Live Evil

SLASH

Curitiba Master Hall - Curitiba (PR), 19 de março de 2015

Curitiba recebeu a “World on Fire Tour”, do Slash e sua “gangue”. A abertura ficou por conta de outro ex-Guns N’ Roses, Gilby Clarke. Em síntese, uma noite memorável não apenas para os fãs do Slash, que praticamente lotaram o Curitiba Master Hall, mas também para quem gosta de um rock muito bem tocado e que vai direto ao ponto. Divulgando o álbum “World on Fire”, segundo com esta banda fixa, Myles Kennedy and The Conspirators, lançado em setembro de 2014, sendo este o quarto show da turnê brasileira, e o segundo a contar com Gilby. Aliás, no giro sul-americano, ele tocou acompanhado de três integrantes da banda argentina Coverheads.

Por volta das 19h 30m, Gilby Clarke e os Coverheads sobem ao palco. O repertório foi constituído principalmente de músicas da consistente carreira solo de Gilby, incluindo, além disso, alguns pontuais covers. Gilby mostrou que também tem talento como vocalista, adotando uma postura discreta no palco, tendo a música por si só como principal interação com o público. Nada de firulas, e mesmo a iluminação utilizada durante o show era extremamente simples, assim como o kit da bateria do Dukke, que visualmente parecia uma mini bateria, se comparado com a que Brent Fitz utilizaria depois. Independente disso, não faltaram algumas frases básicas como “obrigado Curitiba”, entre outras.

Das composições do Gilby, destaque para “Motorcycle Cowboys”, que resumiu bem o repertório apresentado pelo grupo, com aquela sonoridade “estradeira”; “Monkey Chow”, esta da época que ele participou do Slash’s Snakepit, projeto ao lado do “guitarrista da cartola”, com o baixo do Daniel Chino ganhando grande importância; “Alien”, tendo sua melodia cativante incrementada por um slide do Gaby Zero; e a saideira “Tijuana Jail”.

Não poderia deixar de serem citadas as versões para dois clássicos dos Rolling Stones: “It’s Only Rock ‘n Roll (But I Like It)”, que Gilby anunciou dizendo, em inglês, que aquele seria uma grande noite de rock n’ roll, e “Dead Flowers”, que realmente ficou muito boa na voz dele, ambas bem recebidas pela plateia. O momento de maior reação do público é justamente na execução de “Knockin’ on Heaven’s Door”, original de Bob Dylan, tocada exatamente na “versão Guns”. Algumas dúzias de celulares foram levantados para registrar esse momento, e o público cantou junto com enorme empolgação, que seria repetida apenas mais tarde no Slash. Legal comentar que Gilby fez o primeiro solo da música, na época em que ele estava no Guns N’ Roses quem fazia era o Slash. O segundo solo da canção foi realizado por Gaby mesmo.

O show durou cerca de 55 minutos, sendo uma excelente abertura, deixando os presentes num ótimo clima para a chegada da atração principal. A boa qualidade do som contribuiu para esse resultado (para não dizer que estava tudo perfeito, os backing vocals do Daniel e do Gaby estavam baixos, pouco audíveis, porém nada que tenha prejudicado). Como curiosidade, Gilby e Gaby utilizaram apenas modelos da Gibson, assim como o Slash posteriormente (que por um momento, abriria uma marcante exceção). Gilby e os Coverheads ainda seriam vistos durante a apresentação do Slash por quem estava em um dos camarotes do Curitiba Master Hall, já que os músicos assistiriam dali, junto ao público. O camarote era justamente o da excursão que nos levou a show (Makila Crowley Excursões), foi o bônus da noite.

Conforme eram dados os últimos ajustes no palco, alguns aspectos chamavam a atenção: a grande quantidade de amplificadores (inclusive personalizados com um desenho caricato do Slash no centro deles), enfeitados com a adição de miniaturas de dinossauros, entre outras bugigangas; o bumbo da bateria também estava decorado, com o desenho de um smile, remetendo a arte gráfica do “World on Fire”.

Faltando poucos minutos para 21h, as luzes se apagam e começa a soar uma peculiar intro no local, anunciando a entrada de Slash com  Myles Kennedy and The Conspirators. Sem nenhuma pausa, mandam “You’re a Lie” e “Nightrain”, causando grande comoção no público, que não parou de gritar nesse início, ficando até um pouco ruim para acompanhar com maior atenção essas músicas, devido a “barulheira”. No finalzinho de “Nightrain”, Myles tiraria o casaco que vestia, pois o clima dali para frente esquentou, tanto para a banda, quanto para a plateia.

O grupo seguiu com três sons da carreira solo do Slash, “Halo”, “Ghost” (essa muito bem recebida pelo público, com seu riff inicial se mostrando muito potente ao vivo), e “Back from Cali” (contanto com ótimos backing vocals do baixista Todd Kerns). Felizmente o som estava muito bom, cada instrumento e voz eram ouvidos com clareza. Deu para perceber em vários momentos que Myles não brinca em serviço quando tenta alcançar notas mais altas, sendo uma atração a parte. Quanto a iluminação, apesar de não ser nada de extraordinário, contribuiu para tornar a apresentação um pouco mais interessante.

A propósito, quem já esteve em algum show dessa formação, ou mesmo assistiu a vídeos sabe, que apesar de o nome do Slash aparecer na frente e em letras maiores, o que se tem aqui é uma banda, extremamente coesa, com todos os membros tendo o mesmo grau de importância. E como fazem um show energético, dificilmente ficando parados em um local do palco por muito tempo, obviamente com exceção do baterista Brent Fitz. O público conferiu até alguns “saltinhos” do Slash em momentos estratégicos. Todd Kerns então, é o que pode ser chamado de “roqueiro badass”, interagindo com a plateia o tempo todo, seja andando de um lado para outro, fazendo caretas, apontando e pedindo para a galera agitar mais. Frank Sidoris ficou com a “missão ingrata” de ser a guitarra base, e pelo que notei, acredito que não realizou nenhum solo. Curioso que ele não participou das gravações dos álbuns de estúdio dessa formação, sendo membro dos Conspirators apenas nas turnês.

Na sequência, duas pedradas novas, “Wicked Stone” e “Stone Blind” (nessa Myles pegou uma bandeira do Brasil jogada por alguém do público, e cantou segurando-a), que acabaram dando uma acalmada nos ânimos, para então a banda executar duas canções do Guns N’ Roses, “Double Talkin’ Jive”, que assim como nos tempos de Guns, tocada numa versão mais longa que a de estúdio, e “You Could Be Mine”, onde ficou evidente, se alguém ainda tinha dúvida, que Myles não se limita a imitar a forma de cantar de Axl Rose, por mais que algumas passagens fiquem bem diferentes, como no final dessa, que ele não entrou com aquele drive rasgado tão característico dessa faixa, que Axl costumava fazer.

Em seguida, Myles deixa o palco, levando o pedestal do microfone junto (ele levou este objeto praticamente todas as vezes que saiu). Todd assume os vocais, e manda “Doctor Alibi”, com Slash inusitadamente cantando comportadamente nos refrãos, e “Welcome to theJungle”, uma das músicas que causou maior reação na plateia, com dúzias de celulares levantados para filmar aquele instante. Todd se saiu muito bem como vocalista, mostrando que Slash está muito bem servido de músicos nesse departamento.

Myles volta, e o grupo emenda mais duas composições do “World on Fire”: “The Dissident”, sem aquela introdução “country caipiresca” presente no disco, com a galera acompanhando Myles na grudenta melodia do refrão, e “Beneath the Savage Sun”, faixa muito potente ao vivo, e que seria muito bom se o grupo deixasse no repertório das próximas turnês.

Pessoalmente, o que veio a seguir foi o ápice da noite, a turbinada execução de “Rocket Queen”. Essa é a hora que Slash assume a linha de frente, pois após tocarem a parte inicial da canção, ele faz longos e diversificados solos, passando por trechos “funkeados”, cheios de groove, “brincadeiras” com slide, entre mais coisas, beirando os vinte minutos. A iluminação deu um toque a mais, com uma luz branca jogada sobre o Slash, sendo muito legal observar a projeção da sombra na frente de alguns amplificadores, principalmente por causa da cartola e dos movimentos que ele fez na guitarra.

A apresentação prosseguiu com a balada meio deprê “Bentto Fly”, seguida da animada faixa-título do “World on Fire”, com Myles brincando de maestro, levantando e baixando uma das mãos, pedindo para a plateia acompanhar com gritos, cuja intensidade variava conforme ele mexia a mão.
A próxima música, “Anastasia”, merece destaque especial, pois além de ser um baita som, é o único momento em que Slash deixa sua Gibson de lado e pega outro modelo de guitarra, Guild Crossroads Double Neck, de braço duplo, sendo um braço composto por violão, que é usado para fazer a intro e um belo solo da canção, ambos dedilhados sem palheta, e o outro braço por guitarra.

Para finalizar a primeira parte do show, a mais que clássica “Sweet Child O’ Mine”, onde fica desnecessário dizer o quanto empolgou o público, e “Slither”, única lembrança dos tempos de Velvet Revolver. Cerca de 2h se passaram desde o começo, então o grupo deixa o palco, ovacionados por todos, para em dentro de poucos minutos voltarem, sobre aplausos e gritos de “olê, olê olê olê, Slash, Slash”.

Como não poderia deixar de ser, voltam para encerrar o espetáculo com uma bela versão de “Paradise City”, com Todd usando o apito, e Slash novamente fazendo uns backing vocals em algumas passagens, e fez também um solo segurando a guitarra nas costas. Uma enorme chuva de papel picado cobre parte da casa, e assim os músicos se despedem, Brent atirando baquetas, os demais palhetas (a propósito, durante o show inteiro foram jogadas palhetas “em lote”, por assim dizer, tamanha a quantidade atirada), além de alguns setlists.

Grande noite, com ótimos músicos (Mr. Myles “mother fucking” Kennedy, como disse o Slash na hora em que o apresentou). Como observação, ficaram devendo uma jam com o Gilby, que acabou acontecendo em algumas outras datas desta turnê. No fim das contas, com ou sem jam, ficou aquele gostinho de “queremos mais”.

Setlists

Gilby Clarke
Wasn’t Yesterday Great
Under the Gun
Motorcycle Cowboys
Black
It’s Only Rock n’ Roll (But I Like It)
Monkey Chow
Knockin’ on Heaven’s Door
Alien
Cure Me … Or Kill Me …
DeadFlowers
Tijuana Jail

Slash
You’re a Lie
Nightrain
Halo
Ghost
Back from Cali
Wicked Stone
Stone Blind
Double Talkin’ Jive
You Could Be Mine
Doctor Alibi
Welcome to the Jungle
The Dissident
Beneath the Savage Sun
Rocket Queen
Bent to Fly
World on Fire
Anastasia
Sweet Child O’ Mine
Slither
Paradise City

 

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