Live Evil

OTACÍLIO FESTIVAL

23 e 24 de fevereiro de 2013, Otacílio Costa (SC)

Para a felicidade dos headbangers catarinenses e daqueles que se arriscam a atravessar as fronteiras estaduais (e até internacionais), Santa Catarina é o estado que mais possui festivais de Metal/Rock. O “Otacílio Festival”, que chega a sua sétima edição e é realizado na cidade de Otacílio Costa, na região serrana e próxima a Lages, é mais um daqueles que conquistaram o sucesso. Realizado nos dias 23 e 24 de fevereiro no Parque Cambará, local que lembra uma fazenda e conta com banheiros, restaurantes e área para camping, o evento marcou a estreia da nova banda de Vitor Rodrigues (ex-Torture Squad), Voodoopriest.

O festival contou com a presença de dezoito bandas, com alguns cancelamentos. Segundo a organização do evento, a Red Sunlight, Viking/Death Metal de Joinville, cancelou a participação porque o guitarrista e vocalista Eric Torrecilhas estava passando por problemas pessoais e saiu da banda no dia anterior. Ainda conforme a organização, as bandas Leviaethan e Xaparraw se envolveram em um acidente na SC 425, estrada que liga Lages a Otacílio Costa (a distância entre as duas é de 50 km). Duas vans estavam seguindo em direção ao evento e um caminhão cortou a frente de uma delas, fazendo com que capotasse. Os integrantes acidentados foram levados ao hospital de Lages e passam bem.

Na sexta-feira pudemos encontrar vários bangers de diferentes cidades que estavam com as suas barracas montadas esperando o evento começar. As apresentações começaram no sábado (22), às 13:40, e a primeira banda a pisar no palco do “Ota”, foi a Proibido Carona, tocando clássicos do Rock’n’Roll. Em seguida, a Legado Frontal entrou em cena e foi durante esta apresentação que ocorreu um momento curioso: o ex-prefeito da cidade e um dos organizadores do evento, Denilson Luiz Padilha, fez uma participação no show cantando “The Pursuit Vikings” (Amon Amarth). Nas duas primeiras apresentações não havia muita gente dentro pavilhão, já que muitos ainda estavam confraternizando, enquanto outros estavam chegando ao local ou montando os equipamentos.

O pessoal começou a se juntar quando a banda curitibana de Death/Power Metal Ankhy entrou em cena. Mostrando o seu EP de estreia, homônimo, o sexteto (vocal, baixo, bateria, tecladista e dois guitarristas) mostrou que tem futuro e poderá ser um dos grandes nomes do underground paranaense. Destaque para a música “Helius”. Uma surpresa que agradou o público: a vocalista Mizuho Lin (Semblant) subiu no palco para cantar “Wish I Had an Angel” (Nightwish). Esta é a segunda vez que a vocalista faz uma participação em um show do Ankhy.

A quarta que entrou em ação foi a Hard Luck Woman, que desceu clássicos do Rock’n’Roll para a turma. Em seguida, mais uma banda curitibana: Necropsya. A apresentação estava mais focada nas músicas do álbum “Distorted”, mas tocaram algumas antigas. O trio esbanjava energia e o Henrique, vocalista e baixista, sempre estava interagindo com o público, e isso ajudava a fortalecer cada vez mais a identificação com a banda.

Mais uma de Curitiba sobe ao palco, dessa vez foi a Livin Garden. Tocando faixas do álbum “Where I Can Breathe”, ajudou a esquentar a galera para receber os shows principais da noite. E o dia era das bandas curitibanas, com a Semblant subindo ao palco para tocar um set com apenas oito músicas, mas o suficiente para agitar o público presente. O repertório foi focado no EP “Behind the Mask” e no single “Throw Back to Hell”, além de “Mists Over the Future”, “Dark of the Day” e “The Shrine”.

Em seguida, foi a vez da paulistana Panzer, que executou um rápido e furioso Thrash Metal. É impressionante a presença de palco do vocalista Rafael Moreira, que não para um segundo e fica sempre agitando e contagiando a galera. O baixista Rafael DM também estava bastante enérgico, enquanto André Pars, guitarrista, foi o único que estava concentrado e tocando no seu canto. Os álbuns “Inside”, “The Strongest” e o EP “Brazilian Threat” moldaram o show do quarteto.

A maioria do público estava ansiosa para conferir o novo trabalho de Vitor Rodrigues. Percebi que alguns estavam apreensivos e outros “inseguros” para ver o resultado. A montagem da aparelhagem demorou um pouco, o que aumentou a expectativa da plateia. E às 00h27 chegou o tão aguardado momento: a Voodoopriest subiu no palco para “voodoozar” os bangers e fazer o seu primeiro show.

Após a ‘intro’ Vitor Rodrigues entrou em cena para continuar o ritual. E aí os fãs deliraram com “Aftermath”, seguida de “Kamakans”, na qual o pessoal começou o agito.  O show seguiu com “Anhangá” e “Pandemonium”. Na quinta música o circle pit já estava rolando solto, com muita fúria e velocidade. Pelo visto, a banda ganhou novos admiradores. “The One I Feed”, “Heartwork”, “Mandu” e “Reborn” fizeram parte da lista.

Vitor ainda está sendo lembrado pela história que fez no Torture Squad e é impossível não associar ambos. Para aqueles que estavam com saudades da antiga fase do vocalista, eles tocaram “Chaos Corporation” (música do álbum “Hellbound”) e foram ovacionados. “Juggernaut” foi a penúltima. Uma surpresa que ninguém esperava: eles encerram com um cover do Iron Maiden. Quando foi anunciada a música “Aces High” todos ficaram impressionados. Até pessoas que não gostam muito de Death/Thrash, aproximaram-se para apreciar a última música. Vitor dispensa comentários, quem conhece ele, sabe que é um excelente vocalista. O baixista Bruno Pompeo e os guitarristas César Covero e Renato de Luccas têm muita presença de palco. Aliás, o Renato foi um dos que mais interagiu com o público, cumprimentando sempre e atirando várias palhetas. E na bateria, Edu Nicolini fazendo a sua parte. A Voodoopriest não decepcionou e mostrou que veio para ficar na cena, fazendo um excelente show.

O Inflikted, cover do Sepultura, estava programado para tocar no domingo à tarde mas, devido ao ocorrido com os integrantes da Leviaethan e Xaparraw, tocaram em seguida. Depois de uma hora ajustando detalhes técnicos, a Blackmass (também de Curitiba) iniciou o show às 03h20. Àquela altura, boa parte do público estava dormindo, mas os que ficaram presentes e ainda tiveram energia para gastar não se arrependeram, pois ouviram um negro e sombrio Black Metal.

A itajaiense Fuzilador encerrou os shows da madrugada. Cícero Köning Finger, vocalista da Juggernaut, participou especialmente desta apresentação nos vocais – o “improviso” ficou muito bom e quem ficou até 4h45 esperando para ver a banda, não se arrependeu. Tocando um Thrash Metal rápido, técnico, cheio de protestos e com muita influência oitentista, fechou a noite do evento com chave de ouro e acabaram com a energia restante do público presente.

O Dr. Fantasy abriu o domingo, às 10h30, com clássicos do Heavy Metal. Em seguida o Soul Assassins esquentou mais ainda o público, executando o seu Thrash oitentista. Rodrigo Rocha, vocalista e guitarrista, é o grande nome da banda.

A catarinense Symbolica completou apenas dois anos de existência, mas conta com músicos experientes, como o vocalista Gus Monsanto (ex-Adagio e Revolution Renaissence) e baterista Marcelo Moreira (Almah e Burning Hell). Já os guitarristas Diego Bittencourt e Zeka Jr e o baixista Lucas Pavei não têm experiência internacional, mas tocaram muito bem. O quinteto baseou seu repertório do CD “Precession”, lançado no ano passado.

Em seguida a banda F.I.N.E faz a sua apresentação tocando covers do Guns N’Roses, AC/DC, entre outros. Destaque para o vocalista Bruno Ravanello, que tem um timbre de voz parecido com o do Axl Rose.

A lageana Orquídea Negra, que tocou em todas as edições, começou o seu show às 14h36. Tinha muito mais pessoas do que nos quatro shows anteriores. Um dos motivos é o carinho que o publico tem pela banda, que foi conquistada com o decorrer de 26 anos de estrada. Os álbuns “Who’s Dead?” (1992) e “Orquídea Negra” (1996) – e possuem apenas estes dois trabalhos – compôs um repertório já conhecido dos fãs. Mas surpreenderam o público tocando uma música que não constava na listagem. Ela se chama “Blood of the Gods”, e faz parte do novo cd da banda, que está com o lançamento previsto para final deste ano.

A Diabolus Intervention (Slayer Cover), que é composta pelos integrantes das bandas Necropsya e Semblant, encerrou o festival. A banda ajuda a protagonizar uma das maiores (se não a maior) circle pit do evento. E assim termina mais festival catarinense, que com certeza, deixou muitos sonhando com o próximo. E para a nossa felicidade, esperamos por eles.

 

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