Live Evil

Porão do Rock – 17ª edição

Brasília/DF, 30 e 31 de agosto de 2014

Montado ao lado do belíssimo Estádio Nacional Mané Garrincha esta edição do festival mostrou que é possível trazer para o público muito mais que música de boa qualidade, atrelando campanhas sociais de sustentabilidade, com destaque para o Rock Dá Pedal, Rock Contra a Fome e Carona Solidária. Mais uma vez, o  “Porão do Rock” superou as expectativas com estrutura, música de qualidade e organização dignos dos maiores festivais do mundo.

A 17ª edição trouxe estilos variados que transitaram entre o Rock, Pop e Metal distribuídos em três palcos: UniCEUB, Chilli Beans e Budweiser, sendo este último o ponto de encontro dos headbangers.
O primeiro dia teve a apresentação das bandas Seconds of Noise (vencedora da seletiva em Taguatinga) e Suicídio Coletivo (vencedora da seletiva no Guará) que mostraram muita personalidade e empolgaram o público, ambas abrindo caminho para a banda Facada. Formada há 11 anos no Ceará, trouxe seu estilo Grindcore no repertório com músicas do terceiro cd, Nadir (2013),  destaque para Tudo Está Desmoronando, Amanhã Vai Ser Pior e Nadir.

Terror Revolucionário, banda candanga formada há 15 anos e  capitaneada por Felipe CDC distribuiu, em 17 músicas um Hardcore caótico, atraindo ainda mais headbangers ao palco Budweiser, o mais pesado do festival.  As críticas políticas generalizadas marcam as letras como em Sociedade Trêmula e Hipocrisia Geral.

Ratos de Porão era uma das mais aguardadas atrações da noite. Apesar de estarem em turnê com o novo CD Século Sinistro, João Gordo já chegou avisando que vieram para tocar “as músicas véia que são o que o público quer ouvir”.

Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) botaram o público para alucinar em enormes rodas punks e tiraram o melhor de João Gordo que com seu carisma, caretas e estilo único despejaram no público insano o melhor de mais de 30 anos de estrada com Beber até Morrer, Conflito Violento, Igreja Universal e Aids, Pop, Repressão. Antes de Diet Paranoia João discursou contra o racismo e outros preconceitos e ainda ironizou por estar tocando com vista para o Estádio Nacional, emendando com a nova Grande Bosta que fala sobre a paixão pelo futebol.

The Evil Rock mesclou o Hard, o Thrash e o Death em letras que contavam uma história de assassinato e que foram exibidas em formato de quadrinhos no telão do Palco Budweiser. A banda, que é um  projeto do guitarrista Fábio Marreco (um dos maiores incentivadores culturais de Brasília com o famoso festival Marreco’s Fest) também conta com os excelentes Fabrício Cinelli (bateria), Zanny Galvão (baixo) e Rafael Cury, Pablo Lionço e Hoanna Aragão se revezando nos vocais. A banda mostrou um repertório de alto nível, incluindo Oblivion, The Wecklace e Unfolding Pandora do recente CD Nitrogoath Chronicles e que ao final do show foi generosamente distribuído ao público.

Encerrando a primeira noite do festival, Andre Matos fez um show impecável com direito a vários pedidos de casamento de fãs mais ávidas e um repertório que transitou entre os clássicos do Shaman e Angra como Fairy Tale, Carry On e Timee também da sua carreira solo: Turn on the Lights, Mentalize e Time To Be Free.

Na segunda noite, as bandas vencedoras das seletivas de Planaltina e do Gama iniciaram os trabalhos no Palco Budweiser. Com um público ainda pequeno Amnon mostrou letras brutais em seu estilo Black/Death Metal. Já o Penúria Zero com o vocal enraivecido de Tuttis deu a largada para a formação das rodas punks. Destaque para Toca Olho Seco e Agnulo, esta última em referência ao atual governador do Distrito Federal e candidato à reeleição.

 

O Hardcore paulista do Ação Direta executou um repertório baseado nas músicas do último CD World Freak Show (2012) com destaque para Desconstrução e Zeitgest. Formada em 1987, Gepeto (voz), Pancho (guitarra), Marcão (bateria), Galo (baixo) atraíram ainda mais os aficcionados que aumentavam a roda de pogo, além dos fãs do Dead Fish que conta também com Marcão nas baquetas.

Mudança de palco para receber uma das grandes atrações da noite: CJ Ramoneatraiu um público imenso para o Palco Chilli Beans em um show permeado por sucessos dos precursores do Hey Ho Let’s Go, entoada em uníssono pelos fãs que não se intimidaram nem com a leve chuva que insistia em cair. Judy Is a Punk, Strength To Endure, I Wanna Be Your Boyfriend e Blitzkrieg Bop foram alguns dos sucessos tocados em homenagem ao antigo grupo.

CJ trouxe ainda canções do seu mais recente CD Last Chance To Dance, entre elas  Carry Me Away e a faixa título, além de canções do CD Reconquista(2012), como Three Angels onde homenageia Johnny, Joey e Marky. O baixista finalizou o show um pouco mais cedo, pois não estava se sentindo bem mas nem por isso deixou de fechar com chave de ouro, tocando Motorhead com o clássico R.A.M.O.N.E.S.

Vale a pena registrar o fato de terem colocado a Detrito Federal (DF) tocando no Palco Budweiser no mesmo horário que CJ Ramone, o que gerou inúmeras reclamações já que ambos são do mesmo gênero musical e o público teve que se dividir para prestigiara já consagrada banda de Punk Rock do Distrito Federal que também atraiu um grande público.

Felizmente a chuva só chegou para assustar e,nem bem recuperados do show matador de CJ, o público já emendava na loucura do Project 46.  Com qualidades visual e sonora de altíssimo nível o quinteto de Metalcore formado por Caio MacBeserra (vocal) Jean Patton e Vinícus Castellari (guitarras), Rafael Yamada (baixo) e Henrique Pucci (bateria) provou que não por acaso está crescendo bastante no cenário voltado ao som pesado.

Com músicas do último álbum Que Seja Feita a Nossa Vontade além de outras canções do CD Doa a Quem Doer, Caio MacBeserra enloqueceu o público com seu discurso agressivo e político, pedindo a todo o momento que aumentassem a roda ao som de muita paulada musical. Caio filmou a movimentação com uma GoPro instalada em seu microfone e ainda vestiu uma máscara de palhaço em homenagem àqueles que usam terno e gravata e colocam dinheiro na cueca, segundo suas próprias palavras. O ponto alto da apresentação veio quando Caio instaurou o caos ao pedir que o público se dividisse em duas paredes humanas que se chocaram após uma contagem regressiva, levando a galera a uma fúria sem igual. Definitivamente um show para ficar na história do festival.

Bruto, quinteto de Thrash/Death Metal formado em 2004 vindo diretamente do Gama, cidade satélite do DF e que conta com Kbça(vocal), Sávio (bateria), Daniel (baixo), Rodrigo e Leonardo (guitarras) assumiu o comando do palco pesado ainda com um público sem fôlego e trouxe músicas do CD Mundo Destruído(2012), entre elas Ilustração, Igrejas e Obscuro.  Com muita irreverência e euforia os “Capirotos” botaram o palco abaixo e ensandeceram os headbangers, encerrando com a excelente Vai Se Fuder e preparando o palco para o que viria a seguir.

A energia do Cavalera Conspiracy tomou conta mesmo antes de subirem ao palco só em se observar as várias guitarras de Max chegando e a bandeira do Brasil sendo colocada estrategicamente, deixando evidente o orgulho que eles têm em tocar em solo brasileiro. Em seguida, um dos produtores anuncia que será gravado um videoclipe durante o show e que a banda pede o máximo de energia e colaboração dos fãs, que formaram o maior público durante os dois dias de festival. Max e Iggor entraram e causaram um frisson nostálgico, seguidos por Marc Rizzo (guitarras) e Tony Campos (baixista), diferenciando da formação do Soulfly apenas o icônico baterista.

A faixa-título do primeiro CD Inflikted (2008) e Warlord do Blunt Force Trauma (2011) abriram os trabalhos, seguidas por Beneath The Remains, Desperate Cry e Troops of Doom do Sepultura. Aliás, o repertório em sua maioria contou com músicas do Sepultura, sem deixar as clássicas Refuse/Resist, Territory e Roots Bloody Roots de fora. Do novo CD Pandemonium que será lançado ainda este ano Cavalera Conspiracy trouxe Babylonian Pandemonium e a fantástica Bonzai Kamikaze lançada recentemente na internet e já conhecida dos fãs. As novidades ficaram para Wasting Away do Nailbomb e da participação de Richie, enteado de Max, em Black Ark.

Max com seu vocal agressivo e carisma consegue atiçar o público do início ao fim durante quase uma hora e meia de show acompanhado pela energia musical de Iggor principalmente nas músicas do Sepultura; Rizzo e Tony completam os irmãos Cavalera com excelentes performances individuais.
Um show memorável que encerrou com maestria dois dias de um festival que entrou definitivamente para o calendário dos eventos musicais imperdíveis realizado em território nacional.

 

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