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TARJA – Rio de Janeiro/RJ, 25 de agosto de 2018

Circo Voador – Rio de Janeiro/RJ

Por Marcello Cohen

Já são 13 anos de voo solo. Desde a polêmica demissão no auge do Nightwish, Tarja Turunen já botou para jogo – além de trabalhos eruditos e de música natalina – cinco álbuns de estúdio, quatro discos ao vivo e dois EPs. Com enorme prestígio em cima desses lançamentos, uma das maiores vozes femininas da história do heavy metal pode se dar ao luxo de rodar o planeta sem usar como muleta a sua gloriosa história na ex-banda.

Depois de quatro anos longe do Rio de Janeiro, Tarja retornou ao mesmo Circo Voador que a recebeu com entusiasmo em 2014 para apresentar um repertório baseado no seu último lançamento ao vivo, “Act II” (2018). E quem estava na casa sabia exatamente o que esperar: um show galgado quase que exclusivamente no trabalho solo, com ênfase no disco mais recente, “The Shadow Self” (2016). Para isso, um Circo Voador com um público até digno, mas bem abaixo do esperado, para receber com devoção a finlandesa e sua trupe – Timm Schreiner (baterista), Kevin Chown (baixista que por pouco não embarcou por problemas com seu visto), Alex Scholpp (guitarrista), Max lilja (violoncelista) e Christian Kretschma (tecladista).

A apresentação começou da mesma forma do disco ao vivo que dá nome à turnê. “No Bitter End”, seguramente um dos melhores momentos da cantora em toda sua trajetória, já fez a apresentação começar com a plateia nas mãos. Dando um pulo até o ótimo “Colours in the Dark” (2013), “500 Letters” conquistou de vez o público. A pedrada “Demons in You” e “Little Lies” – esta uma das duas escolhidas do já clássico “What Lies Beneath” (2010) – seguiram o baile razoavelmente nos conformes.

O que surpreendeu a todos foi a primeira vez de “Diva” no set. A música parece feita para Tarja mostrar seus dotes vocais, mas sem deixar de dar uma bela provocada em seus ex-companheiros de Nightwish, principalmente o líder Tuomar Holopainen. Para grande parte dos fãs, essa pérola já valeu cada centavo investido no ingresso. “Calling from the Wild” promoveu uma verdadeira aula instrumental da grande banda que acompanha a estrela da noite, e dela também, obviamente. O inusitado cover para “Supremacy”, do Muse, se agigantou na voz de Tarja, engolindo a versão original. Agora, o que veio na sequência…

É inegável que o medley do Nightwish provocou uma verdadeira catarse no local. Em cerca de seis minutos, Tarja resumiu os clássicos “Tutankhamen”, “Ever Dream” – este com parte considerável cantada por ela de forma fiel ao que se via na época –, “The Riddler” e “Slaying the Dreamer”. Um momento memorável! É evidente que a qualidade do material solo garante um grande show, mas a reação aqui deixou claro que mais uma ou duas músicas do material que consagrou sua voz na história do estilo não seria uma má ideia. Ainda assim, ninguém que acompanha minimamente a trajetória da “banda” Tarja foi pego de surpresa. É assim desde sempre!

Em modo acústico, veio mais um medley com “Until Silence”, “The Reign”, “Mystique Voyage” e “House of Wax”, esta última do gênio que atende pelo nome de Paul McCartney. Está legal para você? Agora imagina o que fechou a parte acústica da brincadeira. Com uma folha de papel na mão, servindo de cola para a letra, Tarja colocou seu português para trabalhar em “Lanterna dos Afogados”, clássico do Paralamas do Sucesso. Tem como não ficar sensacional? Não tem. E ficou sensacional. Obviamente, a iniciativa arrancou efusivos aplausos do público. Mais pontos para o carisma único da vocalista.

“Undertaker” foi mais uma de “The Shadow Self” a aparecer, e mais uma vez provou como o disco mais recente disco de estúdio é ótimo. Ainda dele, tivemos “Love to Hate”, e “Victim of Ritual” encerrou a parte regular sendo uma das mais celebradas pelo público, que a tem no coração. E que interpretação a moça deu aqui! Para o bis ficaram reservados alguns de seus maiores sucessos. A mais que simbólica “I Walk Alone” – que, inclusive, foi usada como trocadilho em agradecimento aos presentes por parte da cantora, um pouco antes –, a última “nova” da noite, “Innocence”, e as arrasa quarteirão “Die Alive” e “Until My Last Breath” fecharam uma apresentação impecável com Tarja Turunen sendo a última a deixar o palco. Até o fim, Tarja balançou a cabeça e esbanjou simpatia.

Sim, talvez a palavra impecável tenha mudado um pouco depois de ela tocar uma tal de “The Phantom of the Opera” em São Paulo, uma semana depois, mas ainda assim a um dia Cidade Maravilhosa pôde ver uma grande apresentação de heavy metal, uma grande apresentação de uma mulher que a cada noite vai deixando assim uma marca ainda maior no estilo.

Em tempo: infelizmente, não conseguir chegar a tempo da apresentação do Soulspell. Ao entrar no Circo Voador, a banda liderada pelo baterista Heleno Vale, mentor de um projeto único no metal brasileiro, estava encerrando o seu set. Mas a julgar pela reação dos presentes, a primeira passagem do grupo pelo Rio de Janeiro foi mais do que bem-sucedida. Portanto, fica a torcida por uma volta muito em breve. E com um show para chamar de seu.

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