Live Evil

NUCLEAR ASSAULT / EXCITER

Clash Club - São Paulo (SP), 22 de agosto de 2015

Os headbangers paulistanos que lotaram a Clash Club na noite do sábado, 22 de agosto, presenciaram um encontro ‘old school’ para lá de especial de duas instituições do Speed e do Thrash Metal mundial: Exciter e Nuclear Assault. Expoentes desses gêneros há mais de três décadas e ainda hoje influentes, as duas bandas embarcaram juntas nessa turnê sul-americana, que antes de aportar em alguns estados brasileiros passou por Colômbia, Argentina, Peru e Chile. Algumas coincidências marcavam seus retornos, a começar pelo fato de que ambas vieram ao Brasil pela primeira vez durante a segunda metade dos anos 80, depois passaram a década de 90 inteira sem tocar por aqui, e retornaram algumas vezes após a virada do novo século, totalizando, cada uma, quatro turnês até hoje por aqui. Em clima de total confraternização, bem antes da abertura da casa, Danny Lilker, John Connelly e Erik Burke do Nuclear Assault e também Allan Johnson do Exciter saíram para a rua e tiraram fotos com vários fãs.

Menos de um ano após abrir o show do Brutal Truth que encerrava a carreira, o Exciter desembarcou outra vez em São Paulo com sua formação original. E após a introdução mecânica, Dan Beehler (vocal e bateria), John Ricci (guitarra) e Allan Johnson (baixo) deram início, pontualmente às 20h, com “Stand Up And Fight” que, literalmente, levantou o público que ficou ensandecido com a presença dos três veteranos. Com o som bem alto, após os cumprimentos de Beehler, foi a vez da arrastada “Victims Of Sacrifice”. Ao final, o baterista/vocalista perguntou: “Vocês estão prontos para ouvir o Metal ‘old school’ hoje?”. E ordenou: “Eu quero ouvir vocês gritarem ‘fucking Metal’!”. Os fãs o atenderam e receberam em troca “Iron Dogs”.

Com um repertório baseado apenas em seus três primeiros discos, os históricos “Heavy Metal Maniac” (1983), “Violence & Force” (1984) e “Long Live The Loud” (1985), os canadenses, que estrearam no Brasil em 1986 fazendo shows históricos ao lado do Venom, disparavam um clássico após o outro. E aí vieram “Heavy Metal Maniac”, “Delivering To The Master”, “Violent & Force” e “Long Live The Loud”. O público correspondia à visceral apresentação do trio agitando insanamente a cada música executada. Para você leitor ter uma ideia disso, e também do quanto a casa estava abarrotada de gente, havia alguns fãs que se posicionavam na lateral, bem ao fundo do palco, para conferir a performance de Dan Beehler – mais do que a do grupo em si. Além de ainda estar tocando pesado e mantendo a pegada que um baterista de Metal deve de ter, Dan permanece com o vocal intacto e empolgou a plateia não só com seus agudos inconfundíveis, mas levantando-se o tempo todo para interagir com todos.

“Pounding Metal” foi apresentada por Johnson, que por alguns instantes filmou a plateia com seu celular. Aí então, foi a vez de Ricci ter o seu momento particular, fazendo um solo veloz e ao mesmo tempo barulhento. Alguns fãs invadiam o palco pelas laterais para fazer ‘stage divings’, dando trabalho aos seguranças. “Beyond The Gates Of Doom” finalizou o primeiro ato. Após alguns instantes, Dan, John e Allan retornaram aos seus postos e encerraram esse show energético com “Rising Of The Dead”. Apesar do Exciter estar há cinco anos sem lançar um novo álbum, desde “Death Machine” (2010), Dan Beehler garantiu em entrevista recente que os fãs podem aguardar por material inédito em 2016, já que essa é a intenção da banda.

Era chegada a hora do público conferir a “Final Assault Tour”, que infelizmente decretava a última apresentação dos nova-iorquinos do Nuclear Assault em solo paulista, pois, como anunciado, a banda está fechando a tampa do caixão, encerrando sua marcante carreira. Passados poucos minutos após a apresentação do Exciter, John Connelly (vocal e guitarra), Danny Lilker (baixo e vocal), Erik Burke (guitarra) e Glenn Evans (bateria) deixaram os fãs em polvorosa quando eles mesmos, junto aos roadies, subiram ao palco para ajustar seus equipamentos, numa demora de aproximadamente quarenta minutos. Estando tudo resolvido, a banda iniciou seu set às 21h30 com “Rise From The Ashes”, de seu segundo ‘full lenght’ “Survive” (1988). A partir daí, o que se via era a pista ensandecida e isso trazia a mente os áureos tempos do Thrash Metal. Na sequência, “Brainwashed” possibilitou os fãs das antigas se lembrarem do seu hilário videoclipe que passava no extinto “Fúria Metal” da MTV – programa apresentado pelo eterno VJ dos Headbangers, Gastão Moreira.

Fechando a trinca inicial que representava o álbum “Survive”, foi a vez de “F#”. Em “New Song”, uma das mais aguardadas e a primeira de várias que foram tocadas do seminal “Handle With Care” (1989), John Connelly foi prejudicado por uma falha em sua guitarra, tendo que terminar a música apenas cantando. Após a troca de guitarra foi a vez da ambientalmente politizada “Critical Mass”. “Game Over” foi apresentada pelo grandalhão Dan Lilker que pediu que todos a cantassem. Um dado curioso, é que o baixista veio ao Brasil em 2014 para encerrar as atividades com o Brutal Truth e agora repetiu a dose, fazendo o mesmo com o Nuclear. E após uma sequência violentíssima, o baixista brincou ao anunciar a “nova música, que não é “New Song”, mas, literalmente, uma das mais recentes, que faz parte do recém lançado EP “Pounder”: “Analogue Man In A Digital World”. Vale ressaltar que esse novo lançamento mantém todas as características da banda, sem nenhuma influência “modernosa”.

Connelly brincava com Erik Burke o tempo todo e se comunicava bem com o público. Lilker também falava bastante. E lá atrás, Glenn Evans – já com os cabelos brancos (ao menos os poucos que lhe restam) -, permanecia concentrado, sentando o braço, como fazia desde que era mais jovem. Em dado momento, Lilker pediu á todos que aplaudissem os rapazes do Exciter. Ao final de “My America”, Connelly começou a se referir a Burke em um discurso gigantesco e indecifrável, mas ao mesmo tempo engraçado, falando sem parar para respirar. Um fôlego impressionante! E assim, aproveitou para apresentar a música mais “Grindcore” da banda, “Hang The Pope”, cantada de uma forma que só Lilker mesmo consegue.

Próximo do final do show, não poderia faltar a clássica “Trail Of Tears”, outra de “Handle With Care”. Nessa, novamente Connelly foi prejudicado, já que a corda de sua guitarra arrebentou. Após nova troca de guitarra, a banda finalizou seu set com “Technology”. Mas, mostrando-se empolgada com a participação do público presente, a banda atendeu aos pedidos de bis e retornou para se despedir dos paulistanos com “Justice”. Após uma hora e dez de show, a banda se retirou e Erik Burke desceu até a grade para cumprimentar os fãs da primeira fila da pista.

 Certamente, esse show ficará eternizado na memória dos headbangers que compareceram. Os veteranos do Exciter mostraram que ainda têm pique suficiente para mais alguns anos de estrada em alto nível. A mesma vitalidade ficou evidente na performance dos integrantes do Nuclear Assault, mas, infelizmente, a banda encerrou seus préstimos ao Metal mundial. Resta a nós brasileiros, e aos bangers do mundo todo, agradecer ao grupo pelas obras deixadas. Essas sim, não tem data de validade.

EXCITER – Set list:
Stand Up And Fight
Victims Of Sacrifice
Iron Dogs
Heavy Metal Maniac
Delivering To The Master
Violent & Force
Long Live The Loud
Pounding Metal
Beyond The Gates Of Doom
Rising Of The Dead

NUCLEAR ASSAULT – Set list:
Rise From The Ashes
Brainwashed
F#
New Song
Critical Mass
Game Over
Butt Fuck
Sin
Betrayal
Analogue Man In A Digital World
Died In Your Arms
F# (Wake Up)
When Freedom Dies
My America
Hang The Pope
Lesbians
Trail Of Tears
Technology
Justice

 

 

 

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