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Maniacs Metal Meeting 2018 – 30/11 a 02/12 – Rio Negrinho/SC

Fazenda Evaristo - Rio Negrinho/SC

Por: Luiz Harley Caires

Rio Negrinho é uma cidade localizada no Norte catarinense, com pouco mais de 39 mil habitantes, a característica de sua colonização cria uma atmosfera de um pequeno vale europeu, porém em determinada época do ano, a aura da região muda, pois uma tropa de maníacos invadem essa cidade que sedia o Maniacs Metal Meeting (MMM), um dos maiores eventos Underground do país.

Ocorrido na Fazenda Evaristo entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro, chegando à sua terceira edição neste ano de 2018, o MMM apresentou mais de 30 atrações de vários cantos do país, com uma organização impecável, liderada por uma equipe predominantemente feminina, o que engrandece ainda mais este evento.

Somada a organização, cabe ressaltar a infraestrutura, com vasta área de camping e lazer (tirolesa, lagos, trilhas, cachoeira), uma boa praça de alimentação – com opções veganas inclusive -, espaço para as bandas venderem seu merchandising e o bar… ABERTO 24 HORAS, com bebidas a preço justo. Está feita a fórmula para um festival de sucesso, que só tende a crescer a cada nova edição.

Verbal Attack

O primeiro dia do festival iniciou-se as 19 horas como programado (aliás, o cronograma foi muito bem seguido nos três dias do evento), com a banda catarinense Verbal Attack, que como o nome não deixa menor dúvida, executa um Thrash com pegada Hardcore e letras de protesto, como se ouve em “Guerra Civil” e “Animal Irracional”, destaque também para a versão matadora de “Polícia” do Titãs e “Refuse /Resist” do Sepultura.

Flageladör

666!!! Com esse grito de guerra, entra no palco o Flageladör, apresentando seu trabalho recém lançado, “Predileção Pelo Macabro”, trazendo então as músicas inéditas, “Nas Minhas Veias Correm Fogo” e “Terror Pós Atômico”, ao lado de clássicos como “Assalto da Moto Serra”, presenciamos um show direto e energético, não esperávamos nada diferente desta banda.

Chegara a hora do Metal tradicional, e para representa-lo, nada melhor do que o Dominus Praelli, o “Senhor da Guerra” trouxe para Rio Negrinho um best of de sua carreira, e o melhor, com a sua formação original. Impossível não bangear aos sons de “Cold Winds”, “Battle of Stanford Bridge”, “Raise Your Axe” e o cover de Judas Priest com “Grinder”.

Dominus Praelli

O Velho fez um dos melhores shows do festival, e isso ficou visível em razão do número de fãs que se encontravam em frente ao palco, e como o vocalista Caronte afirmou – “O que vimos foi uma possessão coletiva”, em sons “Senhor de Tudo”, “Satã Apareça”, “Mais Um Ano Esfria” e “Sob o Maldito Verão do Sul”, isso ficou notável, fiquei sem palavras e sem voz literalmente para relatar essa apresentação, resumindo ela foi incrível!!!

O próximo show tinha uma carga emocional muito forte, pois tratava-se do Rebaelliun. A banda passou pela trágica morte de Fabiano Penna em fevereiro desse ano, e com a convicção que a melhor forma de homenagear o músico é fazer sua música ser tocada, o, agora trio, mostrou a genialidade de suas composições, focando no trabalho mais recente “Hell’s Decrees”. Tivemos os sons “Legion”, “Afrontt The Gods” tocando em nossos ouvidos, assim como “War Cult Anthem”, com a lembrança e inspiração de seu eterno guitarrista.

Rebaelliun

Um altar no palco, velas negras e o chamado para cerimônia do 7Peles. Existia muita curiosidade, e até desconfiança, por parte do público, pois o que seria o 7Peles? Uma banda ou apenas visual? Pois bem, a missa ou melhor dizendo, a apresentação foi um tira teima, a sonoridade sombria do 7Peles, ecoou pelo evento, atraindo mais fieis para o culto. Vale dizer que sons como “Heylel” e “Qayin”, ficam muito mais pesadas ao vivo.

Para clarear um pouco o ambiente, tivemos o Still Life, banda lendária de Power Metal (ou metal melódico se preferir) de Santa Catarina, que saiu de uma pausa para se apresentar em alguns festivais. Para quem não os conhece, fica aqui a indicação, pois o som vai naquela pegada melódica, com passagens mais agressivas como percebeu-se nos sons “Silent Hill”, “Destination Somewhere” e “Still Life”.

Lacrimae Tenebris

Para fechar o primeiro dia, o Doom Metal se fez presente com a banda Lacrimae Tenebris, e mesmo com horário um tanto quanto tardio – 3 da madrugada -, o público estava presente e a banda retribuiu com uma bela apresentação, tanto nas suas músicas autorais “Casa de Espelho” e “Solitude”, como no inusitado cover de Behemoth, “Blow Your Trumpets Gabriel”.

2° Dia:

Logo pela manhã, fomos avisados que por problemas com o voo o Holocausto não iria se apresentar no evento, ficou nítido que a organização do festival tentou achar uma solução possível, porém, a banda teve que cancelar sua participação, dessa forma, houve algumas pequenas mudanças nos horários, e para abrir o evento no segundo dia, tivemos a apresentação do one-man-band Rope Bunny, que ocupou o palco com seu talento. Canta muito esse rapaz!

Vindo de Curitiba/PR, o Grimpha executou uma energética apresentação de Death Metal, bem na linha da velha escola. Divulgando seu EP “Induced Hate” recém lançado, o show foi um petardo sonoro apresentando além da faixa título desse trabalho, sons como “Faces of Fury” e “Doctrine of Thorns”.

CrotchRot

O Grindcore se fez muito presente no festival e a sua vertente “porn” foi representada pelo CrotchRot, com músicas que atendem pelos singelos nomes “Pata de Camelo” (faixa título do EP), “X Gordinha”, “Molho Madeira” e “Suruba de Crackudo”. Essa banda do Paraná fez a pista inteira dançar e se quebrar no mosh, um show divertido, pervertido e pesado ao mesmo tempo.

Com o sucesso do EP “Eticamente Questionável”, a Eskröta mostrou que ao lado do seu discurso afiado, temos uma grande banda de Crossover/Thrash. Se apresentou com o músico Jhon França na bateria, ao lado de Tamy no baixo e Yasmin na guitarra e vocal, sendo que, essa não é a sua formação oficial, mas tivemos um baita show em que o EP foi executado na íntegra, indo mais além com a apresentação da nova música “Burn The Poor”.

Symmetrya

Hora do Prog Power Metal e a banda catarinense Symmetrya teve essa responsabilidade em demonstrar que é uma forte representante do estilo. Tendo lançado recentemente o trabalho “Beyond The Darkness”, dele apresentaram músicas como: “Dying Hard” e “Recipe For Disaster”, além de sons já mais conhecidos como “To Live Again” e um cover para “Heaven and Hel”.

Indo totalmente na direção contrária, o ROT trouxe para o MMM o seu Grind, porrada na variação de vocais, dando um diferencial para a banda e a apresentação foi sem pausas, paulada atrás de paulada com “Indiferent”, “Horizonte Invertido”, “Post Mortal Promisses” e diversos outros clássicos.

ROT

A cena de Minas Gerais nos presenteia com fortíssimos nomes e o Paradise In Flames está somada a esta lista com sonoridade muito ‘bonita’, por mais que isso pareça paradoxo para uma banda de metal extremo, mas não é possível pensar em outro adjetivo ao presenciar ao vivo sons como “Hell Now” e Everlasting Scars, “The Devil From the Sky”.

Não bastasse fazer uma apresentação destruidora com Flageladör no dia anterior, Hugo Golon voltou ao palco com o seu projeto Cemitério. A sonoridade deles é perfeita para bater cabeça e cantar junto, tanto os sons do trabalho de estreia, como o  EP, “Oaxiac Odèz”,  “A Volta dos Mortos Vivos”, “Quadrilha de Sádicos” e “Tara Diabólica”, tiveram seus refrãos cantados pela audiência e ao final de cada música um grito uníssono do público: “- Cemitério, Cemitério”! Emocionando a banda e, de acordo com Hugo, foi um dos seus melhores shows.

Cemitério

Diretamente de São Paulo, o Creptum impressionou o público pela maturidade de suas composições tanto as mais conhecidas, “In the Arms of Death” e “On the Pale Horse”, como “VAMA”, “On My Skin” e “Transformation”,  que estarão presentes em um próximo trabalho e pelo que podemos presenciar ao vivo, a banda lançará um belíssimo Opus de Black Metal em 2019.

O Facada é quase uma unanimidade para fãs de Metal Extremo, chamá-los de Grind é senso comum, porém a banda transita por vários gêneros e consegue passar sua mensagem de descontentamento com a sociedade e com tudo que está ao nosso redor, denunciando a exploração do homem pelo próprio homem. Este ano lançaram “Quebrante” um dos melhores trabalhos do Metal brasileiro e dele tivemos faixas como “Feliz Ano Novo”, ao lado de clássicos como “Tudo Vai Ficar Pior”, e  “O Cobrador”, chamou a atenção também o discurso feito pela banda em tempos de tanta polarização na cena o Facada não se omite doa a quem doer.

Facada

O The Evil também foi afetado pela questão dos voos, entretanto a organização conseguiu contornar a situação de forma profissional e a banda chegou ao festival e apresentou seu trabalho. Claro que o nome Wagner (ex-Sarcófago) foi o destaque, mas isso até a vocalista Miss Aileen começar a cantar. Sua voz é mágica, ao mesmo tempo forte e em alguns momentos hipnótica. Somado a isso, o visual da banda com máscaras e o ritmo cadenciado fez o The Evil sair ovacionado do palco.

Por alguns momentos a Fazenda Evaristo foi transportada para a Noruega no auge do Inner Circle. cabeças de porcos penduradas, hóstias arremessadas e vinho sendo cuspido, o Murder Rape, não abre concessões no seu Black Metal e por isso mesmo tem o status de banda respeitada, mesmo não dando entrevistas, nem divulgando seus trabalhos, deixam que a música fale por si, como em “And Evil Returns” e “Embassy of Satan”.

Murder Rape

O Sad Theory é uma banda que não faz muitas apresentações ao vivo então cada uma delas tem que ser especial, e essa no Maniacs Metal Meeting foi impressionante por dois motivos primeiro a energia que a banda apresenta no palco e segundo pela qualidade das músicas, poucas vezes fez tanta logica classificar uma banda com Prog/Death Metal, sendo que eles lançaram recentemente o trabalho “Entropia Humana Final” e dele tivemos sons como “Alvorada das Hienas e “Punhais Longos e Cortes Profundos”.

Se tocar em um festival como o Maniacs já é uma adrenalina, imagina estrear uma formação? Foi esse teste de fogo por qual passou o Trator BR. E que ótimo dizer que foi uma grande estreia, a banda que antes vinha de SP agora erradicada em Florianópolis/SC, mostrou um time entrosado e no setlist músicas do trabalho “Verde Amarelo Azul e Preto” com “Trator de Guerra Brasileiro” e “Floresta Armada” e novos sons que farão parte do seu terceiro trabalho que virá forte conforme o que foi apresentado.

Trator BR

O horário poderia não ser dos melhores, porém, como ocorreu na noite anterior, uma boa parcela do público ficou até o final, e presenciou o Folk Black Metal do Opus Tenebrae. Os elementos da cultura celta são muito frequentes na sonoridade dessa horda, seja pelos instrumentos, ou pela temática de suas músicas, que soam como verdadeiros hinos de guerra e exaltação da cultura daquele povo, entretanto, ao contrário de muitas bandas de Folk, o Opus Tenebrae não abre mão da agressividade, o que percebemos em sons como: “In My Blood”, “Opera Mortis” e “Aurea Hyspania”.

3° Dia:

O último dia do festival começou a partir das 11 horas, e quem foi acordando e indo em direção ao palco, encontrou a banda catarinense Deadnation que é relativamente nova, porém, tem na sua formação, músicos experientes da cena de Santa Catarina e toda essa experiência se reverte em um Death Metal da velha escola, com sons como “Redrum” e “Blood Spill”, além do cover de Dismeber, com “Casket Garden”.

Devido a um problema de deslocamento, o God of Carnage não pode se apresentar no evento então, depois de um tempo livre, tivemos a apresentação do duo Decadência, que consiste nos músicos Gustavo Toscan Da Silva – acordeom e voz, e  Nélio Gomes na bateria, e se essa formação lhe parece inusitada, vale dizer que o peso do Metal estava presente, com uma sonoridade que eles chamam de Crust/Folk, definição perfeita para sons como “Toda Uma Vida Pra Nada” e “Lixo”, além de uma versão matadora de “Grândola Vila Morena”.

Wargore

O cansaço poderia estar batendo nos bangers, mas a sequência a seguir foi para tirar o folego de todos, começando pelo Wargore, banda paranaense que mostrou o por que está sendo aclamada pelos fãs de Death Metal. Sem muito intervalo entre as músicas, eles bombardearam a audiência com sons como “Cursed Existence”, “Doomed to Live” e “Destroy the Creation”. Se você curte Metal Extremo e ainda não conhece o Wargore, faça um favor pra si mesmo, busque ouvir o som do grupo e depois me diga se eu não estava certo.

Terror, Gore, e Death Metal é representado quando sobe ao palco o Offal, uma verdadeira lenda do Underground nacional, com uma sonoridade que é totalmente ‘old school’, que é acrescentada por um fascínio a filmes de terror B. A apresentação foi extrema, com uma postura de palco teatral e o que chamou a atenção, foi o fato que o que se ouve nos CD’s, é reproduzido fielmente no show e quem conhece canções como “Feast For the Dead”, “Trial of the Undead” e “The Hideous Return of Dr. Death”, sabe o quanto isso impressiona.

Offal

O Hutt em sua apresentação fez jus ao fato de ser um dos nomes mais comemorados do Grindcore nacional, ao lado de Facada e Desalmado. Com um set rápido e totalmente feito para iniciados no estilo, ou seja, se você não curte este estilo, o show do Hutt foi um tormento, e eles adoram isso! O set passou por músicas dos trabalhos clássicos “Sessão de Descarrego” e “Monstruário” e também do mais recente trabalho “Apocalipster” com faixas como “Sete palmos de Esperança” e “Flores, Vela e Caixão”.

Hutt

Com status de headliner, o Sextrash trouxe na bagagem mais de 30 anos de underground e trabalhos marcantes para a cena extrema brasileira como “Sexual Carnage” e “Funeral Serenade”, e baseado nesses trabalhos que também tivemos “Seduced By Evil” e a icônica “Alcoholic Mosh”, a banda ainda dedicou um som para a Holocausto, que não pode comparecer no evento, e para celebrar a influência da cena de Minas Gerais, executaram um cover de “Nightmare” do lendário Sarcófago.

E assim chega ao fim a maratona do Maniacs Metal Meeting, e na bagagem de retorno o que levamos, maior do que a sensação de cansaço foi sem dúvida a sensação de êxtase, por ter prestigiado este evento de tal magnitude e conforme passa o tempo, surge a nostalgia e a expectativa pelo Maniacs Metal Meeting 2019.

Sextrash

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