Live Evil

GLENN HUGHES

Teatro Odisseia - Rio de Janeiro/RJ, 22 de agosto de 2015

Um gigante do rock em um palco de pequenas proporções. Glenn Hughes, o baixista e vocalista que deu tempero soul à cozinha pesada do dinossauro Deep Purple nos anos 70, foi a atração no Teatro Odisseia, na Lapa. A lenda encerrou no Rio de Janeiro, numa noite desábado, a turnê por seis cidades ao Brasil, bem acompanhado por Doug Aldrich (ex-Whitesnake) e o sueco PontusEngborgnas bateria, antigo colaborador da carreira solo de Hughes – o trio passou também por Limeira, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

Anos de serviços prestados ao Rock mereciam um som à altura, mas o que se ouviu foi uma massa uniforme, sem a distinção dos timbres e ainda abafado pelo clamor da galera que superlotou a casa no boêmio bairro carioca. Um incômodo tirado de letra pelo power trio, como se Mr. Hughes estivesse à frente do Trapeze, onde estava antes de substituir Roger Glover no Deep Purple. Uma versão incendiária de “Stormbringer”, clássico do Purple, abriu os trabalhos. O setlist contemplou também a fase do Trapeze (“Way Back do theBone” e “TouchMy Life”), Black Country Communion (“OneLast Soul”), a carreira solo (“Orion” e “Soul Mover”) e incluiu também um cover doWhitesnake da fase com Aldrich, “GoodTo Be Bad”.

A voz, apesar da alta quilometragem de doideiras, ainda continua potente. Em “Mistreated”, do antológico “Burn”, do Deep Purple, os agudos, com a afinação na medida certa, embasbacaram o público, que também participou da festa quando convocado por Aldrich a cantar parabéns. Hughes, na véspera do show, havia completado 63 primaveras.

Visivelmente emocionado, o aniversariante encontrou em Aldrich o parceiro ideal. O guitarrista, que já dividiu o palco com Ronnie James Dio e David Coverdale, mostrou uma química absurda com Hughes, com solos incríveis. Artimanhas de quem sabe emoldurar os clássicos do Rock sem deixar de impor sua marca pessoal.

Após uma pequena pausa no camarim, o trio voltou com fome de gol para o granfinale com “Burn”. Para a massa, já no bolso de Hughes e companhia, foi a chance de se esbaldar aos gritos e pulos, como se não houvesse amanhã. E, de volta para casa, a sensação de ter assistido a um remanescente do futebol arte suar a camisa num campo de time pequeno.

Setlist
1. Stormbringer
2. Orion
3. Way Back To The Bone
4. SailAway
5. TouchMy Life
6. OneLast Soul
7. Mistreated
8. GoodTo Be Bad
9. Can’t Stop The Flood
10. Soul Mover
11. Burn

 

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