Live Evil

VENOM INC.

Rock Experience - Rio de Janeiro/RJ, 17 de dezembro de 2015

Amaldiçoados aqueles que tiveram a chance de assistir ao Venom Inc. no Rock Experience numa noite calorenta de dezembro, no Rio. Amaldiçoados porque foram vítimas e testemunhas de um evento que jamais tornará a se repetir: uma viagem no tempo. Pois foi isso que as 250 pessoas presentes viveram durante as duas horas de show.

A máquina do tempo foi ligada por “Prime Evil”, e os urros de Tony Dolan, também conhecido como Demolition Man, fizeram cair, logo de cara, qualquer lamento pela ausência de Cronos. E mesmo sem este, o trio inglês foi responsável por manipular o tempo. Afinal, Mantas e Abaddon estavam lá – além de Demolition Man, claro, substituto do próprio Cronos em tempos longínquos.

“Die Hard” levou a galera direto para 1983. O refrão ecoava forte, a roda de pogo já estava aberta… Não havia mais retorno. “Don’t Burn The Witch” manteve o clima nostálgico, mas a música seguinte provocou a primeira comoção no público – saudavelmente misturado, mas com maior presença de coroas na faixa dos 40 anos: “Live Like An Angel”, primeira faixa gravada pelo Venom no distante ano de 1981!

“Buried Alive”, “Raise The Dead” e “One Thousand Days In Sodom”… A turma já estava na mão do capeta, mas era pouco. Mantas anunciou “Warhead” e regeu o coro metálico. Houve quem chorasse com o clássico, lançado em 1984. Voltamos todos ainda mais três anos no tempo: “Schizo”, de “Welcome To Hell”, eterno clássico e um dos discos mais importantes da história.

Àquela altura, a apertada sala já tinha virado um pandemônio. Abaddon parecia um tanque de guerra e era constantemente reverenciado pelos presentes. Com seu visual clássico, de óculos Rayban e tudo mais, o mito agradecia ao ficar de pé na bateria. “Seven Gates Of Hell”, “In Nomine Satanas” e a enérgica “Bloodlust” mantiveram elevados os níveis de enxofre no ar, mas a coisa começou a ficar preta com “Sons Of Satan”. O caos tomou conta do local… Nem Deus, se existisse, daria conta do público, já possuído.

Mas o melhor (ou pior?) estava guardado para o fim. “Welcome To Hell” foi cantada em uníssono. “Black Metal”, música que cunhou e forjou todo um movimento, elevou o nível de agressividade. A máquina do tempo estava em 1983, mas ainda faltava mais. “Countess Bathory” fez muito coroa virar criança, mas ainda tinha espaço para uma demolidora “Witching Hour”.

O trio desceu do palco e passou pelo meio de um público em êxtase. Apesar do calor, ainda atenderam os fãs, durante uma hora, para fotos e autógrafos. Mas chegou a van que transportaria o grupo ao hotel, e o feitiço do tempo foi quebrado. A década de 80, enfim, acabara. Estavam todos de volta aos tempos de banda insípidas, politicamente corretas e que tornaram o Metal um paraíso de boas intenções e ideias rasas. Mas a magia daquela noite está preservada para sempre. O que se falava no pós-show, no pé-sujo da esquina, era: “Uau, acabei de ver um dos melhores shows de todos os tempos”. E viram mesmo…

Setlist
1. Prime Evil
2. Die Hard
3. Don’tBurnThe Witch
4. Live LikeAn Angel (Die LikeADevil)
5. BuriedAlive
6. RaiseThe Dead
7. One Thousand DaysIn Sodom
8. Warhead
9. Schizo
10. The Seven Gates OfHell
11. In Nomine Satanas
12. Bloodlust
13. Sons OfSatan
14. WelcomeToHell
15. Black Metal
16. CountessBathory
17. Witching Hour

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