Live Evil

HEVILAN / SEMBLANT / MACUMBAZILLA

Gillan’s Inn English Rock Bar - São Paulo/SP, 05 de dezembro de 2015

Na noite do último dia 5 de dezembro o público compareceu em bom número ao Gillan’s Inn para comemorar com o Hevilan os dez anos de carreira do grupo. E como naquelas propagandas clichês que dizem, “O aniversário é nosso, mas quem ganha o presente é você”, a banda preparou algumas surpresas para os fãs, entre elas, a participação das bandas paranaenses Semblant e Macumbazilla, e também a presença dos ilustres vocalistas Vitor Rodrigues (Voodoopriest) e do norte-americano Warrel Dane – consagrado mundialmente por seus trabalhos à frente do Sanctuary e do Nevermore -, como convidados.

Apesar de novato na cena, tendo sido formado em 2012, o Macumbazilla é um power trio formado por integrantes experientes e com passagens por bandas como AMF e Resist Control. E foram eles, André Nisgoski (vocal e guitarra), Carlos “Piu” Schner (baixo) e Fred Duba (bateria), os responsáveis pelo início do evento as 23h10, com um som altamente energético e convincente que começou sendo apresentado através da música “Slow”, que mostrou referências extraídas dos álbuns lançados pelo Metallica durante a década de noventa, pelo fato de não ser complexa, mas possuir melodia, assim como as demais. Sem aliviar, emendaram com “Blondie Phantom”. Nesse início ficou nítido que o Macumbazilla é um grupo que não se preocupa com firulas e fritações instrumentais, preferindo fisgar o ouvinte por riffs diretos e certeiros. O próprio grupo faz questão de dizer que o som que produz é um “Rock maloqueiro”. Algo que casa perfeitamente à proposta da banda é o vocal cheio de drives de Nisgoski, que também possui influências do Metallica, já que em alguns finais de frases o músico puxa aqueles famosos “iiieeeaá” de James Hetfield.

A sequência do show veio com uma dobradinha formada por “The Ritual”, que lembrou aquelas músicas mais ‘bluesy’ do Motörhead, só que um pouco mais arrastada, e também “Blood, Beer And Broken Teeth”, mais acelerada e com uma veia totalmente Rock And Roll. Ambas foram as únicas a representar o homônimo EP de estreia que o Macumbazilla lançou em 2014. Por outro lado, o restante do repertório era constituído por músicas que farão parte do álbum de estreia que a banda já informou que será lançado em meados do primeiro semestre de 2016 e levará o título de “Colossus”. Vale mencionar que, assim como aconteceu no EP, o ‘debut’ será mixado por Mike Supina (A Wilhelm Scream) e masterizado pelo renomado músico e produtor Roy Z (Bruce Dickinson, Rob Halford, Tribe Of Gypsies). Além das duas primeiras músicas do show, outras que farão parte do futuro material e que foram previamente apresentadas foram a que dará título ao álbum e também “Lies”, “Dark Hordes” e “Zombie”. Historicamente falando, dentro do Heavy Metal muitos power trios ganharam a fama de serem explosivos ao vivo, e o Macumbazilla se enquadra nessa tradição, pois o grupo conseguiu agradar bastante, apesar de o vocal do comunicativo e simpático André ter ficado muito alto nas primeiras músicas.

Hevilan, anfitrião da noite, deu início ao seu show comemorativo a 0h35 com o baterista Rafael Dyszy executando uma introdução tribal que culminou com a moderna “Dark Throne Of Babylon”. Completado por Alex Pasqualle (vocal), Johnny Moraes (guitarra) e Biek Yohaitus (baixo), o grupo botou velocidade com “Regenesis” e depois tirou o pé do acelerador em “Minus Is Call”. O som da guitarra de Johnny estava baixo, mas no decorrer foi melhorando. Pasqualle atraia a atenção do público com seu vocal rasgado, que cai bem para o Heavy/Prog do Hevilan, onde peso e bom gosto nos arranjos, principalmente de guitarra e baixo, são fatores que se destacam. O momento mais bonito da noite foi proporcionado quando a banda tocou a belíssima “Loneliness”, uma balada com um quê de Queensrÿche, principalmente devido ao vocal de Alex Pasqualle que ao cantar limpo lembrava o timbre de Geoff Tate. Nessa, duas coisas também foram muito legais, a sincronia com o ‘lyric video’ que rolava no telão e o solo de Johnny.

Antes da próxima, os integrantes foram aplaudidos e Johnny aproveitou para explicar que o Hevilan completará 10 anos apenas em 2016, levando em consideração que o EP de estreia, “Blinded Faith”, foi lançado em 2006. Mas o guitarrista justificou a comemoração antecipada dizendo que aquele seria o momento ideal para isso. Também informou que o único álbum do grupo, “The End Of Time” (2013), havia sido lançado na Europa. Aproveitando o ensejo, anunciou a música que nomeia o álbum. Além do ‘debut’, o Hevilan conta com o EP “Blinded Faith”, e dele executou a música homônima que começou com uma introdução em clima indiano, e que no decorrer descambou para riffs pesados e bumbos duplos de Dyszy, único integrante que não fez parte de “The End Of Time”, que acabou sendo gravado por Aquiles Priester, que dispensa apresentações.

Em dado momento os integrantes da linha de frente comentaram sobre a convivência nesses primeiros dez anos e Alex fez questão de enfatizar que nunca houve brigas entre eles. “Desire Of Destruction” (minha favorita) foi o primeiro videoclipe lançado pela banda e assim que foi iniciada logo foi interrompida para que Johnny afinasse sua guitarra. Logicamente a tocaram novamente, mas dessa vez sem nenhum problema. O momento mais aguardado era a participação dos convidados e para isso a banda abriu espaço para alguns depoimentos que apareceram no telão, de produtores como Brendan Duffey e Caio Duarte (vocalista do Dynahead) e do músico Vitor Rodrigues. Só que, assim como aconteceu no show tributo em memória do guitarrista Paulo Schroeber (Astafix, Almah, Burning Hell), o áudio estava baixo demais. Pegando o gancho, Biek contou como surgiu o convite para que Vitor Rodrigues participasse de algumas faixas em “The End Of Time” e o convocou para dividir o vocal com Pasqualle em “Sanctum Imperium”. Foi um momento muito bacana, com Vitor mandando ver nos guturais e Alex rasgando.

Para o final, Vitor e banda anunciaram Warrel Dane. Um pouco tímido e aparentando estar bem magro, Dane entrou cumprimentando a todos e então tocaram a música em que ele e Vitor participaram do clipe: “Shades Of War”. A ligação entre Warrel Dane e o Hevilan vai além de uma simples participação, pois o vocalista conta com músicos brasileiros em sua banda solo, entre eles, o próprio Johnny. Ambos acabaram de retornar de uma turnê europeia e Dane está no Brasil para compor seu novo álbum solo com os integrantes brasileiros. Infelizmente, “Holy Diver” do Dio que estava prevista ficou de fora, mas mesmo assim o Hevilan fez uma boa apresentação.

O último grupo a se apresentar foi o Semblant (também de Curitiba), que estava retornando a São Paulo após três anos. O grupo subiu ao palco as 2h10, trazendo o seu Dark Metal vampiresco que logo foi apresentado com a misteriosa “Dark Of The Day”, música que possui uma linha vocal muito legal e que recebeu um videoclipe bem produzido que foi disponibilizado recentemente no You Tube. Impressionante foi notar que muita gente levantou de suas mesas na pista para conferir de perto a apresentação dos paranaense. O grupo faz um som bastante intenso e ao mesmo tempo envolvente, principalmente pela combinação perfeita dos vocais ora guturais e urrados, ora gritados e graves de Sergio Mazul e a ‘female voice’ bastante imponente de Mizuho Lin. Em relação aos dois, outro fator que é muito forte é a interpretação e também a postura de palco.

Apesar de contarem com o ‘debut’ “Last Night Of Mortality”, que foi lançado em 2010, o grupo enfatizou seu repertório quase que inteiramente no sucessor “Lunar Manifesto” de 2014, exceto pela inclusão de “Behind The Mask”, que leva o nome do EP lançado em 2011. Sendo assim, o público ficou extasiado com músicas como “Mists Over The Future” e “Scarlet Heritage (Legacy Of Blood Part III”, entre muitas outras.

Antes de “What Lies Ahead”, a simpática Mizuho agradeceu a todos pela boa repercussão que o videoclipe da música vem obtendo, pois em poucos meses ultrapassou a marca de 103 mil visualizações (N.R.: No momento em que escrevo essas linhas, o vídeo já bateu 118 mil). Logicamente, o público a aplaudiu, principalmente pela humildade em ressaltar que “para muitas bandas essa marca não significa muito, mas para o Semblant sim”. Mas Mizuho brincou ao apresentar “Bursting Open” como sendo a “balada” do grupo – que de balada não tem nada, apenas o andamento um pouco mais cadenciado que as demais.

Para surpresa de muitos que ainda não haviam se dado conta, a banda brincou ao perguntar sobre a presença do baixista. Isso foi uma ironia já que João Vitor não pôde estar presente e a banda se apresentou como sexteto. A verdade é que os guitarristas Sol Perez e Juliano Ribeiro, o tecladista José “Guto” Augusto e o baterista Thor Sikora tiveram tanta desenvoltura em seus instrumentos, que esse “detalhe” passou despercebido. Parte também devido ao peso absurdo que era despejado pelas guitarras. Juliano e Sol criam bases consistentes e vigorosas e solos bastante melodiosos. Guto é o responsável pela ambientação que permeia o som do grupo, e Thor imprime muito peso em suas levadas e convenções. O final do show veio com a dobradinha formada por “Ode To Rejection”, constituída por uma cama de teclado bastante evidente e alguns riffs abafados em seu decorrer, e pela derradeira e veloz “Incinerate”, que é a música de abertura de “Lunar Manifesto”. A banda saiu ovacionada de cena por todos, tanto pelos fãs mais antigos, quanto pelos que foram arrebatados nessa apresentação.

Foi uma noite bastante agradável proporcionada pelo Gillan’s Inn, onde o público que compareceu quase que em peso, teve a chance de confraternizar com as bandas. Os músicos das três bandas atenderam a todos para fotos, autógrafos e até mesmo bate-papo, e muitas pessoas retribuíram ao adquirir o farto merchandising dos grupos que estava sendo vendido na entrada interna da casa. Levando em conta a quantidade de shows nacionais e internacionais que estão ocorrendo neste final de ano, o saldo da festa organizada pelo Hevilan que comemorou seus dez primeiros anos foi bastante positivo.

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