Live Evil

LACUNA COIL

Circo Voador - Rio de Janeiro/RJ, 11 de maio de 2014

O passado do Lacuna Coil está cada vez mais distante, e alguma parte parece ter sido definitivamente deixada para trás. No entanto, pouco mais de um ano depois de sua primeira visita ao Rio de Janeiro, os italianos voltaram à cidade com a “Dead and Rising Tour” e encontraram razões para mostrar que estão no caminho certo ao privilegiar o material mais recente. Diante de um público apenas razoável, mas muito, muito barulhento, numa noite de domingo de Dia das Mães, a banda começou com a excelente “Trip The Darkness”, primeiro single de seu álbum anterior, “Dark Adrenaline” (2012). E digo que começou bem porque não é toda hora que uma música recente pode receber o status de clássico.

É natural que qualquer início de show seja acompanhado de um frenesi, mas a letra estava na ponta da língua dos fãs – a cantoria em “follow me, follow me /As I trip the darkness /One more time /Follow me, follow me / I awake from madness /Just in time” soou como um Circo Voador lotado.Do mesmo álbum, “Kill The Light” também foi muito bem recebida, mas serviu muito mais para mostrar quem comanda o espetáculo. As recentes mudanças – as saídas do guitarrista Cris “Pizza” Migliore e do baterista Cristiano “Criz” Mozzati – pouco influenciaram, uma vez que Marco “Maus” Biazzi deu conta do recado sozinho nas seis cordas, e Ryan Blake Folden já havia empunhado as baquetas em turnês com o grupo nos dois anos anteriores.

E se a música passa muito principalmente pelas mãos deMarco Coti Zelati, que em 2012 foi “substituído” por um baixo pré-gravado, em cima do palco o espetáculo é mesmo de Cristina Scabbia e Andrea Ferro. Em “Die & Rise”, de “Broken Crown Halo” (2014), o pique não cai, como poderia se supor por ser tratar de material recém-saído do forno. Os dois não param, ocupam os espaços com extrema facilidade e interagem com a plateia de maneira absolutamente eficiente.Obviamente, os holofotes deixam Cristina mais bem iluminada, afinal, ela inspira um sem número de meninas – que veem nela um ídolo muito mais real graças a uma presença constante nas redes sociais -, e deixa outros tantos meninos com uma cara de “quer casar comigo?”, mas chega a ser difícil imaginá-la sem o parceiro de microfone.

Muitos lamentaram a ausência de “Sensazifine”, de “Unleashed Memories” (2001), mas foi o excelente “Comalies” (2002), justamente o cartão de visita ao mercado americano, que mostrou o quão longe o quinteto está disposto a ir: apenas “Swamped” e “Heaven’s A Lie”, esta última já no rol das obrigatórias no setlist, marcaram presença. Assim, você fica sabendo que os quatro últimos trabalhos são a tônica do repertório, e o quinteto é esperto o suficiente para escolher – e escolher bem – apenas uma canção do apenas razoável “Shallow Life” (2009), “Spellbound”. Ainda sendo digerido pelos fãs, “Broken Crown Halo” teve todo o seu potencial também em “Hostage To The Light”, “Victims”, na pesada “Zombies” e no primeiro single, “Nothing Stands In Our Way”, que foi precedido por um discurso de autoajuda de Cristina, que fez os fãs soltarem a voz com vontade no refrão. Bom ressaltar que, apesar de uma empolgação dos fãs digna de nota (e de músicos bem satisfeitos com a sintonia entre palco e pista/arquibancada), ajudou muito a opção por um set dinâmico, sem interrupção para músicas acústicas, algo que chegou a dar uma esfriada nos ânimos em março do ano passado.

“Fire” bem poderia ter sido substituída por “Give Me Something More”, mas “Upsidedown” e, principalmente, “I Don’t Believe In Tomorrow”, ratificaram o que qualquer um ali já sabia: “Dark Adrenaline” é um discaço, apesar de os conservadores torcerem o nariz para as mudanças sonoras do Lacuna Coil – é possível, sim, mudar e fazer coisa boa. Não está mais do que óbvio que os tempos de “In A Reverie” (1999) e “Unleashed Memories” não voltam mais? Trabalho que veio a reboque do sucesso de “Comalies” nos Estados Unidos, “Karmacode” (2006) não trouxe “Closer”, muito esperada pelos fãs, mas “Fragments Of Faith”, “To The Edge” e “Fragile” fizeram bonito, e “Our Truth” encerrou a noite colocando todo mundo para pular (mais uma vez, com ou sem os pedidos de Cristina e Ferro) e fazer valer a pena um show de 1h20m (curto, sim, mas por isso nada cansativo) nas últimas horas do fim de semana.

Setlist:
Trip The Darkness
Kill The Light
Die & Rise
Swamped
Intoxicated
Victims
Fire
To The Edge
Fragments Of Faith
Zombies
Heaven’s A Lie
Fragile
Upsidedown
Hostage To The Light
Spellbound
Bis
I Don’t Believe In Tomorrow
Nothing Stands In Our Way
Our Truth

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