Live Evil

TANKARD

Barraca Garota de Ipanema - Fortaleza/CE, 19 de janeiro de 2013

Pode parecer um grande sacrilégio ir a um show do grupo alemão Tankard sóbrio e abster-se de qualquer tipo de bebida alcoólica lá mas eu, o  motorista da rodada (e também para fazer uma boa  cobertura do show), tive que cometer esse “pecado”. Apesar disso, a apresentação das bandas que eu assistiria, suportadas pela produção impecável da Gallery Productions, iria valer este sacrifício.

A noite começou pouco antes das 22h, com a banda pernambucana Pandemmy, formada por André Velongueiro (v), Pedro Galvão (g), Guto Leite (b) e Arthur Lira(d), com um Thrash Metal empolgante. O som traz riffs marcantes e bons solos, além de bateria furiosa, vocal raivoso e boas levadas de baixo, tudo que o bom Thrash exige. Como banda de abertura, o show obviamente não seria muito longo, mas a qualidade das composições foi capaz de empolgar os bangers já presentes na Barraca Garota de Ipanema. Para o Pandemmy o saldo final foi positivo e, com certeza, valeram as 14 horas de viagem do Recife até a capital do Ceará.

 

Muito rapidamente após o Pandemmy subiu ao palco a Flagelo. Com um Thrash com temas com longas partes instrumentais, vocais puxados para o Death Metal e letras em português, a banda empolgou a galera que já se aglomerava junto à grade. Lançando a segunda demo, “Necrofilia”, o grupo apresentou as novas composições e as já conhecidas da primeira demo – algumas, inclusive, pedidas aos gritos por alguns ‘old headbangers’. E, finalmente (ou eu poderia dizer já), o público começou a manifestar o seu contentamento com o que estava vendo e com o que viria a seguir nas rodas de mosh. Destaque para a própria “Necrofilia” e para as faixas “Ódio” e “Pesadelo”, com sua belíssima introdução no baixo de Léo Souza. “Vale de Horrores” fechou o set.

Poucos minutos depois, apagam-se as luzes e um hino clerical anunciava o que estava por vir. Era a bomba croata War-Head que explodiria no palco. O hino foi interrompido abruptamente quando as luzes foram acesas e o baixista/vocalista Dario “Darac” Turcan deu inicio à selvageria. Se antes do show era difícil encontrar alguém que já conhecesse o som da War-Head, ainda nesta primeira faixa, os ‘hey, hey, hey, hey’ da turma que agitava junto à grade, denunciavam que a banda estava agradando.

Entre uma faixa e outra, Darac aproveitou para agradecer, em inglês (mas incluindo o essencial “Boa noite Fortaleza e Obrigado” que estudaram para esta turnê), aos bangers por terem vindo ao seu primeiro show na cidade. Com um som poderosíssimo, embora bem diferente do da atração principal, a banda da Croácia mostrou que era justo acompanhar os alemães. Sem dúvida, estávamos diante de uma banda que deve chamar muito a atenção no mundo inteiro nos próximos anos esta era, portanto, uma grande oportunidade. Não seria justo deixar de mencionar o baterista Eldar “Piper” Ibrahimovic e a selvageria com a qual ele ataca o kit a sua frente. Alem disso, vale menção à  cortesia de Darac, sempre demonstrando estar feliz por tocar para um público para o qual nunca havia tocado, o vocalista ainda desceu  do palco para o fosso onde estava o pessoal da imprensa, para apertar mãos e tirar fotos com a turma da grade.

Incrivelmente rápido foi o intervalo entre a War-Head e os reis da cerveja, a banda que dava nome à noite, o Tankard. Parte disso se deve ao fato de que as duas bandas estão viajando juntas e compartilhando alguns equipamentos, mas também aos profissionais cearenses envolvidos, Gallery Productions, Pedrada Estúdio e demais envolvidos.

Este era, porém, o momento em que a segurança contratada para o evento teria mais trabalho, tendo que controlar a alegria demasiada dos thrashers extasiados junto à grade, cheios de adrenalina e, claro, cerveja. Mas isso é Thrash Metal, meu irmão, e os thrashers estão acostumados com tanta alegria. Isso é a alegria do thrash metal. E alegria é algo muito presente nessa banda.  E um show acontecia no palco enquanto outro show acontecia na pista.

Andreas “Gerre” Geremia (v), Frank Thorwarth (b), Andreas Gutjahr (g) e Olaf Zissel (d), a quem tive o prazer de entrevistar, tocaram antigos sucessos como “Zombie Attack” e mais novos como “Not One Day Dead”, do disco novo (de 2012) “A Girl Called Cerveza” levando a galera à loucura. Muitos daqueles thrashers jamais acreditariam poder ver o TANKARD ao vivo devido a reduzida agenda da banda, que não toca para pagar as contas do dia-a-dia, só toca pela alegria de tocar Thrash Metal. O sonho deles estava sendo realizado. E, no palco, a banda estava sedenta, mandando “Octane Warriors”, faixa que abre o álbum “Thirsty” (2008). Enquanto Gerre podia dar uma de Wando em “The Beauty and The Beast”, com uma calcinha atirada no palco, não foi raro ver algum (ou alguns) pares de pés para cima no liquidificador em que a pista havia se tornado.

“Slipping from Re… Opa, alguém me deu um tapa na cabeça!!! Era o próprio Gerre. Afinal, um show de Thrash Metal não é lugar pra se ficar fazendo anotações no canto do palco. Ossos do ofício, Gerre.  Estou tão sedento quanto todos aqui. E por falar nisso, “Stay ‘Fucking’ Thirsty” seria a próxima, dedicada por Gerre a todos os “metal fucking maniacs”, ou seja, “you”, se dirigindo à plateia.

Então, como se toda essa alegria já não fosse o bastante, o público (que não era só de Fortaleza, mas também de cidades como Natal-RN, Guaranhuns-PE e Juazeiro do Norte-CE) teve a oportunidade de conferir a faixa “Rapid Fire”, de “A Girl Called Cerveza” que vem sendo tocada pela primeira vez ao vivo nesta turnê. E, enquanto a banda tomava algumas Skol (eles provam da cerveja de todas as cidades por onde passam e, no Brasil, desde a vinda anterior da banda, esta marca parece ter caido nas graças dos TANKARD), Gerry corria de um lado para o outro do palco.

Desconfio que, da mesma forma que este redator, ele gostaria de estar lá embaixo, no meio do circle pit. Gerry ainda exibe sua belly horrorosa (o termo em inglês cai melhor para a forma que a palavra “barriga” em português, talvez por lembrar “geleia”), bate nela com o microfone, põe uma calcinha, ou sunga, ou sei lá o que diabo era aquilo, na cabeça, é o comandante inequívoco da festa. E anuncia “Rules For Fools”, lembrando que o clipe para esta faixa está disponível em serviços como o YouTube. E, finalmente, a faixa-título do mais recente álbum, “A Girl Called Cerveza”.

Gerry anuncia ainda uma canção muito lenta, mas, é apenas mais uma brincadeira do cantor ex-ex-barrigudo. “Rectifier”, faixa ultra-veloz do álbum “B-Day”, o décimo dos reis da cerveja. E é depois dela que o momento que a banda deixa o palco, para logo retornar para um bis que incluiria “Alien”, “Space Beer” e “(Empty) Tankard”, a última da noite. Era o final de mais um evento em que a energia dos bangers cearenses, com a indispensável participação de uma grande banda e o apoio essencial de uma produtora que respeita os fãs de música pesada, deu um grande show. Era hora de encontrar os amigos lá embaixo, com olhos lacrimosos de emoção e alegria, a alegria do thrash metal, para ser apreciada sem moderação.

Set List Pandemy

1. Mind Effigies
2. Self Destruction
3. Common Is Different Than Normal
4. Idiocracy
5. Without Oppinion
6. Heretic Life

Set List Flagelo
1. Flagelo (instrumental)
2. Tortura
3. Supremo Poder
4. Necrofilia
5. Aniquilar
6. Ódio
7. Pesadelo
8. Vale de Horrores

Set List War-Head
1. Free
2. Terrorizer
3. Who Dares Wins
4. 1000 Eyes
5. Away
6. War-Head

Set List Tankard
1.  El Condor Pasa (intro)
2. Zombie Attack
3. Time Warp
4. The Morning After
5. Not One day Dead
6. Octane Warriors
7. The Beauty and The Beast
8. Slipping From Reality
9. Stay Thirsty!
10. Rapid Fire
11. Rules For Fools
12. Maniac Forces
13. Die With a Beer in Your Hands
14. A Girl Called Cerveza
15. Rectifier
16. Chemical Invasion
17. Alien
18. Space Beer
19. (Empty) Tankard

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