Live Evil

ILL NIÑO

Via Marquês - São Paulo/SP, 15 de dezembro de 2012

Depois de três anos de ausência e de volta com um financiamento colaborativo do Ativa Aí, o Ill Niño veio espalhar sua “Epidemia” pela América do Sul. O novo e elogiado álbum do sexteto americano foi lançado este ano, já está na boca da galera e traz o melhor do ‘Latin’ Metal que não apresentava inéditas desde “Dead New World” de 2010. Debaixo de uma chuva incessante, o público encarou a fila e o tempo indigesto que atravessou a madrugada para curtir o evento e lotar o Via Marquês com parte dos ingressos esgotados.

Mas enquanto para uns o show era uma festa, para outros marcou a despedida dos palcos. Em grande estilo, é verdade, mas ainda assim o fim de um ciclo. Uma a se despedir do público foi a C-Real. A banda que tem o fotógrafo da ROADIE CREW, Denis Ono, na formação tocou sons próprios, do EP “E de agora em diante”, para um bom público já presente. Outra de São Paulo, a EDC, também fez parte da abertura tocando músicas do EP com o nome bastante propício para o cenário, “Em dias chuvosos”. Eles foram prejudicados no set e tocaram apenas cinco músicas. Mesmo assim, pôde mostrar seu som e a evolução de suas músicas para os últimos trabalhos, ainda que não tenha  lançado nada novo desde 2010. A banda fez um comunicado desabafo no seu perfil no Facebook sobre o que chamaram de “pocket show”. Alfinetada, não sem alguma razão.

Outra que deu adeus aos palcos foi a Skin Culture. A banda que já havia dividido o palco com Ill Niño em 2009 em São Paulo aproveitou a ocasião para também terminar num grande evento. O comunicado do fim das atividades foi feito pelo vocalista Shucky Miranda no dia 3 de dezembro (para ler, clique AQUI). Apesar de toda a comoção dos integrantes nos perfis no Facebook, a banda deu o melhor de si para deixar a data ainda mais marcante para eles mesmos e para os fãs. Mesmo assim, o set também não foi lá muito extenso. Foram apenas sete sons próprios, mas ainda estavam reservadas algumas surpresas.

Enquanto nos intervalos de troca de palco alguns soltaram na rede o boato de que o show do Ill Niño estava passando no Multishow (que exibia, na verdade, o show do Rolling Stones com a Lady Gaga!) o público que até então agitou em todas, ficava ainda mais impaciente. Natural para uma maioria que ajudou a trazer a banda em meio a uma tour de divulgação de disco recém-lançado para tocar ao vivo, em apresentação única no Brasil. Para alguns foi para encerrar o ano positivo com tantos shows que aconteceram especialmente em São Paulo.

Cientes dessa espera e da comoção dos fãs, o Ill Niño entrou no palco já botando pra foder com a clássica “If you still hate me” do disco de estreia “Revolution Revolución” de 2001. O público veio à loucura e já daí a grade que dividia o palco começou a ser forçada e ameaçava cair. O que se repetiu durante outros tantos momentos do show.

Trazendo de volta aquele espírito do início dos anos 2000 com a força do tal Nu metal que fizeram a fama de bandas como Slipknot, Korn e o próprio Ill Niño, a banda mesclou sons novos e outros da carreira fazendo a alegria dos presentes. Outros que vieram na sequência (e com reação não menos explosiva) foram “Te amo…I hate you”, “I am loco” e “God save us”. Essa última com a participação de Shucky Miranda do Skin Culture nos vocais.

Com o lançamento de “Epidemia” em outubro deste ano, o vocal Cristian Machado disse que eles iriam redefinir o Latin Metal, alcunha que assumiram depois que essa moda de New Metal esfriou. Com o disco e ao vivo mostraram que não só reavivaram a história como o bom desempenho nos palcos continua impecável. Falastrão, Cristian interagiu e agitou o público em vários momentos. Ora perguntando se tudo estava Ok, se o som estava legal, do tempo que ficaram longe do Brasil e comentando sobre a quase onipresente ‘marijuana’.

“The Depression”, o primeiro single divulgado do novo disco, foi uma das únicas tocadas das novas, incluindo também a faixa título que quase botou a casa abaixo. Outros hits como “How can I live” e “Lifeless life” vieram na sequência. Já na virada do domingo, mais dois sons no bis: “What comes around” e “Liar”, novamente com a participação de Shucky.

Foi assim, agradecendo, querendo voltar em breve, encerrando (temporariamente?) a carreira de alguns, e matando a vontade de outros que o Ill Niño fez uns dos shows mais barulhentos e intensos de 2012. O último show do ano ou do mundo para quem acredita. Seja lá como for, foi pelo menos em alto, esporrento e poderoso som.

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