Live Evil

ZAKK WYLDE

Carioca Club - São Paulo/SP, 22 de agosto de 2015

Ingressos esgotados e fila gigantesca na porta. Cenário um tanto caótico e contraditório para um show em versão desplugada. Porém, justificável por ser o retorno à cidade do guitarrista que há muito foi além do rótulo de ex-membro da banda de Ozzy Osbourne e segue relevante com o Black Label Society e projetos solo. São Paulo recebeu a primeira data e deu início a essa tour sul-americana intitulada “An evening with Zakk Wylde”, que também passou por Porto Alegre (RS), Argentina, Uruguai e Chile, trazendo o vocalista e guitarrista em versão acústica e intimista ao lado seu companheiro de banda, o também guitarrista Dario Lorina.

Sem atração de abertura, o desafio foi acomodar todo mundo e segurar o ânimo da galera. O público já se espremendo na pista e camarotes ficou alheio ao que acontecia nos bastidores. Por uma blindagem desnecessária por parte da equipe de Zakk, os fotógrafos profissionais e credenciados não puderam registrar o show da primeira fila, como normalmente acontece. Com o acesso proibido, somente a equipe da produção local e os registros dos fãs ficaram disponíveis para divulgação. E era um mar de câmeras e celulares acesos durante toda a apresentação e, horas depois, não foi difícil achar vários vídeos e versões de praticamente todas as músicas executadas. Essa restrição, aparentemente, foge à regra do carismático e talentoso Zakk, que compensou o stress com um set curto, mas que sintetiza toda a sua carreira. As faixas foram lindamente entoadas pelo público, que não se decepcionou com a mistura de sons, incluindo músicas do Black Label. Aliás, quem esperava algo mais focado no disco “Book of Shadows” (1996) se surpreendeu. O BLS esteve de toda forma presente. Não só no set como no pano de fundo adornando o cenário.

Apesar de algumas apostas dos fãs para ver qual seria a primeira, a que abriu o show foi “Losin’ Your Mind” do Pride & Glory, grupo que teve apenas um registro em estúdio, homônimo, lançado em 1994. Esta foi seguida pela ótima versão de “Suicide Messiah”, faixa de “Skullage” (2009), a primeira do Black Label no set. Priorizando o espetáculo e quase não falando com a plateia, Zakk mostrou virtuosismo, versatilidade nas cordas e em comandar plateias. “Road Back Home”, de “Book of Shadows”, foi cantada em uníssono e essa Wylde levou no piano, instrumentou que se dividiu e tocou ao longo do show em algumas faixas.

Um dos destaques foi o solo em “Machine Gun Man”, também acompanhada pelo coro dos fãs. Outro ponto alto do show foi a execução de “Sold my Soul”, um dos hits do disco acústico e primeiro solo. Nesta, Dario Lorina tocou piano e Zakk comandou a galera.  O público interagiu o tempo todo, cantou todas e se emocionou com as versões mais calminhas de “Scars” e “The Blessed Hellride”, um hit que dá nome ao quarto disco do BLS, lançado em 2003.

“Empty Promises” foi outro momento de destaque do show e uma das melhores da última parte do set e, claro, contou com a sempre participação do público. “Dying Time” e “Throwin’ It All Away” foram as duas que vieram em seguida e o master hit “Stillborn” fechou lindamente o show. Ao final da música, um momento surpreendente e inesquecível. Um fã ergueu uma guitarra no meio da galera e Zakk pegou-a e ele e Dario assinaram a, agora, relíquia do felizardo. Sem dúvida, o show teve algumas ausências importantes, como “1,000,000 Miles Away”, uma das mais adoradas faixas de “Book of Shadows”. Mas, seja com banquinho e violão ou mandando ver na agressividade do BLS, o público sai extasiado pela oportunidade de curtir o talento de Zakk e Dario, numa das melhores e mais intensas apresentações que aconteceram em 2015 na capital paulista.

 

SET LIST:
Losin’ Your Mind (Pride & Glory)
Suicide Messiah (Black Label Society)
Road Back Home
Spoke in the Wheel (Black Label Society)
Machine Gun Man (Pride & Glory)
Sold My Soul
In This River (Black Label Society)
Scars (Black Label Society)
Empty Promises
Throwin’ It All Away
The Blessed Hellride (Black Label Society)
Dying Time
Stillborn (Black Label Society)

 

 

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