Live Evil

LEAVES’ EYES E ATROCITY

Hangar 110 - São Paulo/SP, 30 de maio de 2015

Pela segunda vez em quase dez anos, o Leaves’ Eyes aportou seu barco viking (imaginário) em terras tupiniquins. Em divulgação ao mais recente trabalho, “Shymphonies Of The Night” (2013), a banda de Liv Kristine realizou três datas no Brasil através da produtora Overload. Num clima talhado à atmosfera escandinava de sua música, os fãs compareceram ao Hangar 110 (SP) no sábado (30) para ver uma vibrante apresentação e um evento que contou com reforços da banda alemã Atrocity.

Precisamente às 19h o palco se descortinou para o Atrocity, com Thorsten Bauer e Sander van der Meer nas guitarras, Joris Nijenhuis na bateria e o frontman Alexander Krull. “Pandemonium” abriu o pequeno setlist, composto essencialmente por faixas do último álbum, “Okkult” (2013), seguida de carinhosa saudação do vocalista aos presentes. Sem deixar a peteca cair, “Haunted By Demons” inflamou a plateia, já contagiada pela presença de Krull que, sem parar um minuto, erguia seu decorado pedestal como fosse um tridente, em contraste com os membros restantes que não faziam muito além de banguear. “Fatal Step”, do álbum de estreia “Hallucinations” (1990), marcou o ponto ‘old school’ e mais cru do set. Na sequência, Krull puxou para o palco duas tímidas moças, numa tentativa desconcertante de agitar em “Satans Braut”. Por motivos óbvios, a não ser que você seja o Steel Panther, é bem dispensável subir fãs para pegar em suas cinturas e perguntar se elas sabem mexer os quadris. Alex escorregou na performance com uma exposição visivelmente desconfortável e que em nada acrescentou ao show.

Tudo parecia bem quando apenas Thorsten permaneceu frente ao público para solar (leia-se fritar) sua guitarra e, ao que parecia, seria acompanhado de Sander, mas começou a ter problemas com seu equipamento. O vácuo do momento foi preenchido por um solo de bateria de Joris, que seguiu até que tudo fosse restabelecido. Foram cinco minutos que seriam mais bem aproveitados com a execução de mais uma música. Membros reunidos, “Death By Metal” desce como uma pancada e recolocou a apresentação nos trilhos, sem perder a atenção dos presentes. Nas palavras de Krull, as criaturas da noite presentes são convocadas a celebrar a soturna “B.L.U.T”, flerte gótico do set. No bis a rápida saída e volta para a derradeira “Reich Of Phenomena”, encerrava atrozes quarenta e cinco minutos de show.

Rápido intervalo de meia hora, tudo preparado para a principal atração da noite. Na verdade um retorno pois, à exceção da cantora, ambos os grupos contam com os mesmos membros. Sob aplausos e muitos gritos, Liv Kristine tomou seu posto, brindou todos com o carinho e simpatia já conhecidos e iniciou o set com “Galswintha”, faixa do mais recente trabalho. O que salta aos olhos na apresentação do Leaves’ Eyes é a forma que a presença de palco dos vocalistas se harmonizam e contagiam. Não houve um momento em que os apelos de Krull não fossem atendidos, e Liv não deixava de corresponder a plateia. Ela apontava e acenava, dava as mãos, sempre sorrindo. Ambos declaravam satisfação em finalmente retornar e ver o público paulista.

“Take The Devil In Me”, do álbum “Njord” (2009), assinalava a democracia das faixas escolhidas, que passeou entre todas as obras da banda, seguida de “Farewell Proud Men”, de “Vinland Saga” (2005), exultada especialmente pelos fãs primordiais. A banda anunciou novo álbum, “King Of Kings”, a ser lançado em breve, e presenteou a todos com a nova e bem recebida “Halvdan The Black”.

Em um momento humorado, Alex recebeu um recado de um fã sobre o fatídico 7X1 entre Brasil e Alemanha, no qual havia uma piada sobre perdoar o cantor alemão em troca de uma palheta. Sob risos, o pedido foi atendido e qualquer “animosidade” acalmada com benevolentes declarações do cantor sobre o público brasileiro.

O hit “My Destiny”, mais uma de “Njord”, foi bem acompanhado pela plateia e retomou o ritmo do show, seguido de “Symphony Of The Night”, com Liv exibindo seu vocal ainda potente e impecável. Destaque para “Spirits’ Masquerade”, com a excelente reprodução de Bauer em sua guitarra da gaita irlandesa utilizada na música de abertura do álbum “Meredead” (2011). A um tanto comercial e trocável “Melusine” veio com mais problemas na guitarra de Sander, que passou parte dela agachado, claramente incomodado e tentando ajustar os problemas. Já “To France”, cover de Mike Oldfield, veio com uma dançante Liv e seu solo que saiu a trancos.

A obrigatória “Elegy”, do “Vinland Saga”, foi o segundo clássico a aparecer no set, cantado pelo Hangar a plenos pulmões, assim como a mais recente “Hell To The Heavens”, com seu enérgico refrão. Chegada a última parte do show, a banda se retirou e para o bis uma bela ‘intro’ antecedeu o grande clássico “Norwegian Lovesong”, primeira faixa do debut “Lovelorn” (2004), ovacionado pelos fãs. A bela “Frøya’s Theme”, outra de “Njord”, encerrou a apresentação em sua atmosfera épica, com a bandeira brasileira e a do fã-clube sustentadas pelos vocalistas.

A apresentação foi marcada pela vivacidade do grupo e a dedicação dos cerca de 150 presentes, que puderam matar a saudade ainda que a qualidade de som da casa não tenha sido das melhores, já que o vocal de Liv estava um tanto baixo e alguns elementos foram perdidos. Não havia baixista e, apesar do bom sampler, algumas faixas pediam a execução do baixo ao vivo. Ouvintes antigos com certeza sentiram falta de mais canções das primeiras obras, mas tanto para esses quanto para os demais fica a expectativa de retornos mais breves e em condições sonoras mais dignas.

 

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