Live Evil

Voodoopriest, Rhino, Desgraceira, Kyhary e Infected

Chopperia LollaPalooza - Santo André/SP, 17 de outubro de 2014

Após a estreia bem sucedida com um EP autointitulado, o Voodoopriest pavimentou ainda mais seu caminho com o lançamento do álbum “Mandu”, que tem como tema a história do índio Mandu Ladino, que lutou conta o extermínio das tribos indígenas no Piaui, que pode ser considerada uma das melhores estreias do Metal nacional, cujo repertório está sendo provado nos shows, como nesta última sexta-feira (17), na tradicional Chopperia LollaPalooza, em Santo André (SP), que nos últimos meses recebeu grupos como Genocídio, Worst e os germânicos do Nuclear Warfare.

Junto com os anfitriões, foi escolhido um cast pra lá de marcante para celebrar esta festa da música pesada, que uniu bandas novas (Rhino e Desgraceira) com outras mais rodadas como o Kyhary e a Infected, que iniciou a programação, que estava prevista às 20h, mas que começou mais de três horas depois.

Conhecidos do público, o Infected mostrou o seu Thrash inspirado na escola americana, que tem como ponto alto as guitarras de Rodrigo Costa e Henrique Perestrelo, que alternam as melodias tradicionais e riffs mais técnicos e cortantes, como podemos ouvir nas músicas de seu novo trabalho, a demo “Beerstalkers”, que apontam uma banda mais técnica e madura, como mostraram em “Emotional Disease” e “Bipolarized”. Mas a cozinha formada por Hugo Golon (bateria), Bruno Tarelov e o vocalista Ronaldo “Bodão” formam um time seguro, que faz a alegria dos thrashers, o que se comprovou mais uma vez neste show de abertura. Precisam urgente lançar um novo álbum de inéditas.

Ainda na linha do thrash, mas com muito groove e influências Hardcore, o Kyhary mostrou seu som violento e sem concessões. Promovendo o álbum “Inocência, Escolhas…Fim”, Luciano BN (guitarra e voz), Renato Romano (guitarra), Denis Nohia (baixo) e Denis Roosevelt (bateria) mostraram-se um grupo sincronizado e com músicas encorpadas como “Fé e Indiferença”. “Não há mais volta” e “Eu Não Vou Aguentar”, dona de backing coesos e agressivos. Outro destaque no show foi a faixa “Julgamento”, que contou com a participação especial de Luiz Artur (Desgraceira, ThisFound Grace). Com o tempo corrido, o que gerou um pequeno estresse. A banda não executou todo o set, encerrando com “Sentença”, mostrando que é um grupo que deve ser ouvido pelos amantes de um som mais atual.

As bandas Desgraceira e Rhino foram responsáveis pela parte mais brutal do festival. A primeira, de São José dos Campos tem um jeitão mais Crossover, com muito sarcasmo e experimentalismos, como em “Sororoca da Morte” e “Medo de Avião”, cujo início é o mesmo da canção do Belchior (sim, ele mesmo), mas que depois vira uma pancadaria extrema. Um show interessante, agressivo e diferente. Ponto para o quarteto formado pelo já citado vocalista Luiz Artur, que está acompanhado por Leonardo Melo (guitarra), Ricardo Takamatsu (baixo) e Jefferson Slivka (bateria).

Rhino conseguiu dar uma cara brutal ao Thrash e Hardcore.  Com músicas curtas e uma agressividade absurda, o quarteto tem como destaque os vocais mortíferos e certeiros de Ricardo Viola. Prestes a lançar seu primeiro EP, o grupo tem tudo para angariar os fãs do estilo.

Já eram 3h15 da madrugada quando o Voodoopriest subiu ao palco. Vitor Rodrigues (voz), Renato De Luccas (guitarra), Cesar Covero (guitarra), Bruno Pompeo (baixo) e Edu Nicolini (bateria), todos músicos renomados que dispensam apresentações mostraram que o “Voodoo” se tornará em pouco tempo um dos maiores nomes do metal pesado no país ao lado de Krisiun, Sepultura e Torture Squad. A apresentação, como esperada teve como 90% do repertório no recém-lançado álbum “Mandu”, que chama a atenção pela intensidade do instrumental em especial a dinâmica das guitarras e claro, o gogó do vocalista, que é um dos melhores do país e do mundo neste quesito, como foi visto e ouvido em músicas como na trabalhada “Dominate and Kill” e a agressiva “Warrior”. Outros momentos de destaque foram a faixa-título (cujo refrão foi cantado por todos), “Trail of Blood”, cujo início e estrutura lembram os momentos mais técnicos do Testament e “Juggernaut”, a única do EP apresentada no show e que encerrou a excelente apresentação do quinteto, que terminou às 4h15 da manhã, que tiveram poucos, mas fiéis e sedentos fãs, além da simpatia do grupo, que não se negou a autografar discos e tirar fotos!

Poderia encerrar a resenha por aqui, mas algumas coisas precisam ser ditas para que as coisas melhorem nos shows: de nada adianta os organizadores trazerem grupos de renome se o público não comparece (apesar de ter um considerado número nesta noite). Acredito que é uma questão que deve ser discutida entre os donos das casas, produtores, bandas e uma parte do público para que se enxerguem soluções e que JUNTOS consigamos mudar esse quadro, pois como muitos de vocês, eu adoro shows e não quero que o metal nacional fique relegado a uma meia dúzia de pessoas ouvindo suas músicas favoritas numa jukebox. Já passou da hora de uma mudança.

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