Live Evil

RAVEN

Abertura: Centúrias e Circle Of Infinity Bar da Montanha - Limeira (SP), 23 de março de 2014

O tradicional Bar da Montanha foi palco de uma verdadeira celebração à NWOBHM em Limeira! Só assim para definir a apresentação do Raven no domingo (23), em evento que também contou com a participação das bandas Centúrias e Circle Of Infinity. A ansiedade do público para o show do Raven era enorme e o clima de integração era total nas dependências do Bar da Montanha, que recebeu fãs de toda região, da capital e do litoral, todos ansiosos para ver um dos decanos do Metal inglês. Mesmo com tantos anos de estrada, a banda dos irmãos Gallagher – Mark (guitarra) e John (vocal e baixo) – e do baterista Joe Hasselvander faria naquele momento sua primeira apresentação no interior paulista. O “power trio”, formado há quarenta anos na cidade de Newcastle, foi um dos pioneiros da New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM) e chegou à cidade após ter feito o show com maior público de sua história na noite anterior, quando reviveu a “Kill ‘Em All For One Tour” na abertura para o Metallica no estádio do Morumbi, em São Paulo.

Por volta das 19h15h subiu ao palco para iniciar a magia desta noite a banda paulistana Centúrias, pioneira do Metal brasileiro e que atualmente divulga o single “Rompendo o Silêncio”. Realmente, o vocalista Nilton “Cachorrão” Zanelli e sua trupe ‘romperam o silêncio’ e mandando de cara a veloz “Guerra e Paz”, do álbum “Ninja” (1988). O público presente saudou os músicos e interagiu nos coros de “Fortes Olhos”, outra de “Ninja”. Ainda extasiados, os fãs viram os guerreiros Cachorrão, Ricardo Ravache (baixo), Julio Príncipe (bateria) e Roger Vilaplana (guitarra) detonando a nova “Sobreviver”, um misto de detalhes técnicos nos acordes com toda a garra de uma banda bem entrosada e que honra até os dias de hoje o Metal oitentista.

Após “Cidade Perdida” e “Senhores da Razão”, mais duas de “Ninja”, o quarteto apresentou “Inúteis Palavras”, ainda inédita e que foi registrada para o documentário “Brasil Heavy Metal” – aquele que um dia vai sair. Na sequência veio outra das novas, “Ruptura Necessária”, com destaque ao baixo de Ravache. A tradicionalíssima “Animal” agitou os bangers, enquanto a veloz “Arde Como Fogo” veio emendada na tradicional “To Hell”, em que Cachorrão apresentou a “plaquinha” de ‘No Posers’. O vocalista explicou que os posers não eram aqueles fãs de Glam Metal dos anos 80, mas os que não comparecem aos eventos – naquela noite, ele disse se referindo aos que preferiram ficar em casa vendo ‘Fantástico’.

Para fechar vieram as saudosas “Duas Rodas / Portas Negras”, que este ano completam trinta anos de seu lançamento na coletânea “SP Metal”. Um dos que estava na plateia era ninguém menos que o fundador da banda, Paulão Thomaz (atual Baranga e Kamboja), surpreendendo a todos por subir no palco e fazer ‘backings’ em “Duas Rodas”. O final, com “Metal Comando”, sintetizou o show da banda. Realmente, um comando metálico coroando de pleno êxito a abertura da noite.

Na sequência entrou em cena a banda “da casa”, Circle Of Infinity, mostrando a tradição do interior paulista em revelar bons nomes no Metal. O grupo, formado por Edson Moraes (vocal e guitarra), Allan Farias (guitarra), Mateus Paiva (baixo) e Bruno Conan (bateria), alia o puro Thrash com pitadas de Death e Metal Tradicional. Dentre o repertório apresentado, que teve início com “Circle of Therapy”, algumas músicas tendem para a brutalidade mais extrema e outras são mais cadenciadas e perfeitas para o headbanging.

As novas “Moments of Evil” e “Dark Souls”, que farão parte do novo CD da banda, com previsão de lançamento até julho, vieram na sequência. Visível a influência de Kreator e Slayer, tanto nos vocais e postura à la Mille Petrozza de Edson como nas melodias das guitarras em sincronia, como fazia a saudosa dupla Hanneman-King. O set ainda contou com as velozes “Never Surrender”, “Ripper”, “Soul” e “The End Of The Way”.

Por volta das 21h30, o palco ficou pequeno para os insanos irmãos John e Mark Gallagher, além do baterista Joe Hasselvander. “Take Control” deu início ao espetáculo, seguida por “Live At The Inferno” e “All For One”. O Raven nem aparentava tantos anos de estrada, mais parecendo um trio de adolescentes querendo mostrar toda sua energia em cena. O público estava em êxtase total com a garra que estes senhores despejaram no palco do Bar da Montanha. E a agitação só aumentou com o clássico “Rock Until You Drop”, seguido de um solo matador de guitarra, que fez o público nem ao menos piscar e tanta técnica e voracidade de Mark.

O trio também não esqueceu do álbum “Stay Hard”, tocando a faixa-título e a conhecida “On And On”. Se alguém pensou que os veteranos estariam cansados, cabisbaixos ou algo deste tipo, se enganou. Mandaram faixas velozes como “Faster Than the Speed of Light”, brincaram com os fãs e ainda fizeram aquelas habituais citações a clássicos do Metal, como um trecho de”Symptom of the Universe”, do Black Sabbath. Metal é entretenimento, suor, garra e isso o Raven mostrou que sabe fazer bem. E assim seguiu a apresentação impecável da banda, que contou com uma qualidade de som digna de se ouvir um CD em casa. Os três guerreiros realmente estavam curtindo demais aquele momento, sabedores que aquela noite ficaria marcada para sempre na vida dos headbangers ali presentes.

John Gallagher ainda mandou um dos solos de baixo mais técnicos e de puro coração já vistos em um show de Metal – ele mostrou que baixo pode fazer toda a diferença para uma banda! Por sinal, se o show fechasse no solo já estaria mais que completa a noite, mas o Raven ainda queria mais e aí foi a vez de “Break The Chain”, com todos cantando juntos. Parecia a entoação de um hino e que serviu como despedida de uma noite para ser guardada para sempre.

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