Live Evil

SWEDEN ROCK FESTIVAL 2013

Sölvesborg (SUE), 05 a 09 de junho de 2013

Mais um ano se passou e lá estávamos nós de volta ao “Sweden Rock Festival”, que chegava à sua 22ª edição levando a sério o conhecido ditado que diz que “em time que está ganhando não se mexe” e repetindo basicamente a mesma configuração do ano passado, com apenas algumas leves mudanças.

Infraestrutura e organização
O evento contou novamente com cinco palcos em sua área interna (Festival Stage, Rock Stage, Sweden Stage, Rockklassiker Stage e 4Sound Stage – que no ano anterior se chamara Zeppelin Stage), com um total de 83 shows nos quatro dias de festival. Logo na chegada, ainda na área externa, já era possível ver algumas das melhorias feitas para esse ano, pois havia um container de informações bem visível, de fácil acesso e bem útil para os marinheiros de primeira viagem e para o público em geral. A área de credenciamento da imprensa havia mudado de lugar, passando para o lado oposto da rua e cedendo seu antigo local para um banco (onde se podia fazer o câmbio com taxas ligeiramente melhores que nas casas de câmbio da cidade, vale dizer). Na área interna a mais significativa mudança foi feita no Sweden Stage, que moveu-se um pouco para o lado esquerdo, distanciando-se do muro que cerca a área do festival, o que permitiu oferecer uma área ainda maior e mais confortável para o público.

A praça de alimentação continuou excelente, com enorme variedade de opções para todos os gostos e tendas com mesas e bancos para quem queria fugir do sol durante as refeições. A infraestrutura em geral permaneceu a mesma, com containeres-sanitários de ótima qualidade, área para camping, diversos estacionamentos, banco para câmbio, loja com produtos oficiais das bandas e o ‘metal market’ na área externa do festival (onde também se encontram várias opções de alimentação). Notava-se uma diminuição considerável na quantidade de estandes no ‘metal market’ da área externa, talvez resultado da delicada situação econômica em que muitos países europeus se encontram ou talvez pela quantidade cada vez maior de festivais no verão europeu. Seja por qual razão, não foi nada que tenha impedido os fãs de gostarem uma pequena fortuna em compras…

Continuavam sendo oferecidas linhas de ônibus entre o festival e as diversas cidades da região, com possibilidade de compra antecipada de bilhetes para evitar grandes esperas na hora de ir embora, além da opção do serviço de táxis, um pouco mais salgado que os ônibus. Se a ideia era ir de carro, a produção do evento oferecia duas áreas de estacionamento próximas à entrada com tíquetes que podiam ser compradas no site juntamente com o ingresso, o que era uma excelente opção.

A entrada exclusiva para a imprensa, separada do público em geral, também havia voltado nessa edição, o que garantiu uma maior comodidade e rapidez para entrar e sair do festival.

Como nos anos anteriores, a produção do evento fez um ótimo trabalho, proporcionando conforto e diversão para o público e profissionais presentes, com infraestrutura sensacional e uma equipe simpática e eficiente.

– O festival –

Quarta-feira, dia 5 de junho
Novamente funcionando como um aquecimento, através do qual a organização testa a sua estrutura e o atendimento ao público, o primeiro dia teve um número reduzido de ingressos vendidos e sem atrações nos dois palcos principais, Rock e Festival, com o festival iniciando sua programação às 15h30, ao invés das 11h30 dos outros dias, como em anos anteriores. Assim, foi a rotina de sempre: credenciamento sem correria, com tudo organizado e tranquilo, e uma demorada visita às lojas na área externa.

Já eram 16h20 quando a americana Stacie Collins, representante do Southern Rock, subiu ao Sweden Stage. Contando com uma bela banda de apoio (faziam parte dela ninguém menos que o vocalista/guitarrista do Bonafide, Pontus Snibb, na bateria e o vocalista do Electric Boys, Conny Bloom, na guitarra), a cantora/gaitista apresentou um show correto e agradável para um bom público, começando bem a festa.

Dali direto para o 4Sound Stage, onde os suecos do The Scams apresentariam sua mistura de Hard Rock e Sleaze, com riffs clássicos e uma pitada de Punk moderno, que lembra bem mais o AC/DC ao vivo que em estúdio, fazendo um show baseado no bom álbum Bombs Away, lançado em 2012. Com o baixista e o guitarrista se revezando nos vocais, começaram o show com Bombs Away, passando por quase todo o disco de estréia e com destaques para Thrill Is On (que levantou a galera), Heavy Load e I’m Not Alone (Got Rock And Roll), além de Black Widow e da “meiga” F*ck Like A Priest. Grande show, apesar das guitarras baixas no início.

Chegando para ver o Threshold, o que se via no palco era uma banda formada por crianças que executava covers de músicas conhecidas para alegria da plateia. Isso causou estranheza, pois isso não estava anunciado em lugar nenhum e motivou um atraso de 25 minutos no início do show dos ingleses, o que não é comum no festival. Finalmente começado o show, iniciaram com Mission Profile do ótimo Subsurface (2004), gravado com o vocalista Andrew McDermott, falecido em 2011.  O set foi curto mas matador e as músicas da era McDermott ficaram ótimas na voz do vocalista original, Damian Wilson. O auge da apresentação foi a complexa e empolgante Long Way Home do excelente Hypothetical. No final do show, Damian Wilson, esbanjando carisma, desceu do palco e, literalmente, foi pra galera, se misturando aos fãs para cumprimentá-los! Belo momento, de um ótimo show.

Mais um representante sueco do Sleaze, o Sister Sin foi formado em 2002 e faz um Heavy Metal/Hard Rock com fortes influências dos anos 80, especialmente Mötley Crüe. A banda tem mais de dez anos de experiência, quatro álbuns e um EP lançados e a sexy cantora Liv, que não para um segundo sequer e comanda o show com segurança e forte presença de palco. Mais um ótimo show com destaque para End Of The Line, Fight Song, The Chosen Few?” e os covers 24/7 (U.D.O.) e Rock’n’Roll (Motörhead). Sem dúvida, mereciam ter tocado em um palco maior.

Saindo do show do Sister Sin, era hora de conferir o Sweet, que se apresentaria no Sweden Stage – vale mencionar que atualmente há duas versões do Sweet, a Andy Scott’s Sweet, que tocou no festival, e a Steve Priest’s Sweet. Parece que isso está virando moda, basta ver as diferentes versões de L.A. Guns, Great White, Queensrÿche…

Com um belo pano de fundo com um enorme falante e seu logo, a banda entrou no palco após uma breve introdução, com New York, New York, detonando com a cover de New York Groove (escrita por Russ Ballard e gravada pela banda inglesa de Glam Rock Hello e também por Ace Frehley no seu disco solo de 1978). O enorme público presente cantava e dançava, se divertindo muito e recebendo a banda muito bem, o que criou um clima de festa de salão no local. Os destaques do ótimo show foram Teenage Rampage, The 6-Teens, Love Is Like Oxygen com trechos de Fanfare For The Common Man (versão Emerson, Lake & Palmer) e You Spin Me Round (Like A Record), do Dead Or Alive, Fox On The Run e Ballroom Blitz.

Com uma corrida de cem metros rasos se chegava ao palco onde se apresentariam os filhos suecos de AC/DC com Accept. O Bullet entrou no 4Sound Stage pontualmente às 22h30 com Midnight Oil, música de abertura de seu último disco Full Pull, seguida de mais uma dele, Rush Hour. Turn It Up Loud apresentou em seu solo trechos muito (mas muito mesmo) semelhantes à Heading Out To The Highway, do Judas Priest, e é melhor pensar nisso como uma homenagem consciente, até porque ficou muito legal! O show seguiu alternando músicas de seus quatro álbums, com direito a letreiro luminoso totalmente ‘old school’ no fundo de palco e efeitos especiais como fogos de artifício e explosões. A banda é ótima, se diverte no palco, faz coreografias (como, por exemplo, quando os dois guitarristas e o baixista levantam seus instrumentos revelando o título Bite The Bullet ao fim da música homônima, cada um com uma palavra em seu instrumento) e o vocal Hell Hofer segurou bem o show todo. O set list foi todo bom mas os destaques vão para Turn It Up Loud, Full Pull, Dusk Till Dawn, Rambling Man e Bite The Bullet. Muita energia em um show sensacional!

Terminado o Bullet, era a vez de conferir a novidade sueca Märran, formada em 2010 e que conta com o monstro Göran Edman nos vocais (que gravou álbuns clássicos como Eclipse com Yngwie Malmsteen e Total Control com John Norum). O som da banda é calcado no Classic Rock dos anos 70, com forte influência de Deep Purple (sim, o tecladista toca em um Hammond) e o resultado foi um show bem agradável para o bom público presente.

A Sweden Rock Magazine propôs uma votação para a melhor banda sueca de Heavy Metal de todos os tempos e o Candelmass ficou com a primeira colocação, superando pesos pesados como Europe, Entombed, Opeth e In Flames, entre outros. Isso já dava uma boa ideia do que seria o show do primeiro headliner do festival. Com um lindo cenário simulando um cemitério, com lápides, cruzes e castiçais enormes, tendo a capa de seu último álbum Psalms For The Dead como pano de fundo e uma iluminação atmosférica, os mestres do Doom Metal começaram com Prophet (de Psalms For The Dead), seguindo com Bewitched e Dark Reflections. Sem deixar ninguém recuperar o fôlego, continuaram com Waterwitch, Emperor Of The Void e Under The Oak. Dizem que Mats Léven é um vocalista que se adapta bem a qualquer tipo de som e a essa altura dava para dizer que ele havia caído como uma luva no Candlemass, pois o cara cantava muito, com um bom domínio do palco (mesmo não tendo o mesmo carisma de Messiah Marcolin). A banda é relativamente discreta, com destaque para o dono do botequim, o baixista Leif Edling, que ocupa o centro do palco juntamente com Mats Léven. O show continuou com At The Gallows End, Darkness In Paradise e terminou com Psalms For The Dead. Voltaram para o bis com Black As Time (com sua sensacional narrativa introdutória), Crystal Ball e para fechar a maravilhosa Solitude. Uma aula de Doom Metal!

Quinta-feira, dia 6 de junho
Começava o segundo dia do festival e logo na chegada dava para notar que o público era bem maior que em anos anteriores. Normalmente no início do dia há uma quantidade menor de pessoas, que vai aumentando gradativamente com o passar das horas e com a chegada dos shows de bandas maiores. Contudo, como o Kiss se apresentaria no festival pela primeira vez, somado ao fato de ser o Dia Nacional da Suécia (feriado muito comemorado por eles), fez com que o segundo dia de festival desse ano tenha sido o dia mais cheio em muitos anos.

Os shows começaram com um dos concertos mais aguardados: Demon, o primeiro representante da N.W.O.B.H.M. deste ano no festival. Já havíamos visto os ingleses em 2009, mas é sempre bom poder vê-los novamente, especialmente por terem lançado um novo disco desde então (Unbroken, de 2012). De cara mandaram a clássica Night Of The Demon do disco de estreia homônimo e na sequência emendaram The Grand Illusion e o hit Sign Of A Madman, trinca que levou muito marmanjo às lágrimas. Dave Hill é um senhor frontman! Claro que suas performances não são mais tão extravagantes como nos anos 80 e o show foi um pouco mais morno que o anterior, mas ele continua com um supercarisma, cantando muito, sempre interagindo com a plateia e fazendo suas famosas caras de zumbi. É preciso também destacar o batera David Cotterill, que deu um peso adicional sem mudar a essência das músicas. O set contou também com duas canções do excepcional disco novo: além da faixa título, tocaram a música composta em homenagem ao “Sweden Rock Festival”, Fill Your Head With Rock (que é algo como um lema do evento). Dave Hill disse que tocar no festival em 2009 havia sido uma experiência tão marcante que ele decidira escrever esta música como agradecimento aos fãs. O set percorreu todas as fases da banda, com destaques para Heart Of Our Time e The Plague, terminando com o maior sucesso da banda, Don’t Break The Circle.

Depois era hora de conferir o Sonata Arctica no palco principal, onde já estava montada a aranha gigante do Kiss. O show começou com a nova Only The Broken Hearts (Make You Beautiful), que funcionou muito bem ao vivo. Interessante notar como a banda conseguiu recriar seu estilo ao longo dos anos. O último disco, Stones Grow Her Name, talvez seja o mais original da banda, com uma mescla de estilos muito interessante. E parece que eles também gostam bastante deste novo trabalho, já que tocaram mais cinco músicas dele! O set ainda contou com clássicos obrigatórios como Black Sheep, Replica e Full Moon. Tony Kakko estava cantando muito bem e parecia muito à vontade no palco principal. Havia esperança de que tocassem a excepcional The End Of This Chapter, fora do set já há algum tempo, mas infelizmente, não rolou.

Pouco antes do final da última música do Sonata Arctica, deu para conferir oMorgana Lefay, que para muitos era a atração mais esperada do festival. A banda estava parada há cinco anos e só decidiu retornar à ativa após o convite para fazerem um show no “Sweden Rock Cruise” em 2012. O show foi melhor do que a mais otimista das expectativas! A banda estava com “sangue nos olhos”, com todos mostrando performances impecáveis! O set foi muito bem escolhido e a abertura ficou a cargo da excelente “savatageana” Nowhere Island, do álbum The Secret Doctrine. Não faltaram hinos como Hollow, Master Of The Masquerade, I Roam e To Isengard. E, para fechar com chave de ouro mandaram a obrigatória Maleficium. Um detalhe interessante é que o baixista Fredrik Lundberg tocou descalço. Mais tarde no backstage ele disse que faz isto para sentir melhor a música. Coisas de artista… Não dá para reclamar de um show desses, mas seria ótimo se tivessem tocado mais músicas do irretocável Aberrations Of The Mind, seu último álbum. Resta torcer para que Charles Rytkönen & Cia. deem sequência à bela história dessa lendária banda.

Enquanto o Morgana Lefay detonava no Sweden Stage, o Survivor apresentava uma novidade em seu o line up. Depois de trazer novamente Jimi Jamison (vocais) em 2011, Frankie Sullivan (guitarra), Marc Droubay (bateria), Billy Ozzello (baixo) e Walter Tolentino (teclados/guitarra) haviam anunciado no início deste ano a adesão de seu vocalista original, Dave Bickler, pois, dessa forma, segundo Frank Sullivan, “poderiam dar o melhor de si para seus fãs, tocando todos os seus sucessos com os dois vocalistas”. Com Jamison ainda em grande forma e Bickler também mantendo o alto nível (apesar de um degrau abaixo de Jamison), a banda passeou pelo seu repertório AOR e agradou o ótimo público presente, com destaques para Feels Like Love, Can’t Give It Up, Take You On A Saturday e as obrigatórias Burning Heart e Eye Of The Tiger. De negativo apenas um desnecessário solo de teclado, mas nada que tenha tirado o brilho do show.

Da tranquilidade do Survivor para o massacre sonoro dos americanos do Huntress com seu Heavy Metal rápido e agressivo. A vocalista Jill Janus é presença forte no palco, com um vocal poderoso, e toda a banda é bastante competente. Abriram o show com duas músicas inéditas, do novo disco, Blood Sisters e Destroy Your Life, seguidas da faixa título do álbum Spell Eater, uma verdadeira pedrada, e de Senicide, do mesmo disco. Mais duas do novo álbum, Starbound Beast e Zenith, foram seguidas por Night Rape e por duas novas, Oracle e I Want To F*ck You To Death (letra composta para Jill por ninguém menos que Lemmy Kilminster), terminando com a maravilhosa Eight Of Swords. Um massacre!

Continuando a maratona, era hora de ver os ingleses do Status Quo e sua mistura de Rock’n’Roll, Blues Rock e Boogie numa carreira de quase 45 anos e recheada de hits. Contando com Francis Rossi e Rick Parfitt como únicos remanescentes da formação original, a banda, que teve nada menos do que doze singles entrando no Top Ten sueco durante sua carreira (no Reino Unido foram “apenas” 23 singles no Top Ten), iniciou o show com uma dupla de sucessos, com Caroline e Paper Plane, para a alegria do enorme público presente. Mostrando a velha classe e em meio a uma parede de Marshalls brancos, com pouco papo e muita (boa) música, seguiram com Hold You Back, Rain, Rock & Roll & You, Beginning Of The End, o medley com What You’re Proposing/Down The Dustpipe/Wild Side Of Life/Railroad/Again And Again, Big Fat Mama, The Oriental, a maravilhosa Creepin’ Up On You, o ótimo cover In the Army Now” (Bolland & Bolland), Roll Over Lay Down, Down Down e Whatever You Want, terminando com mais um cover, desta vez Rockin’ All Over The World (de John Fogerty). Voltaram para o bis com Don’t Waste My Time, fechando o show com chave de ouro com Rock And Roll Music emendada com Bye Bye Johnny.

Originário do Kansas, o Manilla Road foi formado por Mark Shelton (atualmente o único membro original) em 1977 e desde então lançou dezesseis ótimos discos. Apesar de estar divulgando o último álbum, Mysterium (2013), a banda formada por Mark Shelton (guitarra/ vocal), Bryan “Hellroadie” Patrick (vocal, que tem um registro ligeiramente parecido com o de Shelton e gravou seis discos com a banda), Josh Castillo (baixo) e Neudi (bateria) apresentou um excelente show, dando ênfase ao início da carreira, principalmente aos discos Crystal Logic (particularmente adorado na Suécia), Open The Gates e The Deluge, além do novo Mystification. Os destaques foram Witche’s Brew, Open The Gates e Road Of Kings (de Open The Gates) e a sequência final com quatro petardos do álbum Crystal Logic, The Riddle Master, Crystal Logic, Necropolis e Flaming Metal System, que quase mataram o público do coração.

Ainda enquanto os americanos do Manilla Road terminavam seu show no 4Sound Stage, a instituição sueca de Death Metal Melódico Amon Amarth invadia o Rock Stage para um grande show, no sentido literal da palavra. A banda já é bastante grande na Suécia e trazia, pela primeira vez em seu país natal, a produção de palco completa, com direito a navio viking (onde ficava a bateria), efeitos de pirotecnia, muita iluminação e grande número de figurantes que simulavam batalhas durante as músicas. Em uma hora e meia o gigante viking Johan Hegg (vocal) comandou o show e uma banda bem azeitada, que levantou o enorme público e teve como destaques War Of Gods, Destroyer Of The Universe, For Victory Or Death e Guardians Of Asgaard, além da nova Deceiver Of The Gods.

Thunder foi outra banda que fez um show espetacular. Danny Bowes não para um segundo e continua com sua voz perfeita! O show foi uma festa. Impossível não sorrir com canções como Dirty Love e River Of Pain. O ponto alto foi a linda e inspiradíssima Love Walked In. Foi um momento de êxtase coletivo, apoteótico! É intrigante o fato de o Thunder não ter alcançado o reconhecimento mundial que merece. Com uma discografia de tão alto nível, repleta de hits, no melhor estilo Bad Co., a banda certamente deveria estar entre os grandes nomes do gênero.

Como havíamos dito antes, em sete anos em que estivemos no Sweden Rock nunca houve um dia tão lotado como esse e o motivo era bem conhecido: o Kiss se apresentaria no festival! A ansiedade era grande por causa da mudança de set list e todas as novidades do palco e de produção. A banda entrou com a espetacular Psycho Circus, em cima da aranha gigante que “abraçava” o palco. Realmente, o Kiss continua se superando em termos de produção. Infelizmente, logo se notou que Paul Stanley não estava conseguindo cantar. Sem dúvida é um dos maiores artistas da história, dono de um talento único e de uma voz divina. Foi triste e até constrangedor vê-lo desafinar tanto e “falar” as letras das músicas por simplesmente não ter a mínima condição de cantá-las. Ele ficou visivelmente abatido e frustrado com a situação. Subir ao palco e cantar sem nenhum artifício técnico que encobrisse esses sinais dos tempos demonstra bastante profissionalismo e até coragem, mas talvez Paul devesse tirar férias para tentar retomar a voz. O Kiss tem estado em uma maratona de shows há anos… Vale registrar que, mesmo nessas condições, Paul não guardou nada para o próximo show, que já seria em dois dias! Gritou tudo o que conseguiu, como se não houvesse amanhã. É uma lenda viva do Rock’n’Roll e sempre merecerá todo o respeito. De qualquer forma, Gene e Eric conseguiram segurar o show até o final.

Apesar das mudanças no palco, a banda apresentou o mesmo solo de Eric Singer, com os efeitos pirotécnicos e a bateria se elevando, o mesmo solo de guitarra de Tommy Tahyer, com tiro de bazuca de Singer no final, Gene solando, cuspindo sangue e voando até o ‘grid’ de iluminação e Paul voando até a ‘house mix’. De novidade mesmo apenas Paul e Tommy sendo elevados por duas estruturas móveis que se parecem com braços mecânicos e que deram um efeito bem legal, mas a banda tem dinheiro e capacidade para apresentar mais novidades em um show que é considerado “novo”.

O set list desta turnê trouxe os velhos clássicos de sempre, como Black Diamond, Shout It Out Loud, I Love It Loud, Deuce, God Of Thunder, Lick It Up, Calling Dr. Love, Detroit Rock City e I Was Made For Loving You, além de algumas poucas “novidades” como Say Yeah!, mas convenhamos que para um verdadeiro fã não tem mais graça ouvir praticamente as mesmas músicas show após show. Sim, são hinos inquestionáveis, mas por que pelo menos em uma única tour comemorativa não colocam Naked City no lugar de I Love It Loud, Magic Touch no lugar de Lick It Up, Charisma em vez de Rock’n’Roll All Nite, Exciter, Thief In The Night em vez de Deuce, e assim por diante? Temos certeza de que os fãs adorariam, afinal a discografia do Kiss é recheada de músicas maravilhosas que foram e são trilha sonora da vida de muita gente.

A banda que fez o último show do dia, Corroded, foi formado em 2004 e transita entre o Heavy Metal e o Hard Rock com roupagens um pouco mais modernas. Com nove anos de carreira e três discos na bagagem, a banda encontrou um ótimo público no início do show, que foi diminuindo com o passar do tempo (talvez pelo fato de já ser muito tarde), mas se entregou com muita energia e apresentou um bom show, fechando bem o segundo dia de festival.

Sexta-feira, dia 7 de junho
O terceiro dia de festival começou novamente cedo, com uma mudança na programação. O cancelamento do show do Witchcraft foi muito lamentado por todos, mas ao menos isso significava que poderíamos ver o Hardline e que apenas duas bandas tocariam no mesmo horário, Treat e Audrey Horne. Era hora de nos dividirmos mas antes ainda tivemos a oportunidade de ver o Europe passar o som com Always The Pretender, o que só aumentou a ansiedade para o show do ‘headliner’ do dia. Todo mundo sabia que o show do Europe seria gravado para um lançamento mundial em comemoração aos trinta anos da banda e no dia anterior encontramos Tom Englund, líder do Evergrey, que estava trabalhando na produção do Europe. Ele disse que seria um show de duas horas e quarenta minutos de duração! Mas ainda tinha muito pela frente…

Batizado em homenagem a um personagem da série de TV “Twin Peaks”, o norueguês Audrey Horne faz um Hard Rock moderno, apesar de alguns de seus membros (e ex-membros) tocarem (ou terem tocado) em bandas mais extremas, como Gorgoroth e Enslaved, e também no Sahg. Lançando o excelente Youngblood, seu quarto álbum (a banda tem também um EP), começaram o show chutando tudo para o alto já com sua melhor música, Redemption Blues, com seu refrão que empolgou todo mundo e serviu para espantar o cansaço e as dores pelo corpo típicos do terceiro dia do festival, seguindo com um set list que mesclou músicas de todos os seus trabalhos, com destaque para Youngblood, There Goes A Lady, Pretty Little Sunshine e Straight Into Your Grave, do último lançamento, além de Cards With The Devil, This Ends Here e Blaze Of Ashes. A banda é muito boa, com ótimo trabalho de guitarras e bateria, mas o vocalista Toschie e o baixista Espen Lien são mesmo os destaques, com excelente presença de palco.

Ainda deu tempo de conferir algumas músicas do show de celebração dos trinta anos e também de despedida do Treat, que, infeliz e inesperadamente, decidiu encerrar a carreira. A banda estava superafiada, com som perfeito e energia lá em cima. Clássicos (novos e antigos), como We Own The Night, Get You On The Run e Conspiracy, emocionaram e a enorme plateia que conferiu o show saiu muito satisfeita.

De lá era hora de ir para o Sweden Stage a fim de conferir outro grande nome do Melodic Rock, Hardline. A banda é liderada pelo espetacular Johnny Gioeli que atualmente conta ainda com seu parceiro de Axel Rudy Pell, Mike Terrana, Anna Portalupi, Josh Ramos e Alessandro Del Vecchio, compositor de todas as músicas do excelente último álbum, Danger Zone.

O set contou com apenas dez músicas que abrangeram todas as fases da banda. Claro que o ponto alto foi durante a dupla de super hits do irretocável álbum de estréia Double Eclipse, quando a banda contava com ninguém menos que Neal Schon e Deen Castronovo: Hot Cherie e Rhythm From A Red Car que encerraram o show com Gioeli ficando roxo, mas alcançando as altíssimas notas do refrão… A apresentação só não levou nota dez por dois motivos: Mike Terrana exagerou nas levadas com bumbo duplo (realmente, essas músicas não combinam com andamento Power Metal…) e os solos de bateria e guitarra. É bizarro uma banda com tanta música boa perder tempo com dois solos longos em um set de uma hora.

Ainda deu tempo de conferir um pedaço do show do Firewind, banda do guitarrista Gus G (Ozzy Osbourne). A nova Losing My Mind ficou mais pesada ao vivo e a grande surpresa foi a execução de Maniac, cover de Michael Sembello, eternizado no filme “Flashdance” e presente no álbum The Premonition.

Tocando pela primeira vez no “Sweden Rock Festival”, o Asia trazia uma mudança na sua formação clássica, com John Wetton (vocal e baixo), Geoff Downes (teclados), Carl Palmer (bateria) e o jovem guitarrista Sam Coulson no lugar do mago Steve Howe, que está em turnê com o Yes. A banda abriu o show no Rock Stage com uma trinca de cair o queixo: Only Time Will Tell, Wildest Dreams e Don’t Cry já se encarregaram de colocar a plateia no bolso. Seguiram com duas mais novas, Face On The Bridge e An Extraordinary Life, e prosseguiram com Open Your Eyes, The Smile Has Left Your Eyes, Time Again e Go, do disco Astra e que contou com o guitarrista Mandy Meyer, hoje no Krokus. Depois de mais uma das mais novas, Holy War, foi a hora de fechar a tampa de forma magnífica com o arrasa-quarteirão Sole Survivor e o seu maior hit, Heat Of The Moment.

Deixando a fase John Payne de lado, tocaram uma música de cada um de seus três últimos álbuns (Face On The Bridge de XXX, An Extraordinary Life de Phoenix e Holy War de Omega), mas deram prioridade aos seus três primeiros lançamentos, em especial Asia e Alpha, seus discos de maior sucesso, em um grande show.

Ao mesmo tempo em que o Asia tocava no Rock Stage, era possível conferir mais uma atração que escapa dos padrões Hard Rock/Heavy Metal. O Martin Prahl’s Skelter Wheel tem um trabalho que é baseado no Folk Rock com sotaque britânico, na linha de The Levellers (que também se apresentaria no festival) e The Men They Couldn’t Hang, e traz uma música de extrema qualidade, tanto no primeiro disco quanto no segundo, que já passou a contar com a atual formação da banda. Sua apresentação começou com um público apenas razoável, mas que cresceu consideravelmente no decorrer do show e teve como destaque as ótimas músicas Soundtrack Of My Life, A Part, Stronger Than We Are, Point Of View e seu maior sucesso, Five Minutes Of Fame, além de dois covers muito legais de Gimme Shelter dos Rolling Stones e Don’t Fear (The Reaper) do Blue Öyster Cult. Ótimo show, com destaque para a bela vocalista Cecilia Salazar! E é importante lembrar que a apresentação foi gravada para um futuro lançamento em DVD.

No final, mais uma corrida até o Sweden Stage para tentar ver o Newsted, banda do ex-baixista do Metallica, Jason Newsted. Infelizmente, só foi possível assistir a última música, um cover nervoso de (We Are) The Road Crew do Motörhead.

Formada em 1988, a banda alemã Axxis já contou em suas fileiras com o baterista André Hilgers, hoje no Rage, e seu disco de estréia, Kingdom Of The Night (1999), se tornou o trabalho de estreia mais vendido na Alemanha. Apesar disso, a banda nunca conseguir chegar ao primeiro escalão e meio que pudemos ver o porquê disso no show… Não que o grupo seja ruim, não é mesmo! São músicos competentes e o vocalista Bernhard Weiß tem um registro particular e meio anasalado mas canta bem também ao vivo. Só que o show não chega a empolgar em momento nenhum e fica sempre naquela zona de entre o mediano e o morno. Começaram com Angel Of Death, seguindo com Tales Of Glory Island, Heavy Rain, Little War, Stay Don’t Leave Me, My Little Princess, Touch The Rainbow, Living In A World, Little Look Back, terminando com a música título do seu álbum de maior sucesso, Kingdom Of The Night.

Era hora de conferir a rainha do Metal, que se apresentaria no Festival Stage. Havia certo medo de ela não segurar o palco principal, mas Doro não apenas deu conta do recado como fez um dos melhores shows do festival! Com uma banda coesa, em que o destaque é o baixista Nick Douglas (que toca com ela desde 1990), ela começou o show logo com duas pedradas da sua antiga banda, Warlock: I Rule The Ruins e Burning The Witches conquistaram a plateia de cara! Seguiram com um set list que transitava entre sua carreira solo e músicas de seu antigo grupo, com destaques para Rock Till Death, True As Steel, Hero, Earthshaker Rock e um cover de Breaking The Law, do Judas Priest. Sensacional! Além de linda e talentosa, Doro é extremamente simpática. Ela canta todas as músicas sorrindo!

Na sequência, chegava a hora de conferir a apresentação dos veteranos do UFO. Como já havia sido anunciado que Michael Schenker faria uma apresentação especial no concerto do Europe na mesma noite, havia muita expectativa sobre uma “palhinha” dele com seus antigos companheiros de banda, que infelizmente não aconteceu. Talvez isso até estivesse programado, já que havia uma movimentação estranha de pessoas da produção no palco, todos se olhando com aquela cara de “cadê ele?” Enfim, nada foi confirmado sobre isso. O set foi recheado com os hits obrigatórios da banda, com destaque absoluto à performance do gênio Vinnie Moore que não deixou pedra sobre pedra em Rock Bottom. Phil Mogg também mandou muito bem, mas parecia estar bem “alegre”, digamos assim… Dava a impressão de que um marimbondo tinha picado sua língua quando ele falava com o público entre uma música e outra, mas nada que prejudicasse o show.

Só alguma coisa na água da Suécia pode explicar essa quantidade absurda de boas bandas que têm surgido por lá nestes últimos anos. O Spiders mistura Hard Rock dos primórdios com toques de Punk de garagem e um leve tempero Blues, tendo na bagagem um EP em vinil (2010) e o ótimo Flashpoint, lançado no ano passado. Liderados pela competente vocalista Ann-Sofie Hoyles e sua capa dourada, fizeram um show bastante legal, com muita energia e boa resposta do público presente.

E chegava a hora de uma verdadeira festa do Rock’n’Roll no palco principal: Krokus! A banda liderada pelo excepcional volcalista Marc Storace abriu com a feliz Hallelujah Rock’n’Roll, faixa de abertura do recém-lançado Dirty Dinamite, que, aliás, é forte candidato a álbum do ano!

Imagine-se assistindo a esse show em um local no interior da Suécia, no meio do nada, por volta das oito da noite e sob um belo sol (sim, lá o sol brilha até bem tarde nesta época do ano)… Daí, começa a também nova Go Baby Go. Foi simplesmente impossível controlar a empolgação, tudo virou uma enorme festa! O set contou com boa parte dos hits da carreira da banda, como Long Stick Goes Boom, American Woman (cover do Guess Who), Fire, Easy Rocker, a bela balada Screaming In The Night e a maravilhosa Bedside Radio. Simplesmente impecável! Um show inesquecível que lavou a alma dos rockeiros de todas as idades ali presentes, deixando um sorriso estampado nos rostos tanto das pessoas da plateia, quanto da banda. Os caras estavam se divertindo demais, nem parece que já estão há quase quarenta anos na estrada. Tomara que o Krokus se apresente logo no Brasil…

Ainda extasiados pela apresentação do Krokus, só tínhamos quinze minutos para comer algo e correr para assistir a mais uma lição, dessa vez com o Saxon. Voltando ao “Sweden Rock Festival” depois da magistral apresentação de 2011, os ingleses começaram o show com duas músicas do novo álbum, Sacrifice e Wheels Of Terror, seguida das pedradas de Power And The Glory (com refrão cantado pela multidão) e Heavy Metal Thunder. Voltaram ao novo disco com Made In Belfast e mais duas pauladas com Crusader e And The Bands Played On (apesar das guitarras um pouco baixas nessa última). Os belíssimos panos de fundo mudavam a toda hora e o show contava com vários efeitos de pirotecnia, o que lhe dava um tempero ainda mais especial. Biff Byford continua comandando as ações com classe e um vocal poderoso, Nibbs Carter não para um minuto, Nigel Glockler ainda toca muito, Paul Quinn e Doug Scarratt são um pouco mais discretos mas nos brindam com duelos e solos incríveis e a combinação de todos eles funciona que é uma beleza! O show seguiu com I’ve Got To Rock (To Stay Alive), Conquistador e o solo de bateria em que o praticável se eleva acima do palco, bem legal! Fecharam a primeira parte do show com Solid Ball Of Rock, Stand Up And Fight e a maravilhosa Dallas 1 PM. Para terminar, uma sequência sem dó nem piedade, com 747 (Strangers In The Night), Strong Arm Of The Law, Wheels Of Steel, Denin And Leather e o hino supremo, Princess Of The Night. Não são muitas as bandas que podem tocar uma sequência assim, num show simplesmente arrasador!

Agora era a hora de mais um headliner: o Europe, comemorando seus trinta anos de carreira com um show que prometia ser muito especial. E, realmente foi… A apresentação começou com Riches To Rags, do aclamado Bag Of Bones, último álbum lançado pela banda. E já dava pra perceber que Joey Tempest, John Norum, Mic Michaeli, Ian Haughland e John Levén estavam em uma noite especial! O set seguiu com músicas que vêm fazendo parte das apresentações da banda há algum tempo, mesclando canções mais novas como Firebox, com clássicos como Superstitious e a pesada e acelerada Scream Of Anger. Porém, eles realmente haviam planejado algo especial… Mandaram na sequência as antigonas In The Future To Come e Paradize Bay, que não era tocada em um show desde 1989! Agora, surpresa mesmo foi a maravilhosa Prisioners In Paradise, nunca antes tocada ao vivo pela banda. Depois dessa podia voltar pra casa, só essa música já valia a viagem! Que momento! A banda também fez um pequeno set acústico em que mandaram a bela Open Your Heart do irretocável Out Of This World, de 1988.

O show continuou passando por todos os álbuns da banda, até que anunciaram o primeiro convidado especial: Scott Gorham do Thin Lizzy (atual Black Star Riders), que tocou o clássico Jailbreak da lendária banda de Phil Lynott. A outra participação especial ficou por conta de Michael Schenker tocando Lights Out do UFO. Após quase três horas de show, encerraram a apresentação com o hino Final Countdown. Show digno de uma comemoração de trinta anos de uma banda com uma carreira tão bem sucedida e certamente com muito mais pela frente…

Sábado, dia 8 de junho
11h15 da manhã… Sim, isso mesmo… Era esse o horário do primeiro show do último dia de festival. Depois de um longo dia anterior, que só acabou às 2h da manhã, só mesmo uma banda como o Sahg para nos fazer a galera estar lá ainda antes do meio dia. Mas valeu a pena ter acordado cedo! Com membros de várias bandas da cena norueguesa (incluindo o guitarrista do Audrey Horne, que havíamos visto no dia anterior), a banda faz uma ótima mistura de Heavy Metal com Stoner e leves pitadas de Doom e apresentou um ótimo show em um curto set de 45 minutos, com destaque para as maravilhosas The Executioner Undead, Soul Exile, Firechild, Godless Faith e Pyromancer.

Saímos voando para ver os veteranos do Satan, outro show bastante esperado, pois contava com a formação original (e clássica) do álbum Court In The Act. Brian Ross continua cantando bastante bem, Russ Tippins faz um bom trabalho na guitarra solo, Steve Ramsey e Graeme English (os dois também membros do Skyclad) são competentes e o único elo fraco é, infelizmente, o baterista Sean Taylor, bem limitado ao vivo. A banda começou o show de maneira um pouco morna, melhorando no decorrer da apresentação. Logo de cara, mandaram o clássico Trial By Fire e foram mesclando músicas do primeiro álbum com outras do recém lançado Life Sentence, com destaque para Twenty Twenty Five, Time To Die, Opression, Break Free, Incantations e Alone In The Dock.

Os ingleses do The Levellers entraram no Rock Stage após uma breve introdução de gaitas de foles e encontraram uma plateia um pouco mais velha e bastante receptiva. Com vinte e cinco anos de carreira e uma vasta discografia o grupo fez um maravilhoso show em que se destacaram Beautiful Day, The Game, Fifteen Years, The Road e One Way. Clima de domingo no parque e um tempo para descansar para o que ainda estava por vir.

Logo após, os alemães do Tankard mandaram ver seu “Thrash cervejeiro” no palco 4Sound. O som dos caras ao vivo é uma paulada! E todos eles se divertem muito no show, tomando garrafas e garrafas de cerveja. Inclusive, ao invés de palheta, pegamos uma das garrafas lançadas pelo baixista Frank Thorwarth. Quando o carismático vocalista Gerre, que inclusive levou uma bela loira para dançar uma “valsa” com ele no palco, perguntou se o público estava preparado para o Thrash Metal ‘old school’, já sabíamos o que viria pela frente: a pancada The Morning After! E parece que desde o show do Exodus no ano passado os suecos aprenderam a fazer o ‘mosh pit’! OK, talvez nós brasileiros os tenhamos ajudado um pouco…

Na sequência, fomos recuperar o fôlego no show acústico do The Quireboys, único concerto realizado no palco principal neste dia, além do Rush, que fecharia esta edição do festival. As músicas da banda funcionam muito bem nesse formato, principalmente as excelentes There She Goes Again e Mona Lisa Smiled. E a voz de Spike continua excelente, com aquela rouquidão curtida em muito uísque.

O pequeno Rockklassiker Stage viu um bom público chegar para o show do Bloodbound mas infelizmente viu também o pior som do festival. Não que o show tenha sido ruim, muito pelo contrário. Jogando em casa para um público que nitidamente era composto por fãs da banda, os suecos foram prejudicados por uma qualidade de som muito ruim (a pior de todo o festival), que fazia com que sequer conseguíssemos escutar as guitarras em algumas músicas! Mesmo assim, mostraram muita garra e liderados pelo vocalista Patrik Johansson fizeram um show que agradou aos presentes, com destaque para When Demons Collide, Drop The Bomb, Metal Monster e In The Name Of Metal.

E lá fomos nós de novo pra pancadaria, dassa vez capitaneada por outro grande representante do Big 4 do Thrash Metal alemão: Kreator. A banda trouxe uma bela produção de palco, com pano de fundo e laterais que reproduziam a insana capa de seu último álbum, o ótimo Phantom Antichrist, além de cabeças penduradas nos pedestais dos microfones. Era possível ter duas certezas: o show seria animal e mais um ‘mosh pit’ se formaria na frente do palco.

A abertura foi a mesma do novo disco, Mars Mantra e Phantom Antichrist. E não faltaram os clássicos, como o rolo compressor de Pleasure To Kill, Hordes Of Chaos, Violent Revolution, Under The Guillotine e, para encerrar o massacre, Tormentor do debut Endless Pain de 1985. Mille Petrozza e companhia provaram que ainda têm muitos ‘walls of death’ pra organizar…

Scott Gorham acertou ao adotar um novo nome para a nova banda, ainda que, de certa forma, ela fosse uma das (muitas) encarnações do Thin Lizzy. O show do Black Star Riders era esperado ansiosamente e pudemos comprovar que o nome havia mudado mas a velha magia ainda estava ali… Sabe aquela música do Thin Lizzy que o Thin Lizzy não gravou? Pois é isso o que você encontra em um show do Black Star Riders. Com uma formação poderosa e coesa, contando com Ricky Warwick (vocais e guitarra e que ao vivo “encarna” Phil Linnot de uma maneira impressionante), Damon Johnson (guitarra), Scott Gorham (guitarra), Marco Mendoza (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria), começaram o show com a música que abre o recém-lançado álbum de estréia, All Hell Breaks Loose, emendando logo de cara com dois covers de Thin Lizzy, Jailbreak e Massacre, que fizeram os frios suecos pularem e cantarem junto com a banda. Continuaram com mais duas do novo play, Bloodshot e Bound For Glory e seguiram alternando músicas do novo disco com covers do Thin Lizzy (ou músicas que ficaram famosas com a banda), como Emerald (Thin Lizzy), Kingdom Of The Lost (esta, sensacional, do novo disco) e Valley Of The Stones, também do disco novo. Terminaram o maravilhoso show em alto nível, com Cowboy Song e The Boys Are Back In Town. Com certeza um dos melhores shows do festival!

Fomos então ver mais um grande nome do Thrash, Heathen, que conta com David White (vocal), Jon Dette (bateria), Jason Viebrooks (baixo) e a dupla de guitarristas Kragen Lum e a lenda Lee Altus, que também faz parte do Exodus. O repertório contou com músicas dos seus três álbums, o debut Breaking The Silence (de 1987, um dos anos mais incríveis da história em termos de lançamentos), Victims Of Deception (1991) e o excelente The Evolution Of Chaos, que marcou o retorno da banda em 2010 e que reforça a volta dos grandes nomes do Thrash Metal ao topo cena. Destaque para as excelentes Hypnotized, No Stone Unturned (certamente um novo clássico!) e Death By Hanging, que fechou o show de forma arrebatadora! White interagiu o tempo inteiro com o público e foi até a galera várias vezes, enquanto Altus foi impecável!

Que pena que a organização colocou a banda no palco menor, que sempre tem um som muito ruim. Pela história e pela importância da banda no cenário mundial da música pesada, ela merecia tocar em outro palco. Quem sabe o “Sweden Rock” se retrata em uma edição futura…

Mal havia terminado a pancadaria do Heathen e corremos para o Rock Stage, já que o Accept mais uma vez nos comprovaria que não sabe fazer show ruim. Aliás, nem passa perto disso… A gigantesca plateia presente já agitava quando os alemães encheram os PA’s com a paulada que abre Stalingrad (seu último lançamento), Hung, Drawn And Quartered, seguida de outra do mesmo play, Hellfire. Depois disso, era hora de atacar com o primeiro clássico e Restless And Wild se encarregou de fazer as honras da casa, assim como Losers And Winners, que veio logo na sequência. Continuaram com Stalingrad e Breaker, para então iniciar uma sequência de músicas mais novas com Shadow Soldiers, Bucket Full Of Hate, Bulletproof e Pandemic. Depois disso. voltaram no tempo para as maravilhosas Princess Of The Dawn, Up To The Limit, Fast As A Shark e Metal Heart, com Mark Tornillo arregaçando e com tudo mais a que se tem direito: solos fantásticos, backing vocals sensacionais e as tradicionais coreografias no palco entre Wolf Hoffmann e Peter Baltes. Para terminar a aula, Teutonic Terror e o clássico maior da banda, Balls To The Wall, cantada a plenos pulmões por todos. Pudemos perceber que com dois discos de qualidade lançados com a atual formação, a banda começa a equilibrar o set list entre as músicas da fase Udo e as músicas da atual fase. Os clássicos, obrigatórios, estão lá, mas é ótimo poder ver tantas músicas boas da fase Mark Tornillo ao vivo. Mais um show sensacional!

A gigantesca produção de palco do Rush forçou o festival a fazer uma mudança na rotina do Festival Stage, uma vez que se fosse mantida a quantidade de shows normalmente apresentados não haveria tempo para montar a parafernália dos canadenses. Por conta disso, tivemos apenas uma apresentação acústica dos Quireboys e todo o resto do dia foi dedicado à montagem da (surpreendente) produção de palco, que, apesar de diferente, seguia a mais ou menos a mesma linha dos shows apresentados no Brasil em 2010.

Após um vídeo de introdução muito bem humorado começaram o show com Subdivisions, emendando com duas do álbum Power Windows, Big Money e Grand Design, para, depois, voltar um pouco mais no tempo com Limelight e The Analog Kid. O show estava bastante cheio mas ao mesmo tempo muito confortável, sem o costumeiro empurra-empurra que vemos na hora em que os headliners se apresentam, o que o tornou ainda melhor. A essa altura, já dava pra notar que algumas linhas vocais haviam sido mudadas para adequar as músicas ao estilo vocal atual de Geddy Lee, uma vez que ele, apesar de continuar cantando bem, não alcança mais os tons mais altos. Além disso tivemos a presença de um naipe de cordas, o ClockWork Angels String Ensemble, e se por um lado é sempre interessante se permitir novas interpretações de velhas canções, por outro sempre há quem prefira os arranjos originais. Mas a novidade não deixou de ser interessante.

O espetáculo continuou com Where’s My Thing (o primeiro solo de Neil Peart) e Far Cry (faixa de abertura do álbum Snakes And Arrows), seguida de uma longa sequência de músicas do último álbum (Clockwork Angels): Caravan, Clockwork Angels, The Anarchist, Carnies, The Headlong Flight (com o segundo solo de Neil Peart, com sua bateria se movimentando para a frente do palco) e The Garden, com um belíssimo vídeo. Hora de voltar no tempo outra vez e encerrar a primeira parte do show com Red Sector A, a instrumental YYZ e The Spirit Of Radio. Após uma pausa, voltaram com nada menos que Tom Sawyer, seguida de um medley de 2112 (Part I: Overture, Part II: The Temples Of Syrinx e Parte VII: Grand Finale).

Muitos efeitos de pirotecnia, fogos e painéis de led no ‘grid’ de iluminação que se moviam criando uma sobreposição de imagens que se somavam aos maravilhosos telões (o trabalho de criação e edição de vídeos do Rush é um show a parte!) só acrescentaram um molho ainda mais especial à maravilhosa música da banda, fazendo com que esse show fosse simplesmente inesquecível e possivelmente o melhor do festival!

Ainda meio tontos com o que havíamos visto, era hora de conferir no Sweden Stage o último show do festival com os ingleses do Paradise Lost, que entraram no palco pontualmente à meia noite para um ótimo público. Com uma qualidade de som um tanto ruim, a banda começou com Widow (do álbum Icon) e fez um show em que a qualidade de som ia na direção oposta ao público: enquanto a primeira aumentava, o segundo diminuía com o passar do tempo. Com treze álbums lançados desde sua formação, em 1988, e tendo passado por diversos gêneros como Death Metal, Gothic Rock e Heavy Metal, a banda concentrou seu repertório basicamente nos álbums Draconian Times, Tragic Idol, One Second e Shades Of God. Destacaram-se Widow, Forever Failure, Pity The Sadness, As I Die, Tragic Idol, The Enemy, One Second e as duas que fecharam o show, Faith Divides Us – Death Unites Us e Say Just Words.

Em paralelo ao Paradise Lost, houve a apresentação do Avantasia, que fazia a turnê do seu mais recente lançamento The Mistery Of Time. A banda trouxe uma belíssima produção de palco e o habitual ‘dream team’ de vocalistas com nomes como Eric Martin, Bob Catley, Amanda Somerville e Michael Kiske, todos muito à vontade em cena. O encerramento com todo mundo junto no palco cantando Sign Of The Cross / The Seven Angels foi o ponto alto da apresentação!

E assim terminava mais uma edição do maravilhoso “Sweden Rock Festival”, ficando a pergunta: falta quanto tempo mesmo para o festival do ano que vem?

 

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