Live Evil

FESTIVAL DE ARTES INTEGRADAS

Torture Squad, Executer, Seventh Seal e Woslom Parque da Juventude Città di Maróstica - São Bernardo do Campo/SP, 23 de março de 2013

Com o objetivo de mostrar a população do ABC que o Rock de verdade não é aquele que figura na grande mídia e ao mesmo tempo, apontar grupos que estão na batalha há tempos, desde o mês de janeiro, o Festival de Artes Integradas vem dando aos fãs de Rock o melhor do estilo. As edições, que já contaram com grupos consagrados e emergentes como Velhas Virgens, Montanha, Marcelo Nova, Nervos, Tio Che e Ação Direta teve neste domingo gelado um dia destinado ao Heavy Metal, que contou com quatro grandes nomes da cena: Torture Squad, Executer, Seventh Seal e Woslom.

Os espetáculos da região, conhecidos pela ótima estrutura e horários a risca, tiveram início ás 15h, com as bênçãos do Doutor Rock, símbolo da região que anunciou a primeira atração do evento: os thrashers do Woslom. Com a bagagem de dois discos de estúdio, duas tours pela Europa e tendo recentemente se apresentado no Nordeste, o quarteto formado por Silvano Aguilera (voz e guitarra), Rafael Iak (guitarra), Francisco Stanich Jr. (baixo) e Fernando Oster (bateria) evidenciou mais uma vez o porquê de estar na lista de melhores de muitos fãs de música pesada. Promovendo o bem sucedido “Evolustruction”, os caras mandaram de cara a energética “Haunted by the Past”, um dos hits do já citado trabalho, que foi seguida de “Pray to Kill”.

“Mortal Effect”, do debut “Time to Rise” foi outra faixa ovacionada pelos presentes, que já estavam em bom número no espaço. Mas foi com a faixa-título “Evolustruction” que o público pegou fogo, formando uma grande roda, numa forma de retribuição aos bons serviços que a banda faz aos nossos ouvidos. “Beyond Inferno” e “Time to Rise” encerraram a apresentação da banda, que se continuar nessa crescente, tem tudo para seguir os passos de gigantes como Krisiun, Sepultura e Nervochaos.

A segunda banda do dia foi o Seventh Seal. Com uma ótima aceitação do seu terceiro trabalho, Mechanical Souls, lançado no fim de 2013, Leandro Caçoilo (voz), Tiago Claro (guitarra) e Thiago Oliveira (guitarra), nesta ocasião estavam acompanhados por Gustavo Marabiza (baixo, Necromesis) e Jak Ferrante (bateria, Esdrelon). Juntos, mandaram logo de cara duas músicas do novo CD, “Beyond the Sun” e “Dreams of Green”.

Apesar da desenvoltura e segurança do quinteto, o som estava embolado, fato que foi corrigido nas outras canções. Mas, felizmente a apresentação dos caras revisitou sons mais antigos como “Time to Go”, do debut “Premonition” (2001) e “King of Lies”, de “Days of Insanity” (2007). E falando nesse trabalho, “Pleasure of Sin” foi um dos pontos altos de todo o evento, pois contou com a participação do antigo vocalista, Ricardo Peres (Demolition Inc.) que fez um belo dueto com Leandro, mostrando que nem todas as mudanças de formação precisam ser traumáticas. “Highway to Hell” (AC/DC), “Mechanical Souls” e “Dark Chant” (a música mais variada da banda), do mais recente trabalho encerraram o show do quinteto que tem tudo para viver a melhor fase da carreira.

Voltando ao Thrash, os caras do Executer mostraram como fazer de forma fiel o som oitentista sem soar datado. Juca (voz), Elias (guitarra), Paulo (baixo) e Beba (bateria) foram muito bem recebidos pelos bangers, que responderam com rodas desde o início de sua apresentação, com ” Inspiration for a Crime”, do seu terceiro disco, “Welcome to Your Hell” (2006), do qual também mandaram “And the Rottenness Goes On”, essa perfeita para o banging.

O show marcou o lançamento do seu quarto disco chamado “Helliday”, do qual mandaram a faixa-título (primeiro single do trabalho) e “Damn Speech”, que se seguir essa linha, tem tudo para ser o melhor disco da banda. Após mais alguns sons, a banda mandou duas versões para clássicos do Thrash, “Power Thrashing Death” (Whiplash) e “Piranha” (Exodus), essa com a participação de Henrique Poço (ex-Anthares), que pareceu não ser algo combinado anteriormente, mas valeu (muito) pela energia. “Rotten Authorities”, do debut de mesmo nome de 1991 deu números finais ao show dos caras, que durante os meses de abril e maio estarão representando nosso país na Europa. Com toda certeza, o Executer será mais um grupo brasileiro a fazer bonito no Velho Mundo.

Encerrando o evento, ás 18h40, o Torture Squad subiu ao palco. Após superarem todas as dúvidas e incertezas quanto ao seu futuro por meiodo excelente trabalho, “Esquadrão de Tortura”, que conseguiu manter a linha musical característica e ao mesmo tempo apontar novos caminhos. E foi justamente com uma trinca do novo trabalho que André Evaristo (voz e guitarra), Castor (baixo e voz) e Amilcar Christófaro (bateria) iniciaram o show. “No Escape From Hell”, “Pull the Trigger” e “Pátria Livre” mostraram toda a força e intensidade da “nova tortura,”. O destaque vai justamente os vocais principais (que lembram os grupos germânicos de thrash) e os backings ‘Death’ que geram um interessante contraste no meio do instrumental encorpado.

Sons mais antigos como “Pandemonium”, “The Beast Within” fizeram parte do show e embora adaptadas para o vocal de André, não perderam o impacto, além de bem recebidas pelos presentes, que retribuíam com moshes e rodas. De volta ao novo trabalho mandaram as trabalhadas “Nothing to Declare” e “Fear to the World”. O set passou voando e logo chegava o fim por meio das clássicas “Chaos Corporation” e “Horror and Torture”, que após seu fim, Amilcar foi à frente do palco e agradeceu por todos terem ido, além de citar o ABC pela importância na história do Metal paulista.

Esse dia foi um daqueles que todos que fazem parte de uma cena se sente feliz. Pois além da organização britânica com os horários, o Festival de Artes Integradas mostrou que não são necessárias mídia televisiva e publicidade em horário nobre para que os fãs de Rock lotem os eventos. Outro ponto interessante foi ter um recorte das bandas atuais e antigas da cena paulista, pois sem nenhum esforço era possível trombar com caras de grupos como Ação Direta, Infected, Blasthrash, SubverSilvas, Combate Vertical, dentre tantas outras que fugiram da memória nesse instante.

 

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