Edição #227

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Altos e baixos, hinos, clássicos e longevidade. O Anthrax cravou seu nome no heavy metal trabalhan­do duro no momento certo, uma época em que o seu estilo estava em ebulição pelo mundo. Com dois dis­cos bem aceitos, foi em 1987 que começou a ganhar…

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Descrição

ANTHRAX

Por Guilherme Spiazzi Altos e baixos, hinos, clássicos e longevidade. O Anthrax cravou seu nome no heavy metal trabalhan­do duro no momento certo, uma época em que o seu estilo estava em ebulição pelo mundo. Com dois dis­cos bem aceitos, foi em 1987 que começou a ganhar o mundo lançando Among the Living, seu terceiro trabalho de estúdio. Olhando para trás e conside­rando as palavras do nosso entrevistado, o guitarrista, letrista e fundador Scott Ian, pode-se compreender que parte do sucesso é resultado do foco e da dedicação à atividade presente, sem ficar olhando para trás ou analisando o passado. Atualmente, o Anthrax vive duas situações distintas. Além de ainda colher os frutos de For All Kings (2016) excursionando pelo mundo, celebra os trinta anos do lançamento de um dos mais estrondosos trabalhos da longeva carreira. Seja bem-vindo a este e outros assuntos num papo direto com Scott Ian!

M.O.D.

Por Daniel Dutra Não é preciso polemizar com Billy Milano. O líder do M.O.D. e ex-S.O.D., na verdade, tem personalidade forte o suficien­te para emitir opiniões sem pa­recer que está jogando lenha na fogueira. A política de Donald Trump e a posição do presidente dos EUA contra o terrorismo e a imigração ilegal nortearam a conversa de pouco mais de uma hora com o vocalista. Mas sobrou espaço para falar do Brasil, especialmente da comida, mas também com uma boa dose de curiosidade sobre o caos institucional, político e moral que tomou conta do “país do futuro”. E numa entrevista com cacife de especial, com autenticidade garantida pelo recurso de vídeo no Skype, também teve Busted, Broke & American, o novo rolo compres­sor do Methods of Destruction, disco que demorou a sair do forno por vários motivos, mas principalmente pela relação de amor e fidelidade de Milano com o cão Buster, que faleceu durante o processo. Total respeito ao vocalista, diga-se. Confira!

TARJA

Por Daniel Dutra Esqueça aquele bom velhinho de barba branca que, barrigudo e com uma extravagante fantasia vermelha, desce pela chaminé enquanto todos estão dormindo para deixar os presentes de Natal. Papai Noel existe apenas no imaginário das crianças, mas no mundo de From Spirits and Ghosts (Score for a Dark Christmas), novo disco de Tarja Turunen, ele se viu imerso numa trilha sonora à la “O Estranho Mundo de Jack” (1993) + “A Noiva­-Cadáver” (2005) e decidiu sair correndo. As tradicionais canções natalinas ganharam uma roupagem que mostra o outro lado da festa, e a vocalista explicou à ROADIE CREW por que decidiu fugir da obviedade dos lançamentos do tipo. Ouça o disco, devo­re as próximas páginas e só depois abra os seus presentes.

CANNIBAL CORPSE

Por Guilherme Spiazzi Em quase trinta anos de estrada, o Cannibal Corpse enfrentou várias situações, incluindo censura em países como Alemanha e Austrália, acusações nos Estados Unidos e o cancelamento de shows por ativis­tas religiosos na Rússia. Porém, desde o lançamento de Eaten Back to Life (1990), o grupo construiu uma reputação baseada em músicas e letras viscerais. E foi car­regando esta característica que manteve uma carreira com constantes lançamen­tos de impacto, produzindo petardos ora mais diretos, ora mais técnicos, contri­buindo para fomentar a cena death metal na Flórida (EUA) e no mundo. Agora, George “Corpsegrinder” Fisher (vocal), Alex Webster (baixo), Rob Barrett e Pat O’Brien (guitarras) e Paul Mazurkiewicz (bateria) adicionam mais um capítulo à sua brutal história com o lançamento do 14º. disco de estúdio, Red Before Black. Para falar sobre o novo trabalho e as atividades da banda, falamos com Corpsegrinder, que desde Vile (1996) é a voz que comanda esta máquina de triturar ouvidos.

BEYOND THE BLACK

Por Daniel Dutra O que esperar de mais uma banda de metal sinfônico com vocal feminino? Nada que vá mudar o mundo ou revolucionar a música, obviamente, mas os fãs do estilo têm um novo nome que merece aten­ção. Formado em 2014, o Beyond the Black vive uma ascensão meteórica na Europa e, com dois discos na praça – Songs of Love and Death (2015) e Lost in Forever (2016), que este ano ganhou até mesmo uma ‘tour edition’ –, já é figura carimbada no Wacken Open Air (tocou nas quatro últimas edições do tradicional festival alemão). Agora, a equipe germânica capitaneada pela jovem Jennifer Haben parece preparada para con­quistar terreno fora do Velho Continente – Chris Hermsdörfer e Tobi Lodes (guitarras), Stefan Herkenhoff (baixo), Jonas Roßner (teclados) e Kai Tschierschky (bateria) completam a formação. A ROADIE CREW bateu um rápido papo com Jennifer para saber mais um pouco dessa trajetória, e a simpática e risonha vocalista aos poucos foi deixando de lado até mesmo a natural timidez de quem vive um sonho aos 22 anos de idade.

MADE IN BRAZIL

Por Antonio Carlos Monteiro Se fazer rock no Brasil não é uma empreitada exatamente fácil, imagine o que é manter uma banda por cinquenta anos por aqui. É essa marca quase inacreditável que está comemo­rando o Made in Brazil, grupo paulistano de rock’n’roll, blues e rhythm’n’blues que iniciou atividades no longínquo 1967. Atra­vessando barras que foram desde a censu­ra até a disco music, o Made permaneceu firme e forte durante todo esse tempo, jamais suspendendo atividades. Por isso fomos conversar com o líder, fundador, vocalista e baixista da banda, Oswaldo Vecchione, que lembrou vários episódios desse meio século de bons serviços presta­dos ao rock’n’roll.

APPICE

Por Daniel Dutra Vanilla Fudge, Cactus, Rod Stewart, Jeff Beck, Ozzy Osbourne, King Kobra, Blue Murder e vários out­ros. John Lennon, Rick Derringer, Axis, Black Sabbath, Dio, Heaven & Hell, Last in Line e muito mais. Um sobrenome é comum a todos os artistas e bandas citados: Appice. Agora, Carmine e o irmão mais novo, Vinny, resolveram juntar 130 anos de história – o primeiro tem 70 anos, e o segundo, 60 – em Sinister, primeiro disco de estúdio com os dois lendários ba­teristas compartilhando baquetas e ideias. Conversamos com Carmine para descobrir os detalhes, mas um currículo gigantesco não poderia passar em branco, então passe­amos por vários momentos de sua carreira. O resultado? Respostas com a sinceridade de quem sabe que é um dos maiores nomes do instrumento. Confira.

INGLORIOUS

Por Daniel Dutra Sabe aquele hard rock com pitadas de rock’n’roll e blues que, ingredientes bem mistura­dos, atende por classic rock? Há uma nova turma que parece ter entrado no DeLorean de Emmet “Doc” Brown para voltar aos anos 70, beber direto da fonte e depois voltar ao presente para revisitar (e revitalizar) o estilo. Um dos grandes nomes dessa geração é o Inglorious, banda inglesa formada por Nathan James (vocal), Andreas Eriksson e Drew Lowe (guitar­ras), Colin Parkinson (baixo) e Phil Beaver (bateria). Com dois excelentes discos na praça – Inglorious (2016) e Inglorious II (2017) –, o quinteto desfila com competência influências de nomes como Free, Bad Com­pany, Deep Purple, Rainbow, Led Zeppelin e Whitesnake em músicas irresistíveis. A ROADIE CREW conversou com James para saber um pouco mais, e o vocalista (anote aí: um dos melhores surgidos nesta década) não teve meias palavras nem mesmo ao co­mentar sua frustração na edição britânica do reality The Voice, em 2012.

BELPHEGOR

Por Valtemir Amler Conversar com um velho amigo é sem­pre uma experiência boa, especialmente quando ele tem muito para contar. E Helmuth Lehner acumulou muito para dizer nesses 25 anos de Belphegor. Dos tempos em que a banda ainda penava para se fazer conhecida em sua terra natal até o sucesso e reconhecimento mundial, foram muitos passos e muitas histórias, que ga­nham agora um novo capítulo em Totenri­tual, o 11º disco de uma carreira sem pausas, sem folga e sem misericórdia. Confira um pouco da trajetória dessa legítima lenda nas palavras de seu líder e mentor, que ajudou a elevar o status do metal austríaco em todo o mundo. Aproveite, também, para conhe­cer um pouco melhor o recém lançado novo disco, cuja temática vem bem a calhar em uma época em que a humanidade parece à beira do colapso total.

GEOFF TATE

Por Daniel Dutra Para quem gosta de uma boa história, os últimos seis anos de Geoff Tate dariam um belo livro ou mesmo uma novela. Um dos maiores vocalistas da história do heavy metal se viu num fogo cruzado quando aconteceu a polêmica separação com o Queensrÿche em 2012. Foram dois anos de uma batalha judicial até que as partes chegassem a um acordo, com uma lavagem de roupa suja que mexeu com a imagem de uma banda que, até então, mantinha tudo em casa. A ROADIE CREW passou o assunto a limpo num extenso Background e também ao falar com Michael Wilton, então aprovei­tamos a vinda de Tate ao Brasil, como convidado do Mr. Big, para ouvir a sua versão de alguns fatos. E no terraço de um hotel em Copacabana, no Rio de Janeiro, onde ele aproveitou para passar uns dias, sentamos à mesa para um papo que foi amistoso e agradável mesmo nas perguntas mais fortes.

HOLOCAUSTO

Por Leonardo M. Brauna Há três décadas, um dos primeiros registros de war metal, na época chamado pelo próprio Holocausto de deathcore, surgia na forma do álbum Campo de Extermínio pelas mãos de Rodrigo “Führer” (vocal), Valério “Exterminator” (guitarra), Anderson “Guerrilheiro” (baixo) e Armando “Nuclear Soldier”, ba­terista que substituiu Nedson “Warfare”, que gravou a demo Massacre (1985) e os dois clássicos na coletânea Warfare Noi­se (1986). Em 2015, a formação original se reuniu e, afora os shows, surgiu o desejo de lançar um álbum para celebrar esses mais de trinta anos de história. Con­versamos com Rodrigo sobre assuntos que definem a trajetória do Holocausto, incluindo as polêmicas, as aventuras na estrada e também o lançamento do EP War Metal Massacre (2017), que, além de representar essa nova união, traz músi­cas inéditas e regravações de clássicos.

REPUBLICA

Por Daniel Dutra Heavy rock tipo exportação. Depois dos dois primeiros passos – Republica (1996) e There’s No Electronic Modern Loop (2008) –, o Republica apertou o ritmo com Point of No Return (2013) e deu um salto com o novo trabalho, Brutal & Beautiful, lançado dois dias antes da sua terceira participação no Rock in Rio. É um importante capítulo na longa trajetória do quinteto formado por Leo Belling (vocal), LF Vieira e Jorge Marinhas (guitarras), Marco Vieira (baixo) e Mike Maeda (bateria), e os frutos do elogia­do quarto disco, gravado em Los Angeles e produzido por Matt Wallace, começam a ser colhidos também na Europa, onde a banda abriu alguns shows dos gigantes Scorpions e Alice Cooper no fim de novembro e início de dezembro. Sim, é o metal brasileiro mais uma vez mostrando sua qualidade mundo afora, e a ROADIE CREW bateu um agra­dável papo com Luiz Fernando Vieira para saber de mais detalhes. Então, aproveite alguns dos melhores momentos.

SONS OF APOLLO

Por Guilherme Spiazzi Apolo, um dos doze deuses olímpicos da mitologia grega, é uma divindade que, entre outras faculdades, representava a música e as artes. Autodenominando-se como seus filhos, Jeff Scott Soto (vocal, SOTO e outros), Billy Sheehan (baixo, Mr. Big, The Winery Dogs e outros), Ron “Bum­blefoot” Thal (guitarra, Art of Anarchy, ex­-Guns N’Roses), Derek Sherinian (teclados, solo, Black Country Communion, ex-Dream Theater) e Mike Portnoy (bateria, ex-Dre­am Theater) formaram um supergrupo dispostos a aplicar suas habilidades e anos de estrada a serviço do rock. Como resulta­do, temos Psychotic Symphony, disco que também marca algo inédito, já que se trata do primeiro registro em estúdio de Portnoy e Sherinian juntos desde que o tecladista foi demitido do Dream Theater, por telefone, em 1999. Sem mais delongas, fique com She­rinian e sua grande confiança nesta banda.

EDITORIAL

Por Airton Diniz

O TALENTO PREVALECE, NÃO IMPORTA A IDADE

 Costumo fazer a ‘Carta do Editor’ na hora de finalizar a revista, depois de ter lido absolutamente tudo o que está na edição que será entregue à gráfica. E todo mês vem aquela infalível satisfação de ver que o trabalho da equipe foi maravilhoso, feito com paixão pela música, e isso fica registrado nestas páginas para ser compartilhado com os leitores. Começa então o período de expectativa e ansiedade para ver a revista ficar pronta e chegar às bancas e aos assinantes.

Normalmente acho dispensável comentar as matérias publicadas na edição, porque tudo está lá, detalhado nos textos e nas imagens de cada entrevista, de cada seção. Entretanto, achei importante neste mês citar coisas que me chamaram muito a atenção. Este texto está sendo escrito ao mesmo tempo em que assisto pelo YouTube à apresentação da banda Beyond the Black, que aparece pela primeira vez nas páginas da ROADIE CREW – é um show completo, gravado no Wacken Open Air de 2016. Conferi e gostei demais do trabalho dessa criança com talento de gente grande, a Jennifer Haben, que hoje está com 22 anos de idade e lidera a banda desde 2014 – ou seja, desde os 19. Por trás daquela aparência frágil, meio tímida, quase infantil, na verdade Jennifer personifica a própria banda (que trocou todos os componentes do primeiro para o segundo álbum). Ela é a vocalista, principal compositora, instrumentista em algumas músicas, enfim é a “dona da bola”, e com muita competência. É quase certo que foi criada e orientada por pais e avós que sabem muito bem o que é rock’n’roll, e só quem traz essa herança do berço consegue fazer um perfeito tributo ao Led Zeppelin, ao vivo no W:O:A, cantando Whole Lotta Love de forma tão impecável que Robert Plant aplaudiria de pé! Adorei. E olha que não me atrai nadinha o som que costumam chamar de “metal sinfônico”. Não gosto daqueles vocais líricos, pendendo para o operístico, mas a voz de Jennifer é pura, natural sem afetações, é rock, puro rock mesmo na garganta. Está aí a prova de que novas estrelas continuam aparecendo no nosso segmento musical e não é só de história que vive o rock e o heavy metal.

Ainda na praia das novidades, acrescentei à minha lista de favoritos uma nova banda britânica, o londrino Inglorious, que também começou em 2014, e surgiu sob a liderança de Nathan James, vocalista com voz, atitude e presença de quem sabe fazer heavy metal de verdade. Mas seria inadmissível não recomendar aqui os comentários do PlayList com Alice Cooper, um veterano com alma e entusiasmo de adolescente e a inteligência e discernimento dos maiores gênios do mundo da arte. Ouvir, ou ler, o que o Sr. Vincent Furnier tem a dizer é sempre uma aula plena de lições de vida.

Pronto, eu gostaria de falar também do Made in Brazil, do Republica, da Tibet… Mas estaria antecipando aqui todo o conteúdo da revista. Acabei escrevendo sobre a Jennifer, que é muito jovem e mulher (e me poupei de usar a ridícula palavra “empoderamento”, um neologismo odiável muito usado por ativistas-modistas), falei do já adulto Nathan e do idoso adorável Alice Cooper. Agora só me resta mandar um beijo para um bebê, o meu neto Rafael, o headbanger – filho de headbangers, neto de headbangers.

Airton Diniz

CENÁRIO

Por Redação

RED FANG: AMPLIANDO HORIZONTES

Com treze anos de carreira e quatro discos na praça, o Red Fang é um dos mais interessantes nomes do stoner metal, gênero cuja popularidade vem crescendo bastante. Para se destacar na multidão, o quarteto de Portland, Ore­gon (EUA), resolveu mostrar um pouco de inquietude em seu último trabalho, o ótimo Only Ghosts (2016). Bryan Giles (vocal e guitarra), David Sullivan (guitarra), Aaron Beam (baixo) e John Sherman (bateria) fizeram um álbum que pode aumentar o número de admiradores, mas sem nenhum susto para os fãs que acompanham a banda há mais tempo. Depois de uma bem­-sucedida passagem pelo Brasil em maio último, incluindo um show no Maximus Festival, batemos um papo com Giles para discutir os caminhos musicais do grupo.

 

 

 

TREZZY: PALHAÇOS, HARD, ROCK E MELANCOLIA

Talento e capacidade, quando juntos, são uma combinação explosiva. Primeiro álbum da banda paulistana Trezzy, Circo XIII define bem a combustão espontânea que essa mistura bem dosada pode gerar, com músicas feitas para os palcos e agora embaladas num excelente trabalho que funde hard, rock, melancolia e letras que alegram e instigam o ouvinte. Tudo isso regado com tempero circense. Em entrevista à ROADIE CREW, o vocalista Joonior Joe falou um pouco sobre a carreira do grupo, a mistura de nuances e, claro, os palhaços, com os quais tem forte ligação desde muito antes do Trezzy.

 

 

CONQUISTADORES: ERGUENDO O METAL COM PUNHOS DE AÇO

Formado por Alan Bianco (vocal), Laerte Dutra e Leandro Magalhães (guitarras), Cláudio Magalhães (baixo) e Edvaldo Rodrigues (bateria), o Conquistadores adota uma postura honesta em relação a seu som, letras e estética, sem se importar com clichês relativos ao metal. Oriundo de Osasco/SP, o grupo lançou seu primeiro álbum, À Beira da Loucura, em 2013 através da Eternal Hatred Records, destacando faixas como Morte aos Falsos (não confundir com “aquele hino” da Dorsal Atlântica), Guerreiros do Metal Marcha Metal. Porém, com a saída de Alan Bianco e a entrada de André Nepomuceno, novas ideias podem se incorporar aos temas e ao som do grupo, como comentam Claudio, um dos fundadores, e o novo vocalista.

 WHIPSTRIKER: MUITO MAIS QUE UMA SIMPLES BANDA PROJETO

Enquanto muitos músicos abraçam a modernidade em suas composições, Victor “Whipstriker” Vasconcellos pre­feriu ficar com o lado mais primitivo do metal. Membro das bandas Atomic Roar, Diabolic Force, Farscape, Kuld e Virgin’s Vomit e com participação em turnês e shows de outras, como Apokalyptic Raids, Power From Hell, Toxic Holocaust, Warhammer e Besthoven, o baixista e vocalista criou o Whipstriker em 2009 como um projeto. Porém, ele já está com quarto álbum engatilhado e possui mais de vin­te lançamentos entre splits, EPs e coletâneas, turnês internacionais e diversos shows Brasil afora. Falamos com o mentor do Whipstriker que, com um currículo desses, deixa de ser um simples projeto e assume o posto de um dos grandes representantes do metal brasileiro underground da atualidade.

 

THE UNHALIGÄST: DOSES ARDENTES DE METAL E ROCK’N’ROLL

Com previsão de lançamento do tercei­ro álbum em 2018, o power trio The UnhaliGäst, formado por Sub Umbra (vocal e baixo), Witch Captor (guitarra) e Bitch Hunter (bateria), é representante da crescente e produtiva cena underground carioca. Os discos (We Are) The Unholy Ghosts (2014), Second Dose of Blistering Rock (2016) e mais recentemente um split 7” EP com a banda Atomic Roar, mostram a união do metal ao rock’n’roll proposta pelo trio. Portanto, a parada desses cariocas é o metal como nos primórdios! Sub Umbra fala mais sobre ótima fase da banda.

 

 

VORGOK: THRASH METAL SEM SAIR DA LINHA

Ao contemplar o digipack Assorted Evils, lançado no ano passado pelo Vorgok, pode-se imaginar que se trata de um projeto, já que a ilustração inter­na traz apenas dois integrantes: o baixista João Wilson e o guitarrista e vocalista Edu Lopez, que até pouco tempo integrou o Necromancer e também faz parte do Explicit Hate. Decidido a seguir uma linha mais dura do thrash metal, Lopez somou forças com João na gravação do álbum, que contou com o produtor Celo Oliveira “quebrando um galho” na bateria. O desejo de seguir como banda ainda abriu espaço para a entrada do guitarrista Bruno Tavares (Forceps). Conversamos com Lopez para saber mais sobre o propósito do grupo e os resultados colhidos até o momento.

 

 FINAL DISASTER:

LONGE DE SIMILARIDADES  

Da junção de integrantes das bandas NoWay, Unheld e HellArise surgiu em 2013 o Final Disaster, grupo que faz um metal pesado, denso e obscuro, com letras inspiradas em temas de terror. No comando dos microfones o Final Disaster tem o duo formado por Kito Vallim e Laura Giorgi, que nesta entrevista falam mais sobre a banda e também sobre o recém lançado EP de estreia, The Darkest Path.

 

 

WHILE SHE SLEEPS: EXPANDINDO O METALCORE

Responda rápido: você gosta de metalcore? Provavelmente, não houve meio termo na sua resposta. Foi um entusiasmado sim ou um não com aquela cara de nojo. Pois saiba que reações como estas são comuns quando o assunto é o heavy metal, pura e simplesmente. Então, para aqueles que torceram o nariz, vale a leitura. Para os entusiastas, vale a obra do While She Sleeps, quinteto formado em Sheffield (ING) e que conta com Lawrence “Loz” Taylor (vocal), Mat Welsh (guitarra e piano), Sean Long (guitarra), Aaran McKenzie (baixo) e Adam “Sav” Savage (bateria). Por quê? Porque You Are We (2017), terceiro álbum da banda, vai descer muito bem – assim como os dois primeiros, This Is the Six (2012) e Brainwashed (2015), que, vejam só, são até mais pesados e com um quê de In Flames. E passamos a palavra a Taylor.

ROADIE MAIL / TOP 3 / MEMÓRIA

Por Redação

AC/DC

É a primeira vez em 24 anos de vínculo ao rock/metal que escrevo para uma revista do estilo, mas sinto que neste triste domingo, um dia após a morte de Malcolm Young, se faz ne­cessário. Ainda mais que nos últimos anos, com a morte de Dio, Lemmy e agora do “cérebro” por trás da loco­motiva australiana, percebemos que o tempo não nos dá segunda chance e o que ficará serão os registros de um tempo mágico, como a nossa adoles­cência, quando cada descoberta de uma banda é momento único. Con­tudo, escrevo para destacar o precio­so e grandioso trabalho que vocês fazem para nós, leitores, que mesmo com as inovações tecnológicas ainda adoramos consumir informações no formato físico. Acredito que vocês conseguiram no mês de outubro, pelo feeling jornalístico (e pela paixão pelo rock’n’roll), ter nos presenteado com edição tão especial em informações, conteúdo e impacto. O especial do AC/ DC apresentou, além da análise de cada álbum, os questionamentos que afligem qualquer fã, que sofre com esses últimos anos pelos quais têm vivido a banda. Meus parabéns por aquela edição tão importante para nós que crescemos ao som da banda. Eu comecei a ouvir hard rock e heavy metal em janeiro de 1993, justamen­te porque um vizinho emprestou dois discos: Dirty Deeds Done Dirty Cheap If You Want Blood…, e desde então minha vida mudou. Tornei-me fanático pelos australianos e por Kiss, Sabbath, Purple, Lynyrd Skynyrd e Thin Lizzy, entre tantos outros de inúmeros gêneros dentro do rock e do metal. E foi essa paixão que me levou a comprar revistas de música, sendo a ROADIE CREW companheira desde o já distante 2001. Não me tornei mú­sico, como sonhava quando “tocava” em meu quarto, mas tornei-me jorna­lista e, hoje, aos 38 anos, devo muito mais do que as dicas e informações sobre bandas que vocês me conce­deram ao longo do tempo. Devo meu passado, presente e o futuro. Con­tinuem sendo a principal revista de rock. Nós precisamos cada vez mais de imprensa séria e, principalmente, apaixonada pelo nosso maravilhoso rock e heavy metal.

Marcelo Pimenta e Silva

Por e-mail

Salve, Marcelo. Pra começar, obrigado pelas palavras a respeito do especial sobre o AC/DC. De fato, o momento que a banda vive e sua importância para o mundo do rock e do metal tornavam obrigatório que prestássemos essa homenagem ao quinteto – e ela ganha importância com a triste notícia da morte de Malcolm Young (dê uma olhada na seção Eternal Idols desta edição). E nossa intenção é sempre lembrar e valorizar aqueles que têm história marcante dentro do rock. Pra nós isso é, como você diz, feeling jornalís­tico e paixão pelo rock’n’roll. Escreva sempre! Forte abraço. (Antonio Carlos Monteiro)

BLIND EAR – IVAR JORNSON (ENSLAVED)

Por Claudio Vicentin

Fotos Fernando Pires

“Pink Floyd, obviamente! Essa é umas músicas que mais ouvi em minha vida. Quando eu completei 11 anos, meu pai me deu um monte de LPs de aniversário e entre eles estava The Dark Side of the Moon. Não parei mais de ouvir esse álbum. A música Us and Them eu escutava sem parar (risos). Meus pais tinham que trabalhar e tiveram que contratar uma babá. Ela me perguntava se eu queria alugar algum filme e eu respondia que não, que ia apenas ficar ouvindo The Dark Side of the Moon (risos). Essa música é fantástica. Existem muitas bandas que têm letras sobre unir as pessoas, mas essa é a melhor de todas porque ela não é política e nem agressiva. É muito bom estar escutando isso antes de subir no palco. Obrigado (risos)!”

Música: Us and Them

Álbum: THE DARK SIDE OF THE MOON

Banda: PINK FLOYD

ETERNAL IDOLS – MALCOLM YOUNG

Por Antonio Carlos Monteiro

Quem acompanha o mundo do rock se acostumou a ver a palavra “líder” ser relacionada ao sujeito que mais aparece numa banda – Axl Rose, Dave Mustaine, Gene Simmons/Paul Stanley… a lista é imensa! Mas há líderes que pouco aparecem, que chegam a ficar no fundo do palco nas apresentações, mas protagonizam as principais decisões da banda. Claro, esta­mos falando de Malcolm Young.

Nascido em Glasgow (ESC) em 6 de janeiro de 1953, Malcolm Mitchell Young mudou-se para a Austrália em 1963, para onde seus pais foram em busca de dias melhores (essa e outras histórias sobre a banda estão na matéria especial publica­da na edição #225).

A música sempre esteve presente na vida da família, visto que praticamente todos os irmãos tocavam algum instru­mento. George, sete anos mais velho que Malcolm, foi o primeiro deles.

CLASSICREW

Por Redação

1967

DOORS

The Doors

Valtemir Amler

O ano de 1967 parecia sem fim: en­quanto a Guerra do Vietnã corria a passos largos, o então presidente dos EUA, Lyndon B. Johnson, era forçado a assistir a uma passeata que reunira cinquenta mil pessoas diante da Casa Branca, gerando provas reais de que a tensão política não estava tão longe do quintal de casa. Toda a efervescência política daqueles anos parecia afetar a produção cultural. Dentre os tiros de “Por Um Punhado de Dólares” (Sergio Leone), que acabava de chegar aos cinemas dos EUA, e a psicodelia das passagens de “On the Road” (Jack Kerouac), que completava sua primeira década, toda uma leva de novos e influentes livros chegava às lojas. Foi o caso do clássico “Cem Anos de Soli­dão (Gabriel García Marquez)” e de “Ópera dos Mortos” (Autran Dourado). A música não ficou atrás: Beatles, Rolling Stones, The Who, Jimi Hendrix Experience, Pink Floyd, Cream… Nada mais apropriado que naqueles dias surgisse um nome histó­rico: The Doors. Certo, agora o leitor já percebeu que toda essa minha “viagem” pelo mundo cultural da época não é uma digressão, mas uma necessidade.

 

1977

QUEEN

News of the World

Daniel Dutra

Há bandas cuja discussão sobre a disco­grafia dispensa momentos acalorados. O Queen, por exemplo. É comum torcer o nariz para Flash Gordon (1980), a trilha sonora do filme, e Hot Space (1982). É normal que The Works (1984), A Kind of Magic (1986), The Miracle (1989) e Innuendo (1991) dividam opiniões. E quem nunca falou que Freddie Mercury (vocal), Brian May (guitarra e vocal), John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria e vocais) tiveram seus principais momentos nos anos 70? No fim das contas, todos nós gostamos de alguma coisa da década de 80 para frente, mas va­mos combinar que os melhores predicados são suficientes para definir o auge criativo do quarteto. Os oito primeiros discos são obrigatórios – sim, incluo The Game (1980) –, e a quantidade de vezes que o grupo teve alguma inspiração divina é impressionante.

We Will Rock You We Are the Cham­pions… Quantos álbuns você conhece que começam com duas músicas desse quilate e poderio comercial? Quarenta anos depois, May tentou explicar o fenômeno à revista Rolling Stone. “A participação da plateia era algo surpreendentemente novo à época

 

1997

AIRBOURNE

Runnin’ Wild

Daniel Dutra

Se você leu o box “Os Filhotes do AC/DC” em nossa edição especial #225, provavelmente se lembra que comentei que o Airbourne é apontado como herdeiro do lendário e conterrâneo grupo australiano. A prova disso está na milimetricamente calculada semelhança sonora. A única diferença é o fato de que, ao contrário do AC/DC, que sempre foi um quinteto e teve no microfone vocalistas que só se preocupavam em cantar, en­quanto que a guitarra solo era comandada pelo divertido Angus Young, no Airbourne ambas as tarefas são de Joel O’Keefe. É esta figura carismática que entretém o público com performances ensandeci­das e que não mede limites e nem altura para tal. Para ele, a coisa mais normal do mundo é escalar torres de som em shows abertos, sob sol ou chuva, e mezaninos de pequenos clubes, pendurando-se e agitan­do com sua guitarra.

RELEASES CDS/DVDS/BLU-RAY/DEMOS

Por Redação

Nesta edição:

Attick Demons

Biter

Cannibal Corpse

Carach Angren

Centrate

Desultory

Fabiano Negri

Grey Wolf

Human

Iron Savior

Kadavar

Kansas

Kiko Shred

L.A. Guns

Lazarus Taxon

Limbonic Art

Living Colour

Lucifer’s Friend

Marilyn Manson

Miasthenia

Ministério da Discórdia

Moonspell

Nickelback

Primordium

Quintessente

Revolution Saints

Santa Cruz

Seven Spires

Somberland

Sons of Apollo

Tarja

The Cross

The Haunted

Threshold

Tony Babalu

Trivium

UFO

Versover

Virgil & Steve Howe

Vuur

Weakless Machine

Wild Witch

Garage Demos

 

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Nesta edição:

Patron Mental

Martyrdom

Vaziio

Front Cover (por Marcelo Vasco)

Nesta edição:

Iron Maiden – Killers

HIDDEN TRACKS – MAMA’S BOYS

Por Ricardo Batalha

Ainda que pensem que rock irlandês, seja da República da Irlanda ou da Irlanda do Norte, não tenha tanta força, nomes como Rory Gallagher, Thin Lizzy, U2, Stiff Little Fingers, Gary Moore, Van Morrison, Therapy? e Mama’s Boys falam por si.

Criado pelos irmãos McManus – John (vocal e baixo), Pat “The Professor” (guitar­ra) e Thomas “Tommy” (bateria) – em Cou­nty Fermanagh, o Mama’s Boys conquistou a fama na década de 80. Os seis filhos do saxofonista e guitarrista John e da cantora Valerie herdaram o gene musical – Pat tocava violino e guitarra, e John, flauta, bodhrán e gaita irlandesa. Já Tommy, diagnosticado com leucemia quando tinha 9 anos de idade, optou pela bateria.

Influenciados pelo Horslips, grupo de rock com influências de música celta, os ir­mãos criaram o Pulse. Ao se aproximarem de seus ídolos, a amizade cresceu. Assim, Barry Devlin, do Horslips, convidou-os para abrir a turnê de 1979. Àquela altura, o trio havia aceitado a sugestão do DJ Tony Prince, da rádio Luxembourg, mudando o nome para Mama’s Boys.

LIVE EVIL – ROGER WATERS / HELLOWEEN

Por Redação

ROGER WATERS

 Roger’s Arena – Vancouver/BC (CAN)

29 de outubro de 2017

Texto e Fotos: Claudio Vicentin

Roger Waters atravessou os EUA e depois o Canadá com a turnê Us + Them divulgando seu novo álbum solo, Is This The Life We Really Want?, lançado no Brasil via Sony Music. A turnê tem o nome da música Us And Them, de The Dark Side of the Moon, mas também se refere a um discurso do ex-presidente americano Barack Obama sobre o problema da imigração, no qual ele diz que o nacionalismo não deveria ser estabelecido com base do “nós e eles”. Não só esta turnê como tantas outras mostram que Roger Waters é extremamente politizado. Assisti-lo é um sonho para todos os fãs de Pink Floyd, mas essa turnê teve um gosto especial por ser focada nos clássicos AnimalsThe Dark Side of the MoonWish You Were Here The Wall.

Foram duas noites lotadas no Roger’s de Vancou­ver (CAN), 28 e 29 de outubro. Uma vez lá, após passar pela entrada fui ver o merchandising. Até por se tra­tar do último show da turnê, os modelos mais legais de camisetas estavam quase esgotadas. Meu lugar, numerado, era bom. Nem longe e nem muito perto do palco, mas o suficiente para poder ver o show de maneira confortável. 



HELLOWEEN

 Espaço das Américas – São Paulo/SP

28 de outubro de 2017

Por Valtemir Amler • Fotos: Fernando Pires

O que realmente importa quando você vai assistir a um show? Com o fim do ano chegando, não há como deixar de olhar para trás e pensar, pois, aparentemente, aconteceu por aqui um pouco de tudo, para todos os gostos, em 2017. O ineditismo de bandas como Borknagar, Tsjuder e Enslaved, o quase ‘flashback’ histórico com Venom e Vulcano no mesmo palco, a sensação de alma lavada que finalmente os fãs do The Who e Def Leppard puderam ostentar… Mas, mesmo assim, ainda faltava algo. Enquanto ouvíamos mais vezes nos shows pessoas emo­cionadas, que declaravam não acreditar no que estavam vendo, ficava cada vez mais claro que um dos eventos mais esperados ainda estava por vir: a Pumpkins United Tour, que colocaria lado a lado o Helloween com seus antigos parceiros Kai Hansen e Michael Kiske. Desde seu anúncio, o evento pro­metia e, em São Paulo, onde mesmo em seus anos mais turbulentos os alemães gozaram de uma reputação gigantesca, o clima de euforia não po­deria ser maior.

LIVE EVIL – MEGADETH / ANTHRAX - ACCEPT

Por Redação

Megadeth

Espaço das Américas – São Paulo/SP

31 de outubro de 2017

Por Leandro Nogueira Coppi • Fotos: Fernando Pires

Mesmo sendo recentemente diagnosticado com Doença de Lyme, Dave Mustaine cumpriu a mensagem que postou em vídeo para os fãs sul-americanos e trouxe o Me­gadeth para encerrar no continente a Dystopia World Tour, que há pouco mais de um ano já havia passado por esta parte do globo. E antes de o capítulo final acontecer na Argentina, o grupo americano fez sua 15ª. visita ao Brasil, onde tocou em São Paulo (pela segunda vez na turnê) e Rio de Janeiro.

Convidado, o Vimic acompanhou o Megadeth nesse giro. A nova empreitada de Joey Jordison (Sinsaenum, ex-Slipknot e Murderdolls), que surgiu da dissolução do Scar the Martyr e é integrado por praticamente os mesmos integrantes, se arriscou a tocar muitas músicas ainda não conhecidas, pois seu debut Open Your Omen – que, dizem, parece ter tido a supervisão parcial de Mustaine na mixagem e na masterização –, só sairá em 2018. Isso, somado ao fato de o grupo fazer um metal moderno e distante do thrash da banda headliner, dividiu o gosto do público que, mesmo assim, mostrou respeito por seu som pesado, grave e levemente melódico.

 

Anthrax / Accept / King of Bones

Tom Brasil – São Paulo/SP

09 de novembro de 2017

Por Leandro Nogueira Coppi • Fotos: Fernando Pires

Em São Paulo, em meio às duas etapas de provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), ocorridas nos dias 5 e 12 de novembro, Accept e Anthrax deram juntos uma verda­deira aula de heavy e thrash metal, respectivamente. Alguns candidatos se atrasaram e desperdiçaram a chance de dar uma boa retomada na matéria através do King of Bones. No repertório, o grupo paulistano de hard’n’heavy trouxe músicas do debut We Are the Law (2012) e do novo álbum, Don’t Mess With the King (2016). E agradou, principalmente com Find Your Salvation. A pegada hard do K.O.B. em muito era refletida pelos riffs de Renê Matela, que no físico e no modo de se movimentar no palco lembrava George Lynch (Lynch Mob, ex-Dokken).

Como o metal em questão era o sonoro e não o da química, o simulado foi bem descontraído. Em Walking on the Edge, o público brincou de guerra de bolas (não de papel, mas sim infláveis), que foram arremessadas pela própria banda, e em We Are the Law o vocalista Júlio Federici ejetou uma chuva de dinheiro cenográfico. Pena que não tocaram a ótima Black Angel, mas a banda foi bem, saiu aplaudida e deixou os alunos preparados para os veteranos professores estrangeiros que viriam a seguir.

LIVE EVIL – THORHAMMERFEST

Por Leandro Nogueira Coppi

ThorHammerFest

Clube Piratininga – São Paulo/SP

14 e 15 de novembro de 2017

Por Leandro Nogueira Coppi • Fotos: Claudio Higa

Depois de passar por Porto Alegre (RS), a 11° edição do Thorhammerfest chegou a São Paulo, desta vez para dois dias de shows, realiza­dos na véspera e no feriado da Proclamação da Repú­blica. Taberna Folk, Olam Ein Sof, Armahda, Opus Tenebrae, Pagan Throne, Zrymgöll (ARG) e as headliners Ereb Altor (SUE) e Skyforger (LET), as únicas que se apresentaram duas vezes, foram representantes de variados, porém conectados gêneros de metal.

Entre os atrativos que estavam à venda havia lanches e bebidas temáticas (hidromel e cervejas artesanais), artesana­tos nórdicos, assessórios, roupas, vinis e CDs, além do merchandising das bandas. A qualidade de som na maioria dos shows foi um dos pontos positivos, mas, por outro lado, o atraso no cronograma foi no­vamente um problema. O evento começou bem depois do horário programado nos dois dias, sendo que no primeiro acabou perto das duas da manhã, o que foi ruim para quem dependia de transporte públi­co. E talvez esse problema recorrente no Thorhammerfest explique o público ter comparecido em número apenas razoável. Mas vamos aos shows…

PLAY LIST – ALICE COOPER

Por Ricardo Batalha

I’m Eighteen: “Inicialmente, ela era apenas uma jam, algo que fazíamos para aquecer antes de tocar e ensaiar. Então, o produtor Bob Ezrin ouvia isso todas as noites e nos questionou o que seria aquela nossa música de aquecimento. Respondi que eram apenas alguns acordes jogados e ele perguntou se o nome era ‘I’m Edgy’ (eu sou nervoso). Eu disse que não, que seria ‘I’m Eighteen’. Aí ele disse que teríamos que transformá-la numa música de verdade e gravá-la, que precisaria ser algo bem básico porque iria pegar o público de jeito. Falei que iríamos tentar e começamos, mas ele, então, nos disse para deixar a coisa mais simples, somente com acordes, algo em que não tínhamos pensado. Ele a via desta forma e então tocamos como ele falou. Acabou virando nosso primeiro hit. A letra, quando fala ‘I’m eighteen’, significa que ele é um jovem e é um homem, que não pode votar, mas pode ir à guerra; que não sabe o que fazer com uma garota, mas sabe o que quer fazer. É algo em que ele se sente totalmente confuso, mas gosta daquilo. Ao invés de colocar ‘eu odeio’, algo que todo mundo poderia esperar quando digo ‘tenho 18 anos e…”, coloquei ‘eu gosto’. Eu sabia que esse seria o gancho do que se tornou o nosso primeiro hit.”

Álbum: Love It to Death (1971)

COLLECTION – YES

Por Valtemir Amler Yes é muito importante para a história do rock em todas as vertentes e está acima da realização pessoal de seus membros”, declarou o saudo­so baixista Chris Squire, em 2008, para a ROADIE CREW. Quanto à primeira afirmação, não há contestação possível, mas a segunda, embora certeira, nunca pareceu ser levada tão a sério pelos parceiros de empreitada do baixista. Na verdade, em toda a história do Yes, a única coisa que chamou tanto a atenção quanto a genialidade musical do grupo inglês foi o entra e sai de músicos, o que acabou tor­nando Squire o único a integrar todas as encarnações e todos os lançamentos até seu falecimento em 2015. “Jamais colo­quei minhas incursões solo em primeiro plano, ao contrário de Jon Anderson, Rick Wakeman e até de Steve Howe”, declarou ele na mesma entrevista. Mas, deixemos o saudosismo de lado em nome da história, do talento e do legado do Yes, formação surgida no auge de monstros sagrados como The Who e Cream e que, com talento, persistência, sensibilidade musical, egos inflados e até um pouco de sorte, revolucionou toda a cena musical à sua volta, tornando-se referência desde o prog, que ajudou a moldar, até o avant­-garde black metal.

BACKGROUND – KREATOR – PARTE 1

Por Valtemir Amler Se o rock’n’roll demorou a chegar à Alemanha, não há como deixar de citar o protagonismo de Hamburgo, importante cidade portuária que recebia marinhei­ros do mundo todo. Loucos por diversão e ansiosos por chegar à Reeper­bahn, o “distrito da luz vermelha” local, eles também queriam se divertir ao som de guitarras em altos decibéis. Os clubes estavam lotados e, como no início dos anos 60 a Alemanha ainda não dispunha do que era necessário para suprir essa demanda, a cidade se tornou um paraíso para um monte de novas bandas britânicas. Ansio­sas por tocar, lá encontravam o espaço que lhes faltava em sua terra natal. Hamburgo parecia o paraíso, onde tocariam noite após noite, expostos a uma liberdade que nem sonhavam na Grã-Bretanha. Foi ali que os Beatles começaram sua carreira. Também ali Casey Jones reconstruiu a sua após Eric Clapton ter abandonado o seu Engineers para se juntar aos Yardbirds. The Jets, Rory Storm and the Hurricanes, Cliff Bennett… A lista é imensa. No repertório, o melhor do rhythm and blues, do jazz e do rock ameri­cano, de Howlin’ Wolf a Buddy Guy, de Bill Haley a Chuck Berry. O rock, enfim, cravava fundo suas garras no gosto musical dos alemães que, a partir de então, ajudariam a dar as cartas.

COLUNISTAS

Por Redação

Backstage

Vitão Bonesso

FILHOS QUE SÃO O ORGULHO DOS PAIS (PARTE 1)

Não deve ser nada fácil ser filho de algum astro do rock, ainda mais se decidir seguir a mesma carreira e o mesmo instrumento do pai. São raros os exemplos de filhos que conseguem obter certa credibilidade sem ter que conviver o tempo todo com com­parações. De fato, é um fardo a ser carregado eternamente. A primeira vinda do The Who ao Brasil nos brindou com a habi­lidade do baterista Zak Starkey. Na verdade, poucos sabiam que aquele senhor de 51 anos nada mais era do que o filho de Richard Starkey, ou Ringo Starr, ex-baterista dos Beatles. Zak é um exemplo de ser filho de um grande astro sem sofrer com as habituais comparações, já que muita gente, que por sinal não entende absolutamente nada de bateria, insiste em dizer que Ringo nada mais era que um baterista medíocre (segundo o dicionário, mediano). Mas não existem dúvidas de que Zak tem uma técnica bem mais apurada do que a do pai.

Brotherhood

Luiz Cesar Pimentel

ME ENGANA QUE EU GOSTO

Ozzy acaba de anunciar sua turnê de despedida. Não é novidade. Ele já tinha feito turnê de despedida em 1992 – sim, há 25 anos –, a No More Tours. Vamos fazer a conexão com esta edição da ROADIE CREW. Quem abriu shows do Ozzy àquela época foi o Anthrax, que comemora os trinta anos de Among the Living, para muitos o melhor trabalho do grupo (para mim é Fistful of Metal, mas OK, entendo o apreço por Among…). Desde essa época também o Anthrax não lança nada mais tããão legal assim. Desde Sound of White Noise, que marcava a integração do John Bush no vocal, em 1993.

Bem, não quero dizer que desde então as duas bandas estão me enganando.

Stay Heavy Report

Cintia Diniz e Vinicius Neves

PROJETO VERÃO 2018

Sim, é o que parece! O tema da seção neste mês aborda atividade física, para aqueles que querem colocar o corpo em forma e exibi-lo nas praias e piscinas por aí neste verão. OK, isso não combina nada com heavy metal, mas per­ceba que não é uma ativida­de qualquer.

Você já imaginou ema­grecer e ficar em forma com movimentos semelhantes aos utilizados para tocar bateria? Isso é possível, virou febre nos Estados Unidos e recentemen­te chegou ao Brasil. Criado na Califórnia pelas americanas Kirsten Potenza e Cristina Peerenboom em 2011, o treino chama-se POUND (numa tra­dução livre: socar, esmurrar) e mistura o HIIT (High Intensity Interval Training) – treino intervalado de alta intensida­de – com percussão.

Os movimentos trabalham todo o corpo, as aulas são dinâ­micas e sempre acompanha­das de um par de baquetas, os ‘ripstix’ (baquetas de plástico desenvolvidas especialmente para a atividade).

It’s Only Rock’n’Roll

Antonio Carlos Monteiro

AINDA VIVENDO O SONHO

Nunca tive aquilo que alguns chamam de “cri­se vocacional”: desde a adolescência queria ser jornalista. E quando publicações como “Rock, a História e a Glória” mostraram que era possível unir rock e Jornalismo, meu mundo ficou perfeito.

Em 1985 consegui realizar meu sonho. Minha estreia no jornalismo musical foi com um texto para a revista Roll (a mes­ma editora também era respon­sável pela revista Metal, para a qual eu também escrevia) sobre o show de lançamento do disco de estreia do Ultraje a Rigor, Nós Vamos Invadir Sua Praia, no dia 13 de julho de 1985.

Fiquei por lá até 1989, quando me transferi para a Rock Brigade. Foram mais dezoito anos, nos quais vivi e presenciei um pouco de tudo dentro do mundo do rock e do metal. E quando minha trajetória por lá se encerrou, recebi uma men­sagem de Claudio Vicentin me convidando para uma conversa. Ao final dela, eu era colaborador da ROADIE CREW.

A Look at Metal

Claudio Vicentin

GRAVADORAS, ASSESSORIA DE IMPRENSA, BANDAS

Em qualquer negócio, muitas coisas aconte­cem nos bastidores e o público não fica saben­do. Falando diretamente sobre nossa atuação como revista de heavy metal, nesses vinte anos de ROADIE CREW já passamos por muitas situações extraordi­nárias (principalmente no exte­rior) e outras frustrantes. Mas, seja qual foi a situação, boa ou ruim, jamais perdemos o foco em buscar a melhor matéria.

Recebemos e-mails de leitores que nos perguntam o motivo de não entrevistarmos tal banda ou não termos feito alguma seção, como Blind Ear, Playlist etc. O que posso dizer, de imediato, é que não é por fal­ta de tentarmos. Esse é nosso trabalho e nosso compromisso com os leitores, mas não pode­mos esquecer que existe um tramite a ser seguido.

Campo de Batalha

Ricardo Batalha

A “MÃO DE CELTIC” DO ÍDOLO QUE PERDI

O baixista Martin Eric Ain era a figura que me conectava a um falecido amigo, Sabbah El Hage, outro fanático pelo Celtic Frost. Quando eu ainda tocava bateria, o nosso “projetinho Celtic”, como ele dizia, nunca saiu do papel. Uma pena. Porém, a experi­ência que ele compartilhou comigo ninguém conseguiria imaginar: assistir a um ensaio do Celtic Frost na Suíça! Tudo por acaso. Sabbah sempre contava a história de quando foi se encontrar com a irmã, que morava em Zurique, e aproveitou para visitar uma loja de discos. Ao olhar para o lado, viu um sujeito “parecido” com Martin Ain. Era o próprio! No alto de sua empolgação, foi falar com ele, tirou uma foto e contou sobre sua idolatria ao grupo. Resultado: foi convi­dado para ver um ensaio do Celtic Frost!

PROFILE – TIBET (AJNA)

Por Ricardo Batalha

Primeiro disco que comprou:

“Na verdade, ganhei o primeiro disco de rock junto com o primeiro violão, do meu pai, no meu aniversário de 11 anos. O disco era Revolver dos Beatles. Depois, com 16 anos comprei meu primeiro disco, o álbum de estreia do Led Zeppelin, que saiu em 12 de janeiro 1969. Anos dourados! Ano da virada, da contracultura, da revolução power flower!

POSTER – DEATH

Por Redação Leprosy

Informação adicional

Peso0.250 kg
Dimensões28 × 14 × 1 cm
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