Live Evil

REVAMP

Teatro Rival - Rio de Janeiro/RJ, 19 de maio de 2014

O cenário Heavy Metal no Rio de Janeiro deu uma bela aquecida de 2012 para cá, com shows cada vez mais frequentes e um público que, uma escorregada aqui, outra acolá, tem desempenhado um papel melhor do que o esperado. Mas o bolso do fã não aguenta a sequência de bandas aportando na cidade, e talvez seja esta a explicação para o ReVamp ter sido colocado no Teatro Rival, que se tornou uma ótima opção para shows de pequeno porte (hoje, a casa pode receber até 460 pessoas, capacidade que não a lota). Talvez pelo fato de a apresentação ter sido agendada para uma segunda-feira. Entre suposições, esperava-se um pouco mais para a banda de Floor Jansen, que construiu bem seu nome no After Forever – que anos atrás encheu por duas vezes o Circo Voador – e hoje é a voz do Nightwish – que, com ela, abarrotou a tradicional lona na Lapa, em 2012.

No fim das contas, tudo conspirou a favor. O público compareceu em bom número e fez da estreia do ReVamp algo para ficar na memória. Se nem sempre o carioca tem cumprido o seu papel lotando os shows – lembrem-se, é só assim que os artistas continuarão vindo e retornando -, em empolgação ele tem dado uma aula. “On The Sideline” e “The Limbic System”, as duas primeiras partes da trilogia “The Anatomy Of A Nervous Breakdown”, colocaram um público frenético diante de um banda afiadíssima e um som muito bom vindo dos PAs – tudo facilmente notado com apenas 15 minutos, período que permaneci no inédito “chiqueirinho” (fica a dica: o espaço bem pode se tornar uma praxe no local.A imprensa agradece).

Cercada de músicos competentes – os guitarristas Jord Otto e Arjan Rijnen, o baixista Henk Vonk, o tecladista Ruben Wijga e o batera Matthias Landes -, Floor pavimenta o caminho para brilhar sem sustos. Sim, ela é a estrela, e não porque tem presença – alta, bonita, elegante, simpática, charmosa et cetera, os atributos ficam a critério dos fãs (e também das fãs) -, mas sim porque tem talento. Ressaltou o cansaço da viagem dos Estados Unidos para o Brasil, mas que não poderia deixar de conhecer o Cristo Redentor, tomar umas caipirinhas… Talvez por isso se mostrasse um pouco rouca quando se dirigia à plateia, mas na hora de abrir a boca para cantar o negócio era sério, muito sério. A voz que ia do suave aos tons mais altos em “In Sickness ‘Till Death Do Us Part: All Goodbyes Are Said” mostrava que a garganta estava em dia.

E o cansaço havia ficado em segundo plano, pois bastava o instrumental pedir que todos em cima do palco batiam cabeça sem dó dos respectivos pescoços. Foi exatamente esta a coreografia mais presente em “Wild Card”, “Kill Me With Silence” e “Precibus”, trinca que representa bem a proposta musical do ReVamp: trocando em miúdos, um After Forever mais pesado e menos pomposo, uma sequência natural do homônimo e derradeiro álbum lançado em 2007. Claro, sem perder a leveza, característica presente na belíssima “Sweet Curse”, cantada com entusiasmo pelos fãs, que arrancaram reações entusiasmadas de Floor. Ou sem perder um quê mais acessível, como em “Million” e “Distorted Lullabies”, mas realçado na excelente versão piano e voz de “I Lost Myself”, aquele momento para levar qualquer um ao óbvio: Floor canta uma barbaridade, com uma facilidade absurda.

Inteligentemente, o momento mais calmo precedeu uma das melhores sequências do show: “Here’s My Hell” (provavelmente a mais esperada pelos presentes) e “Head Up High” elevaram a animação à enésima potência. E o peso seguiu no comando das ações em três verdadeiros exemplos de arrasa-quarteirão: “Neurasthenia”, a terceira e última parte de “The Anatomy Of A Nervous Breakdown” (com Jord Otto fazendo os vocais originalmente gravados por Devin Townsend); “Misery’s No Crime” num desempenho brilhante de Floor na alternância de vocais altos (soprano ou não) e guturais (no disco, registrados pelo irmão Mark Jansen, líder do Epica); e “In Sickness ‘Till Death Do Us Part: Disdain”, na qual Otto voltou a ajudar com alguns berros.

E aqui temos o único porém da noite. “Wolf And Dog” e o bis que veio em seguida poderiam ter trocado de lugar com a seção que foi de “Here’s My Hell” a “Neurasthenia”. Sem desmerecer “In Sickness ‘Till Death Do Us Part: Disgraced”, “Nothing” e “Sins”, o desfecho teria sido muito mais empolgante.Mas é louvável que o grupo tenha apresentado um setlist apenas com canções de seus dois álbuns – “ReVamp” (2010) e “Wild Card” (2013)-, e mais louvável ainda que os fãs não tenham em momento algum pedido “Carry On”. Quer dizer, “My Pledge of Allegiance #1 (The Sealed Fate)” ou qualquer outra música do After Forever.Todos saíram ganhando. Acredite.

Setlist:
The Anatomy Of A Nervous Breakdown: On The Sideline
The Anatomy Of A Nervous Breakdown: The Limbic System
In Sickness ‘Till Death Do Us Part: All Goodbyes Are Said
Wild Card
Kill Me With Silence
Precibus
Sweet Curse
Amendatory
I Can Become
Million
Distorted Lullabies
I Lost Myself
Here’s My Hell
Head Up High
The Anatomy Of A Nervous Breakdown: Neurasthenia
Misery’s No Crime
In Sickness ‘Till Death Do Us Part: Disdain
Wolf And Dog
Bis
In Sickness ‘Till Death Do Us Part: Disgraced
Nothing
Sins

 

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