Live Evil

MASTERPLAN

Teatro Odisseia - Rio de Janeiro/RJ, 15 de outubro de 2015

O Masterplan chegou ao Rio de Janeiro numa quinta-feira daquelas mais quentes que o inferno para uma apresentação aguardada há tempos pelo público carioca. Depois de ver o Blind Guardian fazer um show de parar o trânsito na sexta-feira anterior, os amantes de Power Metal puderam fechar uma semana inesquecível com o melhor que o estilo pode proporcionar. O público era pequeno, algo infelizmente comum em shows recentes na cidade, mas estava em estado de graça.

Com um tradicional atraso na abertura dos portões, algo que quase sempre acontece em shows no Teatro Odisseia, a noite teve início com uma abertura para lá de acertada. O Unmasked Brains é hoje uma das bandas mais relevantes do cenário underground local. O vocalista e guitarrista Reinaldo Leal é uma das figuras mais participativas na movimentação da tão sofrida cena, tendo realizado no começo do ano um festival gratuito que abarrotou o Planet Music – tradicional casa em eventos underground – somente com bandas do Rio. O grupo esteve afastado da cena por um bom período, mas retornou com força total com o lançamento do primeiro álbum, “Machina”, e shows matadores. Facilmente reconhecidos pelos macacões pretos com listras brancas e na mais que curiosa máscara esverdeada do ótimo guitarrista LGC, o som se fez de digno do ótimo show. Em um Thrash com preciosas pitadas de Heavy Metal tradicional, Reinaldo e LGC estão à frente de tudo em fantásticos duelos de riffs e solos. Junte a isso uma cozinha consistente, formada por Elcio Pineschi (bateria) e Denner Campolina (baixo). Num set com oito músicas próprias, foi tocado o disco de estreia quase todo. Entre as músicas, Reinaldo sempre se dirigia ao público com agradecimentos pelo respeito, alertas para a importância de cada um para que a coisa aconteça e diversos recados de divulgação. Em “Corrupt”, o líder ironizou ao dedica-la ao “cidadão de bem” e à “família tradicional”. Enfim, abertura de uma das melhores bandas que temos na cena local, algo que deveria acontecer sempre em eventos assim.

Era a hora da atração principal. Depois de um sutil atraso de 20 minutos, o Masterplan começou uma apresentação memorável de quase duas horas, num passeio por sua curta e certeira discografia. No já distante 2003 a banda se apresentou no saudoso Canecão em seus primeiros passos, abrindo para o Gamma Ray, e muita coisa mudou de lá para cá. Algo muito além do lugar acanhado e longe de sua lotação no retorno. Daquele início, sobraram o guitarrista, líder e dono da festa Roland Grapow e o tecladista Axel Mackenrott. Muitas mudanças aconteceram ao longo dos anos, mas ao que parece a banda encontrou umaformaçãosólida.

Muitos sentem falta do grande vocalista Jørn Lande, mas o carismático Rick Altzi dá conta do recado. Completam o time os também ótimos Jari Kainulainen (baixo, ex-Stratovarius) e Kevin Kott (At Vance, bateria). Divulgando o ao vivo “Keep Your Dream aLive” e, porque não, o mais trabalho disco de estúdio,“Novum Initium”, o Masterplan trouxe na bagagem 17 músicas, sendo algumas que não apareciam há tempos em shows. Fora o som impecável no volume e clareza, e da perfeição instrumental da atual formação, poucas vezes vi uma banda tão feliz em cima de um palco. As brincadeiras eram constantes a cada intervalo. Para citar alguns desses momentos únicos, Altzi perguntou como se brindava cerveja em português. Depois, repetiu o gesto de “saúde” várias vezes, assim como “traduzia” o nome do líder para oPortuguês: “Rolando”. Eu poderia passar horas citando cada uma delas, entre abraços dos integrantes durante as músicas… Tudo fez parte do contexto.

Mas vamos à música. A base do repertório foi o magnífico e homônimo disco de estreia, mas tivemos um pouco de tudo. Os clássicos “Enlighten Me” e “Spirit Never Die” foram o melhor começo possível, e em seguida vem a primeira surpresa da noite:“Wounds”, música escondida em algum lugar do ótimo “Aeronautics” quereapareceuapós ficar escondida desde 2008. Altzi mostrou-se um vocalista impecável, mas o dono da festa era Grapow, o homem que fez história do Helloween, que até hoje tem sua ausência sentida por uma parcela dos fãs e é um daqueles “guitar hero”. “Lost And Gone” seguiu o baile, apresentando “MK II” aos presentes, e“Betrayal”foi a primeira do trabalho mais recente. Foi eficiente ao vivo, assim como “Black Night Of Magic”. “Crimson Rider” caiu como uma bomba na pista do Odisseia, numa aula de bateria proporcionada por Kevin Kott.

“I’m Not Afraid”foi outra surpresa que o Masterplan trouxe depois de anos, também com ótima recepção dos presentes. Depois, “Back For My Life”, mas uma de “Aeronautics”. “Time To Be King”, que dá nome ao derradeiro trabalho com Lande, destacou a participação de Axel, que comandou o andamento, assim como os riffs inspiradíssimos de Grapow. Antes dela, no entanto, foi hora de brincar: Altzi dividiu a pista em duas e pedir que o nome da banda fosse igualmente dividido nos gritos do público. “Keep Your Dream Alive” foi outro ótimo momento do disco mais recente da banda, e aí tivemos clássicos de “Masterplan” na forma das pérolas como “Crystal Night” e “Soulburn”.

Claro que todos esperavam um toque de Helloween, e ele começou com “The Chance”, escrita pelo guitarrista em “Pink Bubbles Go Ape”, seu disco de estreia na banda da abóbora. Nada mais justo do que celebrar seu passado sem apelações aleatórias. “Heroes”, para mim a melhor música do Masterplan, foi emocionante e encerrou a primeira parte do show. O bis começou com citações a “Garota De Ipanema”, de Tom Jobim, e “Copacabana”, de Barry Manilow, antes das obrigatórias “Kind Hearted Light” e “Crawling From Hell”. Ao fim do show, vimos uma banda que parecia mesmo não querer deixar o palco.

E tome aqueles corinhos “ôôôs”, apresentações de integrantes com breves solos, riff clássico do Deep Purple (“Smoke On The Water”) puxado no teclado e acompanhado pelo resto da banda, uma tentativa de “Future World”, de vocês-sabem-quem, e Grapow solando como se não houvesse amanhã. Foi mesmo uma apresentação irretocável do Masterplan no Rio de Janeiro, uma mistura de técnica com carisma num longo show que faz valer cada centavo investido pelo fã.

Setlist Masterplan:
1. Enlighten Me
2. Spirit Never Die
3. Wounds
4. Lost And Gone
5. Betrayal
6. Black Night Of Magic
7. Crimson Rider
8. I’m Not Afraid
9. Back For My Life
10. Time ToBe King
11. Keep Your Dream Alive
12. Crystal Night
13. Soulburn
14.The Chance
15.Heroes
Bis
16.Kind Hearted Light
17. Crawling From Hell

Setlist Unmasked Brains:
1. Numbers
2-Little God Ivory
3. Corrupt
4. Controversies OfThe War
5. The New Order Of Disorder
6. Lost Control
7.Cloistered Life
8. A Máquina

 

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