Live Evil

SKELETAL FAMILY

She Past Away – The Frozem Autumm – Harry (Wave Winter Festival – Urban Edition 2015) Carioca Club - São Paulo/SP, 29 de agosto de 2015

Comum na Europa, o conceito do “Wave Winter Festival” é pra lá de interessante: sete bandas espalhadas em quatro locais diferentes totalizando mais de 17 horas de música Dark em quase todas as suas vertentes. Daqui do Brasil, Blue Butterfly, In Auroram e Der Kalt Stern se apresentaram no Madame, Atmosphere e Templo, respectivamente. Três das principais casas alternativas de São Paulo em sintonia direta com os shows que rolaram no evento principal.

Foi bem no começo da tarde que a veterana banda brasileira Harry, capitaneada pelo guitarrista e vocalista Johnny Hansen, deu inícios aos trabalhos no palco do Carioca Club. Contando com sua formação clássica, banda fez uma apresentação impecável focada nos álbuns antigos, mantendo os arranjos originais que fizeram a cabeça do público gótico e alternativo dos anos 1980 e 90. O bom público presente agitou ao som dos clássicos, especialmente “Lycanthropia”, “Soldiers” e “You Have Gone Wrong”.

Interessante notar como esses eventos também funcionam como uma verdadeira reunião de amigos. O tempo todo antigos conhecidos se encontravam na pista do Carioca Club e muitos, provavelmente, só devem se ver em eventos assim. Por isso, enquanto milhares de abraços e apertos de mão aconteciam na pista, o duo italiano de Darkwave The Frozem Autumm subia ao palco para colocar todo mundo para agitar em músicas como “Silenece Is Talking” e “Is Everything Real?”, obtendo um retorno sensacional do público. Essa interação teve seu auge em “This Time”, que colocou todos os presentes em transe.

Ao final da apresentação, Diego Merletto e Arianna (que faria aniversário no dia seguinte e recebeu um efusivo Parabéns Pra Você dos presentes) desceram do palco e foram para o meio da pista apreciar a próxima atração: o duo turco de Post-Punk/Gothic She Past Away, pela primeira vez no Brasil. Uma das maiores revelações da música Dark dos últimos anos, Volkan Caner e Doruk Öztürkcan transformaram a quente tarde paulistana na mais fria Londres dos anos 80. Se alguém fechasse os olhos poderia até pensar que estava em 1984 em plena Batcave. Músicas como “Monoton”, “Sanrı” e “Asimilasyon” tiveram recepções especiais da plateia, que curtiu o show do início ao fim.

Mesmo assim, a ansiedade e expectativa de 90% dos presentes estava para a apresentação de uma das bandas mais clássicas e cult do Gothic Rock, o Skeletal Family, também pela primeira vez no Brasil. Com mais de 30 anos de atraso, finalmente os fãs brasileiros puderam conferir de perto uma das vozes femininas mais festejadas do Rock Alternativo. E a mais que carismática Anne-Marie Hurst não decepcionou. Acompanhada dos membros originais Roger “Trotwood” Nowell (baixo) e Stan Greenwood (guitarra), o grupo só não fez chover em cima do palco. Destilando tantos os clássicos da banda quanto os do Ghost Dance, outro grupo cult que Anne-Marie formou na década de 80 com o ex-guitarrista do The Sisters Of Mercy Gary Marx, a atmosfera era de puro êxtase. Músicas como “So Sure”, “Down To The Wire” e “Promised Land” levaram muitos às lágrimas. Um dos pontos altos da apresentação, entretanto, veio com um cover mais que esperado e, segundo Anne-Marie, “by special request”: “Heart Full Of Soul” (The Yardbirds), que fez o Carioca Club vir abaixo. Contando com o guitarrista Owen Richards e o baterista Adrian “Ozzy” Osadzenko, o grupo fez uma versão acima da média, cheia de energia.

Anne-Marie é show à parte: com fôlego de sobra, a vocalista percorre o palco a todo instante, se joga ao chão, vai de encontro com a galera. Uma autêntica frontwoman, como se vê raramente hoje em dia! Já o público respondia com uma verdadeira devoção. Em determinado momento, um fã mais emocionado subiu ao palco e pediu de joelhos a atenção da vocalista: conseguiu! E ainda levou uma palheta de Richards como recordação do momento mais quer especial! O ápice veio com o cover de “Black Juju”, do Alice Cooper, que ainda contou com trechinhos de “Bela Lugosis’s Dead”, do Bauhaus. Não precisava mais nada! 29 de agosto já havia se tornado histórico para os fãs brasileiros há muito tempo!

 

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