Live Evil

TANK

Beach Club - Fortaleza/CE, 07 de junho de 2014

A produtora cearense Gino Production se encarregou de, numa produção de alto nível, trazer a banda Tank a Fortaleza, enquanto a também cearense Underground Produções os trouxe ao Brasil. Depois de se apresentar no Pará e no DF (e na véspera de seu show em São Paulo), a banda inglesa, mas que hoje também conta com integrantes da Alemanha e África do Sul, subiu ao palco do Beach Club, no festeiro bairro Praia de Iracema.

O evento iniciou com a WARBIFF, uma das principais expoentes do Thrash Metal feito no Ceará, apresentando-se como power trio, com Daniel Biffão encarregado da guitarra e vocais. Bastante competente nas duas funções, com vocais remetendo a Tom Araya, riffs furiosos e longos solos não ficou devendo nada para o formato quarteto. Em “Welcome To The Warbiff”, a galera se dividia entre cantar a letra ou fazer roda. O show, curto e direto, terminou com “War In The Name of God” colada em “Thrash or Be Thrashed!”.

ZP Theart, ex-vocal do Dragonforce, só subiu ao palco após a intro ‘Humba Humba’. Lá já estava a dupla de guitarristas Mick Tucker e Cliff Evans, com o baixista Barend Courbois (Blind Guardian) e o ex-baterista do Sodom, Bobby Schottkowski. De início a voz de ZP, com um timbre mais melódico (como era de se esperar, afinal, o cara foi vocalista durante vários anos de um ícone do Power Metal) causou certo estranhamento. Mas isso durou só alguns segundos. Logo todos os presentes estavam bangeando e cantando o refrão de “This Means War”: ‘wóóóór!’ E durante o solo final, por Cliff, se pôde pensar o quanto foi bom a instituição TANK ter voltado à ativa após o hiato de 1988-1997. Seria injusto não levar mais o poder dessas músicas ao mundo.

O show prossegue com “Judgement Day”, o quase hard-rock “Great Expectations” e o clássico “Honour and Blood”, além de “Don’t Dream In The Dark”, completamente Power Metal, um dos muitos momentos bonitos do show. Não há como negar que ZP realmente imprime seu estilo. A sujeira em algumas faixas, principalmente nas mais antigas, quando havia mais influência Punk no som da banda, fará alguns fãs torcerem o nariz. No entanto, há outros que possivelmente serão conquistados pelo som mais melódico.

ZP faz bem o papel de frontman, agradecendo, agitando, chamando para perto, tentando aprender português com o apresentador do show (‘Vem pra cá, c******, whatever the fuck he says’), regendo o coro dos fãs e até dividindo o microfone com quem estava à beira do palco, mas deveria repensar sobre jogar água na galera. Pobre de quem estava empunhando câmeras fotográficas ou smartphones por ali (ou seja, quase todo mundo).

A surpresa (uma vez que o setlist da turnê foi divulgado previamente) foi a inclusão de “Phoenix Rising”, após “Feast of The Devil” (a mais pesada da noite). O NWOBHM puro e simples, sem firulas, mas extremamente poderoso de faixas como “War Nation” e a bateria mais rápida de “Power of The Hunter” antecederam o solo de baixo de Courbois, que, intencionalmente ou não, derrubou a palheta e continuou com slap, deixando também no chão os queixos dos presentes. Foi o momento de maior destaque da cozinha, pois Mick e Cliff já tinham passado todo o show dividindo solos magníficos, enquanto Bobby, acostumado a um estilo bem mais veloz, tinha se mantido numa posição bastante confortável.

Os fãs do Tank puderam ver que uma de suas bandas favoritas ainda terá poder de fogo por muitos e muitos anos. Ainda não sabemos se esta formação lançará algo novo, mas naquele momento o coro era unânime: ‘Tanquê, Tanquê, Tanquê!’

Os sobreviventes da guerra assistiram a mais um pouco de NWOBHM, com a ORÁCULO encerrando a noite com guitarras dobradas, solos grandiosos e grande destaque para o baixo de cinco cordas. Além de faixas do ótimo “Wisdom”, o quinteto executou “Strange Redemption”, que deverá fazer parte de um próximo lançamento e homenageou Julio Alcindo, falecido musico da Steel Fox, antiga banda do vocalista também recebeu uma homenagem.

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