Live Evil

KAMELOT

Circo Voador - Rio de Janeiro/RJ, 08 de fevereiro de 2014

Não se mexe em time que está ganhando, e o Kamelotvinha de grandes atuações desde que a bandaamericana encaixou com a entrada do norueguês Roy Khan no lugar de Mark Vanderbilt, em 1998. A entrada do tecladista Oliver Palotai, em 2005, e a troca do baixista Glenn Barry por Sean Tibbetts, em 2009, não alteraram o rumo, mas a inesperada saída de Khan em 2011 abalou a linha do tempo do quinteto. Excelente vocalista e braço direito do guitarrista Thomas Youngblood nas composições, ele deixou um inevitável ponto de interrogação a ser respondido. Alguns convidados – como Fabio Lione, hoje no Angra – deram uma mão nos shows, e foi um deles que ajudou a colocar a casa em ordem: o sueco Tommy Karevik.

“Silverthorn” (2012), o primeiro e ótimo disco com o novo vocalista, mostrou um Kamelot conservador na sua escolha. Karevik tem timbre e voz muito parecidos com o de Khan, até visualmente há alguma semelhança, mas não dá para contestar a opção por ele. Se havia dúvidas, elas foram dizimadas no palco. Nove anos depois de sua primeira – e até então única – passagem pelo Rio de Janeiro, o Kamelot subiu ao palco do mesmo Circo Voador e apresentou um novo ídolo. Os cerca de 800 fãs não lotaram a casa, mas fizeram muito barulho e receberam o frontman de braços abertos e com coros de “Tommy! Tommy! Tommy!” a todo instante.

E o vocalista fez por merecer.Nas quase duas horas de um show que privilegiou o trabalho mais “recente” – de “Karma” (2011) a “Silverthorn” –, distribuiu sorrisos e simpatia, pegando até mesmo a câmera de um fã para filmar a banda no palco, e cantou uma barbaridade. O início com “Torn”, “Ghost Opera” e “The Great Pandemonium” mostrou por que o Kamelot é uma exceção no mundo do Metal melódico, muito em parte à mistura inteligente dos maneirismos do estilo com elementos eruditos, sinfônicos e de Metal Progressivo, mas também ao instrumental econômico se levarmos em consideração o potencial técnico de seus integrantes. Não há malabarismos, mas sim um trabalho coletivo em prol da música, que o diga o ótimo baterista Casey Grillo, que chega a ser irritante de tão preciso e correto.

“Center of the Universe” e “Soul Society”, esta a primeira da obra-prima “The Black Halo” (2005), transformaram a forte empolgação inicial do público numa explosão. A presença de Alissa White-Gluz, do The Agonist, ajudou a engrandecer o show também porsua performance teatral – e faça-se o registro: a iluminação, abusando do azul, vermelho e verde, e o pano de fundo, que reproduzia a linda capa de “Silverthorn”, ajudavam a compor um cenário de tirar o chapéu.

Estrela eleita pelo público, Karevik confirmou ao vivo que “Song for Jolee” é mesmo uma das mais belas canções da banda, numa interpretação emotiva e brilhante. Momentos mais tarde ele faria o mesmo com “Don’t You Cry”, uma das mais bem recebidas pelo público, que antes já havia se esgoelado em “When the Lights Are Down”, integrante com mérito do rol de clássicos. “Sacrimony (Angel of Afterlife)” mostrou como “Silverthorn” caiu nas graças dos fãs, independentemente de a música ter sido promovida com um vídeo clipe, consequentemente tendo largado na frente. “Forever” encerrou em alta a primeira parte da apresentação, e o início do bis com o solo de Tibbetts não chegou a desanimar. Os solos individuais, aliás, foram rápidos o suficiente para não se tornarem enfadonhos – além do seu, Grillo deu o ar da graça para ajudar o do baixista e também o do sujeito que dorme e acorda olhando para – e com a – Simone Simons (tem gente que ganha na loteria,e tem o Oliver Palotai).

Com “EdenEcho” e “Karma” fazendo o meio de campo, o “encore” trouxe as duas músicas que, felizmente, não poderão nunca mais sair do set list: “The Haunting (Somewhere in Time)” e “Marcho of Mephisto”. As duas pérolas elevaram a temperatura do Circo Voador, isso numa noite de sábado já quente demais quente no Rio de Janeiro, com o duelo entre Karevik e Alissa, que cumpriu com louvor as partes de Simone Simons na primeira e os vocais guturais de Shagrath, do Dimmu Borgir, na segunda. Um desfecho perfeito para uma noite inesquecível para os fãs. E para a banda, que não cansou de agradecer pela recepção mais do que calorosa.

Set list
1. Torn (“Silverthorn”, 2012)
2. Ghost Opera (“Ghost Opera”, 2007)
3. The Great Pandemonium (“Poetry for the Poisoned”, 2010)
4. Veritas (“Silverthorn”, 2012)
5. Center of the Universe (“Epica”, 2003)
6. Soul Society (“The Black Halo”, 2005)
7. Song for Jolee (“Silverthorn”, 2012)
8. Rule the World (“Ghost Opera”, 2007)
9. Casey GrilloDrum Solo
10. When the Lights are Down (“The Black Halo”, 2005)
11. Sacrimony (Angel of Afterlife) (“Silverthorn”, 2012)
12. The Human Stain (“Ghost Opera”, 2007)
13. Don’t You Cry (“Karma”, 2001)
14. My Confession (“Silverthorn”, 2012)
15. Oliver PalotaiKeyboard Solo
16. Forever (“Karma”, 2001)
Bis
17. Sean TibbettsBass Solo
18. The Haunting (Somewhere in Time) (“The Black Halo”, 2005)
19. EdenEcho (“Ghost Opera”, 2007)
20. Karma (“Karma”, 2001)
21. March of Mephisto (“The Black Halo”, 2005)

Recomendamos Para Você

Veja Também

Close
Close