Live Evil

QUIET RIOT

Carioca Club - São Paulo/SP, 26 de novembro de 2016

Nesta mesma data, em 1983, o grupo americano Quiet Riot atingia o primeiro lugar da Billboard com o álbum “Metal Health”, desbancando Michael Jackson, The Police e Lionel Richie. Trinta e três anos depois, o clima era outro. A banda, responsável por impulsionar toda a cena do Glam Metal, voltou ao Brasil no dia 26 de novembro para realizar apenas um show no Carioca Club, em São Paulo. A pouca presença de público não era “sinal dos tempos”, mas de uma pífia promoção. Porém, bastaram poucos segundos para a melancolia dar lugar à alegria. O grupo, que hoje conta com o baterista Frankie Banali, o baixista Chuck Wright, o guitarrista Alex Grossi e o vocalista Jizzy Pearl, entrou em cena com “Run for Cover” e “Slick Black Cadillac”, dobradinha de seu disco de maior sucesso.

Com uma iluminação terrível, com luzes pessimamente direcionadas indo diretamente aos olhos do público, mal se via Banali. Justo ele, que teve uma performance irrepreensível e estava tão agitado que até estourou a pele da caixa da bateria logo no começo do set. Por sinal, como é bom ver um músico com tamanha destreza detonando a técnica e a performance ‘old school’ do Rock, com aquela veia Carmine Appice. O seu pequeno kit, com apenas um tom e poucos pratos, provou que quantidade de peças não ganha jogo. E foi neste que se iniciou um dos clássicos covers do Slade imortalizados pela banda nos anos 80: “Mama Weer All Crazee Now”.

Deixando de lado os problemas das constantes mudanças na formação e tendo uma situação definida na carreira, Jizzy Pearl estava lá para cumprir as datas até o final do ano. Seu substituto, Seann Nicols, já está até confirmado para estrear na próxima turnê. Todavia, não foi por isso que Jizzy esteve no palco para “cumprir tabela”. Muito pelo contrário, foi a maior surpresa do show. Além de cantar de forma condizente como as músicas foram gravadas pelo saudoso Kevin DuBrow, ele agitou, correu pelo palco, interagiu com o público o tempo inteiro e teve uma performance ‘rocker’ bem na escola anos 80. Disse que só sabia uma palavra em português (‘obrigado’) e iria usá-la sempre. Até no momento da troca de caixa da bateria de Banali, antes de “Mama Weer All Crazee Now”, ele se saiu bem na interação com os fãs. “Vou ficar até o final do ano, porque depois voltarei a me concentrar na carreira solo. Vou lançar um novo álbum e também fazer uma turnê com o Love/Hate na Europa em 2017”, revelou Jizzy após o show.

O experiente baixista Chuck Wright demonstrou segurança e domínio pleno das quatro cordas. Já o guitarrista Alex Grossi, que havia visitado o Brasil com o Adler’s Appetite, de Steven Adler, em 2009, não deixa nada a dever a Carlos Cavazo. Performance correta e de acordo com o que o som do Quiet Riot pede. Assim, o set seguiu com “Whatever It Takes”, de “Down to the Bone” (1995), “Sign of the Times”, faixa de abertura de “Condition Critical” (1984), “Love’s a Bitch”, de “Metal Health” e a cadenciada “Condition Critical”.

O álbum “QRIII” foi lembrado com “Put Up or Shut Up”. Jizzy então agradeceu o público e chamou Banali, que discursou lembrando a marcante data (26 de novembro de 1983) e falando sobre os ex-integrantes falecidos (Kevin DuBrow e Randy Rhoads), pedindo para que todos ficassem em silêncio para homenageá-los. Na sequência vieram “Thunderbird” e “Party All Night”. Jizzy comentou sobre o documentário da banda, “Well Now You’re Here, There’s No Way Back” (2014), e então anunciou “It Sucks to Be You”, de “Rehab” (2006).

Após um momento de groove de Wright e Banali vieram as agitadas “The Wild and the Young” e “Let’s Get Crazy”, emendada com o solo de Grossi. A casa veio abaixo no final do set com “Cum On Feel the Noize”, cover do Slade que se tornou sinônimo de Quiet Riot, e o hino “Metal Health (Bang Your Head)”, a que o público mais agitou e cantou junto. Impressionados com a receptividade, os músicos voltaram para o bis e tocaram “Highway to Hell” (AC/DC). Deixaram o palco sob aplausos e foram atender os fãs na sequência.

Se há trinta e três anos eles comemoravam a marca histórica de ser a primeira banda de Hard/Metal a atingir o topo da Billboard com um show ao lado do Black Sabbath em Phoenix/Arizona (EUA), desta vez eles celebraram com os brasileiros. “Eu só queria que Kevin DuBrow estivesse vivo para ter celebrado isso conosco e também que Randy Rhoads estivesse entre nós. Imagine quanta coisa boa ele teria trazido para todos nós!”, comentou Banali após o show. Eu disse melancolia? Ah, deixa isso pra lá. O Rock’n’Roll trata de curar.

Set list:

Run for Cover
Slick Black Cadillac
Mama Weer All Crazee Now (Slade cover)
Whatever It Takes
Sign of the Times
Love’s a Bitch
Condition Critical
Put Up or Shut Up
Thunderbird
Party All Night
It Sucks to Be You
The Wild and the Young
Let’s Get Crazy
Cum On Feel the Noize (Slade cover)
Metal Health (Bang Your Head)
Highway to Hell (AC/DC cover)

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