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VINNY APPICE – 15 de novembro de 2018, São Paulo/SP

Manifesto Bar – São Paulo (SP)

Novamente com produção da web rádio Rock Freeday, o ex-Black Sabbath, Heaven and Hell e Dio Vinny Appice retornou ao Brasil – país que ele adora visitar. Se em junho de 2015, data de sua última passagem por território verde e amarelo, o músico novaiorquino que em 18 de janeiro de 2017 foi induzido ao Hall of Heavy Metal History por sua contribuição como baterista, esteve em diversas cidades fazendo workshops, dessa vez colocou em sua agenda São Paulo, Santo André (SP), Botucatu (SP), Campinas (SP) e Belo Horizonte (MG) para realizar shows de celebração ao clássico álbum que marcou sua estreia no Sabbath, substituindo à Bill Ward: o ótimo Mob Rules. Para acompanhá-lo na “Mob Rules Brazil Tour 2018”, em que iria mostrar ao público as músicas que gravou em 1981 no clássico décimo álbum de estúdio do Black Sabbath, junto aos geniais Tony Iommi, Geezer Butler e Ronnie James Dio, Appice contou com um trio de estrelas da música pesada nacional, formado pelo vocalista Nando Fernandes (Sinistra, ex-Hangar e Cavalo Vapor), o baixista Fernando Giovannetti (Armored Dawn, ex-Karma e Aquaria) e o ex-guitarrista de Dr. Sin, A Chave do Sol, Tork e Anjos da Noite, Edu Ardanuy – exceto em Belo Horizonte, onde no dia 18 o baterista terá ao seu lado a veterana banda Concreto.

No show realizado na capital paulistana na última quinta-feira de feriado nacional do dia da Proclamação da República do Brasil, Vinny Appice foi recebido por um bom público no bom e velho Manifesto Bar. Após entrada triunfal, Appice, Fernandes, Ardanuy e Giovannetti foram ainda mais ovacionados pelo público quando começaram a tocar a eletrizante Turn on the Night. Você leitor que não esteve presente, deve estar pensando que o repertório seguiu a mesma sequência de Mob Rules. Entretanto, apesar de o quarteto ter iniciado a noite com a mesma música que abre o álbum, a ordem do repertório era aleatória. E foi um deleite para os ouvidos ouvir temas incomuns como Country Girl, Slippin Away e a intensa Fallin Off the Edge of the World, bem como a aguardada The Mob Rules e a forte Sign of the Southern Cross, ainda mais sob o groove de pegada pesada e com classe de Vinny Appice.

Edu Ardanuy

Além do dito álbum, já era esperado – conforme previamente informado pela produção -, alguns clássicos que Appice gravou na carreira solo de seu saudoso amigo Dio. E não teve quem não cantasse e vibrasse com as marcantes Holy Diver, Stand Up & Shout e Rainbow in the Dark, de Holy Diver (1983) e We Rock, do também impactante The Last in Line (1984) – Pena não ter rolado a própria The Last in Line. Impressionou notar o quão entrosados os músicos estavam. As performances individuais do trio brasileiro fizeram juz à escolha de cada um deles para essa missão ao lado de Appice, músico que também tem em seu currículo, trabalhos gravados com Kill Devil Hill, Rick Derringer, Axis, World War III, 3 Legged Dog, Resurrection Kings, Last in Line e outros, e que em 2017 lançou com seu irmão mais velho, o também influente baterista Carmine Appice, o álbum Sinister. As músicas do Sabbath e do próprio Dio gravadas na voz do respeitado baixinho caíram bem para a do carismático Nando, que cantou todas com a facilidade que só um cara com o seu talento é capaz – e olha que até War Pigs, da fase com Ozzy Osbourne, ficou legal. Também era espantosa a segurança e a destreza com que as linhas de baixo eram executadas por Giovannetti, que sentava o dedo, dispensando o uso de palheta. Já Edu Ardanuy… Bem, quem o conhece como guitarrista, sabe o quão absurdo é o que ele faz nas seis cordas. E como se não bastasse o peso que distribuiu nos riffs, Edu foi cavalar nos solos, principalmente no de Rainbow in the Dark, que foi de arrepiar.

Voltando a falar de Appice, músico que foi prodígio ao começar a tocar aos nove anos de idade e que aos dezesseis trabalhou para ninguém menos do que o falecido ex-Beatles John Lennon, no auge de sua carreira era conhecido por utilizar kits monstruosos de bateria. No show, ele mostrou que mesmo hoje em dia preferindo “arsenais” mais modestos em termos de quantidade de peças, ele não perdeu a mão. Isso ficou claro, inclusive, no solo que fez na metade do set. E por falar em sua performance e também em tamanho de instrumento, vale a pena conferir o solo de quase oito minutos que Vinny, autor do livro/método Rock Steady: A New Drum Method (1984), faz em uma gigantesca bateria no vídeo instrucional Hard Rock Drumming Techniques, que lançou em 1987.

Nando Fernandes

Nesse seu show mais recente, Vinny Appice reservou algumas surpresas para os fãs. Além de tocar alguns hinos do Black Sabbath que foram originalmente gravados por Ward, contou com outros músicos brasileiros, como convidados. O primeiro a ser chamado ao palco foi o líder do Sepultura Andreas Kisser, que entrou empunhando uma guitarra Gibson modelo SG, obviamente homenageando o pai dos riffs, Tony Iommi. Agora tente imaginar o quão espetacular foi presenciar Heaven and Hell sendo executada por uma dupla como Kisser e Ardanuy! Animal, não é mesmo? Agora pense o quão brutal ficou Neon Knights com os dois sendo acompanhados por uma terceira guitarra, comandada pelo ex-Korzus Sílvio Golfetti. Na mencionada Rainbow in the Dark, rolou um duo entre Fernandes e Marcelo Saracino, vocalista do Heaven & Hell Dio Tribute, que além de mandar bem cantando, imitava os gestuais de Ronnie Dio.

Vinny fazia questão de anunciar algumas músicas e antes de apresentar Voodoo, disse que essa de Mob Rules é a favorita de Iommi. O encerramento do show com Children of the Sea ficou muito bonito com o público cantando o refrão. Ao final dessa, Appice se juntou aos músicos na beira do palco para cumprimentar o público. Mas atendendo aos pedidos de “one more song”, Appice reassumiu seu posto e, sem Ardanuy, mas com Kisser e Golfetti nas guitarras, se despediu com Paranoid (que não estava programada), que terminou com a inserção do refrão de Heaven and Hell, que foi finalizado de maneira um pouco enroscada.

Andreas Kisser

Só não dá para dizer que Mob Rules foi tocado na íntegra, porque faltaram a sinistra instrumental sem bateria E5150 e a cadenciada Over and Over. Ainda assim, foi muito bacana reencontrar Vinny Appice, que no especial da ROADIE CREW sobre os “60 Pesos Pesados da Bateria”, que fora lançado em comemoração à nossa edição #200, em setembro de 2015, ficou em sexto lugar na lista que consistiu do voto de mais de 200 eleitores (bateristas, jornalistas, radialistas, produtores e personalidades em geral), que tiveram como missão, cada um, listar os seus dez bateristas de todos os tempos. Torço agora para que Vinny Appice retorne ao Brasil, se possível para celebrar da próxima vez o outro grande álbum de estúdio que gravou com o Black Sabbath, o qual considero o melhor da carreira da banda: o estrondoso, Dehumanizer.

Fernando Giovannetti

VINNY APPICE – Setlist

Turn Up the Night

Holy Diver

The Mob Rules

Country Girl

Stand Up and Shout

Slippin Away

War Pigs

The Sign of the Southern Cross

We Rock

  • Solo de bateria

Fallin Off the Edge of the World

Heaven and Hell

Voodoo

Neon Knights

Rainbow in the Dark

Children of the Sea

Paranoid

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