Live Evil

KISS FEST 2

Bruce Kulick Abertura: Killers Sebastian Bar - Campinas/SP 03, de novembro de 2011

Pela segunda vez, o guitarrista Bruce Kulick passou pelo Brasil como atração principal da “Kiss Fest”, evento que celebra o trabalho da banda de Gene Simmons e Paul Stanley, e também pela segunda vez o show teve edições em São Paulo e em Campinas.

Após uma bem sucedida apresentação na capital paulista na véspera, o clima era algo tenso no dia seguinte em Campinas: um infeliz acidente doméstico naquela madrugada havia custado uma fratura na mão do guitarrista Tony, que interpreta Paul Stanley na banda Killers. A solução foi convocar às pressas o guitarrista Simon Lira, integrante da versão acústica do Killers, e fazer um show mezzo elétrico, mezzo acústico. E, mesmo com os problemas, a banda foi muito bem, diante de uma galera numerosa e participativa. O set elétrico teve apenas músicas cantadas por Gene Simmons, que o baixista/vocalista Fernando Luiz incorpora à perfeição. E no set acústico, em formato de trio, o agora vocalista/violonista Simon roubou a noite com uma interpretação vigorosa e emocionante de I Still Love You. Mais algumas músicas em formato elétrico e Rock And Roll All Nite encerrou a primeira parte da noite, num “esquenta” perfeito para o que viria a seguir.

Entre um show e outro, subiu ao palco Lydia Criss, ex-esposa de Peter Criss e autora do livro “Sealed With A Kiss”, que conta os bastidores dos primórdios da banda. Simpática, sorridente e com um inseparável copo de uísque por perto, Lydia não se furtou a responder qualquer pergunta e ainda mostrou grande senso de humor quando perguntada sobre o que Paul e Gene tinham achado de seu livro: “Devem ter gostado, porque ainda não me processaram…”

Após esse curto intervalo, era a vez de Bruce Kulick, que se fazia acompanhar do vocalista argentino Sebastian Gava e sua banda. Gava, para quem não sabe, é um vocalista e guitarrista que é um verdadeiro sósia de Paul Stanley, além de ter um registro vocal muito próximo ao do músico americano. Gava já gravou com suas bandas Kefren e Máfia, além de manter um trabalho como artista solo. Além disso, já gravou com gente como Gilby Clarke, Eric Singer e o próprio Kulick, e mantém sua banda tributo ao Kiss chamada Kiss My Ass.

Kulick e Gava foram acompanhados pela banda do vocalista, formada pelos excelentes Fernando Calabresi (guitarra e vocais), Gustavo De Filippo (baixo e vocais) e Leandro Bordicelli (bateria e vocais).

Logo de cara, uma surpresa: apesar de, obviamente, Bruce privilegiar as músicas do Kiss da fase em que fez parte da banda, o show começou com a poderosa Love Gun, gravada pela formação clássica da banda no álbum homônimo em 1977. A partir de então, o repertório baseou-se no material registrado por Bruce, com destaque para as baladas Tears Are Falling e Forever, nas quais Gava deu um autêntico show. Já Kulick continua com sua postura discreta em cena, mas agora se aventurando muito mais nos vocais, algo que pouco fazia anteriormente. Como guitarrista, continua esbanjando experiência, técnica e simplicidade. Bruce provou mais uma vez que para ser guitarrista não é preciso tocar notas à velocidade da luz nem dar cambalhotas no palco. A guitarra é um instrumento musical e é assim que ele o encara, para felicidade de nossos ouvidos.

I Love It Loud aumentou consideravelmente o índice de decibéis no Sebastian Bar, com a galera berrando o grito de guerra do refrão como se não houvesse amanhã. A dupla que fechou a primeira parte do show também ganhou forte participação da galera, que entoou com vontade os refrãos grudentos de Heaven’s On Fire e Crazy Crazy Nights.

Era a hora daquela saidinha falsa de cena para voltarem com mais dois clássicos indiscutíveis: Lick It Up (outra que não foi gravada por Kulick) e a marcante God Gave Rock’n’Roll To You II, que, além de várias outras coisas, foi a última gravação de Eric Carr como Kiss (debilitado, ele apenas gravou backing vocals).

Foi uma bela celebração, como o Kiss realmente merece. As duas bandas que se apresentaram honraram plenamente o legado do grupo de Paul & Gene e o sorrisão na cara da galera na hora da saída comprovava que o público concordava com isso. Que venham muitas outras celebrações como esta.

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