Live Evil

TOXIC HOLOCAUST / EXODUS

Minas Brasília Tênis Clube - Brasília/DF, 02 de outubro de 2014

A missão de sair de Goiânia rumo a Brasília em plena quinta-feira tinha um motivo mais que especial: conferir um dos shows mais aguardados do ano na região. Afinal, era a volta de Steve “Zetro” Souza, que havia deixado a banda de forma um tanto conturbada após a turnê de “Tempo Of The Damned”, em setembro de 2004. Além disso, o público Metal do Centro-Oeste ainda teria como “bônus” o Toxic Holocaust.

Os norte-americanos de Portland/Oregon estavam prontos para despejarem o seu Thrash/Crust Metal de forma impiedosa para os brasileiros. A grata surpresa ao chegar ao local foi constatar a boa presença de público no Minas Brasília Tênis Clube. Ao entrar no recinto, os fãs tiveram à disposição uma banca com o merchandising do Exodus, tudo bem organizado mas com produtos limitados. O palco já estava parcialmente decorado com a nova temática da capa de “Blood In, Blood Out”, o novo do Exodus, mas quem estava passando o som era o Toxic Holocaust. Deu para perceber a excitação da banda para finalmente conhecer seus fãs locais. A estrutura foi bem montada, exceto pela grande distância entre o palco e o público, algo que não combina com um show de Thrash Metal e mais se parece a de um grande festival.

Seja como for, quando o Toxic Holocaust adentrou no palco o som estava meio embolado no início, principalmente o vocal de Joel Grind, que entrou anunciando a pedrada “Awaken the Serpent”, faixa de abertura de “Chemistry Of Conscionsness” (2013). A banda é eficiente em cima do palco: o baixista Phil Zeller tem uma presença raivosa e agressiva e o batera Nikki Rage é uma máquina por de trás de seu kit, bem modesto, por sinal.

O grupo mandou uma pedrada atrás da outra e o ponto alto ocorreu quando a galera invadiu a área reservada para a imprensa – de fato, os fãs que pularam a proteção só queriam chegar perto de seus ídolos. Naquele momento, Joel Grind gritou: “É isto aqui que tem que ser um show de Thrash. É isso que eu gostaria de ver aqui!” E então mandaram a porrada “Bitch”, de “Conjure And Command” (2011). Nesta, uma fã enlouquecida escalou o palco, sozinha, e começou a dançar selvagemente na frente do vocalista. Com sua mistura de Venom e Thrash Metal, mais para a vertente alemã, e com algo de Crossover e Crust, fizeram um ótimo show.

Não demorou muito para que os Thrash Maniacs do Exodus entrassem destruindo tudo com a icônica “Bonded By Blood”. O caos estava instaurado, mas o entusiasmo dos fãs beira o indescritível. Parecia que todos estavam possuídos por uma força que somente os obrigava a banguear e obedecer os comandos de Zetro Souza. Em seguida veio “Scar Spangled Banner”, mas as cabeças literalmente rodaram furiosamente com um dos clássicos da fase Paul Baloff: “And Then There Were None”.

Zetro é extremamente comunicativo, brincou e interagiu com o público o tempo todo. A iluminação estava ótima, mas parecia que algo estava errado com a guitarra de Gary Holt, que aparentava estar muito irritado, pois deu para vê-lo reclamando o tempo todo com Lee Altus durante as quatro primeiras músicas. Nitidamente algo não estava funcionando com seu equipamento. Durante o intervalo, logo após a excelente “Fabulous Disaster”, as coisas finalmente melhoraram para Gary. Por outro lado, para a plateia ensandecida tudo estava perfeito, com todos cantando e berrando os refrãos com a banda. O show prosseguiu com uma faixa da fase Rob Dukes, “Children of a Worthless God”, de “The Atrocity Exhibition: Exhibit A” (2007). Esta foi logo emendada por nada menos que outro clássico do debut, “Piranha”, que fez o público abrir selvagens rodas!

Quando uma ‘intro’ tribal começou a rolar nos PA’s todos sabiam que era chegada a hora da festa canibal da emblemática “Pleasures Of The Flash”. Mais uma pequena pausa e então Zetro perguntou se estávamos preparados para aprendermos uma lição, anunciando “A Lesson In Violence”, que soou brutal e violenta. Cabeças rodando furiosamente, rodas, e cervejas voando em nossas cabeças. A festa não parava e veio mais uma pancada fase Rob Dukes, “Iconoclasm”. Zetro perguntou se o público estava cansado e a resposta foi um tremendo: “Não!”

Assim, vieram dois clássicos, um antigo com “Metal Command” e outro mais recente, “Blacklist”. O fim do espetáculo estava próximo, mas ninguém ali parecia querer que ocorresse. A banda, inclusive, parecia se divertir muito em cima do palco. A entrosada dupla Gary Holt e Lee Altus pode ser considerada uma das mais brutais e agressivas do Metal. O baixista Jack Gibson é preciso e furioso, não para de bangear e anda pelo palco selvagemente, enquanto o monstro Tom Hunting é simplesmente um absurdo – como este cara consegue tocar tudo tão perfeito nesta fúria e velocidade?

O show continuou com mais porradarias como “War Is My Shepherd” e “The Toxic Waltz”, com a galera agitando demais esta clássico definitivo da banda e do Thrash Metal. Um fã até conseguiu driblar a segurança, subir no palco e abraçar Zetro, pulando para a galera novamente. Com a adrenalina em alta, na hora da imortal “Strike Of The Beast” o bicho realmente pegou, pois o público começou a organizar uma ‘wall of death’ e na metade da música, com a contagem realizada pelo próprio Zetro, o caos se formou. Todos os envolvidos se divertiam e mais pareciam crianças em um parque de diversão. Nenhuma briga ou confusão, nada disto ocorreu neste evento, somente música e muita confraternização. Para fechar, a banda voltou para o bis e mandou “Good Riddance”, mais uma da fase Dukes, do álbum “Exhibit B: The Human Condition”. Sinceramente, morna para um final de um show tão apoteótico e aguardado. Nada que desabone o Exodus, que provou por que é um dos pais do Thrash Metal e, mesmo com seus membros beirando os 50 anos, ao vivo ainda é brutal e violento. Todos fizeram a sua parte, da organização da Outcast, a participação do público do Centro-Oeste e as bandas. Que tenhamos mais noites como esta!

SETLIST – TOXIC HOLOCAUST:
Awaken The Serpent
Wild Dogs
Nuke The Cross
Reaper’sGrave
Endless Armageddon
In The Name of Science
Gravelord
Was is Hell
The Lord of the Waste Land
Bitch
666
Metal Attack

SETLIST – EXODUS:
Bonded by Blood
Scar Spangled Banner
And Then There Were None
Fabulous Disaster
Children of a Worthless God
Piranha
Pleasures of the Flesh
A Lesson in Violence
Iconoclasm
Metal Command
Blacklist
War Is My Shepherd
The Toxic Waltz
Strike of the Beast
Good Riddance

 

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