Live Evil

PATRULHA DO ESPAÇO

Abertura: The Blues Riders Manifesto Bar - São Paulo/SP, 30 de maio de 2013

É impressionante, mas ao contrário ao que ocorria nos anos 80, está mais fácil assistir a bandas internacionais (apesar do preço dos ingressos serem exorbitantes) do que uma banda nacional conceituada. Assim, alguns contavam nos dedos os dias que faltavam para assistir ao show do Patrulha do Espaço, realizado na última quinta-feira (30) no Manifesto Bar, em São Paulo. Em se tratando desta lenda do Rock brasileiro, que ainda por cima estava promovendo o excelente álbum “Dormindo em Cama de Pregos”, a expectativa para aquela noite gelada era a melhor possível. Esperava ver outros tantos fãs interagindo e enchendo a casa. Mas não foi bem isso que ocorreu…

Ao chegar, não havia ninguém do lado de fora do Manifesto e lá dentro havia aproximadamente 50 pessoas com idade aproximada entre 30 e 55 anos. Passado o impacto negativo inicial, todos aqueles verdadeiros fãs que jamais abandonam o barco puderam conferir a banda de abertura, Blues Riders, formada em 1994 e que tem dois álbuns lançados – “Blues Riders na cidade do Rock” (2000) e “A sagrada seita do Rock’n’Roll” (2010).

Executando seu Blues mais do que pesado, influenciado pelo Hard Rock dos anos 70, com referências a Made in Brazil, Black Sabbath, Sir Lord Baltimore e AC/DC da fase Bon Scott, o show do grupo faz com que ninguém fique parado. O vocalista Sidnei Hares, substituto de Augusto Marques da formação original, manda muito bem e os demais integrantes – Aureo Alessandri (guitarra), Álvaro Sobral (baixo) e Felipe Duarte (bateria) – não ficam atrás. São todos músicos fantásticos, que começaram o show tocando “Aqui estou eu”, mostrando logo a sua pegada Rock’n’Roll/Blues. Tocando nitidamente com aquele prazer de animar a plateia, vieram “Deixa sacudir”, “Amém Rock’n’Roll”, “Carpe Diem”, “Pecado sem perdão”, “Urgente” e “Easy Rider”.

Os Blues Riders mostraram extrema competência no palco e o show, que ainda contou com “O Jogador” e “Nada sem amor”, terminou às 20h10, deixando o público aquecido para a entrada do Patrulha. Durante o intervalo de mais de 1 hora mais alguns fãs e músicos de outras bandas chegaram ao Manifesto, mas a lotação da casa estava bem longe de ser atingida.

Patrulha Do Espaço foi formado em 1977 e contou em sua primeira formação com Arnaldo Baptista (ex-Mutantes), mas o não menos lendário baterista Rolando Castello Júnior (Aeroblus, Made in Brazil, Inox) segue firme mantendo a tradição do grupo, que em seu início ainda trazia o saudoso baixista Oswaldo Gennari e o guitarrista John Flavin (ex-Secos e Molhados). Trinta anos trás, este mesmo grupo fez a abertura para o Van Halen no Ginásio do Ibirapuera e foi elogiado por ninguém menos que Eddie Van Halen.

Promovendo agora o álbum “Dormindo em Cama de Pregos”, que traz uma sonoridade bem Motörhead segundo comentário do único integrante original, Rolando Castello Júnior, o Patrulha atualmente conta com Marta Benévolo no vocal, Danilo Zanite na guitarra e Alan no baixo, este último substituindo Paulo Carvalho, que gravou o mais recente trabalho.

O set teve início aproximadamente às 21h40 com a matadora “Deus Devorador”, que obviamente foi cantada por todos. A vocalista Marta é um show a parte, com uma voz muito boa e que se encaixa perfeitamente ao estilo do grupo. Já o baixista Alan, apesar de ser o mais novo integrante do Patrulha, simplesmente arrasou em “Olho Animal” e “Vou rolar”. Enquanto Danilo Zanite brilhavam em seus solos e a lenda viva Júnior mantinha a pegada em “Cão Vadio” e “Robot”.

Um momento ímpar veio com a pesada “Quatro cordas e um Vocal”, composta por Júnior e Marcello Schevano (Carro Bomba), e que homenageia o lendário baixista Oswaldo “Kokinho” Gennari e a vocalista Débora Carvalho (Made In Brazil). Dali em diante o set seguiu com várias participações especiais, sempre com Júnior indo ao microfone, homenageando Pappo e outros ícones que se foram. Aproveitando o momento, o baterista convidou o jornalista Régis Tadeu para subir ao palco e participar na música “Festa Rock”, enquanto Ricardo Alpendre, vocalista da banda Tomada, foi chamado para cantar a música “Óvinis”, executando-a em grande estilo.

Já a música “Não tenha medo” contou com Paulão Thomaz (ex-Centúrias, atual Baranga e Kamboja). E as presenças de convidados não se encerraram, pois “Depois das Onze” teve o vocalista Daniel Kid-Ribeiro (Massahara). Além destes, também subiram ao palco Roby Pontes (Golpe de Estado), Silvio Lopes (King Bird) e  Carlinhos Jimi Júnior (Storned), todos mostrando extrema competência em suas participações.

O show seguiu com “Aeroblus”, “Arrepiado” e “Rolando Rock”, uma das mais pesadas e com uma pegada bem Motörhead. Do mais recente álbum também mandaram “Riff Matador”, que segue esta linha mais vibrante e suja. Em contraste, veio a bela balada “Máquina do Tempo” para voltar à animação geral com “Rock com Roll”. O Patrulha encheu os fãs de boa música, mesclando clássicos e músicas recentes, que deixaram o pequeno público contente e empolgado.

Ninguém ali queria o fim do show, mas já era tarde e a banda estava claramente esforçando-se ao máximo para dar o melhor de si. O irreverente Júnior, sempre brincando com o público, até soltou que ninguém havia lhe pagado uma cervejinha. Foi daí que entrou uma das músicas mais esperadas e que jamais poderia faltar em um show da banda: “Columbia”. Trinta anos se passaram em minutos e este clássico do Rock brasileiro foi cantado por todos. Já passavam das 23h15 e, após o momento de emoção, Júnior anunciou a  última do set, “Poder”.

A magia e a força do Patrulha e seu bom e velho Hard Rock setentista foram mais uma vez mostradas, desta vez para um seleto público. No entanto, os que compareceram certamente se orgulharam em presenciar uma noite inesquecível. É chato ficar insistindo para os que se dizem verdadeiros rockeiros compareçam aos shows de nossas bandas, mas seria interessante que procurassem participar mais ativamente da cena. Queremos ver a casa cheia também em bandas autorais e lendas como a Patrulha do Espaço.

 

Recomendamos Para Você

Veja Também

Close
Close