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MALEFACTOR “26 longos anos. E ainda estamos aqui. HAIL!!!”

"Olho pra trás, sinto orgulho de quase tudo, e prosseguimos, mesmo sabendo que escolhemos muitas vezes os caminhos mais difíceis para manter nossos espíritos conectados ao cenário underground mundial."

Com 26 anos na estrada o Malefactor está divulgando seu mais novo trabalho, Sixth Legion. O melhor álbum da carreira nas palavras do Lord Vlad, fundador da banda. Nesta entrevista o Lord Vlad nos conta as dificuldades, seu ponto vista e um pouco de toda trajetória do Malefactor até hoje. Banda ao qual se tornou de fato uma das mais importantes em nossa cena e percussores de um estilo musical único. E que ainda este ano nos presenteia com um documentário em vídeo sobre todos esses anos de muita luta e vitórias, já com o título revelado “MALEFACTOR – 25 anos sob a a Lei da Espada”.

Lord Vlad, Foto por: Steph Ciciliatti

Lord Vlad, O Malefactor ao longo desses muitos anos de existência se tornou indubitavelmente um dos maiores nomes do estilo no Brasil. Como você vê toda essa trajetória?
Lord Vlad – Saudações aos leitores da Roadie Crew. Muito obrigado pelas palavras. Temos trabalhado duro por 26 anos, mesmo com momentos mais confusos. Agora as coisas estão mais ajustadas e boa parte dos unholy metallers tem entrado em contato com nossa arte, e mesmo após quase 3 décadas de música profana, muitos brasileiros ainda não nos conhecem ou não deram atenção por não esperarem ouvir este tipo de metal no Brasil. São os problemas de morar numa parte do país estigmatizada e da visão de parte da cena de que os gringos merecem mais do que os nossos conterrâneos. Nossa trajetória é pra lá de vitoriosa. Começamos aqui, com poucos recursos, péssimos equipamentos, dificuldades enormes para conseguir discos e fitas antes do advento da internet. Somos de outra época, e temos acompanhado as mudanças, mas sem abandonar os princípios básicos. Ouvimos e falamos sobre metal todos os dias. Como não temos tempo mais de nos vermos todo dia (ainda bem), agora temos recursos nos nossos próprios smartphones que travam, por onde conseguimos organizar tudo, além de falarmos as merdas e os bullyings habituais. Olho pra trás, sinto orgulho de quase tudo, e prosseguimos, mesmo sabendo que escolhemos muitas vezes os caminhos mais difíceis para manter nossos espíritos conectados ao cenário underground mundial. 26 longos anos. E ainda estamos aqui. HAIL!!!

Sixth Legion – 6º álbum da banda.

O Sixth Legions acaba de ser lançado e apresentou o Malefactor como um trio. Como foi essa transição devido a saída do Alexandre Deminco, Chris Macchi e o Roberto Souza?
Lord Vlad – Do ponto de vista musical, as coisas estavam cada vez mais desinteressantes. A gota d’água foi a pré-produção do disco, quando eu, Danilo e Jafet passamos a compor e notamos que os outros integrantes não estavam tão satisfeitos com as músicas novas e o direcionamento mais direto. Danilo e Jafet já estavam tocando em outras bandas, eu também passei a fazer parte de outro projeto chamado Born in Black, e o Malefactor cada vez mais ganhava ares de um hobby. Estávamos nos tornando uma banda de ensaio e disco, sendo que sempre fomos uma banda de shows. Foram 8 anos tocando e ensaiando antes de gravar o primeiro disco, porque foi o que sempre gostamos de fazer. Tocar. Infelizmente tivemos que nos separar, e desejamos aos outros ex-integrantes tudo de melhor. São músicos com seus corações ligados ao metal, e espero que não parem de tocar, juntos ou com outras pessoas. Sempre terão nosso apoio. Agora estamos renovados e focados em produzir mais álbuns e fazer mais turnês. Esta é nossa meta.

Acompanho a carreira de vocês desde o início, no começo da banda você além de vocal era guitarrista e hoje assumiu o baixo. Houve alguma dificuldade nessa adaptação?
Lord Vlad – Eu toquei guitarra no Malefactor somente durante 1 ano na verdade, logo no começo. Para quem não sabe eu fiz um show como baixista em 92 na Ossos do Ofício, uma banda que o Danilo montou no final da década de 80 para tocar rock e depois passou a tocar metal e acabou em 94/95. Tive um pouco de dificuldade para voltar a tocar e cantar, mas sempre toquei em casa. Sempre fui um dos compositores do Malefactor e algumas pessoas acham que é meio inexplicável eu aparecer tocando e cantando, principalmente algumas partes mais complexas. Eu poderia aproveitar o marketing como algumas bandas e dizer que foi Satã que me presenteou e aprendi em uma semana. Mas a verdade é que toco guitarra e baixo a vida toda, mesmo que não com tanta seriedade quanto toco atualmente. Confesso que hoje me sinto mais à vontade no palco do que antes.

Danilo Coimbra, Foto por: Steph Ciciliatti

Ao ouvir o novo CD fiquei impressionado com as composições. Você acha que isso pode ser resultado de um amadurecimento musical? E talvez por causa de até então estarem como um trio e fez com que as ideias e propostas ficassem concentradas unicamente em vocês?
Lord Vlad – Você foi ao ponto correto. Menos pessoas opinando, as coisas fluíram mais rápido. Fato que nós 3 sempre fomos os compositores das estruturas principais das músicas, embora os outros sempre estivessem no processo. Agora não temos mais que discutir tanto. As vezes eram horas discordando sobre um riff. Agora é tudo mais rápido. Não preciso mais jogar um riff fora porque alguns acham black metal demais ou de menos. Não precisamos mais nos preocupar se está lento demais ou rápido demais. Todo um novo horizonte se abriu para as composições e mesmo para uma banda sem um rótulo claro como o Malefactor, ainda estávamos presos a questões de “isso não parece Malefactor”. Agora podemos soar mais brutais e mais técnicos.

Sixth Legion tem o lirismo muito mais negro que os álbuns anteriores, um trabalho que pode ser considerado Death/Black. Você como principal compositor pode nos falar quais foram as influencias que resultaram nestas letras tão intensas?
Lord Vlad – Sempre fomos bastante abertos em relação aos temas. Se você analisar friamente, verá que Satã, Magia Negra, Guerra e História Antiga sempre estiveram presentes em todos os nossos discos (eu sou historiador). Talvez a sonoridade mais crua e direta traga um pouco mais essa percepção ao ouvinte, mas desde  sempre procuramos estar no lado obscuro do metal. Pela musicalidade mais porrada, talvez este disco soe ainda mais macabro e satânico. Mas sempre foi nossa veia lírica. Basta olhar os titulos de várias musicas antigas desde as demo-tapes: ”Malleus Maleficarum”, “Under The Black Walls of Hell”, “Old Demons”, “666 Steps to Golgotha”, “Trevas”, “Goat of Mendes”. Você não é o primeiro que fala isso, mas ao meu ver, a trilha sonora trouxe a tona a parte mais satânica de nossas letras, mas elas sempre estiveram lá. Utilizar de forma real temas assim fazem com que a musica deixe o ouvinte desconectado deste mundo material. Sempre recomendo que as pessoas abram um vinho, acendam uma vela, apaguem as luzes e se conectem aos nossos discos. A forma de ouvi-los será outra. A magia acontece e a música é o canalizador.

Jafet Amoedo, Foto por: Carlos Figueiredo

Na opinião de todos que conheço e também de todos que fazem parte desta revista, todos são unânimes em dizer que este trabalho mostra um Malefactor mais visceral, apesar que o álbum Barbarian foi considerado pela nossa revista o melhor da carreira até então, recebendo o merecido selo indicativo como um dos melhores álbuns nacionais de todos os tempos. Você considera este CD um divisor de águas na história da banda, uma superação?
Lord Vlad – Foi ótimo você ter tocado nesse assunto. Eu tenho até uma pequena rusga com a revista por este selo. Me sinto entre amigos na Roadie Crew e amigos falam como amigos. Quando ela afirmou isso, colocando este álbum como um dos melhores discos de metal nacional de todos os tempos, me soou muito estranho quando nos esqueceram quando dos 100 melhores discos do metal nacional. Sem citar nomes, mas tem uns discos bem meia boca naquela lista (e ouvi isso de dezenas de pessoas também). Discos que não estariam em lista de melhores nem de 500 discos nacionais.  Mas, só posso respeitar as críticas e tentar fazer discos ainda melhores. Vários discos que saíram ali eu assino embaixo. São obras de arte. Mas tem umas bombas ali, muitas empurradas goela abaixo. Eu não acho que modéstia seja uma virtude em todos os casos. Com música não é. Inclusive eu nem acho o “Barbarian” nosso melhor álbum. Acho que já produzimos bons discos, como também já produzimos ótimos discos. Alguns deles, como o “The Darkest Throne” é citado por alguns musicos de outras bandas brasileiras como o melhor disco do estilo na América do Sul. O “Sixth Legion”, com certeza, é um disco divisor de águas, pelo menos na nossa discografia. Espero que ele seja absorvido, afinal somos uma banda de difícil definição quanto a estilo, por metalheads que não ligam se a banda é paulista, carioca, baiana, capixaba. Isso é apenas merda. Somos uma banda do mundo. Como dizia o baiano, e pai do rock do diabo no Brasil, Raul Seixas: “Longe das cercas embandeiradas que separam quintais”.

Lord Vlad, Foto por: Steph Ciciliatti

Alguns anos atrás a banda fez uma tour de muito sucesso na Europa chegando a tocar no principal festival de Metal, Wacken Open Air, que foi na turnê do álbum The Darkest Throne. Para a turnê deste novo trabalho haverá uma turnê pelo velho continente?
Lord Vlad – Fomos 2 vezes a Europa nos anos 2000. Da primeira vez tocamos em 3 países, e fizemos tour promocional por mais 3. Muita loucura da idade, amadorismo, coragem e aprendizagem. O Wacken foi um sonho que chegou do nada, através de um convite da Roadie Crew (muito obrigado por isso. Mas ainda to chateado com aquela lista com discos meia boca, hahahahahaah) e hoje, como estamos, sei que teria sido ainda melhor. A produtora de video do Wacken fez uma cagança com nossa filmagem, nos enviando um áudio péssimo e querendo grana por isso. Como nunca fomos deslumbrados, porém educados, dissemos “peguem suas fitas de vídeo e… se divirtam bastante”. Só temos pequenos registros desse show. Parte da equipe da Roadie Crew não conseguiu se credenciar a tempo e perdeu nosso show, por isso não tivemos muitas fotos. Hoje teríamos o show filmado por 500 celulares. Quem sabe não tocaremos lá novamente um dia? É um marco na nossa carreira, mas estávamos mais nervosos do que nos divertindo. O palco estava sem energia quando subimos lá, e faltou pouco para que não desse tudo errado. Faltando 2 minutos, tudo ligou e o show foi foda. Eu via bandeiras de Brasil,Argentina, El Salvador, Espanha, Grécia, Portugal, Reino Unido, Noruega. Um show no Wacken vale por uma tour na Europa inteira.

O Thiago Nogueira é um baterista que dispensa comentários e fez uma participação maravilhosa neste CD. Como surgiu a ideia de gravar com este exímio baterista?
Lord Vlad – Nós brincamos, e ele fica todo orgulhoso, de que ele é o Gene Hoglan brasileiro, e seu desempenho neste disco não deixa dúvidas. Thiago vive de música desde adolescente, e sabíamos que ele tinha outros planos e não seria nosso baterista. Hoje ele vive em São Paulo e continua com seus projetos musicais que lhe dão dinheiro para ajudar no sustento da sua família. Antes dele chegar, ficamos sem baterista no meio da gravação do disco. Paramos tudo e decidimos que Thiago seria o baterista ideal naquele momento, já que já tem dezenas de álbuns gravados dentro e fora do metal, o que faria nos poupar bastante tempo e dinheiro também, já que ele é totalmente familiarizado com o processo e entrega a bateria 100% pronta muito rápido. Chegamos a fazer shows maravilhosos com ele, e só temos a agradecer este monstro da bateria. Um grande abraço a nosso irmão Thiago “Bambam” Nogueira, e que ele continue sendo o músico e amigo fantástico de sempre.

Daniel Falcão, Foto por: Steph Ciciliatti

Agora vocês contam com outro baterista de muita técnica e precisão, o Daniel Falcão que integra bandas muito importantes e de renome como Headhunter DC e Insaintification. E com certeza ele é um baterista que sente o feeling de cada banda que toca e executa o trabalho de forma brilhante. Como estão sendo os shows com o Daniel?
Lord Vlad – Nós conhecemos Daniel “Beans” Falcão quando ele ainda era adolescente, chegando no metal. Ele é 10 anos mais novo que nós. Mesmo no começo, quando ele tocava heavy/black metal com a Mortify, de sonoridade primitiva, já percebi de cara que ele tinha talento. Ao invés de se acomodar com o talento, ele procurou professores de bateria, estudou muito, e rapidamente se tornou um dos melhores bateristas do Brasil. Hoje temos a honra de termos ele no Malefactor, já que sempre fomos amigos muito próximos e quando o convidamos para ser baterista contratado, o mesmo nos disse já no primeiro ensaio que a vaga era dele e que queria ser efetivado. Tudo que precisávamos. Quando Daniel chegou, nitidamente ele se adequou imediatamente. Quem vai aos shows fala que estamos na nossa melhor fase e a banda cresceu, e não tem tempo ruim com ele.

Voltando um pouco antes, depois do lançamento de Sixth Legions, o Malefactor teve também o suporte do baterista Marcio Jordanne hoje membro da banda de Brutal Death Metal “Devouring”. Em algum momento houve a ideia de efetiva-lo na banda?
Lord Vlad – Além de shows com Thiago, chegamos a fazer um show com o Marcio “Firestorm” Jordanne, baterista da Devouring/Proffano e outras bandas, e ele não pode ficar por motivos pessoais. A ideia era termos bateristas contratados até achar alguém que tivesse gostos musicais próximos e gostasse da estrada. Excelente pessoa, e excelente músico. Maquina de tocar death metal. Só temos a agradecer a Márcio também.

Em 2008 dois ótimos álbuns da banda foram relançados e teve a distribuição internacional via Displeased Records, da Holanda. Este novo trabalho está sendo distribuído internacionalmente?
Lord Vlad – Nossos discos sempre tiveram uma pequena distribuição lá fora, e nunca soubemos exatamente quantos e para onde estes discos foram. Sempre tivemos uma “caveira de burro enterrada” no que se trata de lançamentos internacionais. Tudo dava sempre errado, talvez por culpa nossa que somos problemáticos na hora de aceitar as condições dos selos, depois de termos problemas enormes com uma de nossas gravadoras no começo de tudo. O “Sixth Legion” acaba de sair na Europa via “Your Poison Records” (Portugal) e Secret Port (Grécia) que já enviaram cópias para vários países europeus e para os Estados Unidos. Estamos viabilizando entrevistas lá fora, para que tenhamos algum suporte midiático para quando voltarmos depois de tantos anos à Europa. A meta é voltarmos ano que vem para a maior turne europeia que já fizemos, além de lançar os álbuns mais antigos lá fora também, em todos os continentes, se possível. Não fomos à Europa, na época do “Anvil of Crom” por inúmeras questões, mas uma delas era a falta de uma gravadora internacional que nos desse suporte. Não queremos voltar só para dizer que fomos. Queremos algo bem organizado e que traga algum retorno para que as tours internacionais voltem a ser uma realidade para nós.

Ví um vídeo muito bem feito da música “Counting Corpses” filmado no maior festival de Salvador, o Palco do Rock. Virá um videoclip para brindar o novo álbum?
Lord Vlad – Sim. Para este mês ainda está previsto um lyric video para a faixa “The Styx River” e vamos filmar em breve o video clip para “Sodom and Gomorrah”. Fizemos videos profissionais ao vivo  e diferentes tambem para a faixa “Behold The Evil” (Live in Studio Tenda) em Curitiba, para um canal de YouTube, e um video em 360°, no estúdio Tellus em Niterói/RJ, para uma antiga musica “Necrolust in Thulsa Abbey” para que as pessoas pudessem sentir como está esta nova line-up tocando sons antigos.

Em 1999 quando escutei o primeiro álbum “Celebrate Thy War” fiquei bastante surpreso com o Malefactor apresentado neste trabalho, houve um encaixe perfeito entre os vocais ultra guturais e os vocais limpos (clean). Até então não tinha escutado nada parecido. Você acredita que o Malefactor a partir deste trabalho se tornou uma referência para o estilo? Uma quebra de tabú?
Lord Vlad – Com certeza. Não tenho a menor dúvida que  com as temáticas deste disco e sua sonoridade bastante influenciada pelo Black Metal grego, fomos pioneiros neste metal épico e profano no metal brasileiro. As letras falavam de personagens mitológicos envoltos numa atmosfera de guerra, referentes ao mundo do pré cristianismo, antes do nascimento da Igreja Católica e sua matança com um apetite exterminador de culturas. Começamos a compor este álbum e tocar suas músicas ao vivo em 1996, mesmo ano em que outra banda pioneira trouxe temas diferentes em suas letras, que foi o grande Mythological Cold Towers de SP. A maioria das bandas da época, queriam falar sempre de satanismo e florestas e frio. Junto com o Mythological, Eternal Sacrifice, Miasthenia e algumas outras, começamos a fortalecer temáticas diferenciadas dentro do metal obscuro nacional nessa época. Alguns chamam de pagan, de avant-garde, eu prefiro chamar o Malefactor de epic unholy metal, porque não queremos estar presos à obrigatoriedade de nada em relação às letras. Apenas seguir a realidade das sombras e a ficção em forma de magia da era hiboriana.

Você como um fã do Malefactor nos diga, qual o melhor álbum lançado até agora?
Lord Vlad – Sixth Legion. Não tenho dúvidas. É poderoso, infernal e feito num momento em que precisávamos provar para nós mesmos que podíamos ir além com nossa música. Está em nossa alma. É feito de metalheads para metalheads.

O Malefactor vem de uma cidade onde existem grandes nomes como Headhunter D.C., Mystifier e The Cross que voltou à ativa. Como você vê hoje a cena local?
Lord Vlad – Temos bandas fantásticas e de variados estilos não só na capital, como em várias cidades do interior. Bandas como Escarnium e Suffocation of Soul que já tem feito turnês pela Europa também, dezenas de bandas lançando demos poderosas e discos metalizados. Meu selo está lançando dois cds coletaneas com 22 bandas baianas, ativas e com gravações atuais no mês que vem. Como você vê, as bandas estão vivas, produzindo. Ao contrário do público que está semi morto. Salvador, e outras cidades, precisa de festivais, urgente. Que tragam bandas de outros estados, que faça grandes confraternizações metálicas como temos visto em festivais que temos tocado pelo Brasil. As 3 bandas que você falou na pergunta são baluartes do metal brasileiro, que influenciaram a muitos por aqui no passado e no presente. Torço muito para que o The Cross alcance um maior horizonte, porque foram a primeira banda de Doom Metal do Brasil, e isso não é pouca coisa. Espero que outras bandas nasçam, como tem ocorrido e continuem a levar o metal da Bahia adiante.

O Danilo Coimbra tem um projeto muito bom chamado Divine Pain que em 2013 lançou o CD Immortality, tendo uma ótima repercussão. Você e o Jafet Amoedo participam de algum projeto paralelo?
Lord Vlad – Eu gravei um álbum com o Born in Black, projeto de heavy/doom metal, acompanhado de figuras macabras do metal nacional, que foram os senhores Thormianak (Miasthenia), Alan Sub Umbra (Grave Desecrator), Danilo (Malefactor) e Victor (ex-Miasthenia). O Jafet esteve um período tocando com nossos irmãos da Behavior, que acaba de lançar um ótimo disco de death metal. Danilo segue com o Divine Pain e o Burn in Pain, além de tocar as vezes com a velha guarda do Thrash Massacre e Headhunter DC num tributo ao disco mais fudido do thrash metal, o “Bonded By Blood” do Exodus, o que pra mim é uma ótima desculpa para ficar bêbado e bater cabeça.

É notório que a qualidade do áudio neste trabalho é surpreendente. Como foi a produção deste álbum?
Lord Vlad – Demos sorte de ainda estarmos vivos e tocando com essa coisa toda chamada tecnologia, além do trabalho mais que competente do produtor Vicente Fonseca no Estudio do Beco. 20 anos atrás teríamos que gastar 200 mil reais pra termos esta qualidade de gravação. Hoje a facilidade de se trabalhar num estúdio, com um técnico que entende de metal, é uma realidade e muitos discos brasileiros não devem nada a ninguém. A tecnologia global nos possibilitou isso, o que por outro lado, se não tivermos cuidado, acaba fazendo com que milhares de bandas soem iguais em estúdio, com seus sons de bateria e guitarra copiados de outras bandas. Eu não quero soar igual a ninguém. Meus discos preferidos tem sonoridades próprias. Esse padrão europeu de gravação de bandas mainstream acabam pasteurizando o metal. Mas isso é opinião minha, não sei o que os caras pensam sobre isso. Eu sou rabugento.

O trabalho gráfico neste cd também não ficou para trás, a capa traduz perfeitamente todo conteúdo lírico do álbum. Este trabalho ficou a cargo de quem?
Lord Vlad – Decidimos fazer um trabalho mais simples, mas ainda assim que chamasse atenção. Pedimos ao Rodolfo Ferreira, do Dark Tower, pois piramos na arte que ele fez para a própria banda dele. Adoro essa capa e não vejo a hora de ve-la em vinil. Quem sabe não saia em LP?

Agora pelo que vejo as energias da banda estão concentradas na divulgação deste novo trabalho. Mas já há possibilidade de mais um novo trabalho em breve?
Lord Vlad – Acredito que até final de 2019 já teremos composto bastante coisa, para fazermos um disco com Daniel e ele se sentir de vez em casa. Até lá estaremos empenhados em tocar o máximo possível, e fazer outros vídeos para a divulgação do “Sixth Legion”. Além disso, no segundo semestre de 2018 sai o documentário “MALEFACTOR – 25 anos sob a a Lei da Espada”, que ficou FODA !! Trabalho magistral de Sergio Franco. Esperamos que ele consiga inscrever o filme  no maior número de festivais possíveis.

Foi um imenso prazer poder conversar com você e que logo o Malefactor passe novamente por aqui…
Lord Vlad – Prazer foi meu Eden. Bom receber boas notícias suas, que foi vocal do Mortius na Bahia na década de 90. Estamos espalhados, estamos vivos. Um abraço a todos na Roadie Crew. Temos muitas lembranças boas com todos vocês. STAY EVIL!

Veja o vídeo de “Counting Corpses” gravado no maior festival de Salvador, Palco do Rock, em 2017.

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