Live Evil

FLAGELADOR

Toxic Trash, Flagelo e Carcará Grêmio Recreativo de Antonio Bezerra - Fortaleza (CE), 09 de fevereiro de 2014

A Gino Production, que encerrou o ano de 2013 em grande estilo trazendo à Fortaleza Benediction, segue 2014 importando o que há de melhor no cenário underground nacional e mundial. Quem agradece são as centenas de bangers que, fielmente, comparecem aos shows de seus ídolos para a troca mútua de energia. Para acompanhar os fluminenses do Flagelador, foram convidadas três bandas com importante atuação local, sendo duas delas já bastante conhecidas em demais territórios. A festa reuniu um bom número de bangers “oitentistas” ao G.R.A.B. que como sempre, abrilhantou o velho clube com seus frequentadores, quase todos adornados a caráter.

A primeira a se apresentar foi Toxic Trash, formados em 2009, a banda tem à frente o agente funeral (isso mesmo, ele trabalha formalmente em agência funerária) Galo “Blackfife”. Além de cantar, digo, gritar ferozmente os temas da banda, ele se destaca também pelo constante bom humor que representa a sua pessoa – o cara não pára um instante de fazer piadas com os amigos na platéia – e, claro, todo mundo entende e devolve as brincadeiras. O quarteto começou o ‘set’ com a nova composição que carrega o nome da banda. Uma instrumental que o quinteto já vinha trabalhando há algum tempo e, mostrada, previamente aos fãs pelo Facebook. Os músicos entraram com tanta sede que ao final da segunda execução, “Vingança de Satã”, o baixista quebrou uma das cordas. Sem um instrumento ou uma corda reserva, coube ao Galo pedir com seu jeito irreverente a solidariedade dos músicos presentes, logo depois continuaram tocando como repertório, as músicas de sua demo, “Mundo Doente” (2010) e um cover que enlouqueceu a plateia ‘old school’, “Evil Dead” da banda Death.

O próximo número foi da veterana Flagelo, a banda tem um histórico grandioso dentro do Nordeste, pois o seu Thrash Metal já foi conferido por diversas platéias, entre elas o público que lotou eventos com o de Tankard e, mais tarde,  Destruction. O pessoal que se fez presente nesse dia 9 pôde esvoaçar o cabelo com todas as suas canções que consistem em seus dois trabalhos, a demo “Pesadelo” (1999) e o EP de 2012, “Necrofilia”. O baixinho Elineudo Morais que ao vivo agiganta-se com seus guturais, pôs a galera pra rodar na pista banhada pelos riffs de Fran ‘Mustaine’, o mesmo guitarrista que momentos antes, lixava a palheta ao lado de Anderson Nunes (Toxic Trash). Muitos não se importavam ou não deram conta do som um pouco “misturado” dos PAs, pois a empolgação dos bangers enchia a pista de adrenalina, no entanto quem estava mais atrás sofreu com a má audição. Porém, músicas como “Guerreiros Da Morte”, “Necrofilia”, “Ódio” e “Velha Maria” deixavam insignificantes demais detalhes – mas deixo aqui uma cobrança: a Flagelo é uma das poucas grandes bandas cearenses que ainda não possui um ‘full length’. Está mais do que na hora desses caras começarem a trabalhar para esse propósito, afinal, já são vinte anos de história.

Quem também não tem um álbum oficial, mas é responsável por torcicolo coletivo em suas andanças é o Carcará. Conhecidos na cena local por ostentarem opiniões um tanto radicais, a “ave predadora” voou baixo na quadra coberta do G.R.A.B. mandando riffs violentos e ceifando tímpanos mais sensíveis. As bases mortas e aceleradas do guitarrista/vocalista Rafael “Dilacerador”, desde a primeira música já faziam os fãs se aglomerarem em frente ao palco, subirem e se lançarem em ‘stage divings’. “Resurreição Dos Seres Ocultos” era o grito de guerra bradado por Rafael quando a banda executava as canções dessa primeira demo. Em parte do set, o Dilacerador fazia questão de falar da postura da banda que inclui aversões a eventos beneficentes (falei que eram radicais), Metal cristão, falsos bangers e outras coisas já “batidas” que fazem parte do ‘marketing’, mas que a galera adora. Apesar do repertório encurtado devido a imprevistos que geraram atrasos, o momento nostalgia ficou por conta do cover de Sodom, “Sodomy And Lust”.

Os visitantes do Rio de Janeiro subiram ao palco fazendo valer o destaque da festa. A introdução Ultimatum, já escancara a influência que o Flagelador tem de Slayer, ao vivo o peso é massacrante. A “Sob O Machado Do Algoz Tour Brasil 2014” está rendendo à banda, nada menos que 38 shows (por enquanto) que estão provando do golpe certeiro do machado! Armando Exekutör (guitarra, vocal) me fez lembrar muito o vocalista do Benediction – Dave Hunt – na sua passada por Fortaleza, os caras são simplesmente idênticos na aparência! Mas o som dos “algozes” se distingue e muito ao dos britânicos.

O thrashão carregado de Speed do Flagelador deixava o tumulto em baixo do palco muito mais nervoso. Rodas, stage dinvings, gritos e cabelos voando faziam do ‘mosh’ um campo de batalha. O baixo “rolo compressor” de Turko Basura se fazia muito presente no som e, muitas vezes, deixava a ‘Flying V’ de Armando comendo poeira, mas o ‘frontman’ erguia-se em solos triturados que sugavam até as tripas pelo ouvido. Muito de Motörhead é também percebido na banda, não pela posição do pedestal do vocalista (com o microfone acima da cabeça), mas em notas de baixo e alguns solos. Lá atrás, o baterista Érick Maddög tentava rasgar as peles do kit com suas viradas raivosas e compasso 1/1, obrigatório em bandas de Speed Metal. A homenagem do set, claro, foi para o Slayer na canção “Evil Has No Boundaries”. O trio com essa turnê vem conseguindo fazer mais fãs pelo Brasil e, em Fortaleza, esse número pulou majestosamente. Foi um domingo típico do Metal cearense com tempero fluminense.

Set List Flagelador:
Ultimatum (intro);
Flagelador;
Ao vivo No Inferno;
Possessão Diabólica;
Anjo Exterminador;
Evil Has No Boundaries (slayer);
Cruzada Ao Lado De Satã;
Render-se Jamais;
Expresso Para O Inferno;
Total Danação;
Obcecado Por Sangue;
Perseguir E Exterminar;
Massacre Bestial;
Unidos Pelo Metal.

 

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