma boa distribuição deste material?

2009 – Insane Fate “Demo”

Marcelo Feijó – Sim, levamos esse tempo para lançar algo de concreto, pois todos na banda estavam ocupados com suas vidas profissionais. Costumávamos ensaiar uma vez a cada 15 dias. Depois as coisas foram ajustando-se, começamos a ensaiar mais seguido e as composições foram fluindo mais naturalmente. Lançamos o INSANE FATE, que foi lançado totalmente independente, e teve uma ótima aceitação do publico. Muitas cópias dos cd nós dávamos para as pessoas para poder mostrar o nosso trabalho. Mas muitas foram também vendidas. A tiragem foi esgotada, fizemos mais algumas e depois com o tempo a MUTILATION relançou esse material.

Depois de um longo tempo a banda em 2012 contra-ataca com o EP “Ascension” com uma ótima produção e contanto com o apoio da Mutilation Records e Cianeto Discos. Como surgiu essa parceria com as gravadoras?

Marcelo Feijó – Divulgamos muito o INSANE FATE, e depois desse tempo, foi lançado o ASCENSION. Colocamos uma capa mais profissional, a musica ASCENSION foi como um bônus. Tivemos o contato da Cianeto Discos e Mutilation para poder lançar e, para nós foi algo incrível pois nós não esperávamos um apoio forte em pouco tempo.

O EP foi muito bem comentado na mídia especializada, lembro-me de ter lido ótimas resenhas e comentário a respeito. Qual a sua visão sobre este trabalho? A divulgação e distribuição foi satisfatória?

Marcelo Feijó – Ficamos muito satisfeito com o resultado que nós obtivemos do EP. Foi um trabalho feito com muito esforço. Pensamos em algo mais cru e brutal.  A gravação e mixagem ficou toda sob a responsabilidade de Sebastian Carsin (Studio Hurricane). Sempre queremos mais, e achamos que poderia de nossa parte ser bem mais divulgado. Mas quando entraram as gravadoras conosco, eles deram o empurrão que faltava. Foram muitas cópias vendidas e uma ótima divulgação. Não podemos reclamar.

2012 – Acension “EP”

O EP “Ascension” foi um divisor de águas na carreira do Exterminate? O trabalho que fez o nome da banda ir mais longe?

Marcelo Feijó – Acredito que o EP fez o nome Exterminate aparecer na cena. Mas o que abriu muitas portas com certeza foi o álbum Burn Illusion. Começamos a nos destacar muito mais e os show começaram a aparecer mais facilmente.

Quanto aos shows para divulgação na época, nos fale como foram…

Marcelo Feijó – Foi uma faze que topávamos tocar em qualquer lugar com qualquer tipo de equipamento. Nos convidavam e nós aceitávamos na hora. Queríamos tocar, tocar e tocar. Divulgar ao máximo o nosso trabalho. Quebramos a cara muitas fezes, mas também acertamos umas outras. Parando para pensar como foi, realmente não podemos reclamar muito. Quem tinha quer correr atrás éramos nós.

Durante a divulgação do EP o Iuri Ravel deixa a banda, como a banda reagiu tendo seu baterista de tanto tempo fora do line-up? Qual o motivo que o fez sair?

Marcelo Feijó – Nós todos além de tocarmos juntos, somos grandes amigos. O Iuri é um cara extremamente talentoso e um cara divertidíssimo, onde íamos ele sempre estava lá com suas brincadeiras num clima muito bom entre todos. Tivemos a oportunidade na época de fazer o show de abertura da banda Nile. Ficamos muito felizes pelo convite, começamos a ensaiar quase que diariamente. Mas quis o destino profissional de trabalho do Iuri que começou apertar o tempo para ele. Então como ele achou que ia acabar prejudicando a banda, resolveu sair. Para esse show tivemos que contar com Sandro Moreira (Mental Horror, Rebaelliun) para tocar, e posteriormente Sandro ficaria efetivo com a banda.

Adriano Martini, Foto por: Day Montenegro

Esse foi o motivo para que a banda demorasse 3 anos para o lançamento do debut “Burn Illusion”?

Marcelo Feijó – Depois que tivemos esse show com o Nile, paramos a banda por alguns meses. Nesse tempo parado conversamos com Sandro que aceitou entrar definitivamente para o Exterminate. Sandro vinha de uma cirurgia em um dos seus joelhos, fez aquele show para nós com sangue nos olhos. Com tudo certo, começamos os ensaios, montar as músicas e tivemos um tempo bem maior para poder juntar dinheiro para poder gravar. Acredito que esses fatores foram o motivo de levar esse tempo para poder lançar o Burn Illusion.

Quando recebi o “Burn Illusion” em mãos fiquei surpreso em ver que o baterista que assumiu as baquetas da banda era o Sandro Moreira. Como está sendo a experiência de tocar ao lado deste monstro?

Marcelo Feijó – Sandro quando entrou para o Exterminate já trouxe toda a sua bagagem e experiência para mostrar para nós. Ele é um cara extremamente técnico e rápido. Se encaixou com a banda em muito pouco tempo. Não demorou muito e Sandro já estava criando suas idéias de baterias para nós podermos montar as músicas.

E o lançamento do debut você dessa vez contou com o apoio de várias gravadoras de peso no Brasil, Cianeto Discos, Mutilation Records e Rapture Records. Um lançamento vindo destas gravadoras não poderia ser diferente, fizeram um belíssimo digipack. Essa parceria entre todas essas gravadoras partiu de uma iniciativa da banda?

Marcelo Feijó – Depois que lançamos o Ascension, procuramos a Mutilation Records para saber se eles tinham interesse em lançar nosso álbum. Foram aparecendo mais interessados e pedimos para esses interessados entrarem em contato com a Mutilation para fazer essa  parceria. Depois de tudo resolvido o Burn Illusion chega nas lojas.

2015 – Burn Illusion “Primeiro Álbum”

E ainda vocês contaram com mais dois suportes de peso, a Heavy Metal Rock e Aplace. Com todo esse time de peso envolvido em seu trabalho, a divulgação deve ter sido muito forte, não é? Qual o ganho em termos de reconhecimento a banda teve ao se aliar a estas grandes e respeitadas gravadoras?

Marcelo Feijó – Com certeza todo o suporte é muito bem-vindo.  Heavy Metal e Aplace são parceiras mais do que nunca. Mas temos uma afinidade muito grande com Marcio Jameson Kerber das lojas Aplace. Ele é um grande amigo nosso e está sempre nos ajudando muito. Sempre que precisamos chamamos ele para nos auxiliares em alguma coisa, pois ele tem muita experiência com bandas. Quando você se une a uma grande gravadora você tem que dar o seu melhor, para ganhar o melhor da mesma. Então sempre estamos trabalhando o mais correto possível para poder ter sempre o melhor da gravadora, divulgação, mídia, ajudas financeiras e por aí vai.

E a respeito do público, como tem sido a receptividade de “Burn Illusion”?

Marcelo Feijó – O Burn Illusion foi feito uma tiragem de 1.000 cópias. Conforme foi chegando nas   lojas já foi saindo muito rapidamente. Então começou a divulgação boca a boca e em pouco tempo a Cianeto não tinha mais para vender. Nós da banda já não temos mais. Toda a tiragem se esgotou. Foi muito bom ver um trabalho feito com tanto esforço ter o reconhecimento do público.

Rafael Lavandoski, Foto por: Day Montenegro

Falando da veia lírica do Exterminate, vi fortes letras contra o cristianismo a exemplo da música “God Of Deception”. Quais as temáticas predominantes nas composições da banda? Quais são suas influências literárias que influenciam direta ou indiretamente nas composições? 

Adriano Martini – Eu diria que não somente sobre o Cristianismo, costumo falar do ser humano, da humanidade em geral, o lado sombrio que cada um de nós tem. Claro a temática cristã é um prato cheio.  Mas procuro diversificar.  Quanto a leitura, costumo a ler de tudo,  ficção cientifica até ocultismo, e claro uso também  experiências do cotidiano para fazer as letras.

Já que estamos falando de influencias, quais as principais influências musicais de vocês? Bandas que fizeram e ainda fazem parte de suas formações…

Adriano Martini – Eu curto muito Morbid Angel, Hate Eternal, Krisiun (Mestres), Iron Maiden, Deep Purple, Jhetro Trull, Led … Escuto tudo e qualquer tipo de rock.

Marcelo Feijó – Procuro escutar música que inspire a compor que vai do jazz, rock, Heavy e tudo que tenha o som metal no meio.

Sempre faço essa mesma pergunta aqui para todos que entrevisto. Como você vê a cena atualmente no Brasil?

Marcelo Feijó – Cara, o Brasil é um celeiro de bandas fodas. Temos muitas bandas boas por todo o lugar. O nosso underground é muito bem servido. Eu poderia citar algumas bandas que estão aí na luta. Amaduscia, Havock 666, Cauterization, Blood work, Carcinosi, Dyingbreed, Mental Horror, Rebaelliun, Chaoslance. E Wolflust e Hideous Monarch que chegaram a pouco tempo e estão mostrando bons trabalhos.

Exterminate, Foto por: Divulgação

Agora falando de seu mais novo trabalho que está para vir, “Pray For A Lie”, como foi toda concepção deste segundo álbum?

Adriano Martini – Posso dizer que ele surgiu de forma totalmente espontânea todos opinaram nas músicas. Esse CD tem a mão de todos da banda. Foi muito massa fazer esse trabalho. E o resultado esta incrível.

Marcelo Feijó – Trabalhamos muito para que o cd chegasse no ponto que queríamos. Montamos nossas idéias e mostramos para o nosso produtor Sebastian Carsin que entendeu perfeitamente a proposta da banda e tivemos um excelente resultado.

Sandro Moreira, Foto por: Day Montenegro

Você poderia nos falar a respeito desta obra que está por vir?

 

Adriano Martini – Esse disco está num clima bem anos 90! Gravamos tudo de forma analógica no Huricane Studios com o Sebastian  Carsin.  E cara, ele ficou realmente incrível! Tudo o que você vai ouvir ali é natural e orgânico! Acredito que conseguimos atingir nosso objetivo!

O que podemos esperar do “Pray For A Lie”? No que se baseia o título?

Adriano Martini – Esse disco traz uma visão do que é o fanatismo e as crenças em divindades, santos e entidades. As pessoas necessitam disso!  Mas não se ligam que elas mesmas são seu Deus. Bem o mal o inicio o fim.  Esse disco traz isso!  Mostra a verdade do ser humano, verdade que diz que você não precisa viver enfiado numa igreja para ser uma pessoa de bem, ou seguir uma determinada religião …seja você mesmo! Seja seu próprio Deus.

Quem assina o lançamento deste segundo álbum? Quais são as suas expectativas?

Marcelo Feijó – O álbum PRAY FOR A LIE será lançado pela Mutilation Records em novembro. Estamos muito focados para este lançamento, pois queremos alcançar o que o Burn illusion não alcançou. Falo de divulgação, mídias, shows, conhecer lugares novos tocando. E possivelmente mais pra frente pensar em tocar fora do Brasil. Queremos tocar, tocar e tocar.

2018 – Pray For A Lie “Segundo Álbum”

A banda virá em breve para São Paulo para um feito histórico na carreira, serão dois shows dentro do mesmo festival, “Satanic War Festival” onde vocês se apresentarão com bandas renomadas de nossa cena como Madness, Chaoslace e Havok 666. Vocês apresentarão algumas músicas do novo álbum nestas apresentações? Com certeza estarei lá para conferir de perto a tormenta.

Marcelo Feijó – Com certeza vamos tocar algumas musicas do novo álbum. Estamos ansiosos pelos shows. Afinal vai ser dois dias de muito metal e poder fazer parte desse festival vai ser insano. Sempre é bom dividir o palco com essas grandes bandas da cena nacional. São bandas de grande talento na luta como todos nós para levar seu trabalho para todos os cantos. Vai ser uma honra poder conhecê-lo pessoalmente. Poder trocar idéias com você e tomarmos algumas cervejas juntos e escutar um bom metal da morte.

Meu amigo Marcelo, muito obrigado por esta oportunidade de trazer aos leitores da Roadie Crew essa entrevista, e dias 10 e 11 novembro estarei em Jandira para prestigia-los. As últimas palavras são suas…

Marcelo Feijó – Eden, eu que agradeço muito a você e a Roadie Crew por essa oportunidade. É uma honra para o Exterminate. Convidamos a todos nos dias 10 e 11 de novembro para irem no Satanic War Festival para prestigiar todas as bandas que vão estar mostrando seu som, seu trabalho para o publico. Compareçam, apoiem as bandas comprem materiais, só assim as bandas conseguem se manter e buscando seu espaço. Muito obrigado a todos e nos vemos lá em Jandira. Grande abraço.

Segue abaixo um teaser da Lyric Video da música Blind Faith que fará parte do novo álbum Pray For A Lie que estará disponível ainda este mês:

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